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Jura Dolorosa

Eu juro amar-te firme | Doído em uma noite | No sangue o grito tenso | No peito como açoite | Amar-te dói e sofro | Por um amor ausente | Que sabe que até amo...

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Eu juro amar-te firme 
Doído em uma noite 
No sangue o grito tenso 
No peito como açoite  

Amar-te dói e sofro 
Por um amor ausente 
Que sabe que até amo 
Mas não se faz presente  

Sentindo a dor profunda 
Perpétua e para sempre 
Certeza dolorosa 
Palavra mui silente 
Jamais tão meu e sei 
Porém teu peito sente  

Mas 'inda juro amor 
Ser tua e amar-te ao ventre 
Nenhuma nesta vida 
Dar-te-ia o amor que em prece 
Jura amar-te para sempre 

Texto publicado na 9ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de setembro de 2024. → Ler edição completa
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Sangue

Sangue. | Lápide fria | Noite escura, céu acima. | Sangue. | Você me abomina | Mas suas vísceras são minhas. | Sangue. | Seu carmesim cintilante | Colore o cemitério…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Sangue.
Lápide fria
Noite escura, céu acima.

Sangue.
Você me abomina
Mas suas vísceras são minhas.

Sangue.
Seu carmesim cintilante
Colore o cemitério neste instante

Anjos choram pela inocência
Profanam minha existência
Mas ela os devora

Sangue.
Um olhar mais acima...
A garotinha é minha!

Sangue.
Debaixo de uma cruz
A pele pálida reluz.

Sangue.
O túmulo cinza me suplica
“Dance para mim, querida”

Sangre...

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa

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A Luz se Apaga

Majestosa, | Brilhante e inigualável estrela no céu. | Reinando em um mar de escuridão | Mas impiedosa, | Tão bela quanto cruel. | Tomou meus olhos…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Majestosa,
Brilhante e inigualável estrela no céu.
Reinando em um mar de escuridão
Mas impiedosa,
Tão bela quanto cruel.

Tomou meus olhos
Meu corpo e espírito.
Elevou-me a mais linda visão
Para em seguida abandonar-me
Na escura solidão.

Não era vida
O que eu via.
Sua morte brilhava
Iluminando um negro céu.

Não era vida
O que eu sentia.
Era o último suspiro
De quem jazia a sabor de mel.

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa

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Dissoluções

Desfalecem os sonhos | Que sucumbem à incompleteza | Em grandes ondas, | No profundo mar da inconstância | Naufraga impotente a nau da incerteza…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Desfalecem os sonhos
Que sucumbem à incompleteza
Em grandes ondas,
No profundo mar da inconstância
Naufraga impotente a nau da incerteza
Agoniza o sonho de vil substância

Dissolve nas águas como um papel delicado
O frágil objeto de laços estreitos
Carregando fragmentos de sonhos desfeitos
Nas fluidas correntes do mar agitado
Leva o coração de um sonhador acordado
Até, por fim, encontrar no éter defeitos 

Há um doido a nadar nestas águas
No licor de negrume do fosco luar
Se debatendo entre velhas resíduas
Golpeia a superfície escura do mar.
Luta valente com golpes fantásticos
E a lua aberta, mãe dos lunáticos,
Severa assiste seu filho afogar

Que salvem ele, ó navegantes!
Tirem ele deste mar de espinhos!
Mas se for para que volte a ser como antes
Deixemos então que se mate sozinho!

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa
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Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja

Espólios

O chão de mortes rubro e corpos cheio | (Vedado por metais, escudos falhos), | Por nuvens de abutres carniceiros | Agora é posto em sombras, surgem vários…

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O chão de mortes rubro e corpos cheio
(Vedado por metais, escudos falhos),
Por nuvens de abutres carniceiros
Agora é posto em sombras, surgem vários

Girando em asas torpes, altaneiros
— Selado o fim da guerra, de mortais —,
Até que um voo rasante, já sem medo,
No vão mais degradante ele decai.

Saltit‘entre o despojo abandonado;
Mordisca a parte sua da mortalha —
Vitória sem lesão, nenhum ataque.

Banquete assim aberto, assinalado…
De sobra a fosca pilha de medalhas —
Sem brilho e de valor menor que a carne.

