Espelho
O mímico das sombras, em pessoa | pelo corredor mais oblíquo
pareceu chegar. | Picadeiro exclusivo, | não fez graça, ressalva alguma…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
O mímico das sombras, em pessoa
pelo corredor mais oblíquo
pareceu chegar.
Picadeiro exclusivo,
não fez graça, ressalva alguma.
Carregado de pedras, tudo o que vi:
seu pesar.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
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O Espelho do Vazio
O mímico se arrasta, | não há luz o tocando, | um vulto na escuridão, | um sussurro silencioso. | Sua face é uma máscara sombria, | imitando o mundo com…
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O mímico se arrasta,
não há luz o tocando,
um vulto na escuridão,
um sussurro silencioso.
Sua face é uma máscara sombria,
imitando o mundo com suas mãos vazias,
mas o que ele reflete
não é vida, tampouco a morte,
é algo entre o tudo e o nada,
momentos perdidos nas linhas do tempo.
Ele te observa,
seus olhos são como espelhos,
onde o teu reflexo se perde,
onde o teu medo se esconde,
onde teu silêncio se quebra.
No palco de sua vida,
ele dança sem motivos
uma coreografia macabra,
movimentos sem alma e sem cor.
E quando ele te estende as mãos,
não é para te tocar,
mas para consumir o que resta de ti,
uma fome que não cessa,
uma sombra que não morre.
O mímico é o vazio que respira,
uma entidade que se molda no escuro,
sempre esperando
pelo momento em que será parte de seu show.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
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Entidade
Na fria balada da noite, sob o manto da neblina | Surge figura soturna, felina. | Com sorriso aberto, nova vítima procura. | Caçada furiosa empreende…
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Na fria balada da noite, sob o manto da neblina
Surge figura soturna, felina.
Com sorriso aberto, nova vítima procura.
Caçada furiosa empreende, mediante animalesca busca
Sem uma única palavra causa pânico e terror
Sangue-frio, entidade de puro horror
Sorriso amarelo, doentio e inebriante
Que rasga tecidos, causador de dor excruciante
Ameaça misteriosa torna a desaparecer
Assim que a mãe noite começa ao horizonte perecer
Assim, poderoso astro-rei desponta
Riso macabro, por fim, encerra sua afronta.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
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Soneto do Horror
Nas sombras dançam ecos de terror | Sussurro tenso e frio pela parede | Do espelho veja a morte — que horror! | Que bebe do meu sangue em muita sede…
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Nas sombras dançam ecos de terror
Sussurro tenso e frio pela parede
Do espelho veja a morte — que horror!
Que bebe do meu sangue em muita sede
Assombração que ronda tal lamento
Gargalham vozes tais, tão traiçoeiras
As velas que se apagam com tormento
Do próprio fogo e sangue são herdeiras
Sorriso desenhado no lençol
Em sangue, pele, carne e teu suor
Que embala o pesadelo noite afora
Já chega da tortura tão cortês
Vos rogo, me atormentem d’uma vez
À morte digo: “Olá, me leve embora”.
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Pela Fria Noite
Ádito aos templos, me detenho. | Corpo gravado com feitiços e magias, contemplo. | Lisonjeira mãe, que na escuridão oculta a todos | com garras soturnas…
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Ádito aos templos, me detenho.
Corpo gravado com feitiços e magias, contemplo.
Lisonjeira mãe, que na escuridão oculta a todos
com garras soturnas que me forçam a cair em seus engodos
Professa em meus ouvidos palavras adocicadas e poderosas.
Realizações que se farão, para mim, onerosas.
Cantemos, noite adentro, em belo dueto.
Tuas mãos a dar vida ao derradeiro soneto
A última obra de nossas entristecidas vidas,
Que jazem, aqui, totalmente despidas.
