Divina Presa
No ventre palestino o prometido, um dia, | Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia. | Filho de Josué, do Espírito gerado, | Foi pelo rei temido, em berço arado…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
No ventre palestino o prometido, um dia,
Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia.
Filho de Josué, do Espírito gerado,
Foi pelo rei temido, em berço arado.
Como cordeiro em sangue, seu destino selado,
Ressurge em terra árabe, em chão desolado.
Mas a fome o ceifa, antes do primeiro ano,
E o anjo pacificador parte em vão, humano.
Terceira vez renasce em solo devastado,
Mas explosivos rasgam seu frágil passado.
E quando enfim retorna, abre os olhos feridos:
Fuzis brancos e azuis: seus únicos vestidos.
Perece o Cordeiro em guerra, fome e espanto,
Mas sua carne é pó, é luta, é grito e canto.
Revisão por Sahra Melihssa
Leonardo Garbossa
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar a ele a importância da excelência nos estudos e na cultura. ... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Quem é ela?
Uma dolorosa despedida | Veja! Lágrima seca pela dor | Oh, uma face tão abatida! | Os poéticos últimos momentos de uma flor…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Uma dolorosa despedida
Veja! Lágrima seca pela dor
Oh, uma face tão abatida!
Os poéticos últimos momentos de uma flor
Fantasma que em meus sonhos habita
Estás me esperando além do purgatório?
Entidade em diversos livros descrita
Tal como Dante em seu fim inglório!
Quem, dentre nós, chegará mais abatido?
Quem em terra permanecerá, de joelhos
Ou com o coração pelo amor aquecido?
E quem apto será a grandes conselhos?
Veja, o derradeiro final que nos aguarda!
Trágicos amantes desprendidos na vanguarda.
Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar…
Leia mais em “Poesias”:
Entidade
Na fria balada da noite, sob o manto da neblina | Surge figura soturna, felina. | Com sorriso aberto, nova vítima procura. | Caçada furiosa empreende…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Na fria balada da noite, sob o manto da neblina
Surge figura soturna, felina.
Com sorriso aberto, nova vítima procura.
Caçada furiosa empreende, mediante animalesca busca
Sem uma única palavra causa pânico e terror
Sangue-frio, entidade de puro horror
Sorriso amarelo, doentio e inebriante
Que rasga tecidos, causador de dor excruciante
Ameaça misteriosa torna a desaparecer
Assim que a mãe noite começa ao horizonte perecer
Assim, poderoso astro-rei desponta
Riso macabro, por fim, encerra sua afronta.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar…
Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”
Ando pelo único caminho que se atravessa na neblina cinza. Preciso chegar; devo estar atrasado. Inóspito. Inseguro. Lanço dúzias de preces e continuo…
A cama estava sem o lençol. O espelho estava quebrado. Na cômoda havia poucos pertences: apenas um hábito limpo, algumas roupas íntimas…
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Certa vez, na quinta série, adaptamos a brincadeira do copo para uma folha de papel. Nessa folha, escrevíamos o alfabeto no topo e as palavras…
Falos. Colecionava-os, de todos os tipos e tamanhos. Os primeiros, comprara em sex shops. Depois que se tornara médica legista, ficou mais…
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Na minha maldição de viver muitas vidas, ainda tenho a vã esperança de encontrar, além dela, todas as minhas almas amigas…
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De soslaio | en passant | caminho retrátil da vida | a vida | sensorialmente | num piscar de olhos |desembarque brusco | ato que rende e assalta…
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Pálida e fria como porcelana | Sentia-me como uma boneca. | Os olhos, antes cerrados, | Agora conseguiam observar tudo ao redor…
No canto ali do quarto| No escuro | Sentada e descalça, no chão frio | Observo as sombras que ninguém mais vê…
Quando o lockdown começou, muitos falavam sobre o fim dos tempos; como negar isso? Eu via apenas o nada lá fora, apenas fragmentos de uma…
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Pela Fria Noite
Ádito aos templos, me detenho. | Corpo gravado com feitiços e magias, contemplo. | Lisonjeira mãe, que na escuridão oculta a todos | com garras soturnas…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Ádito aos templos, me detenho.
Corpo gravado com feitiços e magias, contemplo.
Lisonjeira mãe, que na escuridão oculta a todos
com garras soturnas que me forçam a cair em seus engodos
Professa em meus ouvidos palavras adocicadas e poderosas.
