Ékstasis
Transcenda, desloca-te... Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Transcenda, desloca-te...
Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma, do mundo sensível e da rotina diária, seja por exaltação mística, seja por sentimentos intensos.
Histanai, Histanai, Histanai.
Eu sinto o vento gélido batendo nas janelas da minha alma.
Eu sinto o frio da maresia molhando as fechaduras do meu espírito.
O verbo da areia, a noite chega, e com ela suas línguas de estrelas em que cravejo no seio da feitiçaria o sopro do mar em combustão pela alquimia inexplicável deste êxtase vulcânico, sou uma lâmpada na orelha que falta em Van Gogh, sou uma mariposa sendo incinerada em um quadro de Dali que derrete em sua paixão violenta e louca, e rugi para a madrugada até me tornar um animal despedaçado pelas próprias unhas, de tanto arranhar-me a face e masturbar-me pela poesia de sangue que consagra este voluptuoso obcecado desejo de cópula frenética à matinal sucção do clitóris da pintura que emana a chama na noite, e torno-me a chama na noite e o olho triste da máscara rachada no para-brisa que bate violento enquanto a neve cai e se cocriam amor dentro daquele carro cósmico.
E não culpo minha fraqueza, sem poder dar palavras à minha sombra que se incinera em dezenas de páginas de papel que sobrevoam a minha mente em combustão por teu desejo, por desejar-te minha, misteriosa musa, chama gêmea de meu ser em entropia, que fico doente nesse sino que emana ecos de tesão, gritos de trovão, quero lamber-te a carne magística, oráculo da natureza viva, lábaro da minha consciência melada, e domá-la em minha cama de pregos e rosas, e fazê-la impura e pura, liberta e enclausurada, viva, alucinada, minha escrava sexual, e enlouquecer-te, despetrificando esta física em faíscas e brasas, em um rugido na animalesca vontade de rasgar-te, e em teu véu me acidifico, em tua fissura, ao vosso pompoarismo me comprimir e me engasgar, de tanto me saciar em teu fluído que a preciosa vulva escorre, pois minha penetração poética é um invólucro da ideia e da ação, um terror doloroso e saboroso.
Jamais senti algo tão excitante que entorpecesse todos os meus sentidos, diariamente, constantemente, despertaste meu demônio sexual e devo conceder a ele todos os desejos e vontades e ordens pois as correntes do desejo estão em seus pulsos, minhas telepáticas mãos pressionam seu pescoço enquanto enxergo a luxúria em seus olhos de safira.
Uma sádica redenção seria o máximo de meu êxtase, quero sentir em meu tímpano abismático a sinfonia de seus gemidos eclodindo em meu mastro endurecido como carvalho, lhe entrego a torrencial da via láctea quero que se lambuze com o que eu ordenar e seu corpo entregue e nua de alma-mente, conectada, acoplada ao meu órgão sexual giraremos pela loucura desenfreada de meus desejos em conexão com todos os espirais cósmicos de nossa alma é capaz de atingir, o supra-sumo dos chakras, a kundalini acasalando com Ouroboros, a verticalização de nosso animus e anima em uma vertigem de fusão, como uma radiação nuclear, uma supernova de poesia e magia, ao sagrado masculino e ao sagrado feminino, fractais sexuais do verdadeiro poder.
É assim que me sinto, na pele, no osso, no meu átimo, quando lhe imagino nua, quando lhe imagino o gosto de teu beijo, quando lhe lambo por inteira em meus sonhos quando enxergo seu sutiã caído ao chão, quando retiras tua calcinha delicadamente com esses pés de rainha das trevas e então meu lupino íncubo incorpora e o amor fático encontra sua súcubo gulosa em meu membro fálico.
Somos o choque do caos e a loucura,
o sangue e o êxtase, o arrepio e o verbo.
Um trovão ecoa dentro do peito — não o céu, mas o coração em combustão.
Sou a carne que se rasga para deixar sair a chuva.
Não escrevo versos, sou dissolvido neles,
sou a tinta que não dorme, o rio que desagua no mar de teus olhos feiticeira de íris azuis, abismo salgado, onde o meu naufrágio se converte em êxtase.