Talvez somente no frio do túmulo vazio
teremos nosso canto livre de desvio.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Transcende
Quero ser parte da relva | Desconhecido pela brisa que passa | Ser parte do mar e navegar profundo | Constante como o vento de todas as estações | Aquele que roda o mundo…
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“Existe prazer nas matas densas
Existe êxtase na costa deserta
Existe convivência sem que haja intromissão
no mar profundo e música em seu ruído.
Ao homem não amo pouco, porém muito a
natureza.”
Lord Byron
Quero ser parte da relva
Desconhecido pela brisa que passa
Ser parte do mar e navegar profundo
Constante como o vento de todas as estações
Aquele que roda o mundo
Diminui o ritmo para ver a chegada do verão
Passeia na neve do inverno sem tremer de frio
Permeia ruas barulhentas sem se incomodar
Quero ser como o voo azul das aves
Pintando de aquarela um lago luminoso
O brilho que soa orquestra
Uma árvore que dá balanços sem crianças
Uma gota d'água e finalmente descer a cachoeira
Um raio de sol já na atmosfera
Tocando a superfície fina e dura de uma rocha
Como um carinho
Queria ser campo, deitado, sem finalidade
Queria ser chão melado do amarelo de mangas caídas
Quase tudo que é belo ainda está livre das mãos
Pedaços de vidro como a imagem do céu
Nuvens que cuidam do vento
Ventos que cuidam das águas
Águas que dormem na terra
A terra que habita espíritos
Espíritos que suportam os corpos.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Levante de Halloween
A escuridão se avoluma, | sob sua luz escaldante. | Hoje, a Lua é Sol, | e o Sol se veste de noite. | Brilha como o próprio Sol, | seu açoite é abrasante. | Minh ‘alma se acostuma…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
A escuridão se avoluma,
sob sua luz escaldante.
Hoje, a Lua é Sol,
e o Sol se veste de noite.
Brilha como o próprio Sol,
seu açoite é abrasante.
Minh’alma se acostuma,
mira ossos caminhantes.
São vultos em brasas!
Folhas de outono a queimar...
Abóboras laranjas,
velas a incendiar
Saem das sepulturas,
os mortos a vagar.
Suas formas, impuras,
vêm os vivos abocanhar.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Samhain (Ode)
Noite sagrada, quando as bruxas dançam, | Sob a lua cheia, o mistério avança. | Samhain desperta o poder oculto, | Portais se abrem, o véu é dissoluto…
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Noite sagrada, quando as bruxas dançam,
Sob a lua cheia, o mistério avança.
Samhain desperta o poder oculto,
Portais se abrem, o véu é dissoluto.
Nos círculos mágicos, sob estrelas e astros,
As chamas do caldeirão tremulam no tempo.
Invocamos os espíritos, guias e anciãos,
Em sussurros antigos e cânticos pagãos.
A terra estremece, a morte floresce,
No coração da bruxa, o saber permanece
Ervas e runas, o inverno virá,
O ciclo sagrado; a água, a terra, o fogo e o ar.
Na escuridão, tecemos encantamentos,
Abraçamos a noite, seus segredos atentos.
A alma é livre, atravessa os planos,
Entre o que somos e o que fomos há anos.
Ó Samhain, portal entre mundos profundos,
Onde as sombras e a luz se fundem sem fim.
Celebramos a morte que renova os segundos,
E a magia que vive eternamente em mim.
As bruxas entoam seu cântico de poder,
Entre teias de estrelas e o luar a crescer.
Neste Sabá, o renascer floresce,
Enquanto o poder ancestral fortalece.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Andreas, Luz e Sombra
Entre estantes de saber e livros calados, | Eu a vejo, Andreas, flor que jamais tocarei. | Tão próxima e, ao mesmo tempo, inalcançável, | Caminha entre…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Entre estantes de saber e livros calados,
Eu a vejo, Andreas, flor que jamais tocarei.
Tão próxima e, ao mesmo tempo, inalcançável,
Caminha entre intelectos e vozes eruditas,
Mas seu silêncio é o que mais ecoa em mim.
