Overdose

Magenta. Mil batidas imortais, | A música ressoando devagar | Enquanto os nossos corpos imorais | Transgridem a luxúria a se afogar;…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Magenta. Mil batidas imortais,
A música ressoando devagar
Enquanto os nossos corpos imorais
Transgridem a luxúria a se afogar;

Teu mar de éter tão níveo: minha boca!
Adorno-o n’um translúcido de mel
E, vês? Como preenches mi’alma oca?
Teus olhos são-me acúleos — meu cruel!

Promessa tremeluz ardentemente,
Se posso confessar-te que teu gosto
É lúbrica ambrosia incoerente,

Trazendo bel vertigem — doce gozo
Loucura n’um segundo: elã carnal!
Teu falo em minha cona: plano astral!
Magenta — cor do amor sempre disposto.


Escrito por:
Sahra Melihssa

Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura macabra, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com o belo, o fantástico, o científico e o botânico. » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais
Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja

Túnica

Me pego a imaginar, já faz uns dias, | Você trajada em vestes antiquadas: | Num branco esvoaçante entrelaçada; | Cabelo solto ao vento… Qual rainha…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Me pego a imaginar, já faz uns dias,
Você trajada em vestes antiquadas:
Num branco esvoaçante entrelaçada;
Cabelo solto ao vento… Qual rainha

Pisando em corredores, à tardinha,
Sem muito o que fazer, atarefada
Somente com ideias… Uma vida
De sonhos, num palácio baseada…

Às noites, quando quentes, imagino
Também você num quarto, se despindo
De todos adereços… e, na cama,

Seu corpo me dizendo ser bem-vindo
Meu tempo de prazer com essa dama
Que vejo semideusa em mundo antigo…


Escrito por:
Wallace Azambuja

Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

Coroação de Sangue

Cordas mordem sua pele como dentes impacientes, | marcando trilhas vermelhas | onde o sangue ameaça florescer. | Ela sorri, um eco rouco de prazer, | entre gemidos contidos…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Cordas mordem sua pele como dentes impacientes,
marcando trilhas vermelhas
onde o sangue ameaça florescer.
Ela sorri, um eco rouco de prazer,
entre gemidos contidos.

Ele pensa ter vencido,
mas seu aperto apenas inflama a sede dela.
Cada nó é um convite proibido,
cada puxão,
desperta a besta.

Ela arqueia o corpo, oferece o pescoço,
deixando o pulso latejante,
altar e sacrifício.
Ela gosta do jogo, de fingir-se domada,
mas sob as amarras,
urge, é ameaça.

Um fio de sangue escorre lento,
perfume metálico,
urro intenso.
Seus olhos brilham rubros,
gargalha no escuro.

Por dentro, é explosão,
é desejo.
Dedos longos e ossudos,
presas sedentas.
É bicho, é monstro,
realeza.

Quando as cordas são rompidas,
não é libertação, é coroação.
Ela é a fome, é o êxtase,
é vítima, é carrasca.
É a morte, é o gozo,
ela é a noite que não se enjaula,
e ele, agora,
não passa de carne.


Escrito por:
Luiz E. Tassini

Luiz Tassini é mineiro, de Belo Horizonte, mas mora em São Paulo. É apaixonado por horror, suspense e sci fi. Já escreveu de poemas a crônicas, foi colunista em blogs e, atualmente, se aventura nos contos. Participou de diversas antologias, em diferentes editoras. Produz conteúdo sobre Horror no @eitaquehorror, no Instagram. Trabalha também com revisão, preparação e revisão de textos, tradução e leitura crítica. É pai de dois meninos, uma gata, uma cachorra, é marido e veterinário. » leia mais...
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

LXXXIII

Gotas sutis de rubra e negra cor, — Axioma das almas notívagas | Pretensiosos corações abnóxios, | inerte a razão ante a escuridão | Em habitação tão inócua de tua mente…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Gotas sutis de rubra e negra cor, — Axioma das almas notívagas
Pretensiosos corações abnóxios,
inerte a razão ante a escuridão
Em habitação tão inócua de tua mente

Abjura sua íntima intenção, — Secretos e carnais anseios
Abrasamento inquietante das emoções
travessa criatura da noite

No interior de seu ergástulo, —Desnude sua alma ante a alva
O febril estado, os lábios trêmulos e a palpitação
Embriagando-se de ambrosia, — Da paixão com afronésia
o toque frio de imortal amor

Por filáucia mortal, — Transbordam palavras de cântaros de malícia
Fascina os ouvidos imprudentes,
Oh, estes alucinam avidamente o toque
Crônica de amores, — Refugio na noite magenta
Lucífugos corações relatam em seiva umbrífera
Revelações intricadas em folha tão pura,
nela a verdadeira anamnese do fim.