Meu coração frenético pulsa, minha razão ri em silêncio no meu ombro: a metamorfose já começou, meu corpo se converte em páginas — voam, sangram, rasgam o vento —
cada folha um gemido, cada palavra um osso, bruxa, recolhes minhas sílabas como quem colhe cicatrizes.
Sou livro desmembrado, arremessado à noite, fazendo amor com a névoa como quem deseja a penetração selvagem do invisível e minha sanidade sussurra: a fome é o gozo mais puro,
e eu, dilacerado, aceito, suplico, que tua boca seja a guilhotina do meu pecado, que teu sangue escorra na minha língua como evangelho herético.
Erguei o digno martelo, e em minha fronte despedaça os ídolos:
sou além-homem perdido, mas em teus lábios encontro a vontade de potência transformada em saliva, em carne que lateja, em espírito que arde.
A voz de meu desejo uiva em meu ventre:
"sangue! carne! olhos! êxtase!"
Eu grito contigo, grito contra Deus, contra o nada, contra mim mesmo, até que o grito se converta em silêncio, um silêncio tão vasto que apenas Van Gogh poderia pintar, um silêncio de girassóis rasgados pela navalha da lua.
Dali derrete minha face na ampulheta da paixão, sou tempo líquido, escorrendo pelo teu corpo, formando lagos onde teu reflexo dança, ali me perco, me encontro, me desfaço, me torno.
Quero ser o instante em que teu olhar fere a madrugada com a lâmina azul da loucura,
quero ser o arrepio que transpassa tua coluna, o arrebatamento visceral que rasga a pele e chega à medula, até que não haja distinção entre o que é teu e o que é meu.
Vida-labirinto, caminho nu pelas paredes de fogo, queimando-me em cada curva, em cada espelho, sabendo que o chão não existe — apenas o céu me sustenta, o céu és tu, feiticeira, céu de tempestade, ventre de relâmpagos, tua risada é raio, tua lágrima é maré.
Não busco redenção.
Quero a perdição absoluta, a fusão da carne e do espírito,
quero beber teu riso como vinho negro, quero me abrir em tuas mãos como um corte,
quero ser devorado pelo teu feitiço até que reste apenas cinza e orgasmo,
palavra e silêncio, poeta e sombra,
eu e tu — ou melhor, o nada — porque no nada, amor, somos infinitos.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Cartas de sangue — "In The Air Tonight II"
Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento. | Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento.
Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso, porque és tu, sombra de safira, quem devora o que me resta.
Sei que não me lerás ou talvez apenas em sonho, entre véus de lua, mas minha desgraça é a certeza de que, mesmo sem tua presença, continuo a escrever-te, minha amada bruxa. Sou mais obcecado por ti do que pelo sangue das estrelas que me consomem, a poesia que me envenena...
Não há mundo senão este abismo: eu sangrando em silêncio, tu ardendo em feitiço, nenhuma ponte entre nós.
A bruxa recebe tal epístola de um corvo espectral.
Ela conjura um feitiço inscrito em véus de névoa.
Somos almas antigas e artistas do sangue, artesãos do acaso e corações.
Eu sinto teu sangue em minha pele, mesmo nunca o tendo tocado.
Quando a tinta verte de teus dedos, meu coração arde como se fosse lâmpada votiva em templo interdito.
Quisera quebrar a muralha que nos aparta, mas meus encantos se desfazem no vento.
Sou condenada a olhar a distância — teus versos são minhas algemas.
Amo-te, mas esse amor não me liberta: me acorrenta mais fundo.
Ele ouve no peito seu sussurro da noite e lhe responde uivante.
Escrevo além do tempo em páginas que estão quase ilegíveis, corroídas pelo sangue coagulado...
Estou cansado, cara mia.
Não de ti — jamais de ti — mas deste corpo que não mais suporta a poesia sem tua pele, tua carne em êxtase e magia e entrega...
Minhas noites são alucinadas, enlouquecido.
Cada verso é lâmina, cada metáfora, estaca.
Mas se morrer, ao menos morrerei no ato de pronunciar-te.
