Caellum Noctis, Parte III - Vestígios de Lembrança
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
— Você… sabe onde estão minhas memórias? — perguntei.
Ela juntou as mãos e esfregou o polegar. Hesitante, respondeu:
— Sei.
— Então me leve até lá! Me diga o caminho.
Ela entristeceu. Depois de uma longa pausa, suspirou e disse:
— Caellum, eu sinto muito…
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ela continuou:
— Vá para o castelo. Suas memórias estão lá em algum lugar. Com eles. Você... você as encontrará...
— Mas?
Ela hesitou novamente. O silêncio entre nós se alongou como um corredor sem fim.
— Mas?
— Nada. Deixa pra lá. Você sempre faz isso… — disse, caminhando até a porta.
— Vá. Não perca seu tempo comigo de novo.
E eu fui.
Saí de lá com mais perguntas do que quando entrei.
Caminhei pela estrada de terra por alguns minutos, até começar a avistar o castelo. Era magnífico — uma estrutura gigantesca, com torres por toda parte. Se minhas memórias estivessem lá, seria muito difícil encontrá-las em um lugar tão grande.
Mas, mesmo assim, segui.
O caminho até o castelo era fácil de percorrer. Depois da estrada de terra, encontrei uma bifurcação que me levou a uma estrada de pedra, e então, aos arredores do castelo que exibiam um lindo jardim. E por mais que estivesse com pressa, parei para observar um pouco.
Era lindo. Como se alguém cuidasse dele todos os dias.
Então me adentrei no castelo.
E uma forte dor de cabeça invadiu minha mente. Segurei a cabeça com as mãos, tentando fazer aquela dor parar.
E então me lembrei.
De novo.
Eleine.
Ela estava sorrindo. Tocando meu rosto com afeto.
Esqueci da dor por um segundo.
Quando finalmente parou, consegui lembrar de verdade.
Ela era minha esposa.
Caellum Noctis
Caellum Noctis nasceu com uma missão: desbravar o mundo através da palavra. Ele não escreve amores trágicos e finais infelizes por opção, mas por obrigação, para tirar uma ferida da alma e transferi-lo para o papel. Sua jornada começou nos poemas, único refúgio para seus sentimentos. Porém, os versos logo se tornaram insuficientes. A dor exigia mais espaço. Foi assim que Caellum partiu para os contos e a criação de mundos inteiros, para os quais agora escapa quando a realidade aperta. Escrever, para ele, não é um passatempo: é uma fuga necessária, uma forma de respirar.... » leia mais
Agonihria - 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®, datada de junho de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a publicação completa
Data Incerta - Andamos talvez por dias e não sentimos fome, sede ou cansaço, talvez porque não era permitido que sentíssemos, mas eu teorizava…