Lugar
Neste lugar que é a escritura, perco a identidade do meu próprio corpo. | Sou todas as mulheres e o amor que geraram | Bêbado da cachaça…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Neste lugar que é a escritura, perco a identidade do meu próprio corpo.
Sou todas as mulheres e o amor que geraram
Bêbado da cachaça e a ressaca do verão
Vertido em leituras que fiz a vida inteira e ainda as que me restam. Esses mortos me atordoam e os passo ao papel no momento em que sofro de paixão e angústia.
O escritor apenas repete sem originalidade todas as maldições que aprendeu.
Sinto que você tem medo de desejar profundamente e te escrevo no papel vazio
Sou tragado, rasurado e posto a nu, suscetível a uma avalanche de outras ideias
Sinto o amor e escrevo a dor
Sou ultrarromântico e quero morrer, sou um revolucionário e quero volver o futuro em fúria
É nesse campo aberto da folha que a vida rasura o poeta
Rascunha caminhos
E quando me lerem desejo que cada palavra toque em absurdo, porque serão as palavras de um morto.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
Agonihria - 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®, datada de junho de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a publicação completa
Reles
Eu sou um reles | não mereço nem desprezo | O desespero foi minh'única companhia | Me deixando ímpar no enfado deste inóspito…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Eu sou um reles
não mereço nem desprezo
O desespero foi minh'única companhia
Me deixando ímpar no enfado deste inóspito
Eu sou um reles, como muitos que rastejam
Somente a poeira faz do meu caminho desvio
A lama do caos como um encosto se lambuzou de mim
Pesou sobre a carcaça
Me transformou em destroço
Até mesmo a vontade de se suicidar largou este enfermo
Sem nem sucesso para o fracasso
Eu sou reles,
Nem para a morte eu sirvo
O amor fez esquina longe de mim
E nem calçada passa em frente daquilo que o céu afastou de abrigo
Até o túmulo é esquivo
A cova é rasa porque só se deve perder tempo com profundezas da alma
Nem os urubus se alteram
A paixão quando jovem chegou em mim a partir dos olhos d'água noturna de uma gata
Mas só a mentira do desejo fez par comigo
Hoje, nem a mentira perde seu tempo com a desilusão da minh'alma
E sem vida continuo.... reles
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
Agonihria - 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®, datada de junho de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a publicação completa
Efêmero Corpo em Transformação
Nódoa fria de rebento | Tenaz escuro | Olhando para o breu, vi-me entre o silêncio e o passado | E eis que em mim habitam vozes outras dos meus contatos…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Nódoa fria de rebento
Tenaz escuro
Olhando para o breu, vi-me entre o silêncio e o passado
E eis que em mim habitam vozes outras dos meus contatos
Serás aquilo que vos passa!
O que fica não quer ir embora nem amadurece frondoso como os sentimentos
O que nos passa é como gozo que jorra esperma
O que nos atrapalha fica e nos pesa
O passageiro nos atrai o olhar a seguir
E caminhamos sem saber para onde
Talvez nas histórias incertas, inventadas, passadiças
O que nos passa é desejo de ser
O que fica fez-se corpo
E, na sua forma, esbarra quando eu de mim quero atravessar no silêncio e me despir
O que transborda é como correnteza
Como os espasmos sexuais das mãos assanhadas na masturbação
A fluidez dos corpos sem’iguais
Como o rio de suor sem hora marcada
Passam a dor, o amor, o tesão
Passam-se, doendo, amando, crepitando
Como se fossem chamas
Peitos na cara, o membro atento
E gemidos que custam a dor e a fome de saciar-se ou morrer
O que fica são as marcas passadas
As nódoas das lembranças
Aquilo que fui quando podia, sonhava, fumava, fodia...
