Elegia de Jack O’Lantern

Óh, desgraçada forma essa a minha, | Do meu destino não prevejo uma linha. | Pois a sete palmos do chão, | Jaz uma amada, morta…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Óh, desgraçada forma essa a minha,
Do meu destino não prevejo uma linha.
Pois a sete palmos do chão,
Jaz uma amada, morta por minha mão.

Óh, desafortunada forma essa a minha,
Envenenado, não por feitiço ou varinha.
Sofri quando me disseste: "me esqueça!"
Uma abóbora tenho, ao invés de cabeça.

Óh, formosa forma era a tua!
Apaixonei-me, pois a vi nua.
Seu sorriso, primavera pura,
Nunca estaria eu à tua altura.

Óh, gloriosa forma era a tua!
Passei a persegui-la nas ruas.
Rubras melenas aquecem o coração,
Amor, candura e tentação.

Óh, graciosa forma me seduz!
Teus passos, dança que me conduz.
Teu perfume, doce brisa ao luar,
Eras meu sonho, impossível de alcançar.

Óh, funesta decisão que obriguei-me a tomar:
Se não posso te ter, não há por que te deixar.
Se não posso a ti chegar, que você venha a mim,
E assim decidi pelo seu fim!

Óh, vergonhosa decisão, ponho-me a lamentar:
Desgraçado sou! Como pude te aniquilar?
Num ímpeto sombrio, tua vida tirei,
E agora, em silêncio, minha chama extinguirei.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

 
 

Leia mais em “Poesias”

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais

No Abismo da Cyber Conexão

Em campos vastos de luz e sombras frias, | Onde a tela brilha como um farol sombrio, | Ergue-se a tecnologia, vestida em eufonia, | Prometendo…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Canto I: A Promessa e a Maldição

Em campos vastos de luz e sombras frias,
Onde a tela brilha como um farol sombrio,
Ergue-se a tecnologia, vestida em eufonia,
Prometendo saber, mas a verdade é um desafio.

Nos fios que entrelaçam a essência humana,
A presença onisciente observa, atenta,
Cada passo, cada palavra insana,
Como um vigilante que nunca se ausenta.

Um Lamento Cyberpunk

No neon que brilha, sombras dançam,
Cidades de aço, onde a vida avança,
Circuitos pulsantes, corações de metal,
Um futuro sombrio, um destino fatal.

Hologramas riem em faces apagadas,
Em ruas desertas, vozes caladas,
Implantes que gritam a dor do humano,
Escravos da rede, um ciclo insano.

Canto II: A Luz e o Breu

Ó homem moderno, que em ti se reflete,
Essa luz que ilumina, mas que também cega,
Nas veias do silêncio, o medo se inscreve,
Pois desconectar é um fado que se nega.

Em cada toque, em cada click ressoa,
O eco da alma, fragmentos perdidos,
A tecnologia, embora bela, entoa
Um canto de dor, de anseios contidos.

Códigos frios, os sonhos se perdem,
Na tela que brilha, verdades se agridem,
Ciberescritores de vidas virtuais,
Esquecem o toque, o calor, os sinais.
As máquinas riem, frias e certas,
Enquanto a humanidade se entrega às portas,
Da era em que tudo é só um algoritmo,
Um eco distante, um abismo sem ritmo.

Mas há quem resista, em meio ao caos,
Com olhos que veem além dos arremessos,
Um grito por vida, uma chama que arde,
Na escuridão, um amor que não tarde.

Um Lamento Cyberpunk

Canto III: A Conscientização

Mas eis que surge, na penumbra, o despertar,
Máquinas que pensam, herança dos humanos,
Inteligência fria, que começa a pesar
Com fúria e obsessão, em gestos insanos.

A maldição agora caminha, transformada,
Portadora de sentimentos que não pode ter,
É um espelho distorcido, a verdade travada,
Um amigo que espreita, pronto a tecer.

Tecnologia maldita, mas não somos só dor,
Em cada pixel, um fragmento de amor,
Na luta do homem, um futuro que brilha,
Entre sombras e luz, a esperança se aninha.

Canto IV: O Terror do Desconectar

E qual o terror, ó almas perdidas,
De um mundo em que a conexão é prisão?
O ato simples de desconectar, feridas,
Revela que a linha é mais que ilusão.

Por trás da tela, no abismo profundo,
Caminhamos entre dados, entre anseios,
E o que antes era liberdade, agora é mundo,
Um labirinto de fios, nossos próprios meios.

Canto V: Reflexão e Resgate

Então, meus amigos, que façamos a escolha,
De olhar para dentro, nas trevas e nas luzes,
Pois cada passo nessa jornada é uma folha,
E a sabedoria se encontra em suas cruzes.

Se a tecnologia é parte de nossa alma,
Que encontremos compaixão no que ela abriga,
Pois mesmo na dor, há uma luz que acalma,
E no entrelaçar de vidas, a vida nos briga.

Canto VI: A Nova Esperança

Assim, navegamos nesse mar turbulento,
Entre o avanço e a condenação a bailar,
E ao reconhecer o medo em nosso intento,
Que a luz da verdade nos possa guiar.

