Caellum Noctis, Parte II - Minhas Memórias
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Eu havia entrado no que a Espectumbral chamou de Irihria. E nem nos meus melhores — ou piores — sonhos, eu imaginava algo tão… mágico.
Aos poucos, minha visão se ajustou e comecei a entender onde estava, mesmo que isso fosse irreal. Eu tentei entender, mas acho que enlouqueci, pois nada do que conseguia ver parecia real. O céu era vermelho, o rio era brilhante e o cheiro parecia velho e antigo. Apesar de estar ao ar livre, era como estar preso em uma sala empoeirada demais.
O azulíneo do rio brilhava ou parecia brilhar. A luz iluminava apenas o suficiente para que minha imaginação completasse o resto — formas que se moviam nas bordas da visão, sombras que podiam ser árvores ou coisas observando, esperando o melhor momento para atacar.
Aquele lugar era hostil, eu podia sentir. Mas não era uma hostilidade comum, era como se qualquer coisa pudesse me matar... a qualquer momento..., mas escolhia esperar, escolhia não ter que caçar e apenas esperar para quando eu não pudesse mais fugir.
E então, eu a vi.
Como se sempre tivesse estado ali. Me observando.
— Eleine — sussurrei, esperando que meus olhos e minha mente entrassem em acordo sobre aquilo ser real ou apenas minha mente pregando uma peça.
Não era possível. Não podia ser ela. Era fácil demais.
Mas meu peito não queria saber. Ele acreditava. E isso é o poder que a imaginação tem sobre os homens apaixonados…
Descobri depois o poder daquele azulescer. As plantas que pareciam chorar sangue tinham algum efeito sobre a mente. E eu fui apenas mais uma vítima.
A última coisa de que me recordei, antes de desmaiar, fora seus cabelos: pretos de um lado, uma mecha branca do outro. Ela se ajoelhou perto de mim, e eu pude ouvir sua voz preocupada, perguntando-me se estava tudo bem.
E então…
O vazio.
Quando acordei, estava deitado em uma cama dura. Minha boca tinha gosto amargo, e minha mente continuava nublada, como um quebra-cabeças com peças faltando. Se recuperei alguma memória ao vir para cá, eu a esqueci novamente.
— Vejo que acordou — disse uma voz.
Suave. Melodiosa. Quase sedutora.
— Tive que cuidar de você e te tirar de lá. Aquele lugar é difícil para recém-chegados.
Segui o som da voz, procurando de onde vinha. E então a encontrei.
Ela era diferente da mulher que vi na minha ilusão. Não era Eleine. Eu não conseguia sentir o desejo, o amor, o prazer que me atravessavam quando pensava no que Eleine significava. Aqui, havia apenas curiosidade. E cansaço.
— Quem…? — tentei perguntar.
Queria fazer tantas perguntas: “Onde estou? Quem é você? Onde encontro respostas sobre mim?”. Queria saber tudo, mas não sabia como me expressar. Minha cabeça doía. Minha boca não falava o que eu mandava.
— O remédio ainda vai levar um tempo. — Ela se aproximou, sentando-se numa cadeira ao lado da cama. — Os efeitos colaterais… bom, tudo ainda vai levar algum tempo para melhorar. — Ela colocou a mão em minha testa, sentindo o calor do meu corpo, me examinando.
Ela me observou em silêncio por um momento. Os olhos dela eram estranhos, de uma cor que nunca tinha visto antes, de uma cor que não existia. Mas ali, era tão real quanto qualquer coisa. Se é que alguma dessas coisas eram reais.
— Não sei por que está aqui, estranho — ela continuou, inclinando a cabeça. — Mas talvez tenha seus motivos. Todos têm.
— Quero... quero encontrar minhas memórias...
E eu pude notar sua expressão, ela sabia o que eu estava procurando, ela sabia quem eu estava procurando.
Caellum Noctis
Caellum Noctis nasceu com uma missão: desbravar o mundo através da palavra. Ele não escreve amores trágicos e finais infelizes por opção, mas por obrigação, para tirar uma ferida da alma e transferi-lo para o papel. Sua jornada começou nos poemas, único refúgio para seus sentimentos. Porém, os versos logo se tornaram insuficientes. A dor exigia mais espaço. Foi assim que Caellum partiu para os contos e a criação de mundos inteiros, para os quais agora escapa quando a realidade aperta. Escrever, para ele, não é um passatempo: é uma fuga necessária, uma forma de respirar.... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Águas termais acolhiam-me pelo sutil aquecer. Minha cabeça estava apoiada em lanuvenis e aos meus ouvidos vinha o longínquo som de qued’orvalho. Meus olhos…