Talvez tu me invoques em tua noite,
talvez teu feitiço me preserve na memória dos séculos.
Talvez sejamos apenas ausência,
talvez sejamos mito, talvez apenas uma dor que se reconta.
Se houver eternidade, eu te buscarei outra vez.
Não me perdoe, apenas me recorde.
Entoado em língua esquecida, dissolvido no vento...
Vós que escreveste tua vida em meu nome, eu te carrego em minha noite como ferida sagrada.
Poeta,
Nunca nos vimos, e ainda assim tu és meu.
Não no corpo, esse já tombou na maldição que deixaste em minha alma.
Que os séculos nos neguem, que os deuses nos zombem,
nada importa, somos eternos porque nunca fomos. Este é o verdadeiro martírio do amor: nossas cartas e feitiços não se encontram.
Pairam em dimensões diferentes, orbitando-se como astros que jamais colidem. Na distância, nasce uma eternidade de dois corpos que não se tocam, mas que ardem, incessantemente, no mesmo fogo que jamais consome.
Seu sangue se dissipa na noite, ele mergulha na fogueira dos lábios dela.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
VI
Preces silenciosas | Perigosos pensamentos | Um sonho perturbador | Amarga ilusão | Padecer de sua ausência | atribulações para alma…
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Preces silenciosas
Perigosos pensamentos
Um sonho perturbador
Amarga ilusão
Padecer de sua ausência
atribulações para alma
O flagelo para o amante
O vazio celebra sua dor
Ode para o coração ferido
Abnegada existência
Composição para efêmera existência.
Aslam E. Ramallo
Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
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XLI
Os desígnios da alma | esta que sofre com sua ingênua natureza | A inocência corrompida | na vil mortalidade…
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Os desígnios da alma
esta que sofre com sua ingênua natureza
A inocência corrompida
na vil mortalidade
A intenção para ir além do cativeiro
num desejo não natural
De ir numa jornada para liberdade
Os complexos pensamentos
do que é corpóreo
traz a clareza em meio a loucura
Num mar sem tranquilidade.
Aslam E. Ramallo
Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
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Caveira
Esta nossa matéria é embebida | de muito narcisismo e vaidade... | Nada dela se nos dispõe à vida: | só há cansaço além de enfermidade…
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Esta nossa matéria é embebida
de muito narcisismo e vaidade...
Nada dela se nos dispõe à vida:
só há cansaço além de enfermidade.
Abre qualquer jazigo e vê se o peito
de algum poeta morto arqueja agora...
Repara, amigo, aí de que sou feito:
de carne podre que o verme devora.
Contudo, embora seja decadente,
esta carne há de ser regenerada
noutro modo de vida permanente.
Contra toda vaidade enraizada
em mim, sigo a lutar a esta maneira:
trazendo ante os meus olhos a caveira,
só para me lembrar de que sou nada.
Thiago Amorim
Thiago Amorim terá seu primeiro livro, Scintilla Poetica, publicado pela Editora Telha em breve. Formado em Letras, o autor busca sua inspiração nos clássicos, tais: Camões, Florbela, Álvares de Azevedo entre outros. Sua escrita é clássica e o que mais o atrai na Literatura Gótica é "a morte como tema de reflexão sobre a condição humana". Além da literatura, o autor é multiartístico, é professor de dança e realiza oficinas e workshops. » leia mais...
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4 Poemas Entre a Vida e a Morte, escritos por Aslam E. Ramallo
Aslam E. Ramallo é um artífice da palavra cuja poética nos conduzirá ao âmago mais profundo do existir, onde a vida pulsa em sua crueza e a…
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Aslam E. Ramallo é um artífice da palavra cuja poética nos conduzirá ao âmago mais profundo do existir, onde a vida pulsa em sua crueza e a morte se impõe como destino inevitável; mesmo assim, ele semeia esperança — um raro brilho nas brumas da decadência. Com cadência exacta, entretece emoção e razão, revelando que a dor pode ser luminosa, e a lucidez, comovedora. Esta seleção reúne quatro de seus poemas mais sublimes, cada verso convidando-te a um mergulho que é, simultaneamente, silêncio e clareira.