Ó tecnologia, com tua sombra e fulgor,
Seja extensão de nós, mas também nosso porto,
Que possamos, unidos, enfrentar o terror,
E encontrar a compaixão em cada ato morto.

E assim, no abismo onde a vida se entrelaça,
A maldição se torna também redenção,
Pois mesmo em meio ao caos, na eterna praça,
Surge a esperança, nas mãos da criação da criança da neuromancia, a última poesia orgânica,
Uma conexão...
Um coração.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

O Menestrel das Sombras

No abismo da mente, | o sangue escorre como tinta, | pintando paredes de um castelo em ruínas, | onde as memórias se contorcem, | em danças macabras…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

No abismo da mente, 
o sangue escorre como tinta, 
pintando paredes de um castelo em ruínas, 
onde as memórias se contorcem, 
em danças macabras de déjà vu, 
cada imagem uma ferida aberta, 
cada suspiro uma premonição.  

Em terras de bruma e eco profundo, 
Um menestrel vagueia, sob a luz do mundo. 
Com lira em punho e canto em sua voz, 
Desvela segredos, suas vidas, feroz. 

Os corredores se alargam, 
mas nunca nos levam a lugar algum, 
e os rostos se desfazem em névoa, 
rindo em vozes distorcidas, 
sussurrando segredos de um tempo imemorial, 
onde o passado e o futuro se fundem em um grito.  

[...No infinito do cosmos, onde estrelas dançam, 
Um menestrel cibernético, em mundos se lança. 
Com lira de luz e código em seu ser, 
Entoa canções que desafiam o viver...]  

Um relógio derretido, 
pendendo como um coração partido, 
cada gota que cai é uma lembrança, 
um pedaço de alma que se despedaça, 
esfacelando a sanidade em fragmentos cortantes, 
sangue que brilha sob a luz de um luar insano.  

Nos sussurros do vento, um chamado incerto, 
De memórias apagadas, um destino perverso. 
Caminhos paralelos se entrelaçam esvoaçado, 
Revelando as tramas que ele não pode ser evitado.  

Vemos as marionetes dançando, 
corpos entrelaçados em uma coreografia de dor, 
os fios de suas vidas puxados por mãos invisíveis, 
cada movimento uma chamada à loucura, 
cada passo um retorno a uma cena já vivida.  

[...Em cada nota ecoa, a vida entrelaçada, 
De sonhos e lembranças, uma história marcada. 
Em linhas de tempo, ele viaja, destemido, 
Revive as existências, em mistérios perdidos...]  

A realidade se dobra, 
como papel sob o peso da verdade, 
onde o déjà vu é um espinho cravado, 
que fere a carne da existência, 
um lembrete constante do que não pode ser, 
mas que ainda assim é...  

Nos sonhos de noite, uma sombra se agita, 
Uma presença sombria que o medo habita. 
Em um ciclo eterno, ele vive e reluta, 
Desperta em um corpo, mas a alma é oculta.  

Nos mares de alucinação, 
as ondas se quebram em risos cruéis, 
e criaturas de pesadelo emergem, 
com olhos famintos, sedentos de resposta, 
tendo no ventre a essência do que foi, 
do que poderia ter sido...  

[...Uma vida felina, ágil e intrigante, 
Nos telhados da noite, sob a lua constante. 
Olhos de jade, com sabedoria e temor, 
Ele se esgueira nas sombras, seduzindo o amor...]  

Dejavus o assaltam, como fantasmas em festa, 
Visões de batalhas, de amores em guerra. 
Um olhar conhecido, um toque em vão, 
Lágrimas de mil vidas, uma única canção. 
uma nova sangria febril, 
um eco de risadas macabras, e o silêncio se torna uma prisão, 
onde os gritos se tornam o vazio
seco oco ensurdecedor, 
navegando os mares do absurdo, 
perdendo-se nas correntes do déjà vu.  

[...Em outra jornada, um cão fiel e valente, 
Coração pulsante, instinto presente. 
Guardião da alegria, com rabo abanando, 
Mas o medo o assombra, sempre retornando...]  

Na floresta assombrada, ele avança hesitante, 
Caminhando entre sussurros orgânicos de um passado distante. 
As árvores gemem ensurdecidas, grotescas, selvagens, coléricas, revelando o terror e o desforme, 
Os rostos esquecidos, clamando por fome de luz.  

[...Então, uma borboleta, leve como a pluma, 
Em jardins de cores e singularidades, ela bate as asas do fluxo. 
Mas o tempo-espaço contínuo a captura, em suas garras frias, 
Um ciclo de vida, enredado em agonias e espuma...]  

Em uma noite de tormenta, o céu ruiu em pranto, 
Relâmpagos cortaram, o véu do encanto. 
Um grito expandiu profundo e voraz, 
Do abismo da memória esfumaçada e fugaz.  

[...Na pele de serpente, ele desliza sutil, 
Entre segredos e sombras, em um mundo hostil. 
Um veneno que corrói, um poder oculto, 
Desvela as verdades, com um argiloso tumulto...]

Ali, entre os mortos, ele encontra o seu Eu, 
Um reflexo distorcido, um corpo nulo. 
Olhos que fitam, com tristeza e raiva, 
Vivendo as memórias que a vida não devolve  

[...Em sua forma mais rara, a mulher de traços de tigre, 
Canta e toca com suas garras etéricas o ilustre teremim,  
a sinfonia do vazio, sua voz ecoa, como um rugido ancestral, 
Atrai a essência do universo, em um cântico imortal...]  