Seus olhos, castanhos claros, são o sol em fuga,
Ora frágeis, brilhando como uma chama tênue,
Ora intensos, como se guardassem segredos ardentes.
Oh, que mistério habita seu olhar,
Que ao cair do dia, brilha como estrelas apagadas?
Sua pele, alva como o mármore dos antigos deuses,
Reluz sob a luz dourada da tarde,
E seu cabelo, meio loiro, meio ruivo,
Ondula como as páginas de um livro que nunca poderei ler.
Sua franja, caindo sobre os olhos, a esconde
E a revela — única, distante, encantadora.
Ah, Andreas, sempre em negro vestida,
Tão introspectiva, afasta-se dos círculos ruidosos,
Busca nas sombras das bibliotecas sua paz,
Enquanto eu, perdido em vãos olhares,
A contemplo como quem deseja o impossível.
No pátio iluminado, entre discussões acaloradas,
Você brilha com uma luz que não é do sol.
Mas nos cantos de penumbra, onde os sábios se retraem,
Seu vulto se funde ao mistério,
E eu, preso à distância, só posso cumprimentá-la
Com a fria formalidade de quem sangra em silêncio.
Que dor é essa que me consome,
De estar tão perto e, ainda assim, exilado de você?
Ah, Andreas, será que jamais saberei
Se teus olhos flamejantes me veem além da saudação?
Em cada encontro, meu coração se esvai,
Pois seus gestos suaves são para todos, menos para mim.
E nas sombras da biblioteca,
Eu escrevo poemas que nunca lerás,
Sonhando com um toque que nunca terei.
Mas, ainda assim, teu nome ecoa em meu ser,
Andreas, Andreas, musa que o destino me nega,
E enquanto existirem livros, enquanto houver luz e sombra,
Eu permanecerei aqui, condenado a contemplá-la,
Silenciosamente, eternamente, sem jamais ser notado.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Entre Estações
Na meia estação, entre a primavera e o verão, | há um sussurro quase imperceptível, | talvez seja o respirar das folhas que se preparam | para a chegada do calor…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Na meia estação, entre a primavera e o verão,
há um sussurro quase imperceptível,
talvez seja o respirar das folhas que se preparam
para a chegada do calor,
mas ainda sentem o frio da estação passada.
Nesse limiar, os dias, embora mais longos,
carregam o peso de uma oculta melancolia.
As árvores se vestem de verde
e o céu começa a queimar lentamente,
e desta forma a natureza quase hesitante,
teme o futuro que a aguarda.
Os ventos carregam sussurros de mudança,
e também uma memória que se recusa a morrer.
E assim somos nós,
presos nesse limbo entre a promessa e o esquecimento.
O calor da juventude se esvai
como as flores murchas aos pés de um jardim esquecido,
e, no entanto, ainda há vida,
ainda há esperança, pois, sementes ainda caem,
mesmo sabendo que o ciclo vai se repetir.
A meia estação é a metáfora perfeita para o humano,
para quem vive sempre no limite,
entre o que sonhou e o que alcançou,
entre o sorriso que se foi e as rugas que agora aparecem.
Como a natureza,
somos escravos de ciclos invisíveis,
presos em um tempo que não nos pertence,
mas sim ao eterno agora,
um instante suspenso onde tudo parece estar por vir,
mas onde tudo já começou a desvanecer.
Os campos, antes verdes,
agora são salpicados de tons que prenunciam
o dourado da morte lenta,
e nós, caminhamos por esses campos,
sentindo o peso do que fomos,
o desejo de ainda ser mais,
mas com medo de sucumbir ao calor do destino
que se aproxima com o sol a pino.
O verão que está chegando é o fim de uma era,
um momento de plenitude que traz consigo
o fardo inevitável da decadência.