Realizações que se farão, para mim, onerosas.
Cantemos, noite adentro, em belo dueto.
Tuas mãos a dar vida ao derradeiro soneto
A última obra de nossas entristecidas vidas,
Que jazem, aqui, totalmente despidas.
Talvez somente no frio do túmulo vazio
teremos nosso canto livre de desvio.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar…
Leia mais em “Poesias”
Quando a tarde morre sangrando no horizonte distante, | e o crepúsculo veste o céu de luto agonizante, | eu caminho entre os túmulos da memória esquecida,…
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Era noite de uma quinta-feira qualquer. O café de Menel esfriava ao lado da folha amassada, das várias folhas amassadas e rabiscadas que se espalhavam pela…
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O azulescer | transbordou em meu peito | O eco da minh’alma
Preenche o vazio que deixou | A voz invisível | Escapa pela cicatriz da minha pele | E meu coração grita…
A névoa ergue-se como uma prece interrompida | um murmúrio que ninguém distingue, | mas que se aloja na pele | como o frio que anuncia a morte das coisas belas…
A névoa sobe como exércitos vencidos, | erguendo suas lanças translúcidas | num silêncio que antecede a ruína. | O orvalho desce como cortejos fúnebres,…
Velian retornara a Fortaleza com a languidez de quem atravessara mares e memórias. Ainda havia no seu corpo o traço da viagem ao Rio, onde Cassandra…
Havia retornado. E então, minha consciência começou a despertar. Eu não me lembrava do por que estava ali. Não me lembrava nem de quem eu era ou…
Este lúgubre castelo com certeza é o lar de muitas histórias, de muitos seres e muitas memórias. São tantos segredos aqui guardados, mas o meu…
Data incerta - Achei que havíamos conseguido escapar por um momento da lembrança do castelo. Que naquele vilarejo, mesmo que estranho…
O silêncio é um corpo que respira no escuro, | pele de sombra colada à alma da noite. | Ele pulsa como ferida não dita, | como promessa trancada em lábios de ferro…
Dentro de mim reside uma chama acesa, | Habita a obscuridade de meu coração, terreno arenoso. | Ela perpassa meus pensamentos e apazigua meus sofrimentos…
Kaire, tríplice eclipse, ao deleite do meu psique! | Que teu trovão d’alma irrompa, que o clamor de abysmo | soem em meus ossos como se o próprio firmamento…
Transcenda, desloca-te... Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma…
Em um cemitério antigo, esquecido pelo tempo e pela memória humana, repousava uma presença mórbida, imóvel e serena. As lápides, gastas pelo vento e pela chuva…
Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento. | Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso…
Desejo pecaminoso | Impulso avassalador | Posso sentir seu sangue em meus lábios | Estou perdendo o controle..
O arvoredo de carvalhos era rodeado por árvores altas e robustas que se aglomeravam em formato circular, um pequeno riacho se estendia…
Belos são teus olhos sem vida, | tua pele, teus lábios e tuas maçãs do rosto. | Belo é o sangue que escorre lento | por essa carne que tanto amo…
A cristalina água corrente abluíra as provas de que aquilo não se tratou, tão somente, de uma…
O vento cortante do Rio de Janeiro soprava com hálito de tempestade, uivando entre as rachaduras dos prédios…
No frígido oceano, um coração | Umbroso e azúleo, em trevas olvidado; | Safira de saudade e vastidão, | Cristais salinos, mágoas… insondado…
Alguns dias e noites bastante invernais se seguiram até que fui levada à Mansão Negra e, às vinte horas, eu a vi…
Rotineiro
Condenados aos trilhos de ferro, com olhares cansados, | Cabelos bagunçados | Dentre almas sem esperança | Viajando em enganoso momento de bonança…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Condenados aos trilhos de ferro, com olhares cansados,
Cabelos bagunçados
Dentre almas sem esperança
Viajando em enganoso momento de bonança.
Entorpecedor sono que amortece os sentidos
Desejos que se tornam, então, omitidos
Amor que neste chão jaz sepultado
Como produto do próprio resultado
Paixões que nascem e morrem a cada nascer da luz
Aos mais jovens corações seduz
A troca de olhares breves, omissos
Toque que, aqui, se faça inciso
Telas luminosas que entretêm o sentido.
Desprezo, em suma, contido.
Barras frias, corpos amontoados,
A caminho daquilo que foram condenados.
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar…
Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…