Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

No pélago purpúreo, o riso dos insensatos fenece,

Bête e ignorant, sob o teto de um gesso que chora;

A névoa de violeta opaco, que o tempo devora,

 É o manto de l'appel du vide que a carne adoece.

Ao avesso do reflexo elétrico,

As pupilas duplicadas no vinco da crassa cortina,

Vigilantes, perscrutam o avesso do próprio espelho;

O rádio antigo de ébano sussurra um conselho,

enquanto o vantanegrume dos céus nos assassina.

O Criador... ah, mon Dieu, é vurmo que a terra consome,

Um pesadelo estático, moldado em gélido gesso,

onde o sonho é o carrasco e a vida é o avesso.

Regardez: a vigésima segunda badalada consome

O silêncio paralisante que a mente tateia...

Olhai bem o escuro, antes que ele vos teça na teia.

 

Na paralisia do reverso espelhado o tácito lamento estilhaça a noite

escutai o nó da corda que range no teto vitoriano,

Onde o peito esperançoso sufoca em seu próprio frenesi;

A boca aberta em puro horror, gélida, no leito profano,

Enquanto a noite de Agonihria sussurra: "Eu sempre estive aqui".

Regardez a tela purpúrea: o corvo assiste ao duplo que se dedobra,

 Um sorriso vazio, le grand néant, que emerge do vidro do espelho;

Não há reflexo da carne, apenas a sombra de uma antiga cobra,

Que dita à alma deserdada um derradeiro e maldito conselho.

A paralisia é o palco onde a ilusão e o real se entrelaçam em fita,

Sete dias de azar? Não, sete eras de uma mente que grita,

Condenada ao limbo, à luxúria da dor, ao sadismo do gesso.

 

O parasita do trauma agora dança no quarto,

 veste o teu nome, Mon Dieu,

furei minhas retinas e o absoluto nada me consome...

O espelho ri, a cortina fecha, e o despertar é o próprio avesso.

 

O rádio do subconsciente 

antigo no canto do quarto continua a chiares,

tocando uma melodia de trás para frente

com um ruído triste e sangrento

 A mulher na cama não sabe se acordou

ou se o homem do espelho finalmente atravessou a moldura que o devora...

 

Ne regardez pas en arrière.


Escrito por:
Marcos Mancini

Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
Agonihria - 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®, datada de junho de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a publicação completa

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