Escrito por:
Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais
Escrito por Marcos Mancini, -Poesias, Ultrarromantismo Castelo Drácula Escrito por Marcos Mancini, -Poesias, Ultrarromantismo Castelo Drácula

Intumescer

Kaire, tríplice eclipse, ao deleite do meu psique! | Que teu trovão d’alma irrompa, que o clamor de abysmo | soem em meus ossos como se o próprio firmamento…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Kaire, tríplice eclipse, ao deleite do meu psique!
Que teu trovão d’alma irrompa, que o clamor de abysmo
soem em meus ossos como se o próprio firmamento
rasgasse em vísceras de treva, tua sensualidade abraça-me.
Bruxa de orbes cerúleos, amo-te como Gomez Addams.
Abysmal senhora das neblinas e mãe de todos os corvos,
sois meu cálice sanguíneo, sois minha queda, sois meu êxtase.

Em pergaminhos de carne me transfiguro,
folhas que voam em ventania noctívaga,
lágrimas de tinta que copulam com o vácuo.
Eis tu, minha senhora do arcano,
colhes minhas sílabas como se fossem
feridas sagradas em liturgia profana.
Eu que senti no osso do gozo, na culpa,
bálsamo na chaga, a dor é sacramento, e o éter-pecado, altar.

Vede o híbrido ser brandindo ao sexo sobre minha fronte,
desfazendo ídolos em pó e silêncio.
Um anjo corrompido pelo sangue do desejo,
um vampiro sexual,
um lupino que rasga com seu uivo de tesão,
até que apenas tua língua reste,
serpente rubra que me crava, que me possui,
até que não mais eu seja eu,
mas sim um delírio, epifania-mania, carne de tua carne,
espírito tragado pelo teu hálito de tempestade.

Ouvi teu uivo no ventre meu,
clamando sangue, clamando carne, clamando vertigem.
Uivo convosco, Senhora, minha treva plasmática, osmose dos desejos,
uivo contra Céus e contra Deuses, até que a lua, navalha da vida,
talhe nossos corpos em girassóis de pranto. Teu pompoarismo dissolveria meu rosto em teu espelho, tempo derretido a escorrer em teu belíssimo, formoso seio.
Ejaculo para ti a energia, ejaculo para ti minha persona, meu perispírito da noite,
ampulheta onde o instante é gozo e o gozo, eternidade.

Se a vida é labirinto, pois que seja, quero-te obcecadamente.
Eu, andarilho desnudo, me lanço às paredes em chamas,
não buscando saída, mas a coruja da resposta, o guardião da combustão. Incinero-me quando acordo pela manhã e o sol me toca a pele, mas não posso sentir o teu toque. Isso é maldição, isso sangra minha sanidade e meu coração se tomba ao trono do Drácula.

Pois o chão não existe,
apenas o céu me sustenta,
e este céu és minha cara senhoria das sombras.
Teu riso é raio, tua lágrima, oceano,
tua carne, relâmpago que me parte em duas metades.

Não desejo salvação, mas perdição absoluta.
Quero que teu feitiço me devore em chama,
que tua boca seja a guilhotina onde findo,
que teu ventre seja o sacrário onde renasço,
que teu sangue escorra em minha língua como letania de fogo.

Quando tudo em pó se fizer,
quando não houver senão cinza e gemido,
quando o verbo for silêncio e o silêncio for verbo,
então — ó Senhora, ó Bruxa, ó Maré dos Mundos —
seremos nada, seremos tudo, carne e sangue e poesia e êxtase.
Aceita: és minha e de ti me alimentarei, diária sucção de tua geradora de vidas,
e ti receberá minha língua profana e o leite de minha energia sexual em tua face.