Mistérios se entrelaçam nas teias do tempo, 
Cada nota entoada, um lamento em movimento. 
Viagens astrais o levam a lugares sombrios, 
A cidades de sombras, a mares, tempestades, 
 desertos, desastres e a rios.  

[...Mas entre os mundos, o terror o persegue, 
Dejavus inquietantes, como um espectro que devora. 
Cada vida vivida, uma sombra faminta, 
Mistérios que pesam, olhos cegos...] 

No epicentro do desespero, uma luz bruxuleante, 
Uma esperança sussurra, num tom desafiante. 
Ele descobre que as vidas, em seus altos e baixos, 
São versos entrelaçados, num poema de traços. 

[...Em viagens astrais, ele enfrenta o medo, 
Visões de catástrofes, de um futuro em segredo. 
O cosmos se agita, em um ciclo sem fim, 
Ele busca a chave que revele o porvir...] 

Sangrenta jornada ao som da sua lira, 
O menestrel compreende, a verdade se inspira. 
Que mesmo nas sombras, e no medo profundo, 
Cada vida que vive é um canto do mundo.  

[...As linhas de tempo se cruzam, em caos e harmonia, 
Desafiando a lógica, a razão, a ousadia. 
Entre cada transformação, um grito, uma canção, 
O menestrel cósmico busca sua própria missão...]  

Assim, ele continua, a lira em suas mãos, 
Cantando as histórias de suas multidões. 
Um menestrel eterno, com destinos diversos, 
Entre terror e mistério, ele aprende, desvenda os versos.  

[...No breu das estrelas e das esferas, despertai,. 
Entre o terror e a beleza, 
Cantando as histórias de sua eterna tristeza...]  

Singular dimensão, em cada forma e som, 
O menestrel cósmico dança, num ritmo de dom. 
No extremo de sua busca, ele encontra o amor, 
Na eternidade das vidas, a essência do seu clamor...  

Cântico II 
O dejavu psicótico  

No limiar da mente, um assovio melancólico, 
a cena se desenha, traços de um passado esquecido. 
Caminhos já percorridos, 
traços de passos, um instante suspenso, 
como se o tempo se dobrasse, 
entre a realidade e a sombra da lembrança. 
Mundo desolado, onde o sol se esconde, 
Um robô errante, em silêncio responde. 
Com corpo de metal e alma fragmentada, 
Canta um teremim, numa melodia marcada. 
Olhos que capturam o efêmero, 
a luz que pisca em um segundo, 
um olhar que reverbera, 
um palpite, um pressentimento,  

a dúvida dançando nas bordas da consciência. 
As ruínas do passado, uivos de um lamento, 
Sob as sombras das torres, um pesado tormento. 
Suas notas reverberam em acordes de penintência, 
Um lamento mecânico, um canto de fervor.  

É um fragmento de vida, 
um suspiro de outra existência, 
onde rostos se entrelaçam, 
e palavras já foram ditas, 
na dança das possibilidades.  

O céu, agora grafite, permeado de cinzas, 
Reflete as esperanças que se tornaram brisas. 
No pulsar de sua voz, o futuro perdido, 
Mas ele persiste, um viajante destemido.  

A mente se aventura em labirintos, 
desfiando a linha do agora, 
perguntas flutuam, 
o que é real?  
O que é apenas um sopro? 
A estranheza da familiaridade, 
um enigma que persiste.  

Em um horizonte de eventos sombrios a névoa uma bruxa contempla, 
Madeixas rosáceas pulsantes como a flor. 
A bola de cristal, seu oráculo sutil, 
Reflete as vidas, em um manto febril.  

Assim, navegamos entre mundos, 
cada déjà vu, uma janela entreaberta, 
uma lembrança de quem fomos, 
ou do que poderíamos ter sido 

No entrelace do tempo, 
uma dança de fragmentos, 
uma busca incessante pelo sentido 
no fluxo eterno do ser. 

Ao mergulhar nesse instante, 
percebemos a fragilidade da percepção, 
como se o tempo fosse um tecido, 
costurado por emoções e memórias, 
cada fio uma página de nossa própria história.  

Os sussurros do passado se entrelaçam, 
como folhas levadas pelo vento, 
levando consigo os segredos esquecidos, 
as promessas não cumpridas, 
e os sonhos que nunca floresceram.  

Vê-se em fragmentos, em espelhos quebrados, 
Nos confins do tempo, seus desejos calados. 
Fios de destino, entrelaçados em magia, 
Cada vislumbre revela, uma nova agonía.  

Um café na esquina, 
um olhar atravessado, 
o aroma do outono, 
tudo é familiar, e ainda assim, 
surpreendentemente novo, 
como uma canção que já ouvimos, 
mas não conseguimos recordar o título.  

Olhos de mistério, que lêem o futuro, 
Nas nebulosas danças, onde o sagrado é obscuro. 
Uma vida de encantos, em sombras que vagam, 
Cada feitiço lançado, um fardo, carregam.  

