Poema
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
IV
Ah, fé,
Só com ti o mais descrente pode absorver o consumo da realidade
De acreditar que pode haver amanhã mesmo em fúria
A fé que aprendemos desde crianças
Quando fazemos as brincadeiras sem saber por quê
Sem definir as atividades, apenas soltos no tempo e espaço
Ainda sem conceitos, primitivos
A fé é o retorno ao primeiro
A infância que acredita no futuro, pois ainda está por conhecê-lo
Como Kierkegaard, saber da fé além da razão
Ter a morte uma só vez experimentada
Oh, poetas, vocês têm fé,
Pois sonham
Não vos resta somente o cotidiano
Não sacia a sede o concreto
É a imagem do que é ideal
O que se espera
O que se apresenta por detrás da angústia da vida
Um novo ar, como o da fotografia sensual
Quieta e ardente, parada e fugaz,
Uma prova estática e assustadora da morte
Valeu o clique da foto como vale o eterno retorno
Além daqui existe o sonho
O cotidiano por si só não basta
E os poetas sonham
Como a transa secular das palavras e das coisas
Os corpos que se tocam e gemem desejos
Onomatopeias do sexo
Do prazer com que a carne tenaz sacia a loucura
A fé, mesmo que não a tenhas aos moldes cristãos,
Estás sujeito a tê-la
É a presença da incerteza
A dinâmica do jogo dos erros
É a lógica sem pé nem cabeça do mundo incerto
A fé não se engana
A realidade é que não suporta os sonhos
O novo
A fé é a loucura dos sonhos que se esvaem na realidade
A sombra do viajante
A coisa das causas
Paixão dos amantes que irrompem agressivos
O poema que se fez carne e a carne que morreu por uns versos
Enquanto o poeta, quase sem fé,
Com a corda na mão,
Nutre-se novamente
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Agudo segundo que trouxe fogo em direção ao meu cigarro para queimar as pontas da incerteza, num duelo da mente e do ocaso. Seria tão agradável, com as razões…