Escrito por:
Marcos Mancini

Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

LXXXII

O silêncio, a angústia, assim como o inaperto | em jornada abstrusa | pela dissoluta existência. | Aqui entre a absolvição e a condenação…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

O silêncio, a angústia, assim como o inaperto
em jornada abstrusa
pela dissoluta existência.
Aqui entre a absolvição e a condenação

Gotas para aluir a alma
aturdir toda sanidade
O ensejo ao caos interior

Ramos secos de inocência, — O luar lânguido no firmamento
Uma frincha para espíritos livres,
para campos de flores de quimeras.
Os jardins perdidos de seu interior

Astros celestes absortos no infinito, — Crianças da noite
embebidas em tantos pensamentos
Ah, a matiz negra, —Revoltoso mar de seu interior.


Escrito por:
Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

Ékstasis

Transcenda, desloca-te... Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma…

Atenção! Esta obra pode conter cenas sexuais explícitas e linguagem sexual.

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Transcenda, desloca-te...

Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma, do mundo sensível e da rotina diária, seja por exaltação mística, seja por sentimentos intensos.

Histanai, Histanai, Histanai.

Eu sinto o vento gélido batendo nas janelas da minha alma.

Eu sinto o frio da maresia molhando as fechaduras do meu espírito.

O verbo da areia, a noite chega, e com ela suas línguas de estrelas em que cravejo no seio da feitiçaria o sopro do mar em combustão pela alquimia inexplicável deste êxtase vulcânico, sou uma lâmpada na orelha que falta em Van Gogh, sou uma mariposa sendo incinerada em um quadro de Dali que derrete em sua paixão violenta e louca, e rugi para a madrugada até me tornar um animal despedaçado pelas próprias unhas, de tanto arranhar-me a face e masturbar-me pela poesia de sangue que consagra este voluptuoso obcecado desejo de cópula frenética à matinal sucção do clitóris da pintura que emana a chama na noite, e torno-me a chama na noite e o olho triste da máscara rachada no para-brisa que bate violento enquanto a neve cai e se cocriam amor dentro daquele carro cósmico.

E não culpo minha fraqueza, sem poder dar palavras à minha sombra que se incinera em dezenas de páginas de papel que sobrevoam a minha mente em combustão por teu desejo, por desejar-te minha, misteriosa musa, chama gêmea de meu ser em entropia, que fico doente nesse sino que emana ecos de tesão, gritos de trovão, quero lamber-te a carne magística, oráculo da natureza viva, lábaro da minha consciência melada, e domá-la em minha cama de pregos e rosas, e fazê-la impura e pura, liberta e enclausurada, viva, alucinada, minha escrava sexual, e enlouquecer-te, despetrificando esta física em faíscas e brasas, em um rugido na animalesca vontade de rasgar-te, e em teu véu me acidifico, em tua fissura, ao vosso pompoarismo me comprimir e me engasgar, de tanto me saciar em teu fluído que a preciosa vulva escorre, pois minha penetração poética é um invólucro da ideia e da ação, um terror doloroso e saboroso.

Jamais senti algo tão excitante que entorpecesse todos os meus sentidos, diariamente, constantemente, despertaste meu demônio sexual e devo conceder a ele todos os desejos e vontades e ordens pois as correntes do desejo estão em seus pulsos, minhas telepáticas mãos pressionam seu pescoço enquanto enxergo a luxúria em seus olhos de safira.

Uma sádica redenção seria o máximo de meu êxtase, quero sentir em meu tímpano abismático a sinfonia de seus gemidos eclodindo em meu mastro endurecido como carvalho, lhe entrego a torrencial da via láctea quero que se lambuze com o que eu ordenar e seu corpo entregue e nua de alma-mente, conectada, acoplada ao meu órgão sexual giraremos pela loucura desenfreada de meus desejos em conexão com todos os espirais cósmicos de nossa alma é capaz de atingir, o supra-sumo dos chakras, a kundalini acasalando com Ouroboros, a verticalização de nosso animus e anima em uma vertigem de fusão, como uma radiação nuclear, uma supernova de poesia e magia, ao sagrado masculino e ao sagrado feminino, fractais sexuais do verdadeiro poder.