Mal lembro de tudo que fui nesses momentos
Mas isso passa.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Poema
Ah, fé, | Só com ti o mais descrente pode absorver o consumo da realidade | De acreditar que pode haver amanhã mesmo em fúria | A fé que aprendemos desde crianças…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
IV
Ah, fé,
Só com ti o mais descrente pode absorver o consumo da realidade
De acreditar que pode haver amanhã mesmo em fúria
A fé que aprendemos desde crianças
Quando fazemos as brincadeiras sem saber por quê
Sem definir as atividades, apenas soltos no tempo e espaço
Ainda sem conceitos, primitivos
A fé é o retorno ao primeiro
A infância que acredita no futuro, pois ainda está por conhecê-lo
Como Kierkegaard, saber da fé além da razão
Ter a morte uma só vez experimentada
Oh, poetas, vocês têm fé,
Pois sonham
Não vos resta somente o cotidiano
Não sacia a sede o concreto
É a imagem do que é ideal
O que se espera
O que se apresenta por detrás da angústia da vida
Um novo ar, como o da fotografia sensual
Quieta e ardente, parada e fugaz,
Uma prova estática e assustadora da morte
Valeu o clique da foto como vale o eterno retorno
Além daqui existe o sonho
O cotidiano por si só não basta
E os poetas sonham
Como a transa secular das palavras e das coisas
Os corpos que se tocam e gemem desejos
Onomatopeias do sexo
Do prazer com que a carne tenaz sacia a loucura
A fé, mesmo que não a tenhas aos moldes cristãos,
Estás sujeito a tê-la
É a presença da incerteza
A dinâmica do jogo dos erros
É a lógica sem pé nem cabeça do mundo incerto
A fé não se engana
A realidade é que não suporta os sonhos
O novo
A fé é a loucura dos sonhos que se esvaem na realidade
A sombra do viajante
A coisa das causas
Paixão dos amantes que irrompem agressivos
O poema que se fez carne e a carne que morreu por uns versos
Enquanto o poeta, quase sem fé,
Com a corda na mão,
Nutre-se novamente
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Turba
Oh, tropéis insanos, vozes se aglutinam | Marchando silvos de compassos trôpegos | Junto aos metais, a miséria, aos córregos | Por onde se ouve o baforo dos…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Oh, tropéis insanos, vozes se aglutinam
Marchando silvos de compassos trôpegos
Junto aos metais, a miséria, aos córregos
Por onde se ouve o baforo dos que andam
No soar do açoite as turbas marcam
As horas da rua vaga, e disperso
Com o lápis e papel na mão, imerso
O poeta saúda aos mortos que emanam
As horas da rua vaga são fardos
O tempo novamente soa o açoite
Das quimeras flamejando por todos’ lados
Oh, poeta, mamífero enjeitado
Como queria cingir até à noite
Mas a cada letra testemunha a própria morte.
REVISADO POR SAHRA MELIHSSA
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
20ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 20ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de fevereiro de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Partida
Andando pela praia | De mãos dadas com a brisa | E os pés penetrando a areia molhada | Aquele deserto sem lavra | Pondo ao sol, no ar, meu corpo…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Andando pela praia
De mãos dadas com a brisa
E os pés penetrando a areia molhada
Aquele deserto sem lavra
Pondo ao sol, no ar, meu corpo
De repente:
Imagem que guardei profundo como oceano
Tão despretensiosos passos desfilando
Num vestido azul marinho
Até sumir por quilômetros levando consigo a calmaria
Como se partindo deixasse tudo comigo
Para suportar
No horizonte que o sol brasa,
Os montes abrem caminhos e as rochas
- donde os pássaros partem vôos -
Se despedaçam,
Ela brisa,
Como um poema que soa
Um mar em ressaca
E deixa de me acompanhar para acompanhá-la.
Revisado por Sahra Melihssa
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
20ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 20ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de fevereiro de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Calíope
Engendra a substância de tua bela voz, | Lendo teu poema épico da batalha, | Donde os Titãs, jogados na fornalha | Do poder divino. Oh! Força algoz!…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Engendra a substância de tua bela voz,
Lendo teu poema épico da batalha,
Donde os Titãs, jogados na fornalha
Do poder divino. Oh! Força algoz!