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa
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Cosmo Soturno

caminho pela escuridão da noite | tentando imaginar minha vida | sem a correnteza das águas que | caem abundantemente em sua face…

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caminho pela escuridão da noite
tentando imaginar minha vida
sem a correnteza das águas que
caem abundantemente em sua face

tê-la em meus braços fora o
único momento bom deste 
viver melancólico e sombrio
que arrastei por todos os anos

neste corpo gélido, não sinto mais
a força pulsante dos mares de
sangue que fluem inundando 
minha soturna existência 

às sombras arrancaram de mim 
toda a solidão cravada em meu peito
lançando em um abismo obscuro
o mal sedento e submerso por ti

onde estou ainda consigo ouvir
tuas súplicas arrependidas e
desesperadas por mim 
clamando por meu retorno 

lançado em um universo onde 
as trevas devoram minha alma 
suplico em meus devaneios para quê 
a solitude em meu peito aproxime nossas almas.

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa
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Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias Wallace Azambuja Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias Wallace Azambuja

Entropia

Todas profundas marcas que deixaste em mim | São tão irremovíveis quanto a dor que sinto… | Por isso, em lutar por ti eu não mais insisto: | Que o Cosmos…

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Todas profundas marcas que deixaste em mim
São tão irremovíveis quanto a dor que sinto…
Por isso, em lutar por ti eu não mais insisto:
Que o Cosmos se dedique a nos juntar, enfim!
Na aglutinação dos astros com os insetos,
Quando os organismos todos verem, unidos,
A chegada de apocalípticos cometas...
Então a hecatombe final do universo
Vai me unir a teu amor não correspondido
Em seus próprios detritos de sóis e planetas…

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Tempus Fugit III

Alguém verá esta noite, que estrelada, | A sós vislumbro em toda a imensidão? | E mesmo que a perceba agraciada | Compreende seu sabor de solidão? …

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Alguém verá esta noite, que estrelada, 
A sós vislumbro em toda a imensidão? 
E mesmo que a perceba agraciada 
Compreende seu sabor de solidão? 

Alguém, sentindo a aragem tão sutil, 
Enquanto a escuridão é mui soturna, 
Talvez encontre lá, sentidos mil, 
Os quais estão, p’ra mim, na fé sonurna... 

Ó, quanta vastidão, do firmamento, 
Assombra, pois, infinitesimal, 
Mui faz do meu haver — triste relento; 

Soterro-me em vazio adagial... 
— O sopro d’uma vida passadiça — 
Andar errante à sombra fronteiriça 
Das horas no relógio arterial. 

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa

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Sonuras de Áurea Lihran: Fragmentada

Estás n’est’alma lôbrega tão minha, | Resides ou, quiçá, no corpo meu? | Silente agora, vens cruzar a linha | Que tênue marca em mim o sangue teu? 

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Estás n’est’alma lôbrega tão minha, 
Resides ou, quiçá, no corpo meu? 
Silente agora, vens cruzar a linha 
Que tênue marca em mim o sangue teu? 

Sondando n’estes livros, no ancestral, 
Quaisquer dos mais vis ritos, pois confesso 
Que estar em fragmentos e imortal 
É mórbido p’ra mim… horror excesso! 

Escreva, minha bela Aesatt, que sei 
As faces da tua judas-pretensão; 
Protejo-te nas trevas quais sou rei 

E morro co’a tua afável gratidão…” 
Irônica a tua voz grave a verter, 
Escuto e então silente faz-se ser 
Por noites… Seth… volta, maldição! 

Texto publicado na 8ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de agosto de 2024. → Ler edição completa

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Sonuras de Áurea Lihran: Seth

Orquídeas negras tecem a ninguém, | Silêncio aveludado no jardim, | Apresso-me temendo vir alguém | Desperto pelo horror do olor carmim;…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Orquídeas negras tecem a ninguém,
Silêncio aveludado no jardim,
Apresso-me temendo vir alguém
Desperto pelo horror do olor carmim;

Perfiz todo o balcedo estéril e vi
A névoa cinerária se achegando,
Tão tácita espargia — eu m’envolvi…
Sua lôbrega humidade circundando;

Desvelo, cinza e triste vilarejo,
Porém, ao meu espanto, flama à vela
E o som d’um tragimorbo realejo…

Vertigem brusca, bagas de Glïzehla
Nas mãos de humana tez, viril demônio,
Semblante tão terrífico em adônio — 
Não temas teu Arcanjo, bel donzela”.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Promessa de Solstício

Amado, esta invernia quando vem, | Na tua serenidade apaziguante, | Almejo o aconchego que nos tem | Somente em nosso leito lacrimante;…

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Amado, esta invernia quando vem,
Na tua serenidade apaziguante,
Almejo o aconchego que nos tem
Somente em nosso leito lacrimante;

No peito teu deitar-me aquecida
E penso: a eternidade fulgurante
Protege nosso amor e faz da vida
Promessa de um só vínculo constante;

Tu me és tenro perfume de memórias
Em tanto formidáveis, por cuidado,
És lume, amor, p’ra toda a nossa história…

Segredas-me que estás propositado
A ouvir-me parolando as minhas juras,
Zelando, assim, sereno a mi’a candura…
Promete sempre estar, pois, ao meu lado?