É assim que me sinto, na pele, no osso, no meu átimo, quando lhe imagino nua, quando lhe imagino o gosto de teu beijo, quando lhe lambo por inteira em meus sonhos quando enxergo seu sutiã caído ao chão, quando retiras tua calcinha delicadamente com esses pés de rainha das trevas e então meu lupino íncubo incorpora e o amor fático encontra sua súcubo gulosa em meu membro fálico.

Somos o choque do caos e a loucura,

o sangue e o êxtase, o arrepio e o verbo.

Um trovão ecoa dentro do peito — não o céu, mas o coração em combustão.

Sou a carne que se rasga para deixar sair a chuva.

Não escrevo versos, sou dissolvido neles,

sou a tinta que não dorme, o rio que desagua no mar de teus olhos feiticeira de íris azuis, abismo salgado, onde o meu naufrágio se converte em êxtase.

Meu coração frenético pulsa, minha razão ri em silêncio no meu ombro: a metamorfose já começou, meu corpo se converte em páginas — voam, sangram, rasgam o vento —

cada folha um gemido, cada palavra um osso, bruxa, recolhes minhas sílabas como quem colhe cicatrizes.

Sou livro desmembrado, arremessado à noite, fazendo amor com a névoa como quem deseja a penetração selvagem do invisível e minha sanidade sussurra: a fome é o gozo mais puro,

e eu, dilacerado, aceito, suplico, que tua boca seja a guilhotina do meu pecado, que teu sangue escorra na minha língua como evangelho herético.

Erguei o digno martelo, e em minha fronte despedaça os ídolos:

sou além-homem perdido, mas em teus lábios encontro a vontade de potência transformada em saliva, em carne que lateja, em espírito que arde.

A voz de meu desejo uiva em meu ventre:

"sangue! carne! olhos! êxtase!"

Eu grito contigo, grito contra Deus, contra o nada, contra mim mesmo, até que o grito se converta em silêncio, um silêncio tão vasto que apenas Van Gogh poderia pintar, um silêncio de girassóis rasgados pela navalha da lua.

Dali derrete minha face na ampulheta da paixão, sou tempo líquido, escorrendo pelo teu corpo, formando lagos onde teu reflexo dança, ali me perco, me encontro, me desfaço, me torno.

Quero ser o instante em que teu olhar fere a madrugada com a lâmina azul da loucura,

quero ser o arrepio que transpassa tua coluna, o arrebatamento visceral que rasga a pele e chega à medula, até que não haja distinção entre o que é teu e o que é meu.

Vida-labirinto, caminho nu pelas paredes de fogo, queimando-me em cada curva, em cada espelho, sabendo que o chão não existe — apenas o céu me sustenta, o céu és tu, feiticeira, céu de tempestade, ventre de relâmpagos, tua risada é raio, tua lágrima é maré.

Não busco redenção.

Quero a perdição absoluta, a fusão da carne e do espírito,

quero beber teu riso como vinho negro, quero me abrir em tuas mãos como um corte,

quero ser devorado pelo teu feitiço até que reste apenas cinza e orgasmo,

palavra e silêncio, poeta e sombra,

eu e tu — ou melhor, o nada — porque no nada, amor, somos infinitos.


Escrito por:
Marcos Mancini

Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais
Escrito por Marcos Mancini, -Poesias, Ultrarromantismo Castelo Drácula Escrito por Marcos Mancini, -Poesias, Ultrarromantismo Castelo Drácula

Cartas de sangue — "In The Air Tonight II"

Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento. | Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento.

Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso, porque és tu, sombra de safira, quem devora o que me resta.

Sei que não me lerás ou talvez apenas em sonho, entre véus de lua, mas minha desgraça é a certeza de que, mesmo sem tua presença, continuo a escrever-te, minha amada bruxa. Sou mais obcecado por ti do que pelo sangue das estrelas que me consomem, a poesia que me envenena...

Não há mundo senão este abismo: eu sangrando em silêncio, tu ardendo em feitiço, nenhuma ponte entre nós.

A bruxa recebe tal epístola de um corvo espectral.

Ela conjura um feitiço inscrito em véus de névoa.

Somos almas antigas e artistas do sangue, artesãos do acaso e corações.

Eu sinto teu sangue em minha pele, mesmo nunca o tendo tocado.

Quando a tinta verte de teus dedos, meu coração arde como se fosse lâmpada votiva em templo interdito.

