Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja

A Sala

Por dentro do Castelo no qual vivo | Perdi-me em seus recintos escultóricos: | Envolto em branco mármore, cativo | Por linhas de um amor sem fim, pletórico…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Por dentro do Castelo no qual vivo
Perdi-me em seus recintos escultóricos:
Envolto em branco mármore, cativo
Por linhas de um amor sem fim, pletórico…

Projeto de algum criador lascivo,
No espaço vi também seu traço eufórico:
De pé, com grossos veios sugestivos,
Não menos do que seis pilares dóricos…

À vista de silente estatuária,
Supus minha presença solitária
Naquele imenso átrio em que adentrei…

Sentindo-me contente e assombrado,
Jurei ter visto eu mesmo mergulhado
Num banho de prazer que ali sonhei…


Escrito por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

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Túnica

Me pego a imaginar, já faz uns dias, | Você trajada em vestes antiquadas: | Num branco esvoaçante entrelaçada; | Cabelo solto ao vento… Qual rainha…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Me pego a imaginar, já faz uns dias,
Você trajada em vestes antiquadas:
Num branco esvoaçante entrelaçada;
Cabelo solto ao vento… Qual rainha

Pisando em corredores, à tardinha,
Sem muito o que fazer, atarefada
Somente com ideias… Uma vida
De sonhos, num palácio baseada…

Às noites, quando quentes, imagino
Também você num quarto, se despindo
De todos adereços… e, na cama,

Seu corpo me dizendo ser bem-vindo
Meu tempo de prazer com essa dama
Que vejo semideusa em mundo antigo…


Escrito por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
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Soneto 98, de William Shakespeare

De ti eu me afastei na primavera, | Bem quando o elã de Abril, com seu preparo, | Depôs um ar travesso em toda esfera, | Na qual até Saturno achou amparo…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

De ti eu me afastei na primavera,
Bem quando o elã de Abril, com seu preparo,
Depôs um ar travesso em toda esfera,
Na qual até Saturno achou amparo.
Porém, nem pio das aves, nem os cheiros
Das abundantes flores, coloridas,
Fizeram-me escrever algo faceiro,
Querê-las do jardim por mim colhidas.
Prazer nenhum senti no branco lírio,
Tampouco em uma rosa o escarlate:
Amáveis tão somente no idílio
Envolto em ti, se tu fizesses parte.
Distante, pareceu-me inverno, ainda
Que as flores emulassem tua vinda.

From you have I been absent in the spring,
When proud-pied April, dress’d in all his trim,
Hath put a spirit of youth in every thing,
That heavy Saturn laugh’d and leap’d with him.
Yet nor the lays of birds, nor the sweet smell
Of different flowers in odour and in hue,
Could make me any summer’s story tell,
Or from their proud lap pluck them where they grew:
Nor did I wonder at the lily’s white,
Nor praise the deep vermilion in the rose:
They were but sweet, but figures of delight,
Drawn after you, you pattern of all those.
Yet seem’d it winter still, and, you away,
As with your shadow I with these did play.

Revisão de Sahra Melihssa

Traduzido por:
Wallace Azambuja

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18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
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Soneto 66, de William Shakespeare

De tudo farto, à morte, à paz suplico, | Por ver alguém tão bom nascer sem nada, | E quem tem tudo de alegrias rico, | E a fé mais pura e crente tapeada,…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

De tudo farto, à morte, à paz suplico,
Por ver alguém tão bom nascer sem nada,
E quem tem tudo de alegrias rico,
E a fé mais pura e crente tapeada,
E as nobres honras mal distribuídas,
E a virginal virtude em maus lençóis,
E a perfeição honesta diluída,
E a força acuada por broncos heróis,
E a arte atada pela autoridade,
E a douta estupidez na direção,
E ouvir fazerem troça da verdade,
E o bom sendo cativo do vilão.
De tudo farto, a tudo adeus daria,
Mas meu amor, a sós, eu deixaria.

Tired with all these, for restful death I cry,
As to behold desert a beggar born,
And needy nothing trimm’d in jollity,
And purest faith unhappily forsworn,
And gilded honour shamefully misplaced,
And maiden virtue rudely strumpeted,
And right perfection wrongfully disgraced,
And strength by limping sway disabled
And art made tongue-tied by authority,
And folly, doctor-like, controlling skill,
And simple truth miscalled simplicity,
And captive good attending captain ill:
Tired with all these, from these would I be gone,
Save that, to die, I leave my love alone.

