Sahra Melihssa
Sou natural de São Paulo e nasci em 1994, no dia 28 de agosto. Venho me dedicando à arte da escrita desde a infância, com um compromisso inabalável que começou no ano de dois mil e quatro. Formada em Psicologia, com foco em Fenomenologia-Existencial, possuo uma marcada inclinação filosófica refletida em minha literatura.
Recentemente, publiquei “Sete Abismos” e “Sonetos Múrmuros”, obras que se destacam por uma poética distinta e uma narrativa refinada; alguns contos de “Sete Abismos” foram adaptados para o RPG “Chaves da Torre” da Editora Caleidoscópio.
Caracterizo minha literatura como “Morlírica”, pois possui intensidade poética e constante lapidação lexical. O “Morlirismo”, portanto, é o meu movimento literário e caracteriza-se por: 1) Hipersensibilidade emocional, sentimental e sensorial. 2) Lapidação poética de palavras, frases e parágrafos. 3) Descrições profundas e imersivas de cenários e estados psicológicos. 4) Natureza em evidência: plantas, fases da lua, animais, oceanos, desertos, climas, estações, insetos, etc. 5) Onirismo: sonhos, símbolos, acontecimentos fantásticos, vivências surreais. 6) Existencialismo: reflexões morais, questões da complexidade humana, fenomenologia do sentido. 7) Entrecruzamento da beleza, felicidade, amor, encanto e prazer com terrores, tormentos, deteriorações e decadências. Morlirismo, por fim, é a manifestação pura e sui generis minha rara escrita.
Meu elã se encontra em Edgar Allan Poe, Bram Stoker, H. P. Lovecraft, Heidegger e diversos outros autores e filósofos, entretanto, para mim, meus amigos poetas e escritores são as leituras principais e tudo o que construímos juntos é a fonte imortal da minha inspiração.
No âmbito musical, para que a escrita flua, o clássico/ambiente são valiosos para mim: das composições mundialmente conhecidas de Chopin às obras quase anônimas de Sanctorum. Nada, contudo, é mais inspirador que meu fascínio pelo silêncio e a solidão.
Sou, com orgulho imensurável, a Anfitriã do projeto/editora Castelo Drácula. Dedicado à publicação e edição de autores de literatura obscura através dos selos: HOR (terror e horror), NEEA (ficção científica), NUNCA MAIS (ultrarromantismo), SACRAM (religiosidade), MAESIA (fantasia), CERNE (existencialismo), MORLÍRIO (meu movimento literário) e, o maior: As Crônicas do Castelo Drácula.
Este último é uma criação em conjunto, um universo com sua própria constituição, construído com os autores que estão vinculados ao projeto. Através das Crônicas, dividimos inspirações, ressignificamos ideias, damos vida ao inominável e, principalmente, compartilhamos nossos talentos.
Ouso dizer que o Castelo Drácula é minha magnum opus.
Minha incursão no gênero terror começou cedo, com a escrita de “A Sombra” aos nove anos de idade. Entretanto, o Castelo Drácula emergiu por umbrífera admiração à obra de Bram Stoker e pela insaciável sede de incentivar o hábito da escrita. Ao publicar o Desafio Sombrio em 2024, conheci escritores que almejavam um local para publicar seus escritos criados para o Desafio — imediatamente a ideia do projeto nascera em meu coração e, ao longo dos anos, foi se consolidando.
Gerencio, além do Castelo, a Editora Lasciven, especializada em publicação de Literatura Erótica — “Intensiatez”, nossa primeira coletânea, está marcada para ser lançada em 2026. “Lasciven” tem sua origem nos meus primeiros escritos eróticos, originados na minha adolescência, por volta do ano de 2013.
Tudo o que construí hoje, possui fortes raízes em tudo o que sou, fui e serei n’esta vida. Metamorfoses acontecem e acontecerão sempre, mas a essência criativa e sensível permanecerá perpetuamente intacta.
Meu trabalho é imbuído de reflexões, enriquecido pela utilização de elementos líricos e simbólicos, evidenciando minha voz literária única e impactante. Eu sei disso, pois sinto ao escrever. Este é meu mundo, aquele qual pertenço, aquele que me traz sentido — reconheço minhas ideias e meus textos de longe, pois possuem personalidade e não há quem possa plagiá-los. Tenho unicidade, crio palavras através de sons, desvelo significações agudas em frases construídas sobre pilares de veemência; copiar-me com maestria requiriria uma vida inteira sendo eu.
Por fim, minha imersão atual está na criação das histórias: "A Fábula de Dandeliz", inserido no universo de “As Crônicas do Castelo Drácula” e “A Mansão Negra”. Em paralelo, dedico-me às minhas Sonuras — uma forma fixa de poesia musicalizada, caracterizada por uma melancolia profunda e sonoridade viciante. Tem uma estrutura semelhante ao soneto, porém, com mais fluidez e em violento elo com o Morlirismo. “Sonura” é a junção de “sonus” que significa “som” em latim; e “nura” — termo que adotei e signifiquei. “Nura” é o som do Morlirismo: lânguido, melancólico, triste, amargamente belo; um êxtase de solidão e sensibilidade. Todas as palavras que possuem “nura” em sua composição, arregam o som do Morlirismo.
Desejo que, aqueles que não temem a escrita rebuscada e poética, venham ao meu encontro, pois sei que sou a escritora ideal aos leitores mais soturnos e sensíveis. Sei que sou capaz de conduzir almas perdidas em busca de verdadeira intensidade, através de uma literatura autêntica, lapidada e de qualidade inigualável.
Entrevista
Nasci em São Paulo, Capital. Morei por um tempo no interior de SP, mas hoje eu vivo na Capital novamente, a Selva de Pedra.
Sou formada em Psicologia, com enfoque em Fenomenologia Existencial.
Gosto da profundidade com que ela expande as questões humanas à nossa consciência.
Acredito que nasci para a Escrita, para ela e por ela. Desde que me alfabetizei, encantei-me pelas letras e, por isso, ainda muito jovem, já decidi que seria escritora. Minha primeira história foi escrita lá pelos meus nove anos de idade, era uma história de terror. Ao longo dos anos esse vínculo apenas se fortificou e nunca foi tratado como um hobby ou uma fase; fui aprimorando e estou aprimorando minha arte cada vez mais e com incontestável amor.
Meu maior projeto, além dos meus livros, é o Castelo Drácula. Eu o criei com um carinho e uma fé surreais. Sinto ser o lugar em que posso ser o que sou e agregar pessoas que também sentem uma necessidade vívida de pertencimento a um lar que coincida com suas percepções e sensações. O Castelo Drácula é meu maior e único projeto artístico de literatura que agrega outras pessoas.
Eu crio outras artes, mas estas não possuem qualidade, uma vez que não me dedico a elas. Gosto de fazer ilutrações, principalmente digitais; gosto de cantar e compor músicas apenas com a voz. Sou Designer, então, considero que minhas criações são arte também, tais como logos e banners que possuem alma e significado.
Edgar Allan Poe é o maior de todos os indivíduos que me inspiram. Eu o considero o Mestre. Sempre que estou sem criatividade, recorro aos seus contos que rapidamente iluminam meu caminho. Fora ele, aprecio as obras de Lovecraft, Shakespeare, Heidegger, Husserl, Schopenhauer, Bram Stoker, Mary Shelley. Dos vivos, minha inspiração está nos autores que escrevem para o Castelo Drácula, são pessoas reais e escritores que buscam o seu lugar no mundo literário de uma forma bem orgânica e visceral. Igualmente me inspiro em artistas, como Nicola Samorí, William-Adolphe Bouguereau, Glauco Moura e vários outros artistas inigualáveis; ou músicas como as de Trees Of Eternity, She Past Away, Theatre of Tragedy, Chopin, Flávia Requim e diversos outros sons fascinantes.
Indico meu livro, Sete Abismos - contos de terror, horror e mistério, mas para quem não pode comprá-lo, indico a leitura de Avis Rara, uma poesia bastante profunda e valiosa para mim. Para conhecer minha prosa-poética, indico Anjo de Mármore. Para se familiarizar com meus contos, indico À Meia-Noite e, por fim, a minha lira em Às Sombras de Scar Narcht - Cato de nº III.
Conheço pouco as produções artísticas góticas do meu país, mas o que conheço eu sei que é muito bom. É uma verdadeira lástima que não tenhamos uma cultura que a valorize, em especial a Literatura Gótica, que possui um potencial gigantesto, tanto linguístico, quanto criativo do povo brasileiro.
Sim, gosto de brincar com a sonoridade do Tupi quando ambiento meus contos de terror em terras indígenas; aprecio igualmente transferir as minhas sensações de ter nascido e crescido em São Paulo; além disso, o que eu mais adoro é escrever sobre as estações do ano, indicando chuva fina e contínua no verão quente ou mesmo o granizo violento da primavera. Tento, não por obrigação, ambientar minhas histórias no Brasil e colocar personagens brasileiros, mas eu o faço porque gosto de citar meu país, apenas isso. Não sou muito fã da sonoridade dos nomes brasileiros, pouco utilizo deles. Acredito que cada escritor deve escrever aquilo que lhe traz sentido acima de tudo.
Eu sou bastante clássica e sei disso; gosto de dificultar a leitura de meus textos, porque sou apaixonada pelas palavras e sinto que a riqueza delas é a minha riqueza pessoal. Gosto de construir frases difíceis, longas, com estrofes recheadas. Tudo isso por amor, como já mencionei, amor incondicional pela Arte da Escrita. Então o meu estilo é esse, é onde me sinto confortável de estar, onde posso usufruir do meu idioma e me divertir com criações inusitadas.
Deem algumas chances às leituras que vão lhes dar dor de cabeça; sei que minha escrita pode parecer cansativa à princípio, mas os seus esforços em compreendê-la ampliarão suas mentes em um nível inestimável e isso afetará toda a vida pessoal de cada um, pois vocês compreenderão muito mais o que os outros dizem, bem como entenderão com mais profundez os seus próprios pensamentos. Arrisquem-se, desafiem-se em minha literatura, deixem-se experienciar as entranhas obscuras da minha arte.
Teve seu primeiro livro publicado com o selo Castelo Drácula.