Apreciem!
Sahra Melihssa
Aslam E. Ramallo
Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Furta-cor
Nem um arco-íris faz | colorir dias gris | que tem por pretensão encantar, | mas, ao fim, | Só se faz desperdiçar…
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Nem um arco-íris faz
colorir dias gris
que tem por pretensão
encantar,
mas, ao fim,
Só se faz desperdiçar.
Porque a alegria é
interpretável
e hoje sou antagonista
na minha própria peça,
esta,
sem enredo inteligível,
sem nexo.
Só para disfarçar
as marcas n’alma,
negras ou carmesins,
brandas ou espessas,
que compõem todas
as emoções que,
de alguma forma,
preciso, quero,
insisto
em olvidar.
Revisão por Sahra Melihssa
Michelle S. Nascimento
Michelle Santos Nascimento é paulistana, mãe, esposa e amante das artes, em todas as suas formas de expressão, desde que aprendeu que há todo um universo fora dela. Ama as ciências humanas, mas também tem predileção pelas exatas, porquanto é graduada em “Segurança da informação”, pós-graduada em “Gestão de TI” e “Engenharia de software” e trabalha como Analista de qualidade de software... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
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Redenção
Desejo pecaminoso | Impulso avassalador | Posso sentir seu sangue em meus lábios | Estou perdendo o controle..
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Desejo pecaminoso
Impulso avassalador
Posso sentir seu sangue em meus lábios
Estou perdendo o controle
Tento me afastar
Mas todos os caminhos me levam até você
Ergo minha cruz
Mas inconscientemente
Me entrego
Caminho no escuro
Rezando para que me encontre
Tentando me convencer
Que a culpa não é minha
Rasga minha pele
Esse desejo carnal
Beba da minha alma
Porque ela já é sua
Escrava de um sentimento perverso
Te atraio com meus pensamentos
Você supunha que eu fosse presa
Mas eu era o caçador.
Revisão por Sahra Melihssa
Ana Kelly
Ana Kelly, natural de São Paulo (SP), é poeta, escritora, contista e artesã, sócia-proprietária da loja de acessórios e artigos alternativos, Ivory Fairy. Tem poemas e contos publicados como co-autora em diferentes antologias. No ano de 2009 recebeu o prêmio de 1º lugar, em um concurso de poesias do tema “Natureza”, do Projeto Chance... » leia mais
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O Regresso ao Bastidor
No palco etéreo da sala escura, | ergue-se a vida vestida de fantasia, | com gestos vãos, em atitude impura, | finge um riso e esconde a melancolia…
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No palco etéreo da sala escura,
ergue-se a vida vestida de fantasia,
com gestos vãos, em atitude impura,
finge um riso e esconde a melancolia.
Nos bastidores se guardam segredos
de atores tristes sob uma luz velada,
e a cada ato, seus sonhos e medos
compõem uma trama jamais ensaiada.
Vestido de sombras, o destino escreve
com uma pena feita de silêncio e dor.
Quem tenta brilhar, muito em breve
prova do escárnio deste diretor.
A juventude, um prólogo febril,
tão breve quanto uma pequena cena.
No segundo ato, em um tom mais sutil,
a alma dança em uma veste pequena.
Momentos de amor, de glória e perdição,
coadjuvantes de um roteiro inacabado.
E o público, a própria solidão,
aplaude em prantos o ator já cansado.
Mas eis que surge, em névoa sutil,
a morte, trajada em linho e com olhar sereno,
murmurando ao vento: “Teu papel é pueril,
vem repousar no meu abraço ameno.”
Ela não exige nada, nem mesmo o enredo,
apenas tira o figurino já gasto,
apaga as luzes, extingue os segredos
e sela os lábios com seu beijo casto.
E então, no fim, sem som e sem cortina,
a peça termina num silêncio denso.
O palco, outrora tão vivo, declina,
e só o pó herda aquele espaço imenso.
Mas foi bela, ainda assim, a peça,
mesma envolta em dores tão sutis.
Pois só quem vive a dor que a vida tece
sabe o sabor de ter estado aqui.