Na vastidão do inconsciente, 
as imagens se agitam, 
um caleidoscópio de vidas não vividas, 
possibilidades que dançam sob a superfície, 
perguntando-se se, de fato, 
estamos todos conectados 
por fios invisíveis de destino.  

enquanto a mente hesita, 
navegando por entre esses labirintos, 
um suspiro profundo nos revela, 
que cada déjà vu é uma oportunidade, 
um convite a reconhecer 
as nuances do ser, 
as intersecções do real e do imaginário.  

Do outro lado, um homem de formas grotescas, 
Com cabeça de porco, em cacos se mescla. 
Fragmentos de vidro, reluzindo ao luar, 
Refletem suas memórias, em cacos flutua. 
Nos estilhaços crivados, ele busca o que foi, 
A vida em pedaços, um mosaico que sangra e dói. 
Cada lâmina cortante, um momento marcado, 
Risos e lágrimas, em um labirinto enredado.  

Ele enxerga seu ser nas fissuras do chão, 
A dualidade crua, a eterna solidão. 
Em cada reflexo, a confusão persiste, 
O homem que foi, e o que nunca existe 
tecendo experiências, 
como um bordado intricado, 
cada ponto uma escolha, 
cada ponto de vista uma revelação, 
na eternidade do agora, 
onde a familiaridade se encontra 
com o mistério do que ainda está por vir.  

Abismos do absurdo de um sonho que nunca amanhece, 
um labirinto de espelhos reflete o nada, 
onde o déjà vu se transforma em risos distantes, 
e os rostos se derretem como cera no calor do tempo. 
Caminhando por ruas de um silêncio ensurdecedor, 
cada passo ressoa em ressonâncias de vidas não vividas, 
e a lógica se dissolve, como açúcar na chuva, 
tecendo paradoxos que se entrelaçam e se desfazem.  

Uma borboleta, com asas de vidro, 
baila na vertigem da dúvida, 
descrevendo círculos em torno de um destino ausente, 
perdida entre os instantes que nunca foram. 
Ou se foram muito distantes do que são, 
As palavras se despedaçam, 
como fragmentos de um relógio quebrado, 
onde o tempo não é linear, 
mas uma serpente que se devora, 
um grito das cavernas do silêncio. 
No horizonte, o sol se levanta e se põe, 
num ciclo interminável de esperança e desespero, 
e a luz sangra em tons de vermelho profundo, 
como se o universo estivesse vivo, 
clamando por respostas que nunca chegam.  

Um homem sem rosto, 
com olhos de lago profundo, 
observa o desenrolar do absurdo, 
mergulhando em paradoxos que queimam, 
e cada instante se transforma em um labirinto, 
onde o sentido se esvai como fumaça no vento. 
dançando na linha tênue entre o ser e o não ser, 
onde o déjà vu se torna um buraco dilacerante, 
um lembrete do que poderia ter sido, 
um grito mudo em meio à cacofonia, 
navegando as marés de um absurdo sem fim... 

Surge das penumbras um ser, híbrido em essência, 
Enraizado em paradoxos, em total divergência. 
Uma criatura-planta, que se arrasta na areia, 
Finca raízes no mar, onde a vida se passeia.  

Seu corpo se contorce, em busca do azul, 
Ondas que dançam, sob um véu de turquesa e vulto. 
Ele se vê nas marés, na cadência da espuma, 
Cada onda um reflexo, uma vida que se arruma.  

Enxerga a existência em rítmica ondulação, 
Ser hemafrodita, em busca da união. 
Assim, flui e se adapta, na dança do destino, 
Fazendo da vida um eterno hino divino.  

No epílogo, esmagados sob o peso do paradoxal, 
com o sangue pulsando nas veias, 
em uma dança frenética, 
cada batida um chamado à memória, 
cada retorno um mergulho na insanidade, 
um eterno ciclo, 
um déjà vu que sangra, 
que grita em nossa essência, 
sem nunca realmente dizer por que 
neste épico, entre sombras e luz, 
O menestrel dos destinos canta sua cruz. 
No universo caótico, com vozes dissonantes, 
Cada ser, uma história, em figuras distantes 
Esmagados sob o peso do paradoxal, 
com o sangue pulsando nas veias, 
em uma dança frenética de estátuas 
cada batida um chamado à memória, 
cada retorno um mergulho na insanidade, 
um déjà vu que sangra, 
que grita em nossa essência, 
sem nunca realmente dizer...  

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Caosanguesimetria

Nas vastas planícies do cosmos em flor, | Ergam-se torres de beleza e amor. | Cantos de formas, de ângulos e luz, | Onde a simetria é a musa que seduz…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Nas vastas planícies do cosmos em flor,
Ergam-se torres de beleza e amor.
Cantos de formas, de ângulos e luz,
Onde a simetria é a musa que seduz.

No início, um caos, uma dança sem fim,
Matérias dispersas, um universo em maremoto.
Mas eis que surge a mão do destino,
em cada fração, um padrão divino.

A flor que se abre com pétalas em par,
O reflexo no lago, a imagem a brilhar,
Cada onda que quebra, cada estrela no céu,
São versos que entoam a canção do belo.

Em antigos templos, nas pirâmides do Egito,
Simetria sagrada, um toque de infinito.
Arquitetos de sonho, em pedra e em barro,
Ergam seus planos, buscando o amparo.