Ornada de grinalda, contempla a sós;
Do monte Parnaso, inspira-se e talha
Na tabuleta, com seu buril, não falha
Em remanescer à poesia uma foz.
Jorrando a paixão do deus Apolo,
Entre suas vestes, dois filhos amaram,
Mas Eagro; talvez mais obtuso,
Deu-te ao ventre as notas de seu falo.
Um Orfeu aventurado cantaram:
A jovem Calíope, seu ar majestoso.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Sepulcral
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio | Mais descoberta que a vida fora dos rumores | Um beijo traz imagens das carícias e das dores | Da vida gélida de um alguém sem brio…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio
Mais descoberta que a vida fora dos rumores
Um beijo traz imagens das carícias e das dores
Da vida gélida de um alguém sem brio
Não estava o céu como num poema de anil
Naquele dia de dúvidas e temores
Quando no copo de veneno goles dos odores
Desciam. Tomando o último soneto, partiu
Morte breve, sem amigos por escolha sua
Morreu bêbado com uma pena atravessada ao peito
Desfez as malas: um papel e rabiscos
Jogou com a morte paciência à luz da lua
Perdeu naquilo que nunca tinha feito
Bebeu por último o último dos seus vícios.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Crê
Crê em mim, filho da vergonha | Crê em mim, sou o senhor do inferno | Sombrio e distante como útero materno | São os tempos loucos e ninguém mais sonha…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Crê em mim, filho da vergonha
Crê em mim, sou o senhor do inferno
Sombrio e distante como útero materno
São os tempos loucos e ninguém mais sonha
Sombra em torno de nós, medonha
Reza para mim homens! De joelhos!
Ovelhas adestradas, ouvem meus conselhos
“Segue o Mito, renegue a verdade, enfadonha”
Sede ingrato, maldito e sincero
Sedes o mal agouro do desterro
Ser atribulado com os ruídos de uma guerra
Oh! Ninguém mais vê e nem sente o desespero
A dor do poeta tecendo um erro
Anunciando Mefistófeles a pairar sobre a terra.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Naufrágio
A mais caudalosa turbulência, | a rebeldia que transportava espumas | para o colo do barco, | fazia surgir o medo constante | de conhecer o fundo…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
A mais caudalosa turbulência,
a rebeldia que transportava espumas
para o colo do barco,
fazia surgir o medo constante
de conhecer o fundo escuro do oceano.
Ao sobressaltar a visão,
embaçador, mas lúgubre,
com a fronte alçada em desafio.
Partindo caminho, devastando e empurrando o próprio mar,
mas não há disputa, nem trégua.
Antes do golpe, toda dança e cerimônia,
um ritual, tal qual uma primitiva celebração ou
uma câmera lenta moderna.
Baforando ódio por sobre o barco, engolindo, aglutinando madeira, carne, água e trovões.
Um baile de máscaras molhadas,
que ficará apenas registrado na história das águas.
Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Simbologia de uma torre imponente
Definha’s estruturas obra inacabada | Abalada em si pela agonia | Bela torre bradava ao céu alada | Babel em momento de alegria…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
Definha’s estruturas obra inacabada
Abalada em si pela agonia
Bela torre bradava ao céu alada
Babel em momento de alegria
Faz sempre nos passos dos gigantes
O vínculo mágico da apatia
Facínoras! Amores tão fluentes
Os quais escarram minh’agonia
Um poroso monstro nasceu triste
Por alusão a grandeza da torre
Fatigado em preâmbulos morre
Escondendo-se à agonia desiste
De ser obra onipotente, orgulhosa
A tempestade derruba, ela escorre.
Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
À Crusoé
A cara não é feia nem bonita sem saber o que é feio e belo | Como Crusoé na ilha tentando fazer-se a si | Um personagem fictício como os outros…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
“Eu é o outro”
Arthur Rimbaud
A cara não é feia nem bonita sem saber o que é feio e belo
Como Crusoé na ilha tentando fazer-se a si
Um personagem fictício como os outros
Pois em si somente o vazio
Uma bola como alguém para ser ele mesmo
Uma comparação, um padrão, brigas, conversas,
[perdão]
O que seria do mágico sem o trágico?