Revisão de Sahra Melihssa

Traduzido por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
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Soneto 28, de William Shakespeare

Como posso voltar a ser feliz, | Estando carecido de descanso? | O mal do dia as noites faz febris, | E assim com dia e noite iguais avanço,…

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Como posso voltar a ser feliz,
Estando carecido de descanso?
O mal do dia as noites faz febris,
E assim com dia e noite iguais avanço,
Com ambos, mesmo opostos em seus turnos,
Num pacto, consentindo em torturar-me,
Um com fadiga, o outro taciturno
Por tanto me afastar de ti deixar-me.
Em prol do dia, eu falo do teu brilho,
Que a graça trazes, quando o céu nublado;
Co’a noite os elogios também partilho,
Faltando estrelas, tu que a tens dourado.
Mas diariamente o dia atrai tristezas,
E à noite a dor noturna é mais intensa.

How can I then return in happy plight,
That am debarred the benefit of rest?
When day’s oppression is not eas'd by night,
But day by night and night by day oppressed,
And each, though enemies to either’s reign,
Do in consent shake hands to torture me,
The one by toil, the other to complain
How far I toil, still farther off from thee.
I tell the day, to please him thou art bright,
And dost him grace when clouds do blot the heaven:
So flatter I the swart-complexion’d night,
When sparkling stars twire not thou gild’st the even.
But day doth daily draw my sorrows longer,
And night doth nightly make grief's length seem stronger.

Revisão de Sahra Melihssa

Traduzido por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
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Solidão

Nas horas nebulosas, de enfadonhos | Momentos, a tristura estando alta, | Tristonhos ficam mais os pensamentos | Que tenho, ao lembrar que dei as costas…

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Nas horas nebulosas, de enfadonhos
Momentos, a tristura estando alta,
Tristonhos ficam mais os pensamentos
Que tenho, ao lembrar que dei as costas

 A quem mostrou dispor do próprio tempo,
Chamando pra jogar conversa fora —
A chance que passou e não disponho;
Um dia que hoje sinto fazer falta…

Um erro que lateja na lembrança,
Ao lado de uma vil desesperança:
As duas apostando a minha sorte…

Disputa em que só perco o desatino…
Um jogo sob as cartas do destino,
Que temo persistir até à morte…


Escrito por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Sepulcral

Um beijo sepulcral na testa dada ao frio | Mais descoberta que a vida fora dos rumores | Um beijo traz imagens das carícias e das dores | Da vida gélida de um alguém sem brio…

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Um beijo sepulcral na testa dada ao frio
Mais descoberta que a vida fora dos rumores
Um beijo traz imagens das carícias e das dores
Da vida gélida de um alguém sem brio

Não estava o céu como num poema de anil
Naquele dia de dúvidas e temores
Quando no copo de veneno goles dos odores
Desciam. Tomando o último soneto, partiu

Morte breve, sem amigos por escolha sua
Morreu bêbado com uma pena atravessada ao peito
Desfez as malas: um papel e rabiscos
Jogou com a morte paciência à luz da lua
Perdeu naquilo que nunca tinha feito
Bebeu por último o último dos seus vícios.


Escrito por:
Tiago Serigy

Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Crê

Crê em mim, filho da vergonha | Crê em mim, sou o senhor do inferno | Sombrio e distante como útero materno | São os tempos loucos e ninguém mais sonha…

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Crê em mim, filho da vergonha
Crê em mim, sou o senhor do inferno
Sombrio e distante como útero materno
São os tempos loucos e ninguém mais sonha

Sombra em torno de nós, medonha
Reza para mim homens! De joelhos!
Ovelhas adestradas, ouvem meus conselhos 
“Segue o Mito, renegue a verdade, enfadonha”

Sede ingrato, maldito e sincero
Sedes o mal agouro do desterro
Ser atribulado com os ruídos de uma guerra
Oh! Ninguém mais vê e nem sente o desespero
A dor do poeta tecendo um erro
Anunciando Mefistófeles a pairar sobre a terra.


Escrito por:
Tiago Serigy

Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Imagemxuberante

Mais uma foto que meu peito agita… | E tudo o que fazia, agora, estanco. | Imagemxuberante, tão bonita… | De cores vivas (mesmo em preto e branco)…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Mais uma foto que meu peito agita…
E tudo o que fazia, agora, estanco.
Imagemxuberante, tão bonita…
De cores vivas (mesmo em preto e branco).