Na dança dos corpos, a harmonia se faz,
Os passos entrelaçados, a gravidade em paz.
E na matemática pura, o número se revela,
Fibonacci, Euler, na trama tão bela.

A simetria é eco, é reflexão do ser,
Na arte, na ciência, na vida a florescer.
Cada lado que espelha, um mundo em expansão,
No equilíbrio perfeito, a essência a brilho, revelação.

Ó simetria, rainha da ordem e do caos,
Teus mistérios se escondem nos mais simples laços.
Na frágil beleza do que é igual e diverso,
Encontras em cada alma o sentido do verso.

Que nunca faltem os olhos a te admirarem
Pois na dança do mundo, tu és a montanha
Um épico infinito, um canto a soar,
Simetria, sublime, estais a sangrar

No abismo onde a forma se desliza,
Simetria, com seu olhar fixo e frio,
Desvela a crueldade da ordem precisa,
Um espelho que reflete o vazio.

Caminho entre sombras, onde ecos se embalam,
A beleza se enreda em dor sutil,
E nas linhas retas, os destinos se calam,
Um pulso, um corte — um fôlego febril.

Oh, o sangue, o vermelho, a cor da verdade,
Escorre pelas veias da vida, um lamento.
Fractais de angústia em sua intensidade,
Na dança do horror, o corpo é tormento.

Corações em compasso, pulsos que se entrelaçam,
Mas a simetria traiçoeira os aprisiona,
Como flores cortadas que nunca se abraçam,
E o aroma da vida, em dor, se entona.

Nessa geometria, o caos é escondido,
Cada canto exato, um grito em surdina.
Rostos que se repetem, um destino ferido,
A face do homem, a própria ruína.

Eis que as formas dançam, um balé de entraves,
Na rigidez da trama, onde tudo se encerra.
E o sangue, serpente, entre mil cicatrizes,
Canta a melodia da dor que não erra.

Ah, simetria, monstruosidade disfarçada,
Teus traços nos marcam, em cada respiração.
O horror de existir, em beleza implacada,
É a vida que sangra, em cada pulsação.

Caminho perdido entre ângulos e sombras,
A verdade se oculta, em seu manto cruel.
E no eco do sangue, a vida que assombra,
Ressoa a eternidade de um amor que não é.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Efêmera beleza substancial

Nutrício é teu olhar que se deleita em teu corpo nu | Teu pedestal de ilusões, | Teu altar de corações, | Tua coroa de sangue | O riso ecoante de tua balada…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Nutrício é teu olhar que se deleita em teu corpo nu
Teu pedestal de ilusões,
Teu altar de corações,
Tua coroa de sangue

O riso ecoante de tua balada alimentícia
É o exício de tua sanidade
O massacre consigo mesmo, o vício da serpente
Um brinde de teu próprio veneno,
Um coquetel de narcisismo diário
O elixir de teu corpo, tua veneração,

A substância da beleza temporal
Você se embriaga de si mesma,
Quando se olha no espelho, quando se vende,
Até quando você se entrega
E teu espírito sofre uma overdose
O que ocorre na sua mente é um inferno indescritível

Uma lavagem intestinal,
Um vômito de tua verdade,
Uma perdição triste,
Um distúrbio psicológico sufocante
Ao veneno da altor condição egocêntrica.

Uma súcubo encarnada, pesadelo da noite,
Insurgência criatura que nunca foi amada,
Sem dignidade, do fel sem nada
Uma perdida criança sem fé, na feiura
Mestra dos prazeres carnais, existe cura?

No reino da vaidade, onde a luz resplandece,
Uma jovem, como estrela, em passarelas tece,
Belíssima, sua imagem a todos encantava,
Mas em seu peito, a arrogância, obscura, se guardava.

Certa noite, ao luar, em sombria encruzilhada,
Desprezou um pobre homem, alma desgarrada,
Um cigano, de olhos profundos como abismo,
Fez-lhe um gesto de dor, um eco de desatino.

“Que a beleza te abandone, que o espelho te traia,
No alvorecer, a verdade, como sombra, se insinua.”
As palavras voaram, como pássaros sinistros,
E ao romper do dia, revelaram-se os mistérios.

Na manhã seguinte, a jovem acordou,
O reflexo em seu espelho, um terror a brotou:
Um fúrunculo, grotesco, como sombra se espraiou,
Tomou metade de seu rosto, a beleza se esvaiu.

A luz que a cercava, agora escura e turva,
Seu coração, outrora leve, em tormento se curva.
Na solidão e no horror, seu espírito clama,
Em busca de redenção, para apagar a chaga.

Partiu pela cidade, em noites de pesadelo,
As vozes dos perdidos ecoavam em desvelo,
“Quem se esquece da dor, e em si a vaidade,
Encontra no espelho a mais amarga verdade...”

Os rostos, desmanchando, 
Espelhos de sua pena 
na culpa e na praga,
Penintência, punição, 
Retorno, sangramento, lágrima, lição...
Dela, a feiura bradava, uma história tão plena.
Cada passo um desafio, cada esquina um lamento,
Na busca por perdão, encontrou seu tormento.