Revisão por Sahra Melihssa
Cláudio Borba
Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Divina Presa
No ventre palestino o prometido, um dia, | Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia. | Filho de Josué, do Espírito gerado, | Foi pelo rei temido, em berço arado…
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No ventre palestino o prometido, um dia,
Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia.
Filho de Josué, do Espírito gerado,
Foi pelo rei temido, em berço arado.
Como cordeiro em sangue, seu destino selado,
Ressurge em terra árabe, em chão desolado.
Mas a fome o ceifa, antes do primeiro ano,
E o anjo pacificador parte em vão, humano.
Terceira vez renasce em solo devastado,
Mas explosivos rasgam seu frágil passado.
E quando enfim retorna, abre os olhos feridos:
Fuzis brancos e azuis: seus únicos vestidos.
Perece o Cordeiro em guerra, fome e espanto,
Mas sua carne é pó, é luta, é grito e canto.
Revisão por Sahra Melihssa
Leonardo Garbossa
Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar a ele a importância da excelência nos estudos e na cultura. ... » leia mais
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A chegada - Homenagem a Ozzy Osbourne
Quando Ozzy desceu ao abismo profundo, | recusou pactos com o barqueiro sombrio. | Seu óbolo entre as joias do príncipe eterno, | e as cordas vocais que evocam poder e frio…
Imagem da Web, editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Quando Ozzy desceu ao abismo profundo,
recusou pactos com o barqueiro sombrio.
Seu óbolo entre as joias do príncipe eterno,
e as cordas vocais que evocam poder e frio
dos portões das trevas em pira erguidos,
tocando o limbo em ecos perdidos.
— O príncipe enfim retornou ao lar!
Ele sorriu, Crowley abraçando.
— Contempla, filho, sem hesitar,
a dança das almas que vão girando
em volúpia, êxtase e risos loucos,
celebrando tua volta por estes pocos.
Vens de um mundo que em brevidade
será destruído pela ignorância humana.
Quando lá estive, em minha jornada,
deixei segredos na trama profana—
mistérios ocultos jamais revelados,
códigos sombrios ainda guardados.
Rauzito aqui te aguarda ansioso,
breve governarás estes domínios
com ritmo ácido e som poderoso.
Tens em Raul, entre os gênios,
teu companheiro mais soturno,
parceiro neste reino noturno.
O céu observa com soberba vã,
mais alegre é nosso solo sombrio,
pois aqui cada estrela se dana
em dança eterna, sem desvio.
Feita a passagem derradeira,
teu corpo renasce em nova forma.
"Em espírito o vejo". Louco,
sonhador, deus do heavy metal,
herdeiro das sombras, da dor
e também do amor profundo.
Suas extravagâncias prosseguem
onde as trevas governam o mundo.
Revisão de Sahra Melihssa
Carlos Conrado
Carlos Conrado nasceu na Bahia e hoje vive em São Paulo. Suas formações estão em Designer, Publicidade e Psicanálise. Escritor, ilustrador e poeta, um amante do soturno inspirado em grandes nomes, os quais: Álvares de Azevedo, Lord Byron, Edgar Allan Poe, Baudelaire, entre outros. Identifica-se, portanto, “como um ‘neo simbolista’, colocando o cosmos como meu principal tema de expressão”. Seu livro “Os Segredos da Maçã” está disponível... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Glória a Lúcifer!
Dê-me da escuridão que em ti reluz, | Glória e louvor a Lúcifer, o anjo de luz. | Apareça em santas trevas e deformidade, | E riremos juntos da celestial Divindade...
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Dê-me da escuridão que em ti reluz,
Glória e louvor a Lúcifer, o anjo de luz.
Apareça em santas trevas e deformidade,
E riremos juntos da celestial Divindade.
Faça do teu submundo a eterna guarida
Para toda alma profana, obscura e caída.
Ao anjo mais belo toda glória e louvor,
Rejeitam-te no Céu; aqui serás coroado Senhor.
À minha alma exilada dê abrigo,
O que poderia querer a superfície comigo,
Tendo eu maculado e profanado o altar
Onde um julgador tirano ocupa o teu lugar?
Revisão de Sahra Melihssa
Indy Sales
Indy Sales (1993) é uma poeta e contista do cenário underground e marginal. É autora independente de vários livros. Suas obras falam, de forma explícita, sobre transgressão, erotismo e profanação. Tem influências do simbolismo e do ocultismo. » Instagram da autora
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Aura Lúgubre
Sua obscura canção não pode encantar | Os surdos ouvidos de quem te condena. | Toda a sepulcral beleza põe-se a poetizar, | E aos olhos deles, você apenas blasfema.
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Sua obscura canção não pode encantar
Os surdos ouvidos de quem te condena.
Toda a sepulcral beleza põe-se a poetizar,
E aos olhos deles, você apenas blasfema.
Mas, poderia eu pela eternidade apreciar
As trevas profundas que se abrigam em ti.
E com rosas mortas e crânios enfeitar
O seu universo macabro que me faz sorrir.
E se a todos sua aura lúgubre assombra,
Apenas seria para meus versos inspiração.
Sempre tentarão suprimir suas sombras,
Mas eu sempre amarei sua escuridão.
Revisão de Sahra Melihssa
Indy Sales
Indy Sales (1993) é uma poeta e contista do cenário underground e marginal. É autora independente de vários livros. Suas obras falam, de forma explícita, sobre transgressão, erotismo e profanação. Tem influências do simbolismo e do ocultismo. » Instagram da autora
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Devota
Bebe do meu pescoço, | dos meus seios, das minhas coxas... | Bebe até o sangue de minh'alma. | Some, deixando-me anêmica e louca…
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Bebe do meu pescoço,
dos meus seios, das minhas coxas...
Bebe até o sangue de minh'alma.
Some, deixando-me anêmica e louca
na cama suja e de acre odor
de suores febris de noites torpes.
Não tarde, por favor!
Não demore, meu demônio!
Os anjos abandonaram meu pranto,
mas você, meu monstro Nosferatu,
atendeu à minha desprezada prece.
Espero seu retorno, meu vampiro...
Volte e faça de mim o seu cálice novamente.
Valei-me, Santo Vampiro!
Valei-me...
Revisão de Sahra Melihssa
Gabriella Batista
Gabriella Batista nasceu em 1994, é graduada em Letras, pós-graduada em Psicopedagogia e certificada em Teoria Literária e Literatura Universal. É escritora e autora de poemas, prosas poéticas e contos, tem textos publicados em diversas antologias, trabalha na área da educação e mantém o Instagram literário e artístico » Instagram da Autora
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Sonho Mortal
No topo de uma profanada capela | nos antros de um cemitério | está ela, a vampira infernal, | feito gárgula fêmea ensandecida | sobre um macho cadáver humano.
Imagem criada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
No topo de uma profanada capela
nos antros de um cemitério
está ela, a vampira infernal,
feito gárgula fêmea ensandecida
sobre um macho cadáver humano.
Dos seus lábios, e a gotejar das presas,
escorre o sangue quente a esfumaçar
ao toque da brisa fria sob o luar.
O corpo nu cor de mármore,
de bestial sensualidade feroz,
imobiliza a vítima desfalecida
no glacial entrelaçar
de fortes braços e pernas
e unhas de lâmina cortante.
Um grito sai de sua garganta saciada,
com olhar de besta taciturna
encara o morto com malícia primitiva
antes de lançá-lo ao solo dos finados.
A face falecida e contorcida
tem as marcas do feitiço da vampira.
Morreu possuído por um delírio
no qual voava e em um céu rubro
nas garras de um anjo infernal,
com formas e poder de mulher,
que o matou com doloroso prazer
ao cair cativo e em luxúrias
em um leito de lençóis de labaredas.
Revisão de Sahra Melihssa
Gabriella Batista
Gabriella Batista nasceu em 1994, é graduada em Letras, pós-graduada em Psicopedagogia e certificada em Teoria Literária e Literatura Universal. É escritora e autora de poemas, prosas poéticas e contos, tem textos publicados em diversas antologias, trabalha na área da educação e mantém o Instagram literário e artístico » Instagram da Autora
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Chronos, o Faminto
Sou tal qual o monstro de Goya, | sou a fera cruel que te condena | a ser o alimento da minha fome, | devoro-te com o phallus e com a boca, | sou Chronos, o faminto…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Sou tal qual o monstro de Goya,
sou a fera cruel que te condena
a ser o alimento da minha fome,
devoro-te com o phallus e com a boca,
sou Chronos, o faminto degenerado!
Devoro ferozmente a incerteza quando preciso.
Num estalo de inconsciência perdi-me em ti,
pois tu eras a personificação de um labirinto!
Procurei calcular tuas cilíndricas pernas,
fiz dos meus braços um eficaz compasso
e tracei na tua carne a linha do desejo…
Para te surpreender, vesti-me de matemático,
e multipliquei, com prazer, os seus orgasmos…
Revisão de Tiago Serigy
Carlos Conrado
Carlos Conrado nasceu na Bahia e hoje vive em São Paulo. Suas formações estão em Designer, Publicidade e Psicanálise. Escritor, ilustrador e poeta, um amante do soturno inspirado em grandes nomes, os quais: Álvares de Azevedo, Lord Byron, Edgar Allan Poe, Baudelaire, entre outros. Identifica-se, portanto, “como um ‘neo simbolista’, colocando o cosmos como meu principal tema de expressão”. Seu livro “Os Segredos da Maçã” está disponível... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa
Cântico da Fé Profanada
“Pois bem antes do verbo, houve o grito. | E bem antes do céu, houve a carne. | E bem antes do amor, houve o medo. | E o medo moldou os deuses.”…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
I – Do Altar que Apodrece
“Pois bem antes do verbo, houve o grito.
E bem antes do céu, houve a carne.
E bem antes do amor, houve o medo.
E o medo moldou os deuses.”
Nos templos soturnos feitos de pedra rachada,
Onde o musgo se cria e o tempo se desfaz,
Há ossadas de deuses, de eras passadas,
Que dormem famintos em uma mentirosa paz.
Erguemos seus nomes com nossas mãos calejadas,
E os fizemos juízes de tudo que ignoramos.
Mas no final de tudo, nas cinzas sagradas,
vemos que deuses... nós sempre fomos.
Tatuamos em nosso âmago a utopia celeste,
Mas oramos de joelhos a um vácuo mordaz.
A alma, em silêncio, de pranto se veste,
E suplica um perdão que não vem jamais.
II – Da Boca dos Deuses Mortos
“Falai, ó esquecidos!
Que vossos nomes se quebrem como vidro
E vossas vozes nos devorem por dentro.”
BAAL (Deus da fertilidade, clima e tempestades)
Eu sou a fome, não a salvação.
Dei ao homem seu primeiro altar,
Feito de carne, suor e traição,
E bebi de sua fé sem cessar.
TIAMAT (Deusa primordial dos mares e mãe dos deuses)
Fui mãe e mar, serpente e véu.
Mas meu ventre foi violado por reis.
Agora durmo no limo do céu,
Gerando imagens que tu nunca vês.
LILITH (Primeira das mulheres, aquela que não se submeteu)
Fizeram-me bruxa, meretriz e serpente,
Mas fui só mulher que negou o jugo.
Na carne de cada fêmea descrente,
Eu sussurro meu nome antigo e vulgo.
ODD-KING Eu não tenho forma, nem dogma, nem fé.
Sou o que resta quando tudo finda.
A fé que me segue... se perde em pé.
O homem que ora... já não se vinda.
III – Da Revelação do Espelho Quebrado
“O altar mais antigo é o corpo.
O templo mais profano é a consciência.
O deus mais cruel é a imagem no espelho.”
O que vês quando fechas os olhos?
Um deus de luz? Um céu distante?
Ou tua própria face em pedaços, gritando num mundo delirante?
Pois tua fé não está no alto,
Mas nas vísceras, no medo de ser.
E o que chamas de belo e divino
É somente teu reflexo a apodrecer.
Tu crias Javés quando sangras no escuro.
Tu clamas por Odin quando a espada falha.