Enquanto a inspiração me solicita,
Somente um movimento estou pensando:
Tentar aqui deixá-la por escrita,
Gravar o que a beleza está causando…

Um jeito de externar o que me gera…
Pior seriam minhas provações,
Não fosse o exercício de escrever…

Pois o que mais me custa é toda a espera…
Que sejam muitos anos, estações,
Outonos necessários pra te ver…


Escrito por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.

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A Ponte Sem Fim

Há uma ponte eterna que atravesso, | Da qual não vejo o fim, se a distância | Aumenta quando penso haver progresso — | Se feita é como as minhas esperanças… 

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Há uma ponte eterna que atravesso,
Da qual não vejo o fim, se a distância
Aumenta quando penso haver progresso —
Se feita é como as minhas esperanças… 

Pois inda que pareça controverso,
Não posso mais parar: por ela avança
Meu sonho de chegar ao lado inverso,
Propósito de toda a minha andança… 

Se vejo uma barreira no caminho,
Transtorno, tempestade — e estou sozinho —,
De um fato só, talvez, eu me arrependa: 

É de não ter previsto o meu destino…
Não ter adivinhado o repentino
Porvir, que hoje imenso é de contendas…

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Hipnose

Por detrás da tinta branca | Um sorriso depressivo | Os gestos de criança branda | Esconde o surto impulsivo | A cada toque, apreensivo…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Por detrás da tinta branca
Um sorriso depressivo
Os gestos de criança branda
Esconde o surto impulsivo

A cada toque, apreensivo
Olhar transluz… da criança
Tela de vidro em dança
Hipnose. Não escapa ao crivo 

Ele faz o sinal de faca, decidido
Ao pescoço, e todos enfiam
Repetem o infortúnio do mímico 

Todos seguindo o desconhecido
Vislumbrados, corpos o copiam
Mudo, secreto como o eu lírico.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Soneto do Horror

Nas sombras dançam ecos de terror | Sussurro tenso e frio pela parede | Do espelho veja a morte — que horror! | Que bebe do meu sangue em muita sede…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Nas sombras dançam ecos de terror
Sussurro tenso e frio pela parede
Do espelho veja a morte — que horror!
Que bebe do meu sangue em muita sede

Assombração que ronda tal lamento
Gargalham vozes tais, tão traiçoeiras
As velas que se apagam com tormento
Do próprio fogo e sangue são herdeiras

Sorriso desenhado no lençol
Em sangue, pele, carne e teu suor 
Que embala o pesadelo noite afora

Já chega da tortura tão cortês
Vos rogo, me atormentem d’uma vez
À morte digo: “Olá, me leve embora”.

 
 

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El Pesanta

En sombras de la noche, a tientas va, | silente entre los sueños, cruel es su andar, | un ser de pesadumbre y de pesar, | que roba al corazón su calma ya...

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

En sombras de la noche, a tientas va,
silente entre los sueños, cruel es su andar,
un ser de pesadumbre y de pesar,
que roba al corazón su calma ya.

Con manos de ceniza, al alma da
un peso inquebrantable, un hondo mar,
respiración cortada, turbio azar,
el eco de un gemido al despertar.

Es él, el Pesanta, Señor del miedo,
que oprime los pechos con fría patada,
y siembra en la penumbra su desvelo.

Mas cuando el alba rompe con su fuego,
se disipa el terror, su forma niebla,
dejando solo sombras en su sueño.

Texto publicado na 9ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de setembro de 2024. → Ler edição completa

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Espólios

O chão de mortes rubro e corpos cheio | (Vedado por metais, escudos falhos), | Por nuvens de abutres carniceiros | Agora é posto em sombras, surgem vários…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

O chão de mortes rubro e corpos cheio
(Vedado por metais, escudos falhos),
Por nuvens de abutres carniceiros
Agora é posto em sombras, surgem vários

Girando em asas torpes, altaneiros
— Selado o fim da guerra, de mortais —,
Até que um voo rasante, já sem medo,
No vão mais degradante ele decai.

Saltit‘entre o despojo abandonado;
Mordisca a parte sua da mortalha —
Vitória sem lesão, nenhum ataque.

Banquete assim aberto, assinalado…
De sobra a fosca pilha de medalhas —
Sem brilho e de valor menor que a carne.