Contente de que?
Com raiva de que?
Esbelto?
Gordo?
Imundo?
Com tudo que há de liberdade
Sem empurrões
Sem ideias
Necessidades
Com a fauna e a flora a te observar
Mas sem contigo participar
Nem dizer se é ou foi
O que? Algo? Alguma coisa?
A morte não tem sentido sem a vida
Destilar a sua consumação até esgotar
Agravar os erros e perdões
O amor de quem para quem
Como se poeta deixasse de ser
Morrendo sozinho na beira da praia
Como os ultrarromânticos de tuberculose no leito
Um Crusoé cansado de não sentir seu Eu
As estrelas com seu brilho próprio
Sobre um deserto despovoado
Meus cabelos não são somente meus cabelos
Eles são diferentes
Meus olhos não são somente meus olhos
Eles estão em mim e não no outro
Têm formas e introspecção singulares
[das de quem?]
Numa ilha, (no inóspito) [ninguém!]
Um olho, dois olhos, um cabelo
Só(s), somente
o eu é o outro e não há quem arranque isso de mim, de nós, de todo mundo
a não ser nós mesmos virando ilhas e desertos.
Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Sepulcral
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio | Mais descoberta que a vida fora dos rumores | Um beijo traz imagens das carícias e das dores | Da vida gélida…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio
Mais descoberta que a vida fora dos rumores
Um beijo traz imagens das carícias e das dores
Da vida gélida de um alguém sem brio
Não estava o céu como num poema de anil
Naquele dia de dúvidas e temores
Quando no copo de veneno goles dos odores
Desciam. Tomando o último soneto, partiu
Morte breve, sem amigos por escolha sua
Morreu bêbado com uma pena atravessada ao peito
Desfez as malas: um papel e rabiscos
Jogou com a morte paciência à luz da lua
Perdeu naquilo que nunca tinha feito
Bebeu último o último dos seus vícios.
Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Tudo Acabou
Será que tudo acabou? | Quando se destrona o sono | A realidade pesa pelo abandono | E o suor da vida sem sonhos, inundou…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Será que tudo acabou?
Quando se destrona o sono
A realidade pesa pelo abandono
E o suor da vida sem sonhos, inundou
Será que tudo tombou?
Como as cargas d’água do seu preconceito
O trem descarrilado na estrada com defeito
O sonho da vida se furtou
Não se apresenta mais nas noites cruéis
Não se destina mais aos corpos fiéis
Livros, astrais... Mãos, sensibilidade...
Sumiram como as águas dos poços
Que alimentavam a sede do sertão
Desapareceram com as vozes da vaidade
[vazio]
Crianças, recreios, sonhos nas ruas...
Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Vazio
Foi-se um baile há muitas conjunturas | Que ainda ressoam lúgubres histórias | Muita gente, muitas memórias | De amores, sonhos tolos, vãs loucuras…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Foi-se um baile há muitas conjunturas
Que ainda ressoam lúgubres histórias
Muita gente, muitas memórias
De amores, sonhos tolos, vãs loucuras
Risos de chamas e cabelos negros
Olhos serpenteiam, riscos nos lábios
Ninguém se conhece, nem os larápios
Beijos furtados de vinho... Byron... gregos
Resta um baile de máscaras sombrio
Visitantes... então o salão vazio
Apenas fantasmas que ainda rondam
Bebendo de gota em gota se esgota
Presente, passado e futuro findam
Velando ao anfitrião da vida morta.
Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Noites
Todas as noites aparece | Vem em formas visíveis tais | Que de lado a outro do globo | Se observa inteira | Ora se esconde na intimidade dos olhos, se banha…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Todas as noites aparece
Vem em formas visíveis tais
Que de lado a outro do globo
Se observa inteira
Ora se esconde na intimidade dos olhos, se banha
E retorna intumescida a cada temporada
Nua ao céu aberto
Poetas inserem suas “lúgubres histórias”
Pessoas se alteram nos becos
As luzes da cidade não lhe tiram o reflexo
Está sempre a acompanhar
Todos os passos noturnos
Sente saudade da chegada dos decaídos
Os seres saem dos trabalhos
E precisam uivar como seus ancestrais
Entrar em águas profundas e
Perder a sua bússola
Ela é o olho sobretudo
Se não fosse nossas luzes
O lado obscuro
Da lua
É o seu descanso de nós.
Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Hipnose
Por detrás da tinta branca | Um sorriso depressivo | Os gestos de criança branda | Esconde o surto impulsivo | A cada toque, apreensivo…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Por detrás da tinta branca
Um sorriso depressivo
Os gestos de criança branda
Esconde o surto impulsivo
A cada toque, apreensivo
Olhar transluz… da criança
Tela de vidro em dança
Hipnose. Não escapa ao crivo
Ele faz o sinal de faca, decidido
Ao pescoço, e todos enfiam
Repetem o infortúnio do mímico
Todos seguindo o desconhecido
Vislumbrados, corpos o copiam
Mudo, secreto como o eu lírico.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”
Transcende
Quero ser parte da relva | Desconhecido pela brisa que passa | Ser parte do mar e navegar profundo | Constante como o vento de todas as estações | Aquele que roda o mundo…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
“Existe prazer nas matas densas
Existe êxtase na costa deserta
Existe convivência sem que haja intromissão
no mar profundo e música em seu ruído.
Ao homem não amo pouco, porém muito a
natureza.”
Lord Byron
Quero ser parte da relva
Desconhecido pela brisa que passa
Ser parte do mar e navegar profundo
Constante como o vento de todas as estações
Aquele que roda o mundo
Diminui o ritmo para ver a chegada do verão
Passeia na neve do inverno sem tremer de frio
Permeia ruas barulhentas sem se incomodar
Quero ser como o voo azul das aves
Pintando de aquarela um lago luminoso
O brilho que soa orquestra
Uma árvore que dá balanços sem crianças
Uma gota d'água e finalmente descer a cachoeira
Um raio de sol já na atmosfera
Tocando a superfície fina e dura de uma rocha
Como um carinho
Queria ser campo, deitado, sem finalidade
Queria ser chão melado do amarelo de mangas caídas
Quase tudo que é belo ainda está livre das mãos
Pedaços de vidro como a imagem do céu
Nuvens que cuidam do vento
Ventos que cuidam das águas
Águas que dormem na terra
A terra que habita espíritos
Espíritos que suportam os corpos.
Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Matinal
O cheiro do café e a saliva no canto da boca | É verde manhã que se vê da janela | Paisagem de folhas roçando | E o silvo nos galhos os ventos balançam...
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
O cheiro do café e a saliva no canto da boca
É verde manhã que se vê da janela
Paisagem de folhas roçando
E o silvo nos galhos os ventos balançam
Numa sinfonia matinal um baile de insetos que dançam
Decompondo restos mortais
Lá fora, despedidas, beijo na boca e automóveis desfilam operários
O concreto racha e sucumbe às raízes
Floresce um amanhecer jardim neste fabulário
De vida e de morte
E na memória viva da noite passada
Madrugada adentro os dois estavam
Descrevendo as partes de suas próprias naturezas
Agora, é alvorecer do verde manhã se
Estendo ao azul céu
São as folhas das árvores que se desprendem e voam;
Aqui, etéreo é o cheiro do café, das salivas e da danação matinal
Os gatos regressam pra casa;
O lixo se detém nas calçadas;
Damos um trago na xícara e
Respiramos o ar marginal.
Quando a noite sepulta o horizonte sem luz, | E o zênite em luto ao abismo conduz, | Ante o pálido horror deste céu cinzento, | Eu me rendo ao…