Crisálida do Vazio
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
O que sou senão um mero errante,
Um grão de areia à beira de um abismo,
Um mero sussurro em um tempo vacilante,
Moldado em pranto, pó e sofismo?
Quem criou meu ser nessa névoa escura,
Que mãos moldaram minha carne e pensamento?
Por que a razão me machuca e me tortura,
Se sou apenas cinzas jogadas ao vento?
Eu seria vestígios de um delírio,
Sonhado por um deus esquecido?
Ou seria um vulto, fantasma sem martírio,
Que ao nada volta, em tempo perdido?
Se tudo é pó, se tudo é ausência,
Por que meus olhos ardem ao olhar?
Por que persiste em nós uma consciência,
Se o fim irá nos sufocar?
Talvez sejamos somente ilusões,
Que caminham entre brasas frias,
Almas perdidas, pequenas constelações,
Brilhando, já mortas, na noite vazia.
E se formos apenas um espelho partido,
Refletindo o vazio em fragmentos?
E se a vida for o mais cruel dos mitos,
Nos condenando a frios sentimentos?
A terra nos engole sem piedade,
O tempo apaga nomes e glórias,
Mas algo em nós se recusa à verdade,
Teimando em escrever a própria história.
E assim seguimos como sombras retorcidas,
Com medo do que vem e do que virá,
Pois ser é somente buscar, curar nossas feridas,
E nunca, nunca se encontrar.
Adentro no mor lôbrego Castelo | Tal corpo em algor mortis, tão mordaz… | Soturno a mim murmura sobre um elo | Dest’alma condenada que me faz;…