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja Escrito por Wallace Azambuja, -Poesias, -Sonetos Wallace Azambuja

Mártir

Exangue, sua antiga força agora | Distante está de todo o heroísmo… | Mas vê-se, no bater d’última hora, | Seu corpo combater o derrotismo:…

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Exangue, sua antiga força agora
Distante está de todo o heroísmo…
Mas vê-se, no bater d’última hora,
Seu corpo combater o derrotismo:

Os olhos — duas órbitas pra fora —
Erguidos, qual chorassem, comovidos…
Seus braços, envolvendo toda a glória,
Num gesto de abraçar algo invisível…

A dor de humana ação parece pouca
Perante o rosto altivo, quase indene,
Lavando com seu sangue o turvo chão…

De onde faz-se ouvir, de boca em boca:
Sem dúvida nenhuma dentro dele
Pulsava a cor vermelha da paixão
.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa
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Nevoeiro

A névoa densa cobre toda a estrada, | mal se distinguem formas no caminho. | Todas as plantas, todos altos pinhos | se camuflam na vista limitada…

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A névoa densa cobre toda a estrada,
mal se distinguem formas no caminho.
Todas as plantas, todos altos pinhos
se camuflam na vista limitada.

A cada passo, a cerração pesada
as têmporas perfura como espinho.
Vem-me a noção de estar aqui sozinho,
envolto inteiramente pelo Nada.

Emerge em meio à bruma um grande muro:
vê-se um portal a serpejar, escuro,
o fim da névoa negra que transponho…

Ei-lo: o portal que a vida antiga cessa,
o vórtice feral que me arremessa
a outro pesadelo, a outro sonho!

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Desertum

Sofro com a aptidão dos dedos desconhecidos sobre as cordas de sonoridade grave em busca do acerto da melodia, teu ressoar, próximo a mim, tange…

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Sofro com a aptidão dos dedos desconhecidos sobre as cordas de sonoridade grave em busca do acerto da melodia, teu ressoar, próximo a mim, tange simultaneamente às contrações de meu compasso cíclico.

Pulso ao teu vibrar melódico de corda friccionada, e o estímulo percorre através de meus ramos e fibras.

Atravessa meu esconderijo e agride minhas cavidades, lacrimejando os olhos da velha que me possui.

 Tal qual cera derretida ardente; cintilante faísca ritmada em compasso ao meu ritmo regular. 

É-me indiferente, bem sei, pois, distanciado estou, acobertado por detrás da caixa torácica, resguardado posterior às vértebras dorsais. 

Confinado, em constante ofício, atuando, bombeando e irrigando.

somente em mim; músculo estriado cardíaco. 

Tu és livre, ademais orquestrado, amado e guarnecido.

Ermos, somos estranhos, velhos conhecidos.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Senda de passos brancos (fragmento)

A longa estrada ao Vale se inicia | na noite descorada — lama e geada. | O primeiro dos cantos acompanha | a névoa fina, o fim da madrugada…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A longa estrada ao Vale se inicia
na noite descorada — lama e geada.
O primeiro dos cantos acompanha
a névoa fina, o fim da madrugada,
o vento frio, cortante, umedecido.
Rebanhos já despertam pelos campos
rodeando lagos, evitando as sombras
de altos pinheiros feitas pelos postes
antigos e vencidos pelo escuro.
Ao longe, aquele bosque…
E cobrem o caminho tantas árvores,
disformes estas, sempre tão fechadas,
mas elas pouco ocultam, tão somente
galhos partidos, folhas ressecadas
e sonhos esquecidos.

Ainda além da via do Castelo,
cercada por metálicos ruídos,
ergue-se a Catedral, e a sua alvura
reflete em si os raios d'alvorada
em róseos dedos já reavivada.
Os brônzeos sinos soam piamente
pela cidade frígida, vazia,
e ecoa pelas torres uma angústia
de vãs lembranças, de esperanças mortas
há tempos pela vida.
Altíssima entre as nuvens da manhã
a cruz se mostra, mesmo enferrujada.
No tempo antigo, quando foi alçada,
quanto luzia, quanto serenava
o espírito infeliz…!