Cada passo que damos é uma lembrança de que,
assim como a flor que desabrocha,
também murchamos com o tempo,
a beleza dá lugar ao desgaste,
o vigor à fragilidade que nos aguarda.
Na meia estação, nos olhamos no espelho
e vemos os traços de uma primavera que já passou,
mas que nunca nos deixou por completo.
É nesse ponto de transição,
que encontramos nossa verdade,
somos tanto o nascer, quanto o murchar,
tanto a promessa, quanto o fim.
E, mesmo assim, ainda caminhamos,
ainda sentimos o vento suave
que, por um breve momento, nos lembra
que existimos entre o tudo e o nada.
E talvez seja isso que nos define,
a meia estação da vida,
onde não somos totalmente jovens
nem completamente velhos,
onde nossos sonhos ainda florescem,
mesmo sabendo que o verão
não tarda a chegar,
com sua luz e suas sombras profundas.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
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Absentir-te
Virente arbóreo e úmido arrebol | Intenso verdinegro evanescente… | O fogo à vela é o único bel sol, | Enquanto uma elegia é confidente;...
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Virente arbóreo e úmido arrebol
Intenso verdinegro evanescente…
O fogo à vela é o único bel sol,
Enquanto uma elegia é confidente;
Receio qu’encontrar-te é meu conflito,
Aos poucos, ribanceira, entr’este ardor…
Longínquo faz… no torso o manuscrito:
Alálicas, as juras, amargor…
“Por que me foges, Áurea?” Porque sinto.
O horror de não saber toda a verdade…
Teu toque, a voz, o corpo, alma-absinto…
E toda a traiçoeira ambiguidade…
Ó, sonho! Deixe o pélago de mim
Jazer n’este teu íntimo verdim,
Pois sofro o ímpio mal da realdade.
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Canção na Escuridão
Você pode me ouvir, | Chamando seu nome na escuridão? | Pode ouvir meus passos, | Ecoando nas paredes, | Enquanto corro em sua direção?...
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Você pode me ouvir,
Chamando seu nome na escuridão?
Pode ouvir meus passos,
Ecoando nas paredes,
Enquanto corro em sua direção?
Eu te ouço cantando, sua voz me atrai.
A melodia suave, como brisa me encontra
E me leva a um frio jardim,
Com flores de um vermelho carmesim.
Lá no alto da torre do castelo,
Te vejo a lua contemplar,
Alheia a minha presença,
Sem me perceber, no silêncio implorar,
Por favor, não vá!
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Raízes de Vida e Morte
No silêncio de uma floresta esquecida,
Onde o musgo cresce entre segredos antigos,
Uma mulher vaga, solitária, perdida,
Com seu olhar buscando a verdade em vestígios.
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No silêncio de uma floresta esquecida,
Onde o musgo cresce entre segredos antigos,
Uma mulher vaga, solitária, perdida,
Com seu olhar buscando a verdade em vestígios.
O verde da floresta a envolve, denso e profundo,
Como um véu de esperança e também de inquietação,
Cada folha é como uma palavra, cada tronco um mundo,
Murmúrios de uma vida, a decadência de sua existência.
O verde cresce em sua mente de uma forma sutil,
Como promessas de vida que brotam em terra árida,
Mas logo a cor se transmuta em um sentimento hostil,
Que queima sua alma de uma forma violenta, ávida.
Raízes enlaçam seus pés e suas mãos,
Como se fossem correntes de um destino cruel,
O verde, que antes era promessa e vida,
Agora a aprisiona, um manto de fel.
Seu corpo se funde à terra escura,
Carne e folha, sangue e seiva misturados,
O verde que outrora fora a cura,
É agora veneno, destinos trocados.
A decadência se instala, lenta,
Como um outono sem fim, sem retorno,
A mulher se torna parte da floresta,
Um espectro verde em eterno abandono.
Na escuridão da mata, ela jaz,
Um eco de vida que se perdeu,
O verde, quem um dia foi paz,
É agora a cor da mulher que morreu.
