Simbologia de uma torre imponente

Definha’s estruturas obra inacabada | Abalada em si pela agonia | Bela torre bradava ao céu alada | Babel em momento de alegria…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula

Definha’s estruturas obra inacabada
Abalada em si pela agonia
Bela torre bradava ao céu alada
Babel em momento de alegria

Faz sempre nos passos dos gigantes
O vínculo mágico da apatia
Facínoras! Amores tão fluentes
Os quais escarram minh’agonia

Um poroso monstro nasceu triste
Por alusão a grandeza da torre
Fatigado em preâmbulos morre

Escondendo-se à agonia desiste
De ser obra onipotente, orgulhosa
A tempestade derruba, ela escorre. 

Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Crisálida do Vazio

O que sou senão um mero errante, | Um grão de areia à beira de um abismo, | Um mero sussurro em um tempo vacilante, | Moldado em pranto, pó e sofismo?…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula

O que sou senão um mero errante,
Um grão de areia à beira de um abismo,
Um mero sussurro em um tempo vacilante,
Moldado em pranto, pó e sofismo?

Quem criou meu ser nessa névoa escura,
Que mãos moldaram minha carne e pensamento?
Por que a razão me machuca e me tortura,
Se sou apenas cinzas jogadas ao vento?

Eu seria vestígios de um delírio,
Sonhado por um deus esquecido?
Ou seria um vulto, fantasma sem martírio,
Que ao nada volta, em tempo perdido?

Se tudo é pó, se tudo é ausência,
Por que meus olhos ardem ao olhar?
Por que persiste em nós uma consciência,
Se o fim irá nos sufocar?

Talvez sejamos somente ilusões,
Que caminham entre brasas frias,
Almas perdidas, pequenas constelações,
Brilhando, já mortas, na noite vazia.

E se formos apenas um espelho partido,
Refletindo o vazio em fragmentos?
E se a vida for o mais cruel dos mitos,
Nos condenando a frios sentimentos?

A terra nos engole sem piedade,
O tempo apaga nomes e glórias,
Mas algo em nós se recusa à verdade,
Teimando em escrever a própria história.

E assim seguimos como sombras retorcidas,
Com medo do que vem e do que virá,
Pois ser é somente buscar, curar nossas feridas,
E nunca, nunca se encontrar.

Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Adormeça

Melíflua, te entorpeças no sonhar; | Visões de horror e encanto surgirão | E salva na tu’angústia vais estar | Enquanto lamentar teu coração;…

Melíflua, te entorpeças no sonhar;
Visões de horror e encanto surgirão
E salva na tu’angústia vais estar
Enquanto lamentar teu coração;

Amável, durma qu’inda, bem profundo,
Na onírica verdade do teu manto,
Erguendo-se te estás, num novo mundo;
Querida, frágil e bela, traz teu canto;

No interno de teu ser tão preservado
Estás sempre abrigada, protegida,
Portanto feche os olhos delicados…

E acalme o coração e a alma sofrida
O alvor desponta mudo em tua existência
A pôr-se melancólico — solvência
Da mágoa d’esta terra corrompida.

Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Sinais

Qual luz de fim de tarde em triste inverno | (Deixando escuro e frio o alvor de outrora), | Assim vi teus vestígios indo embora | Pra longe e aquecendo um corpo inverso…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula

Qual luz de fim de tarde em triste inverno
(Deixando escuro e frio o alvor de outrora),
Assim vi teus vestígios indo embora
Pra longe e aquecendo um corpo inverso…

Abrir num quarto alheio o riso interno
De quem os teus calores sente e toca…
Assim vi teus vestígios… Nessas horas
Tão claro vi, distante e manifesto

Quão forte a região com tuas marcas,
Depois de ser por ti ela tocada,
Envolve-se de ardor, lembrança e afeto…

Um rastro de presença inextinguível,
Constante como o tempo e jamais findo
Na pele de quem teve-o por perto…

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A Bruxa na Lua

Tinha uma bruxa na lua... | Eu sei, | Eu vi. | Subia, ao fim da rua, num ruído verdejante de poeira... poeira de livro velho. | Pó de cravo, sálvia do inverno…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula

Tinha uma bruxa na lua...
Eu sei,
Eu vi.