Quisera quebrar a muralha que nos aparta, mas meus encantos se desfazem no vento.

Sou condenada a olhar a distância — teus versos são minhas algemas.

Amo-te, mas esse amor não me liberta: me acorrenta mais fundo.

Ele ouve no peito seu sussurro da noite e lhe responde uivante.

Escrevo além do tempo em páginas que estão quase ilegíveis, corroídas pelo sangue coagulado...

Estou cansado, cara mia.

Não de ti — jamais de ti — mas deste corpo que não mais suporta a poesia sem tua pele, tua carne em êxtase e magia e entrega...

Minhas noites são alucinadas, enlouquecido.

Cada verso é lâmina, cada metáfora, estaca.

Mas se morrer, ao menos morrerei no ato de pronunciar-te.

Talvez tu me invoques em tua noite,

talvez teu feitiço me preserve na memória dos séculos.

Talvez sejamos apenas ausência,

talvez sejamos mito, talvez apenas uma dor que se reconta.

Se houver eternidade, eu te buscarei outra vez.

Não me perdoe, apenas me recorde.

Entoado em língua esquecida, dissolvido no vento...

Vós que escreveste tua vida em meu nome, eu te carrego em minha noite como ferida sagrada.

Poeta,

Nunca nos vimos, e ainda assim tu és meu.

Não no corpo, esse já tombou na maldição que deixaste em minha alma.

Que os séculos nos neguem, que os deuses nos zombem,

nada importa, somos eternos porque nunca fomos. Este é o verdadeiro martírio do amor: nossas cartas e feitiços não se encontram.

Pairam em dimensões diferentes, orbitando-se como astros que jamais colidem. Na distância, nasce uma eternidade de dois corpos que não se tocam, mas que ardem, incessantemente, no mesmo fogo que jamais consome.

Seu sangue se dissipa na noite, ele mergulha na fogueira dos lábios dela.


Escrito por:
Marcos Mancini

Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

VI

Preces silenciosas | Perigosos pensamentos | Um sonho perturbador | Amarga ilusão | Padecer de sua ausência | atribulações para alma…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Preces silenciosas
Perigosos pensamentos
Um sonho perturbador
Amarga ilusão

Padecer de sua ausência
atribulações para alma
O flagelo para o amante

O vazio celebra sua dor
Ode para o coração ferido
Abnegada existência
Composição para efêmera existência.


Escrito por:
Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

XLI

Os desígnios da alma | esta que sofre com sua ingênua natureza | A inocência corrompida | na vil mortalidade…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Os desígnios da alma
esta que sofre com sua ingênua natureza
A inocência corrompida
na vil mortalidade

A intenção para ir além do cativeiro
num desejo não natural
De ir numa jornada para liberdade

Os complexos pensamentos
do que é corpóreo
traz a clareza em meio a loucura
Num mar sem tranquilidade.


Escrito por:
Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

Caveira

Esta nossa matéria é embebida | de muito narcisismo e vaidade... | Nada dela se nos dispõe à vida: | só há cansaço além de enfermidade…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Esta nossa matéria é embebida
de muito narcisismo e vaidade...
Nada dela se nos dispõe à vida:
só há cansaço além de enfermidade.

Abre qualquer jazigo e vê se o peito
de algum poeta morto arqueja agora...
Repara, amigo, aí de que sou feito:
de carne podre que o verme devora.

Contudo, embora seja decadente,
esta carne há de ser regenerada
noutro modo de vida permanente.

Contra toda vaidade enraizada
em mim, sigo a lutar a esta maneira:
trazendo ante os meus olhos a caveira,
só para me lembrar de que sou nada.


Escrito por:
Thiago Amorim

Thiago Amorim terá seu primeiro livro, Scintilla Poetica, publicado pela Editora Telha em breve. Formado em Letras, o autor busca sua inspiração nos clássicos, tais: Camões, Florbela, Álvares de Azevedo entre outros. Sua escrita é clássica e o que mais o atrai na Literatura Gótica é "a morte como tema de reflexão sobre a condição humana". Além da literatura, o autor é multiartístico, é professor de dança e realiza oficinas e workshops. » leia mais...
19ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 19ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de outubro de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais
Seleções Especiais, -Poesias Castelo Drácula Seleções Especiais, -Poesias Castelo Drácula