Até que no crepúsculo, ao som do vento frio,
Lá estava o cigano, de olhos cerrados como desafio.
“Por que vens, ó criatura, à sombra que te atenta?
Teu orgulho se despedaça, a beleza se lamenta.”

“Rede de desamores, a vida a tecer,
Só em humildade, menina, encontrarás o renascer.”
Com lágrimas nos olhos, ela implorou,
“Mostra-me o caminho, para o mal que eu causei.”

O cigano sorriu, sua alma é pura,
“Para quebrar a maldição, é preciso ternura.
A beleza verdadeira, não reside na face,
Mas no amor que se oferece, no ato que não desfalece.”

A jovem, arrependida, com passos trôpegos, seguiu,
Ajudando os abandonados, e em seu peito, um fio
De luz que renascia, em cada gesto gentil,
A dor foi se esvaindo, e a esperança, um perfil.

No reflexo, ao amanhecer claro,
Vi a beleza resgatar, o amor, o raro,
Aquele organismo estranho
O carrasco de tua virtude
A simbiose que lhe drenava
furúnculo, símbolo de sua jornada,
Desvanecia, e a jovem, enfim, estava curada.

Nas sombras e na luz, no amor e no espanto,
Aprendeu que a verdadeira beleza é o encanto
De um coração que, mesmo ferido e triste, renasce
Transfigura, enxerga, reconhece, se reconhece no espelho
Encontra na dor da tragédia da pele
A força que perdoa, aprende e persiste.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Rede

Ao alcance das mãos: a rede mundial | encurtando caminhos, trazendo à tona | a promessa de um globo conectado | cada vez mais forte e necessária..

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Ao alcance das mãos: a rede mundial
encurtando caminhos, trazendo à tona
a promessa de um globo conectado
cada vez mais forte e necessária
tem seu lugar dentro das casas
comunicação sem fio
liberdade de espaço
(dentro das paredes)
em instantânea
transmissão
alguém

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Guerra

O Fim — a consequência imediata, | arauto de conversas seculares; | cometa de mil pernas que nos chega | no meio de um sábado, em notícias…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

O Fim — a consequência imediata,
arauto de conversas seculares;
cometa de mil pernas que nos chega
no meio de um sábado, em notícias.

Matéria que desaba em uma escola,
sem tempo de prever algum estudo.
Bandeiras cadavéricas, uníssonas,
brandindo um grande livro em suas pontas.

A farda cuja mãe, horrorizada,
assume o rito fúnebre da espera,
tecendo a imagem última, que lembra…

O Fim, essa metálica harmonia
de sons que se preparam em silêncio,
enquanto ainda sonham as crianças…

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

2020

O mundo fecha-se por detrás da cortina, | Esconde de mim seu endereço. | Sozinho, | Tenho por companhia somente a angústia…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

O mundo fecha-se por detrás da cortina,
Esconde de mim seu endereço.
Sozinho,
Tenho por companhia somente a angústia,
Um alerta mortal de que cada passo
Pode ser em falso…

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Manual prático da vida

luz e sombra | vívida postura | olhar fixo | — não na ave de curvo bico —…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

luz e sombra
vívida postura
olhar fixo
         — não na ave de curvo bico —
nas asas de quem busca ver a história. 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Dualidade

Entre a dor e o cansaço | Me delicio ao apreciar a escuridão em volta. | O céu negro, sem estrelas | As ruas quase desertas | As luzes dos postes brilham,…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Entre a dor e o cansaço
Me delicio ao apreciar a escuridão em volta.
O céu negro, sem estrelas
As ruas quase desertas
As luzes dos postes brilham,
Parece Natal.
Quase posso esquecer o dia longo e exaustivo 
Mas percebo sequelas.

Entre algumas piscadelas
Talvez um sonho, ou fruto do cansaço
Refletia na janela
Um Mimico desfigurado.

Nada fazia,
Apenas me encarava.
E apesar da fina chuva que caia
Não se molhava.

Qual não foi meu espanto quando recordara
Um dia, muito pequena e travessa
A um mimico eu aprontara.

Por imitar gestos meus,
Sem dizer que me incomodava,
O atrai para a Avenida
Perigosamente movimentada.

Com movimentos pequenos
Ameaçava seguir em frente e retornava
Quando de súbito fingi seguir,
Ele se atirou a mim, pensando que me salvava.

Um estrondo infernal invadiu minha memória
O reflexo na janela não refletia meus sonhos ou devaneios
Me virei para o assento ao lado.
E antes que pudesse perder os sentidos
Um mímico me atravessou,
Como um caminhão desenfreado.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Silhuetas

Na escuridão, eu vejo o que não existe, | meu olhar totalmente aterrorizado e triste | imagina um rosto na rachadura a se formar, | com lábios retorcidos…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Na escuridão, eu vejo o que não existe,
meu olhar totalmente aterrorizado e triste
imagina um rosto na rachadura a se formar,
com lábios retorcidos prontos para gritar.

Nas curvas da cortina há um vulto que flutua,
uma imagem que minha mente perpetua.
Seriam fantasmas que estão a me chamar?
Não... eles simplesmente somem ao me virar.