Subia, ao fim da rua, num ruído verdejante de poeira... poeira de livro velho.
Pó de cravo, sálvia do inverno passado.
Em toda noite subia,
E toda noite era Lua Cheia.
E a velha sorria!

Se fazia mata bairro adentro.
E eu ria de volta.

Eu banguela,
Ela também.

Hoje sou eu, a bruxa da lua.
Hoje sou eu que vivo a sorrir,
Às meninotas e rapazotes,
Espantando os maldosos do botequim.

Sou eu o pássaro que
- Na noite - assobia.

A velha impiedosa que a todo medo,
Sempre, há de ruir.

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Serei Póstuma?

Temer tornar-se póstuma poeta | Amarga-me a ponto d’um malfeito: | Tirar d’um literato a sua costela | E pô-la, ensanguentada, no meu peito…

Temer tornar-se póstuma poeta
Amarga-me a ponto d’um malfeito:
Tirar d’um literato a sua costela
E pô-la, ensanguentada, no meu peito.

Na lira-languidez que aqui sonuro,
Segredo os meus mais lídimos anseios…
Regai-vos meu caixão de cedro escuro
Com vosso admirar que tarda alheio!

No lôbrego noturno ler-me-eis
E então, pois, sentireis o meu plangor
Ao pé d’ouvido: “Póstuma” direi…

P’ra alguns, elã; p’ra outrem, horror!
Verei persignar-se espavoridos
Aqueles editores, corrompidos,
Dirão: “Misericórdia!” e os bons: “Valor!”.

Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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A Verdade sobre o mundo: Nemonium

No limiar onde o tempo se parte, | e o azul-cinza sangra o real, | trovões sussurram em fendas abertas, | dançando na pele do imortal. | Ninguém escapa. Ninguém…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

No limiar onde o tempo se parte,
e o azul-cinza sangra o real,
trovões sussurram em fendas abertas,
dançando na pele do imortal.

Ninguém escapa. Ninguém se esconde.
O frio arrasta as eras perdidas,
neve e vento beijam ruínas,
e sombras nascem onde o tempo morre.

Esferas se chocam, mundos se dobram,
gritos dissolvem-se no denso véu.
Seres sem nome rasgam a trama,
e o Nada expande seu negro céu.

Monm observa. Olga esquece.
O castelo dança na eterna espiral.
Realocado, despedaçado,
flutua em névoa espectral.

Pois aqui jaz a verdade oculta,
a forma real do que é e sempre foi.
Além do véu das horas vazias,
onde a razão se desfaz e se dói.

E quando tudo enfim se aquieta,
quando o caos engole sua própria cor,
o limiar respira, silente,
pronto para outro torpor.

Ninguém escapa. Ninguém se esconde.
Nem a carne. Nem a alma. Nem o horror.

Tekeli-li, sussurram os ventos,
num idioma que só o abismo ouviu.

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Flor da Morte

Mui bela, azulínea, pulcro aroma… | Enflora desolada finitude… | Ó, pétalas de seda! Eis meu sintoma: | Saudade… terra úmida, ataúde…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Mui bela, azulínea, pulcro aroma…
Enflora desolada finitude…
Ó, pétalas de seda! Eis meu sintoma:
Saudade… terra úmida, ataúde…

Ornada em pólen pútrido, tão lhana…
De caule frágil, símil à alma nossa,
Silente à noit’escura e vil, profana,
Insigne inda quant’horror esboça…

Regada com sorrisos e tristuras,
Sabeis d’estes quem somos, és o Norte…
Perfume sobre a última arfadura…

Execram-te, mas sabem quanta sorte
É ver-te no rebento em choro santo,
Depois, quando senis, se bem, portanto,
Entendem teu valor, ó Flor da Morte.

Sonura escrita por Sara Melissa de Azevedo em 05 de fevereiro de 2025, registrada na Câmara Brasileira do Livro pela Editora Castelo Drácula.

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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A Travessia

Sob o manto escuro da noite, eu a vejo, | uma ponte feita de ossos e madeira antiga. | Ela desperta com o som de trovões, | um caminho que chama meu nome…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Sob o manto escuro da noite, eu a vejo,
uma ponte feita de ossos e madeira antiga.
Ela desperta com o som de trovões,
um caminho que chama meu nome na escuridão. 