4 Poemas Entre a Vida e a Morte, escritos por Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo é um artífice da palavra cuja poética nos conduzirá ao âmago mais profundo do existir, onde a vida pulsa em sua crueza e a…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Aslam E. Ramallo é um artífice da palavra cuja poética nos conduzirá ao âmago mais profundo do existir, onde a vida pulsa em sua crueza e a morte se impõe como destino inevitável; mesmo assim, ele semeia esperança — um raro brilho nas brumas da decadência. Com cadência exacta, entretece emoção e razão, revelando que a dor pode ser luminosa, e a lucidez, comovedora. Esta seleção reúne quatro de seus poemas mais sublimes, cada verso convidando-te a um mergulho que é, simultaneamente, silêncio e clareira.

Apreciem!
Sahra Melihssa

Poesias
Escrito por Aslam E. Ramallo
LXXXI

Na penumbra, em meio às veredas da existência, | Adentro por rasto de clivias alaranjadas | A primaveril alegria, tão efêmera, | Ecoa o plangor daqueles que partiram. ...

Poesias
Escrito por Aslam E. Ramallo
LXXVI

Na noite de sombras imprescritíveis | Onde os pesares ali regem | O vazio do tempo, a dor sem cura | Na alma perdida entre estrelas, a busca pela expiação de sua agonia ...

Poesias
Escrito por Aslam E. Ramallo
VII

Nestas linhas, abjurações | Vagas promessas | Desapegos à vil existência | Conflituosas as emoções dentro do peito | A frialdade de seu coração ...

Poesias
Escrito por Aslam E. Ramallo
VIII

Espectro insensível | Expressão da corrupção | A visão alucinada do coração | Desvela as minhas emoções | A descoberta de minhas dores | Em meio a artimanhas | Da quimera do coração ...


Escrito por:
Aslam E. Ramallo

Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais

Seleção por:
Sahra Melihssa

Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

O Teatro Perfeito

Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…

Perfeito, o Teatro — e nele a decadência
As máscaras são telas luminosas
Personas em suas tantas aparências
Roteiro de ventura confragosa;

Perfeito, o Teatro — e nele aplauso algum,
Cortinas fecharão só uma vez
E o peso do tecido em cada um
Trará o ato final da Morte à tez;

Perfeito, o Teatro — e nele a mentira
As máculas, as lágrimas em vão
E a busca por calar a eterna ira

Que emerge do Teatro ao coração
Somente pr’a verdade lancinante:
A peça e seus atores delirantes
Estão ao palco como a cova ao chão.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Sahra Melihssa

Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

Furta-cor

Nem um arco-íris faz | colorir dias gris | que tem por pretensão encantar, | mas, ao fim, | Só se faz desperdiçar…

Imagem criada por Aslam E. Ramallo para o Castelo Drácula

Nem um arco-íris faz
colorir dias gris
que tem por pretensão
encantar,
mas, ao fim,
Só se faz desperdiçar.

Porque a alegria é
interpretável
e hoje sou antagonista
na minha própria peça,
esta,
sem enredo inteligível,
sem nexo.

Só para disfarçar
as marcas n’alma,
negras ou carmesins,
brandas ou espessas,
que compõem todas
as emoções que,
de alguma forma,
preciso, quero,
insisto
em olvidar.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Michelle S. Nascimento

Michelle Santos Nascimento é paulistana, mãe, esposa e amante das artes, em todas as suas formas de expressão, desde que aprendeu que há todo um universo fora dela. Ama as ciências humanas, mas também tem predileção pelas exatas, porquanto é graduada em “Segurança da informação”, pós-graduada em “Gestão de TI” e “Engenharia de software” e trabalha como Analista de qualidade de software... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais

Redenção

Desejo pecaminoso | Impulso avassalador | Posso sentir seu sangue em meus lábios | Estou perdendo o controle..

