Apoiadores públicos da nossa campanha (mês atual): Suzy Deise, Davi Ferreira, Weslley Cunha, Elza Maria. Um especial agradecimento pelo carinho e confiança que cada um de vocês dão ao nosso Castelo Drácula!
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Castelo Drácula [livro eletrônico] : revista literária / organização Sahra Melihssa. -- 20. ed. -- São Paulo : Castelo Drácula, 2026. PDF
Vários autores.
ISBN 978-65-988349-2-0 1.
Literatura brasileira - Coletâneas I. Melihssa, Sahra.
26-337513.0
CDD-B869
Índices para catálogo sistemático:
1. Literatura brasileira : Antologia B869
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
Carta da Anfitriã
O orvalho translúcido e a opaca névoa refletem o tom cinéreo de um céu tardiamente crepuscular. Envolto em silêncio, pássaros longínquos cantam a melancolia. Não há brisa, as flores nívea-espectrais estão no limite de sua fragilidade. É sereno, entretanto traz uma estranheza disfarçada de inquietude. Este é o cenário Rosen Gris — uma elegia. A tristeza e o medo levados aos seus extremos abismais, entretanto, sem tumulto.
O medo não precisa de alarde, nem gritos abomináveis, nem sustos frenéticos — o medo, aqui, está sob a mortalha da angústia: está em silêncio e é capaz de corroer-te com uma lentidão desesperadora. A tristeza, por sua vez, pode vir carregada de culpa, ausência de sentido ou sobrecarga mental — não vem como depressão, mas com uma face deformada que a torna uma tristeza terrivelmente bela ou macabramente enlouquecedora. No âmbito da natureza, encontramos flores espectrais — tangíveis, sim, contudo, quando expostas ao mínimo sopro, elas se duplicam e se triplicam; fazem versões de si mesmas, porém, translucidadas, sempre seguindo seus movimentos n’um atraso aflitivo. O orvalho é a chuva que desce vagarosa dos céus limiares — ela paira; a temperatura amena condensa a umidade, traz névoa. A água pousa logo se rarefaz, fumegando e inebriando a visão. Os mares recuam, calmos como jamais deviam ser. Tudo parece estranhamente em desfoque. Você está prestes a imergir-se n’este mundo raro, e conhecer o que há por detrás da pacificidade sombria e bela que lhe serve como uma máscara ornamental. Boas-vindas à 20ª Edição da Revista Literária Castelo Drácula.
Nota da Anfitriã
Em julho de 2024 o Castelo Drácula publica sua sétima edição e, com ela, apresenta aos leitores o horror e o encanto sangrento da Vila Séttimor.
“A solidão é insuportável. Então você caminha pela névoa. Sem rumo, desafiando o limiar do espaço e do tempo. Então, uma vila. Você não está mais sozinho. Há pessoas ali. Pessoas? Parecem humanos, mas seus rostos são disformes, como borrões escuros em partes de seus semblantes. Alguns sequer possuem face, outros possuem um fumegar cinéreo advindo de suas bocas e olhos. Mas, eles não transmitem perigo. Você questiona para um deles sobre onde está e ele, com paciência, lhe responde: — Esta é a Vila Séttimor. ” — Sahra Melihssa Embora leve o nome de Séttimor, não foi inspirado em SeteAlém. SeteAlém é uma creepypasta, isto é, pessoas na internet relatam terem tido contato com esse lugar que não se sabe muito bem o que é. Alguns dizem ser um lugar espiritual, outros dizem ser uma realidade paralela. Em certo ponto, acreditam se tratar do inferno ou do futuro. Uma creepypasta é uma lenda urbana que tem sua origem na internet — antigamente contávamos histórias terríveis reunindo-nos no escuro, hoje contamos através de fóruns, mensagens e vídeos. Se é real ou não, como saber? Uma lenda é sempre um mistério. Séttimor, no entanto, não é um mito, mas sim uma parte do universo de “As Crônicas do Castelo Drácula” — histórias que compartilham os mesmos contextos e eixos centrais, mas são escritas por pontos de vistas de diferentes autores. Rosen-gris, o tema principal da 20ª Edição, traz-nos a lembrança da névoa cinérea e, por isso, os autores puderam inspirar-se na 7ª Edição também, voltando no tempo, revivendo Séttimor e imergindo-se nas premissas que residiram naquelas páginas. Esse retorno trouxe a surpresa de um Tributo, onde vários autores — sem planejarem entre si — escolheram reviver Séttimor. Em razão disso, decidi não apenas fazer menção honrosa, mas evocar o espírito da névoa e do sangue para recriar a 7ª Edição. Trazendo as novas obras, espero instigar à leitura dos escritos que fundamentaram tudo em julho de 2024. Leia-os em CasteloDracula.com e vivencie nosso atemporal acervo de literatura sombria.
Nota da Anfitriã
Nossa retrospectiva nasce sempre como um rito excêntrico de memória e reinvenção. Traz consigo textos inéditos que homenageiam antigas edições e as atravessam, como quem toca uma cicatriz e descobre ali um novo sentido. Uma metamorfose em profundez simbólica, algo que faz parte de nosso pacto.
Com paixão e devoção quase litúrgica, nossos autores escolhem temas outrora explorados para fundamentar seus escritos atuais. Contudo, ao revisitá-los, não os replicam: recriam-nos. Cada obra carrega a sombra da edição que a inspirou, mas também a luz do agora, compondo uma experiência de leitura singular, em que passado e presente se entrelaçam como duas correntes do mesmo rio. Ler esta retrospectiva é habitar dois tempos ao mesmo tempo. É ser conduzido de volta à atmosfera das edições que marcaram nossa trajetória e, simultaneamente, perceber o quanto a escrita amadureceu, aprofundou-se, tornou-se mais densa, mais consciente, mais audaz. A evolução é nítida — e bela. Cada autor revela, neste gesto de retorno, não apenas fidelidade ao Castelo, mas crescimento interior, expansão de linguagem, refinamento de olhar. Talvez seja isso o que há de mais magnífico: ver como o passado, quando revisitado com maturidade e ousadia, transforma-se em matéria-prima para novas criações. O que antes era semente, agora floresce sob outra estação. O que foi sonho, agora é construção lúcida. Permita-se, então, adentrar estas páginas como quem atravessa os salões do próprio Castelo Drácula — reconhecendo ecos, entretanto, descobrindo insondáveis corredores. Aprecie estas obras como joias literárias geuínas, forjadas na temporalidade. E, ao final, partilhe conosco tuas impressões… pois a leitura também é um diálogo, e tua voz é parte viva desta história.
31 de dezembro? - Um tremular doloroso e frio me consumia, a criatura continuou lá me acalentando e esperando paciente…