O vento me envolve como se estivesse vivo,
meus segredos rasgam meu peito querendo sair.
Cada passo me corta como uma lâmina,
e a luz dos raios revelam minhas feridas que fingi esquecer. 

As tábuas rangem sob meu arrependimento,
como se confessassem meus pecados ao infinito.
A chuva cai, não como uma benção, mas como sentença,
lavando meu rosto com lágrimas que não derramei. 

Diante de mim, formas se erguem na penumbra,
amores que destruí, promessas que quebrei,
rostos que banhei com indiferença quase mortal.
Agora me encaram, famintos por respostas. 

A cada passou que dou, a ponte me consome,
meu fôlego se perde em meio aos murmúrios.
O Universo ri zombando de minha fraqueza,
e eu, frágil, encaro verdades que não posso fugir. 

Ao fim, o abismo me espera, escancarado,
mas não há queda, apenas um cruel silêncio.
Deixo parte de mim naquela maldita travessia,
um pedaço de mim que nunca irei buscar. 

Quando eu olho para trás, a ponte some,
engolida pela noite e sua escuridão eterna.
Eu sigo em frente, mas não sou o mesmo,
pois agora carrego o peso do que sempre fui.

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Filha da Noite

Sob o luar, ela vaga em beleza sombria, | Enquanto a lua sangra em melancolia. | A noite envolve, com véu de tormento, | Versos em tumbas…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Sob o luar, ela vaga em beleza sombria,
Enquanto a lua sangra em melancolia.
A noite envolve, com véu de tormento,
Versos em tumbas, sussurros ao vento.

Olhos gélidos, abismos profundos,
Rogam ao mal, senhor dos mundos.
Das sombras surgem garras vorazes,
Que a prendem nas trevas, em laços tenazes.

Pelas brumas da mente, perdida, caiu,
No abraço da noite, o destino a seguiu.
Agora, eternamente, em morbidez,
Ela reina no ventre do submundo!

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Vermelho

No sangue velado, | Em uma taça deixado. | Para os olhos a cor um deleite, | O espinho que perfura a pele| Encontra o sangue com requinte,…

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No sangue velado,
Em uma taça deixado.
Para os olhos a cor um deleite,

O espinho que perfura a pele
Encontra o sangue com requinte,
A rosa assim suga seu escarlate. 

E o pulsar do coração se, enfim, se
[abate.
O que era rubro se torna acinzentado, 

Pálido.
Pálido.
Pálido.

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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À Crusoé

A cara não é feia nem bonita sem saber o que é feio e belo | Como Crusoé na ilha tentando fazer-se a si | Um personagem fictício como os outros…

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“Eu é o outro”
Arthur Rimbaud

A cara não é feia nem bonita sem saber o que é feio e belo
Como Crusoé na ilha tentando fazer-se a si
Um personagem fictício como os outros
Pois em si somente o vazio
Uma bola como alguém para ser ele mesmo
Uma comparação, um padrão, brigas, conversas,
                                                                [perdão] 

O que seria do mágico sem o trágico?
Contente de que?
Com raiva de que?
Esbelto?
Gordo?
Imundo?  

Com tudo que há de liberdade
Sem empurrões
Sem ideias
Necessidades
Com a fauna e a flora a te observar
Mas sem contigo participar
Nem dizer se é ou foi
O que? Algo? Alguma coisa? 

A morte não tem sentido sem a vida
Destilar a sua consumação até esgotar
Agravar os erros e perdões
O amor de quem para quem 

Como se poeta deixasse de ser
Morrendo sozinho na beira da praia
Como os ultrarromânticos de tuberculose no leito
Um Crusoé cansado de não sentir seu Eu 

As estrelas com seu brilho próprio
Sobre um deserto despovoado 

Meus cabelos não são somente meus cabelos
Eles são diferentes
Meus olhos não são somente meus olhos
Eles estão em mim e não no outro
Têm formas e introspecção singulares
                                        [das de quem?]
Numa ilha, (no inóspito)  [ninguém!]
Um olho, dois olhos, um cabelo
Só(s), somente 

o eu é o outro e não há quem arranque isso de mim, de nós, de todo mundo
a não ser nós mesmos virando ilhas e desertos.