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Pesadelo

Desperto numa rústica tapera… | Com passos range a paliçada antiga; | ventos colidem contra a porta, e as vigas | reverberam gemidos de quimera…

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Desperto numa rústica tapera… 
Com passos range a paliçada antiga; 
ventos colidem contra a porta, e as vigas 
reverberam gemidos de quimera. 

Ouço pelo ar gelado: os sons da fera 
mais aparentam fúnebres cantigas 
compostas pelas hostes inimigas
de bruxas e xamãs, há muitas eras. 

Contemplo pela mísera ventana 
a mata que contorna esta cabana — 
ao longe aquele vulto apavorante! 

Uma anciã do Volga, a pele nua, 
argêntea como a lucidez da Lua, 
caliginosa, ainda que brilhante!

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Rotineiro

Condenados aos trilhos de ferro, com olhares cansados, | Cabelos bagunçados | Dentre almas sem esperança | Viajando em enganoso momento de bonança…

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Condenados aos trilhos de ferro, com olhares cansados,
Cabelos bagunçados
Dentre almas sem esperança
Viajando em enganoso momento de bonança.

Entorpecedor sono que amortece os sentidos
Desejos que se tornam, então, omitidos
Amor que neste chão jaz sepultado
Como produto do próprio resultado

Paixões que nascem e morrem a cada nascer da luz
Aos mais jovens corações seduz
A troca de olhares breves, omissos
Toque que, aqui, se faça inciso

Telas luminosas que entretêm o sentido.
Desprezo, em suma, contido.
Barras frias, corpos amontoados,
A caminho daquilo que foram condenados.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Dilacerante

No dia que o revés lhe bate à porta, | ele escuta a notícia lastimável | e implacável de que ela agora é morta, | que jaz num mausoléu inviolável….

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

No dia que o revés lhe bate à porta,
ele escuta a notícia lastimável
e implacável de que ela agora é morta,
que jaz num mausoléu inviolável.

Alucinado pela dor pungente,
nada pensa senão da perda o horror
e obedece ao infeliz rapidamente
a loucura que pede o seu amor:

Na ânsia de ver sua vestal preclara,
chega ao jazigo em pressurosos passos,
quebra o mármore impérvio que separa 

os dois, deixando, como ele, em pedaços
o féretro de sua bela amante 
para ver novamente o seu semblante,
para mais uma vez tê-la em seus braços.

Texto publicado na 6ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de junho de 2024. → Ler edição completa

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Olhos de Cadáver

Olhos petrificados e | Boca gélida, | De um vermelho desbotado. | Vestes amarrotadas | Ligeiramente forçadas, | Mas sem sucesso. | Cabelos sujos | Cobrindo…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Olhos petrificados e
Boca gélida,
De um vermelho desbotado.

Vestes amarrotadas
Ligeiramente forçadas,
Mas sem sucesso.

Cabelos sujos
Cobrindo, no chão
Sangue e musgos.

Face bela
Talvez outrora
Sonhaste com ela.

Se questionado,
Ou até mesmo me importado
Lamentaria o seu fim.

Mas me prendi nos desenhos,
Naturalmente formados
Por seu sangue carmesim.

Deitada ao chão
Fria ao pé d’uma árvore
Sinto que me chamam, seus olhos de cadáver.

Encosto minha cabeça à sua
E completamente nua
Ela pula para o ataque.

Foi uma emboscada
De inspetor fui à vítima
Encerrando minha jornada.

Texto publicado na 6ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de junho de 2024. → Ler edição completa

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Remorso Póstumo

Suas veias azuladas | As mesmas que via em mim | Sob um sol frio e pálido | As últimas lembranças que me restam de ti. | Na fúria eu cravei…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Suas veias azuladas
As mesmas que via em mim
Sob um sol frio e pálido
As últimas lembranças que me restam de ti.

Na fúria eu cravei
Minhas presas em sua vida
Como uma tola saboreei
Todo o líquido que de ti escorria.

Sob um inferno congelado
Quis padecer pouco a pouco
Sua tez cadavérica
Se opõe a seu gosto doce.

Num dúbio delírio
Te arranquei a mocidade
Bebi sua inocência
Mas te carregarei pela eternidade.

Como o preço pelos meus pecados
Tê-la-ei para sempre em meus lábios
Viva em meus pensamentos,
Sua fria face de pouca idade.

Texto publicado na 6ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de junho de 2024. → Ler edição completa

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