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa
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Mártir

Exangue, sua antiga força agora | Distante está de todo o heroísmo… | Mas vê-se, no bater d’última hora, | Seu corpo combater o derrotismo:…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Exangue, sua antiga força agora
Distante está de todo o heroísmo…
Mas vê-se, no bater d’última hora,
Seu corpo combater o derrotismo:

Os olhos — duas órbitas pra fora —
Erguidos, qual chorassem, comovidos…
Seus braços, envolvendo toda a glória,
Num gesto de abraçar algo invisível…

A dor de humana ação parece pouca
Perante o rosto altivo, quase indene,
Lavando com seu sangue o turvo chão…

De onde faz-se ouvir, de boca em boca:
Sem dúvida nenhuma dentro dele
Pulsava a cor vermelha da paixão
.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa
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Nevoeiro

A névoa densa cobre toda a estrada, | mal se distinguem formas no caminho. | Todas as plantas, todos altos pinhos | se camuflam na vista limitada…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A névoa densa cobre toda a estrada,
mal se distinguem formas no caminho.
Todas as plantas, todos altos pinhos
se camuflam na vista limitada.

A cada passo, a cerração pesada
as têmporas perfura como espinho.
Vem-me a noção de estar aqui sozinho,
envolto inteiramente pelo Nada.

Emerge em meio à bruma um grande muro:
vê-se um portal a serpejar, escuro,
o fim da névoa negra que transponho…

Ei-lo: o portal que a vida antiga cessa,
o vórtice feral que me arremessa
a outro pesadelo, a outro sonho!

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Pesadelo

Desperto numa rústica tapera… | Com passos range a paliçada antiga; | ventos colidem contra a porta, e as vigas | reverberam gemidos de quimera…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Desperto numa rústica tapera… 
Com passos range a paliçada antiga; 
ventos colidem contra a porta, e as vigas 
reverberam gemidos de quimera. 

Ouço pelo ar gelado: os sons da fera 
mais aparentam fúnebres cantigas 
compostas pelas hostes inimigas
de bruxas e xamãs, há muitas eras. 

Contemplo pela mísera ventana 
a mata que contorna esta cabana — 
ao longe aquele vulto apavorante! 

Uma anciã do Volga, a pele nua, 
argêntea como a lucidez da Lua, 
caliginosa, ainda que brilhante!

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Angústia

Quantas são as declarações tardias? | Quantas confissões guardadas no peito? | Quantas vezes não se tira proveito, | E dá-se lugar a insossos "bons dias"?…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Quantas são as declarações tardias?
Quantas confissões guardadas no peito?
Quantas vezes não se tira proveito,
E dá-se lugar a insossos "bons dias"?
Há verdades que nunca são faladas,
Relações que a vergonha e o orgulho impedem;
Potenciais relações nunca iniciadas,
Olhares que se cruzam... e se perdem.
Coisas assim ocorrem diariamente, 
Sentimentos reais sendo enterrados,
Suspeitos apegos sendo negados,
Paixões existindo secretamente.
Um coração que jamais se insinua,
Que enganando-se a bater continua.

Texto publicado na 6ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de junho de 2024. → Ler edição completa
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Um rosto trágico III

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida | Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação | Em volta, apenas olhos, viaturas; | No ar, a curiosa exclamação:…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida
Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação
Em volta, apenas olhos, viaturas;
No ar, a curiosa exclamação:

“Coragem pra saltar daquela altura!”
Diziam, como se a motivação 
Daquela agora morta “criatura”
Passasse por igual preocupação…

Quem visse em vida o homem — já extinto,
Vagando qual anônimo indigente —,
Incerto é que previsse aquele estado…

Ainda mais depois de ver sorrindo
A face no retrato adolescente
(Achado no seu bolso), acompanhado…

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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Um rosto trágico II

De viés, sutil, no canto da avenida, | Entre os gritos e a pressa dos passantes, | Vê-se a figura triste, e num instante | Ela desaparece, na surdina…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

De viés, sutil, no canto da avenida,
Entre os gritos e a pressa dos passantes,
Vê-se a figura triste, e num instante
Ela desaparece, na surdina.

Corre junto à calçada, sempre avante;
Qual fuga de um ladrão, vai rua acima;
Detém-se então cansado; numa esquina
Tem agitado o peito, angustiante.

Resulta ali a dor de tantos dias,
A decisão que teve agora, enfim,
Depois de resistir por tantas vezes...

Não quis nem optar por outras vias:
Subiu no prédio… acaba tudo assim,
Com trinta e poucos anos e alguns meses.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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