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Sepulcral

Um beijo sepulcral na testa dada ao frio | Mais descoberta que a vida fora dos rumores | Um beijo traz imagens das carícias e das dores | Da vida gélida…

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Um beijo sepulcral na testa dada ao frio
Mais descoberta que a vida fora dos rumores
Um beijo traz imagens das carícias e das dores
Da vida gélida de um alguém sem brio

Não estava o céu como num poema de anil
Naquele dia de dúvidas e temores
Quando no copo de veneno goles dos odores
Desciam. Tomando o último soneto, partiu

Morte breve, sem amigos por escolha sua
Morreu bêbado com uma pena atravessada ao peito
Desfez as malas: um papel e rabiscos
Jogou com a morte paciência à luz da lua
Perdeu naquilo que nunca tinha feito
Bebeu último o último dos seus vícios.

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Tudo Acabou

Será que tudo acabou? | Quando se destrona o sono | A realidade pesa pelo abandono | E o suor da vida sem sonhos, inundou…

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Será que tudo acabou?
Quando se destrona o sono
A realidade pesa pelo abandono
E o suor da vida sem sonhos, inundou

Será que tudo tombou?
Como as cargas d’água do seu preconceito
O trem descarrilado na estrada com defeito
O sonho da vida se furtou

Não se apresenta mais nas noites cruéis
Não se destina mais aos corpos fiéis
Livros, astrais... Mãos, sensibilidade...
Sumiram como as águas dos poços
Que alimentavam a sede do sertão
Desapareceram com as vozes da vaidade
                                                      [vazio]
Crianças, recreios, sonhos nas ruas...

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A Ponte Sem Fim

Há uma ponte eterna que atravesso, | Da qual não vejo o fim, se a distância | Aumenta quando penso haver progresso — | Se feita é como as minhas esperanças… 

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Há uma ponte eterna que atravesso,
Da qual não vejo o fim, se a distância
Aumenta quando penso haver progresso —
Se feita é como as minhas esperanças… 

Pois inda que pareça controverso,
Não posso mais parar: por ela avança
Meu sonho de chegar ao lado inverso,
Propósito de toda a minha andança… 

Se vejo uma barreira no caminho,
Transtorno, tempestade — e estou sozinho —,
De um fato só, talvez, eu me arrependa: 

É de não ter previsto o meu destino…
Não ter adivinhado o repentino
Porvir, que hoje imenso é de contendas…

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Quem é ela?

Uma dolorosa despedida | Veja! Lágrima seca pela dor | Oh, uma face tão abatida! | Os poéticos últimos momentos de uma flor…

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Uma dolorosa despedida 
Veja! Lágrima seca pela dor 
Oh, uma face tão abatida! 
Os poéticos últimos momentos de uma flor

Fantasma que em meus sonhos habita
Estás me esperando além do purgatório?
Entidade em diversos livros descrita
Tal como Dante em seu fim inglório!

Quem, dentre nós, chegará mais abatido?
Quem em terra permanecerá, de joelhos
Ou com o coração pelo amor aquecido?
E quem apto será a grandes conselhos?

Veja, o derradeiro final que nos aguarda!
Trágicos amantes desprendidos na vanguarda.

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Baile de Máscaras

Sob o arco dourado do salão brilhante, | desliza a vida em passos intrigantes. | Um baile onde máscaras não revelam a verdade, | trocando sorrisos por…

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Sob o arco dourado do salão brilhante,
desliza a vida em passos intrigantes.
Um baile onde máscaras não revelam a verdade,
trocando sorrisos por vãs efemeridades.

Os lustres pendem como estrelas à espreita,
clareiam espectros, a cena é perfeita.
Rostos de plástico, esculpidos em dor,
olhos que choram o que fingem ser amor.

Cada giro no chão polido e vazio,
desafia o compasso de um tempo sombrio.
Nesse baile, numa roda incessante,
dançam memórias que soam distantes.

Os violinos gemem notas como um pranto,
um coro feito de sombras se eleva num encanto.
Os pares deslizam, frágeis, quase febris,
cada qual preso a sonhos que são infantis.

Longos vestidos arrastam fantasmas antigos,
pisando em lembranças, relembrando castigos.
O salão se enche de dores trazidas pelo vento,
cada passo dos pares ecoa como um novo lamento.