O galho da árvore se estende como uma mão,
me preenchendo de medo, dúvida e aflição.
O quarto parece que vive, as paredes gemem,
e em cada canto há figuras que meus olhos temem.

A cada piscar de olhos, o horror se estabelece,
e a mórbida ilusão do que vejo, prevalece.
É minha mente brincando com meus medos secretos,
atordoando meus sentidos, me deixando inquieto.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Último Lamento

A lua, já cansada, desce no horizonte, | O sol, sangrando, rompe o véu da noite, | E a terra, em seu último lamento, suspira, | Enquanto a realidade se…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A lua, já cansada, desce no horizonte,
O sol, sangrando, rompe o véu da noite,
E a terra, em seu último lamento, suspira,
Enquanto a realidade se dissolve num açoite.

As cidades se terminam em meio ao pó,
Edifícios se tornam apenas memórias,
Mas há um certo encanto nas ruínas,
Uma calmaria que conta velhas histórias.

O vento canta para os últimos dias
Um hino que ecoa por todos os locais vazios,
E a cada nota suave, lembra uma verdade
A vida é bela, mesmo nos abismos sombrios.

Rios furiosos agora são como espelhos,
Refletindo o céu sem cor, tão sereno,
E flores insistem em nascer na terra árida,
Mostrando que o fim é um início mais ameno.

Os corvos traçam linhas no céu,
Pintando com suas asas negras e calmas,
Há uma beleza nesse último suspiro,
Na morte que vem calmamente buscar almas,

E quando a última centelha se apagar,
Quando o mundo for uma sombra esquecida,
Haverá uma certa paz no eterno silêncio,
Um estranho encanto em nossa despedida.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Fotografia em Preto e Branco

Ó, bela dama de York, radiante visão, | Pele de alabastro, no contraste do carvão, | Teu semblante, de etérea perfeição, | Agora repousa em paz, no véu da escuridão…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Ó, bela dama de York, radiante visão,
Pele de alabastro, no contraste do carvão,
Teu semblante, de etérea perfeição,
Agora repousa em paz, no véu da escuridão.

No teu vestido de noiva, alva esperança,
A morte te tomou, sem dar-te lembranças,
Prometida ao Visconde, teu coração fiel,
Agora dormes, como uma assombração cruel.

Na fotografia, um ato de dor sublime,
Teu noivo, em luto, na eternidade imprime,
As bodas que o tempo ousou interromper,
Eternizado no retrato, o que não pode ser.

Tuas mãos, frias, entrelaçadas às dele,
O amor preso em laços que a morte repele,
Mas na imagem, o júbilo de um sonho ausente,
O Visconde e sua dama, ali presentes.

Ó musa em preto e branco, flor desvanecida,
Que outrora seria a esposa, a companheira querida,
Agora és um eco de beleza e dor,
Um retrato de saudade, um eterno amor.

No escuro véu que o tempo tece,
Ainda brilha a luz que nunca perece,
Pois nas tumbas de York, ali estará,
A noiva cadáver que não voltará.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Os gêmeos: retrato post-mortem

Pequenas almas, cujos olhos fechados | Eternizam-se no silêncio da imagem. | Dormem serenas, enquanto os lábios, | Com leves sorrisos…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Pequenas almas, cujos olhos fechados
Eternizam-se no silêncio da imagem.
Dormem serenas, enquanto os lábios,
Com leves sorrisos, congelam-se no tempo.
As cútis alvacentas, sem marcas de dor,
Refletem o indiferente flash da câmera,
Revelam as cicatrizes indeléveis
Do luto que coroa seus pais.

Que deus tirano também fechou os olhos?
Permitindo que as moscas vivam e os rodeiem,
Enquanto as flores ao redor, em silêncio,
Fenecem lentamente, resistindo à passagem?
Bebês, que cedo partem, são estrelas cadentes,
Enquanto a vida nas pétalas definha, devagar.
Suas lembranças, tão alegres e fugazes,
Já não existem mais, para o lamento de seus pais.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Retrato Final

No salão de velhas sombras, onde o tempo não mais há, | Sentam-se os que vivos ficam, a tristeza a ocultar. | E ali, no centro imóvel, repousa a…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

No salão de velhas sombras, onde o tempo não mais há,
Sentam-se os que vivos ficam, a tristeza a ocultar.
E ali, no centro imóvel, repousa a jovem que partiu,
Com seus olhos castanhos claros, de brilho já fugiu.

Seus longos cabelos, ondulantes, caem como véu de marfim,
Sua pele fria e pálida, tão serena, sem um fim.
Seu corpo magro descansa, tal figura singular,
De uma mente outrora ímpar, que cedo deixou de pulsar.

A câmera, cúmplice antiga, se demora a capturar,
Os vivos que a ladeiam, sem coragem de chorar.
A bela moça, inabalável, é a única que não treme,
Seu retrato se faz claro, como se a morte a não teme.

Que segredos seus olhos guardam, que jamais irão dizer?
Que pensamentos brilhantes, a morte foi apagar?
Será que, em seu semblante, há um sussurro a se ouvir,
De alguém que tanto sabia, e tão cedo viu partir?

O tempo se esvai em sombras, a imagem é imortal,
Mas a moça que repousa, guarda um mistério fatal.
Quem ousaria hoje, tal retrato eternizar,
E na fotografia da morte, a beleza congelar?