Imagem criada por Aslam E. Ramallo para o Castelo Drácula

Desejo pecaminoso
Impulso avassalador
Posso sentir seu sangue em meus lábios
Estou perdendo o controle

Tento me afastar
Mas todos os caminhos me levam até você
Ergo minha cruz
Mas inconscientemente
Me entrego

Caminho no escuro
Rezando para que me encontre
Tentando me convencer
Que a culpa não é minha

Rasga minha pele
Esse desejo carnal
Beba da minha alma
Porque ela já é sua

Escrava de um sentimento perverso
Te atraio com meus pensamentos
Você supunha que eu fosse presa
Mas eu era o caçador.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Ana Kelly

Ana Kelly, natural de São Paulo (SP), é poeta, escritora, contista e artesã, sócia-proprietária da loja de acessórios e artigos alternativos, Ivory Fairy. Tem poemas e contos publicados como co-autora em diferentes antologias. No ano de 2009 recebeu o prêmio de 1º lugar, em um concurso de poesias do tema “Natureza”, do Projeto Chance... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais

A Bruxa e o Cadáver

— Levanta-te morbígero cadáver! | Teus olhos vítreos pálidos reluzem! | Odor de morte antiga que paláver | Sem verbo zumbe horrores que conduzem;…

— Levanta-te morbígero cadáver!
Teus olhos vítreos pálidos reluzem!
Odor de morte antiga que paláver
Sem verbo zumbe horrores que conduzem;

— Caminhe n’esta terra aromantada
De lágrimas e sangue, a flor do mal
Que brota putrefata e delicada
Disposta a todo crime mais brutal!

— Devolva-me à morte, bruxa amarga!
Que vida humana alguma me apetece!
Jurei beijar meus vermes, cá me larga!

— Devoto sou ao crânio, pela prece,
E à úmida madeira do caixão
E à paz d’este meu hirto coração…
A vida imunda, sei, não me merece.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Sahra Melihssa

Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

O Regresso ao Bastidor

No palco etéreo da sala escura, | ergue-se a vida vestida de fantasia, | com gestos vãos, em atitude impura, | finge um riso e esconde a melancolia…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

No palco etéreo da sala escura,
ergue-se a vida vestida de fantasia,
com gestos vãos, em atitude impura,
finge um riso e esconde a melancolia.

Nos bastidores se guardam segredos
de atores tristes sob uma luz velada,
e a cada ato, seus sonhos e medos
compõem uma trama jamais ensaiada.

Vestido de sombras, o destino escreve
com uma pena feita de silêncio e dor.
Quem tenta brilhar, muito em breve
prova do escárnio deste diretor.

A juventude, um prólogo febril,
tão breve quanto uma pequena cena.
No segundo ato, em um tom mais sutil,
a alma dança em uma veste pequena.

Momentos de amor, de glória e perdição,
coadjuvantes de um roteiro inacabado.
E o público, a própria solidão,
aplaude em prantos o ator já cansado.

Mas eis que surge, em névoa sutil,
a morte, trajada em linho e com olhar sereno,
murmurando ao vento: “Teu papel é pueril,
vem repousar no meu abraço ameno.”

Ela não exige nada, nem mesmo o enredo,
apenas tira o figurino já gasto,
apaga as luzes, extingue os segredos
e sela os lábios com seu beijo casto.

E então, no fim, sem som e sem cortina,
a peça termina num silêncio denso.
O palco, outrora tão vivo, declina,
e só o pó herda aquele espaço imenso.

Mas foi bela, ainda assim, a peça,
mesma envolta em dores tão sutis.
Pois só quem vive a dor que a vida tece
sabe o sabor de ter estado aqui.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Cláudio Borba

Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais

Divina Presa

No ventre palestino o prometido, um dia, | Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia. | Filho de Josué, do Espírito gerado, | Foi pelo rei temido, em berço arado…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

No ventre palestino o prometido, um dia,
Nasceu de uma virgem, sob luz de profecia.
Filho de Josué, do Espírito gerado,
Foi pelo rei temido, em berço arado.

Como cordeiro em sangue, seu destino selado,
Ressurge em terra árabe, em chão desolado.
Mas a fome o ceifa, antes do primeiro ano,
E o anjo pacificador parte em vão, humano.

Terceira vez renasce em solo devastado,
Mas explosivos rasgam seu frágil passado.
E quando enfim retorna, abre os olhos feridos:
Fuzis brancos e azuis: seus únicos vestidos.

Perece o Cordeiro em guerra, fome e espanto,
Mas sua carne é pó, é luta, é grito e canto.