Leia mais em Poesias”:
Até um breve encontro
durante minha jornada pela | doce tortuosa estrada da vida | conheci alguns amores que fizeram verão | outros que nem sei mais onde estão...
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durante minha jornada pela
doce tortuosa estrada da vida
conheci alguns amores que fizeram verão
outros que nem sei mais onde estão
mas existe uma em especial
que docemente marcou meu coração
conheci em um momento de solidão
sem pensar que o amor se tornaria ilusão
foram passeios e juras de amor
cartas apaixonadas e poemas escritos
o destino nem sempre é um bom amigo
às vezes ele nos prega peças sorrindo
em uma sinuosa curva na estrada
meu amor seguiu e não voltou
um anjo belo tocou sua harpa
e para longe de mim a levou
ó meu Deus porque deixastes
éramos apenas dois amantes
a desbravar por um oceano tranquilo
como dois ingênuos navegantes
sonharei com minha amada
sei que em breve a encontrarei
por ela tenho o tempo que for
um dia em meus braços novamente a terei.
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Lôbrego Pássaro
Virente alfombra, um manto surreal | Curvando nas estantes, relva e flor, | Abaixo d’um solar transcendental, | Um flúmen próprio rega o esplendor; ...
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Virente alfombra, um manto surreal
Curvando nas estantes, relva e flor,
Abaixo d’um solar transcendental,
Um flúmen próprio rega o esplendor;
Ouvindo um canto lôbrego e sublime
Por entre livro e arbusto, eu o encontrei,
Um preso negripúrpuro — ó crime!
Com asas, sem voar… eu lhe afaguei;
Cantava como a morte e igual a um flúmen
Corvino, longa crista, formidável!
Porém, nos olhos úmidos, um lúmen;
Narrou-me: “Será que há de ser curável
As úlceras d’um’alma encarcerada?
Se livre, verei a vida obliterada
Ou sonho de fortuna venerável?”...
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Artemísia
A pressão rompe o silêncio na madrugada | Vibra o éter como música e ressoa | Reverbera no acetato, ainda...
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A pressão rompe o silêncio na madrugada
Vibra o éter como música e ressoa
Reverbera no acetato, ainda longe da alvorada
Cadente, nos ouvidos desta pessoa
Aos poucos me vem memoráveis momentos
Que longe vai o meu pensar
Reavive voraz a figura e me revira o intento
Faltava a substância de alucinar
Aquela do verde frasco deixado na prateleira
Insiste, ainda que eu queira,
No convite para expirar os vapores novamente
Doces ilusões inspiradas na mente…
Tão logo nas minhas mãos impregnaram seu cheiro,
Contra a janela fumaça e nevoeiro,
E o perfume se expande neste cômodo lugar
Como se arrebentasse um vidro de perfume inteiro
E subitamente se espalhasse pelo ar
Descomedido, fui além do que posso aguentar
Oito taças me arrisquei ingerir
Insistindo por várias horas sobre a mesa do jantar
Para no último gole então descobrir
Materializava um corpo bem onde eu estava
A forma feminina a dançar em minha fronte
Mais derretido e sombrio eu ficava
Como se um riacho desaguasse no aqueronte
Sufocado eu pedia uma fonte de água
Depois, eletrificado, perdi de vez o sentido
Nesta hora era o tempo de ter me arrependido
Restou apenas um misto de todos os sentimentos
De todos os vapores, emplastros e unguentos
A rolar na minha pele como um óleo qualquer.
Algo então se rompeu em mim, algo que eu não saberia bem como explicar. Era uma lembrança talvez, ou talvez fosse um tipo de vontade (mais certo que era). Culpei o álcool e o exagero, mas a vida contigo foi um exagero em dobro, uma embriaguez de tantos anos que me assombravam naquele momento e se fixavam naquela forma perdida e naquele movimento.