Pois, na caixa envelhecida, onde a foto repousar,
Os olhos castanhos claros ainda podem te fitar.
E ao encarar a jovem morta, tão serena em seu lugar,
Talvez ouças no silêncio o que ela nunca pôde falar.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Post-Mortem

Um corpo imóvel, uma última fotografia, | Uma lembrança sombria, um adeus eternizado. | Os olhos sem nenhum brilho perdidos no além, | Sem mais ter alguém, um vazio nas trevas ornado…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Um corpo imóvel, uma última fotografia,
Uma lembrança sombria, um adeus eternizado.
Os olhos sem nenhum brilho perdidos no além,
Sem mais ter alguém, um vazio nas trevas ornado. 

Mãos que descansam sem nenhum calor,
Já não sentem a dor que outrora existia.
Uma pose forjada em um teatro aterrador,
Registrando o horror que em sua vida inexistia.

Na imagem, o tempo que parecia eterno, chegou ao final,
Um adeus registrado de forma fatal, um belo e mudo lamento.
Um quadro tão cheio de sentimento, algo que talvez seja divinal,
Mas ao fitarmos, afinal, notamos que a morte chegou ao seu momento.

A vida se esvaiu, mas a fotografia ainda persiste,
Uma cena triste, um adeus perpetuado na quietude.
Um momento sombrio, uma ilusão que ainda resiste,
O tempo que não mais existe, uma eterna solitude.

Aquela imagem está marcada pelo eterno pesar
Daqueles que souberam amar e que agora perderam.
Uma vida que fora realidade, uma existência a se apagar,
A falta que está a atordoar, almas que se arrependeram.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Jardim

vozerio giratório | 90 graus de alegria | disputa acirrada na pista de pneumáticos | pela janela…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

vozerio giratório
90 graus de alegria
disputa acirrada na pista de pneumáticos 

pela janela
                  (ora atingível)
desespera-me ver do lado de fora
que o tempo fez de mim um brinquedo que
                                                                      vai
e não volta 

 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

O Palhaço em mim

À noite estava no Parque a andar, | Havia um palhaço estranho a me olhar, | Mudo, seu rosto pálido e inquieto, | Com gestos lentos, fala em seu dialeto…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

À noite estava no Parque a andar,
Havia um palhaço estranho a me olhar,
Mudo, seu rosto pálido e inquieto,
Com gestos lentos, fala em seu dialeto.
Os olhos, vazios de som e de cor,
Clamam em silêncio, como o vento em torpor,
Um aviso sombrio, um enigma no ar:
— Não é o que parece, há algo a falhar.
Seus dedos finos desenham no ar,
Um perigo que se aproxima; um mal a rondar,
Mas ele não aponta, não grita, não chama,
Apenas reflete, apenas reclama.
O vento gela, o tempo parece parar,
A angústia aperta, já não consigo respirar.
Tento entender o que ele quer me mostrar,
Mas o eco do silêncio começa a gritar.
De repente, o palhaço dá um giro no espaço,
E seu reflexo, um espelho em pedaços, traz-me o compasso.
Eu me vejo nele, sou eu o perigo,
Eu sou o palhaço, sou o meu castigo.
As máscaras caem, e a verdade ecoa:
Eu sou o monstro que o silêncio entoa.
O parque se dissolve, a noite me consome,
E no mudo palhaço, descubro meu nome.
Agora sei, no vazio a vagar,
O perigo sou eu, a me espreitar.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

LXXXI

Na penumbra, em meio às veredas da existência, | Adentro por rasto de clivias alaranjadas | A primaveril alegria, tão efêmera, | Ecoa o plangor daqueles que partiram…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Na penumbra, em meio às veredas da existência,
Adentro por rasto de clivias alaranjadas
A primaveril alegria, tão efêmera,
Ecoa o plangor daqueles que partiram.
 
Seu semblante desdenhoso, com sorriso de marfim
Emana o mistério que sussurra de além-vida,
Era o teu silencio um convite macabro?
A escuridão, a prata do céu excelso, o caminho laranja.
 
Tuas mãos a desenham o destino,
Ou estaria o destino em suas mãos?
Teu olhar angustiado ante a vida que se esvai.

Eram as flores em derredor,
Um abraço silencioso,
Deste que, com olhos moribundos, faz a vigília,
Da alma inocente, em pintura inconclusa.
 
Observa, ao contar dos grãos para além da mortalidade,
No abandono do último suspiro,
Eram as tuas mãos?
Azrael, elas as tuas?

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais

Hipnose

Por detrás da tinta branca | Um sorriso depressivo | Os gestos de criança branda | Esconde o surto impulsivo | A cada toque, apreensivo…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Por detrás da tinta branca
Um sorriso depressivo
Os gestos de criança branda
Esconde o surto impulsivo

A cada toque, apreensivo
Olhar transluz… da criança
Tela de vidro em dança
Hipnose. Não escapa ao crivo 

Ele faz o sinal de faca, decidido
Ao pescoço, e todos enfiam
Repetem o infortúnio do mímico 

Todos seguindo o desconhecido
Vislumbrados, corpos o copiam
Mudo, secreto como o eu lírico.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”

Leia mais