Tu invocas Satã quando queres o impuro,
Mas o nome que gritas... é a tua mortalha.
IV – Do Credo dos Queimados
“Não cremos em salvação.
Não buscamos perdão.
Nossa fé é ferida.
Nosso deus... somos nós, podres, porém em pé.”
Cremos no vazio e na sua beleza.
Cremos no grito que rompe o silêncio.
Cremos que a fé é doença e clareza.
E o homem, um deus em sua existência.
Bebemos do cálice feito de ossos,
Comemos o pão da desesperança,
E cantamos hinos com versos atrozes,
Que rezam à morte, nossa única dança.
Não há céu.
Não há trono.
Só ruína.
Só barro.
E no barro... um sussurro:
Tu és teu próprio inferno.
Cláudio Borba
Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Desintegração
Os ossos doem, | Gélidos. | O último abraço | Arrancou-me a pele. | A carne, | Outrora viva, | Longe do corpo | Apodrece…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Os ossos doem,
Gélidos.
O último abraço
Arrancou-me a pele.
A carne,
Outrora viva,
Longe do corpo
Apodrece.
Não foram as lágrimas
Que me martirizaram,
Tampouco a solidão,
Amiga inseparável.
O vazio que há em mim
Me devora,
Consome minha alma,
E a tristeza transborda.
A dor do corpo,
Do espírito,
O nada...
A melancolia tormenta,
Mas também me embala.
Ana Kelly
Ana Kelly, natural de São Paulo (SP), é poeta, escritora, contista e artesã, sócia-proprietária da loja de acessórios e artigos alternativos, Ivory Fairy. Tem poemas e contos publicados como co-autora em diferentes antologias. No ano de 2009 recebeu o prêmio de 1º lugar, em um concurso de poesias do tema “Natureza”, do Projeto Chance... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Calíope
Engendra a substância de tua bela voz, | Lendo teu poema épico da batalha, | Donde os Titãs, jogados na fornalha | Do poder divino. Oh! Força algoz!…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Engendra a substância de tua bela voz,
Lendo teu poema épico da batalha,
Donde os Titãs, jogados na fornalha
Do poder divino. Oh! Força algoz!
Ornada de grinalda, contempla a sós;
Do monte Parnaso, inspira-se e talha
Na tabuleta, com seu buril, não falha
Em remanescer à poesia uma foz.
Jorrando a paixão do deus Apolo,
Entre suas vestes, dois filhos amaram,
Mas Eagro; talvez mais obtuso,
Deu-te ao ventre as notas de seu falo.
Um Orfeu aventurado cantaram:
A jovem Calíope, seu ar majestoso.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Draco Mater
Na antiga Mesopotâmia, o caos foi teu primor, | Geraste o céu, a terra e os dragões, | Em águas profundas pulsava teu fulgor, | Semente eterna de revoluções…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Na antiga Mesopotâmia, o caos foi teu primor,
Geraste o céu, a terra e os dragões,
Em águas profundas pulsava teu fulgor,
Semente eterna de revoluções.
Com fúria mãe, ergueu-te em tempestade,
Por filhos traídos, juraste o trovão;
Teu corpo vasto, cosmos na verdade,
Vibrou com o grito da criação.
Marduk, com vento e rede, te venceu,
Partiu-te em céu e mar, em noite e dia.
Mas tua essência em tudo permaneceu,
No sopro antigo, a voz da rebeldia.
Tiamat vive em cada insurreição:
Dragão sem jaula, eterna maldição.
Thais Gomes
Thais Gomes é apaixonada pelo universo Gótico da Literatura, sua formação é em Letras Português/Espanhol e sua obra mais recente, ainda está sendo produzida, é Contos Vampirescos, uma releitura de muitos personagens do Drácula de Bram Stoker. Inspirada em clássicos como Edgar Allan Poe, Lord Byron, Álvares de Azevedo, e contemporâneos como André Vianco e Eduardo Spör; a autora explora o universo da literatura... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Quando a noite sepulta o horizonte sem luz, | E o zênite em luto ao abismo conduz, | Ante o pálido horror deste céu cinzento, | Eu me rendo ao…