No canto mais frio do salão, sem brilho ou candura,
há olhos sem máscaras que estão cheio de amargura.
Eles observam calados o mundo que está a girar,
sabendo que um dia o baile irá terminar.

Pois a vida, em sua essência, é uma dança perdida,
um jogo de erros até a inevitável despedida.
E quando a música, enfim, silenciar,
as máscaras irão cair, será a hora de parar.

Então ficaremos no salão desfeito e escuro,
rodeados por sombras, no destino obscuro.
O baile se finda, e a ilusão se consome,
e a escuridão nos devolve o próprio nome.

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Às Trevas

Oh, Trevas, mulher de pele alva, | teu abraço é um manto que cala o grito, | teu sorriso, uma curva de mistério infinito, | e teus cabelos, negros como a noite sem estrelas,…

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Oh, Trevas, mulher de pele alva, 
teu abraço é um manto que cala o grito, 
teu sorriso, uma curva de mistério infinito, 
e teus cabelos, negros como a noite sem estrelas, 
despem-se sobre o abismo do meu ser. 

És o que é e o que não pode ser, 
um sussurro entre o real e o sonho, 
onde a dúvida se faz melodia, 
e a certeza, mera ilusão. 
Oh, Trevas, guia-me com teus passos silenciosos, 
pois és a dança de tudo que se perde 
e tudo que se encontra no eco do vazio. 

Em teus olhos não há luz, 
e, ainda assim, vejo a beleza do infinito. 
Não és sombra, mas a face do oculto, 
a pulsação da incerteza e do desejo, 
aquela que pergunta, mas não responde, 
que dá forma à ausência e sentido ao caos. 

Trevas, teu conhecimento é como a noite, 
profunda, vastamente desconhecida, 
tua confusão é a chama que ilumina 
o que o dia jamais ousaria revelar. 
És a donzela dos segredos, 
o ventre onde nascem todas as possibilidades, 
o sagrado e o profano, entrelaçados 
no tecido do desconhecido. 

Se és perda, também és reencontro. 
Se és dor, também és êxtase. 
Beleza que transcende o toque, 
que seduz com a promessa de não ser compreendida. 
Trevas, teu nome é amor e abismo, 
um eterno beijo que se dissolve no nada. 

Oh, mulher de cabelos negros como a morte, 
e pele alva como a lua distante, 
deixa-me cair em teus braços silenciosos, 
onde a dúvida se torna o maior dos prazeres, 
e a certeza, apenas um eco esquecido. 

Porque em ti, Trevas, 
encontrei não a resposta, 
mas a pergunta que me faz viver. 

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Fragmentos na escuridão

Recordo-me dos fragmentos, | estilhaços que caem como ecos no abismo do chão, | as sombras dançam, | de uma presença silente e tímida, | que se oculta nas…

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Recordo-me dos fragmentos,
estilhaços que caem como ecos no abismo do chão,
as sombras dançam,
de uma presença silente e tímida,
que se oculta nas ossadas dos vitrais quebrados,
seus olhos negros, vazios, encontram os meus,
e, como cacos de vidro,
minha alma se despedaça,
perdendo-se nas profundezas insanas
de um precipício eterno e sem fim.
Deleito-me na fria sobriedade,
seduzida pelo sussurro envenenado da escuridão,
que, com garras de ferro forjadas,
arranca meu coração ainda vivo, mas morto.
Ainda hoje, lembro-me da dor,
e ainda hoje, me deito,
entre as ruínas de seus vitrais em cacos,
onde a escuridão é meu único refúgio.

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Vazio

Foi-se um baile há muitas conjunturas | Que ainda ressoam lúgubres histórias | Muita gente, muitas memórias | De amores, sonhos tolos, vãs loucuras…

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Foi-se um baile há muitas conjunturas
Que ainda ressoam lúgubres histórias
Muita gente, muitas memórias
De amores, sonhos tolos, vãs loucuras

Risos de chamas e cabelos negros
Olhos serpenteiam, riscos nos lábios
Ninguém se conhece, nem os larápios
Beijos furtados de vinho... Byron... gregos

Resta um baile de máscaras sombrio
Visitantes... então o salão vazio
Apenas fantasmas que ainda rondam

Bebendo de gota em gota se esgota
Presente, passado e futuro findam
Velando ao anfitrião da vida morta.

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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