Era um ideal, enfim entendi
Algo que estava em mim, mas não em você
E deixei-me jogado naquela cadeira
Sem me preocupar se havia um porquê
Fiquei contemplando o corpo despido
Por baixo da transparência daquele vestido
Eu dançava com os olhos, da minha maneira
Será que é sólida para que eu a abrace firmemente?
Não lembro ocasião de ter visto um ser todo verde
Mas sim com o rosto corado num tom de rosé
Tem forma, tem corpo e tem face
E todos eles pertencem a você.
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Lëvri
Azul luar, amor d’um vil talvez… | Eterno sussurrar-te, adocicado… | A tua natureza e profundez, | Paixão de meu desejo delicado…
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Azul luar, amor d’um vil talvez…
Eterno sussurrar-te, adocicado…
A tua natureza e profundez,
Paixão de meu desejo delicado…
Detrás d’estranha máscara senti,
Envolto a mil segredos, segurava
Buquê de níveas flores, assenti
A dança carmesim que me aguardava;
Após minha loucura angustiante:
Um vínculo febril, um deflorar
Vultoso em seu valor, e mais: errante!
Verdades desvelara sobre o amar
Que súbito se instaura livremente
Até o lembrar da rosa, sutilmente,
Fazendo um vil segredo me afastar.
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Promessas Vazias
Você me disse que eu teria um final feliz | Que haveria flores sobre mim | Que sobre à terra eu iria descansada permanecer | E que você não se esqueceria...
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Você me disse que eu teria um final feliz
Que haveria flores sobre mim
Que sobre à terra eu iria descansada permanecer
E que você não se esqueceria de sempre ir me ver
E ficar feliz por mim
Pelo meu merecido descanso
Estou pacientemente aqui deitada
Esperando tu Morte, porém sem sorte
Mais uma vez não veio me visitar
Isso tem se tornado entediante
Esse sofrimento constante de te esperar
Você que me garantiu que logo viria
E com isso já vivi mais do que deveria
Porque tudo não passou de promessas vazias.
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El Pesanta
En sombras de la noche, a tientas va, | silente entre los sueños, cruel es su andar, | un ser de pesadumbre y de pesar, | que roba al corazón su calma ya...
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
En sombras de la noche, a tientas va,
silente entre los sueños, cruel es su andar,
un ser de pesadumbre y de pesar,
que roba al corazón su calma ya.
Con manos de ceniza, al alma da
un peso inquebrantable, un hondo mar,
respiración cortada, turbio azar,
el eco de un gemido al despertar.
Es él, el Pesanta, Señor del miedo,
que oprime los pechos con fría patada,
y siembra en la penumbra su desvelo.
Mas cuando el alba rompe con su fuego,
se disipa el terror, su forma niebla,
dejando solo sombras en su sueño.
Leia mais em Poesias:
Matinal
O cheiro do café e a saliva no canto da boca | É verde manhã que se vê da janela | Paisagem de folhas roçando | E o silvo nos galhos os ventos balançam...
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
O cheiro do café e a saliva no canto da boca
É verde manhã que se vê da janela
Paisagem de folhas roçando
E o silvo nos galhos os ventos balançam
Numa sinfonia matinal um baile de insetos que dançam
Decompondo restos mortais
Lá fora, despedidas, beijo na boca e automóveis desfilam operários
O concreto racha e sucumbe às raízes
Floresce um amanhecer jardim neste fabulário
De vida e de morte
E na memória viva da noite passada
Madrugada adentro os dois estavam
Descrevendo as partes de suas próprias naturezas
Agora, é alvorecer do verde manhã se
Estendo ao azul céu
São as folhas das árvores que se desprendem e voam;
Aqui, etéreo é o cheiro do café, das salivas e da danação matinal
Os gatos regressam pra casa;
O lixo se detém nas calçadas;
Damos um trago na xícara e
Respiramos o ar marginal.
Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…