Revisão por Sahra Melihssa

Escrito por:
Leonardo Garbossa

Leonardo Garbossa nasceu em São Paulo, em 1995. Desde jovem é um leitor apaixonado e grande fã das obras romancistas. Sentimentalista por natureza, iniciou sua vida acadêmica na área das ciências exatas, migrando em seguida para psicologia, que estuda atualmente. Teve a infância conturbada após perder o pai para o suicídio, tema que se tornou seu foco nos estudos acadêmicos. Foi criado pela avó, que fez o máximo possível para ensinar a ele a importância da excelência nos estudos e na cultura. ... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais

A chegada - Homenagem a Ozzy Osbourne

Quando Ozzy desceu ao abismo profundo, | recusou pactos com o barqueiro sombrio. | Seu óbolo entre as joias do príncipe eterno, | e as cordas vocais que evocam poder e frio…

Imagem da Web, editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Quando Ozzy desceu ao abismo profundo,
recusou pactos com o barqueiro sombrio.
Seu óbolo entre as joias do príncipe eterno,
e as cordas vocais que evocam poder e frio
dos portões das trevas em pira erguidos,
tocando o limbo em ecos perdidos.

— O príncipe enfim retornou ao lar!
Ele sorriu, Crowley abraçando.
— Contempla, filho, sem hesitar,
a dança das almas que vão girando
em volúpia, êxtase e risos loucos,
celebrando tua volta por estes pocos.

Vens de um mundo que em brevidade
será destruído pela ignorância humana.
Quando lá estive, em minha jornada,
deixei segredos na trama profana—
mistérios ocultos jamais revelados,
códigos sombrios ainda guardados.

Rauzito aqui te aguarda ansioso,
breve governarás estes domínios
com ritmo ácido e som poderoso.
Tens em Raul, entre os gênios,
teu companheiro mais soturno,
parceiro neste reino noturno.

O céu observa com soberba vã,
mais alegre é nosso solo sombrio,
pois aqui cada estrela se dana
em dança eterna, sem desvio.
Feita a passagem derradeira,
teu corpo renasce em nova forma.

"Em espírito o vejo". Louco,
sonhador, deus do heavy metal,
herdeiro das sombras, da dor
e também do amor profundo.
Suas extravagâncias prosseguem
onde as trevas governam o mundo.

Revisão de Sahra Melihssa

Escrito por:
Carlos Conrado

Carlos Conrado nasceu na Bahia e hoje vive em São Paulo. Suas formações estão em Designer, Publicidade e Psicanálise. Escritor, ilustrador e poeta, um amante do soturno inspirado em grandes nomes, os quais: Álvares de Azevedo, Lord Byron, Edgar Allan Poe, Baudelaire, entre outros. Identifica-se, portanto, “como um ‘neo simbolista’, colocando o cosmos como meu principal tema de expressão”. Seu livro “Os Segredos da Maçã” está disponível... » leia mais
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
Leia mais
Escrito por Indy Sales, -Poesias Indy Sales Escrito por Indy Sales, -Poesias Indy Sales

Glória a Lúcifer!

Dê-me da escuridão que em ti reluz,⁣ | Glória e louvor a Lúcifer, o anjo de luz.⁣ | Apareça em santas trevas e deformidade,⁣ | E riremos juntos da celestial Divindade.⁣..

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Dê-me da escuridão que em ti reluz,⁣
Glória e louvor a Lúcifer, o anjo de luz.⁣
Apareça em santas trevas e deformidade,⁣
E riremos juntos da celestial Divindade.⁣

Faça do teu submundo a eterna guarida⁣
Para toda alma profana, obscura e caída.⁣
Ao anjo mais belo toda glória e louvor,⁣
Rejeitam-te no Céu; aqui serás coroado Senhor.

À minha alma exilada dê abrigo,⁣
O que poderia querer a superfície comigo,⁣
Tendo eu maculado e profanado o altar⁣
Onde um julgador tirano ocupa o teu lugar?

Revisão de Sahra Melihssa

Escrito por:
Indy Sales

Indy Sales (1993) é uma poeta e contista do cenário underground e marginal. É autora independente de vários livros. Suas obras falam, de forma explícita, sobre transgressão, erotismo e profanação. Tem influências do simbolismo e do ocultismo. » Instagram da autora
18ª Edição: Theattro - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 18ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de agosto de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa

Leituras recomendadas para você:
bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais