Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Em cada ser, a vasta catedral se ergue,
onde a chama da Luz e o silêncio das Trevas emerge.
Um palco dual que a existência nos impôs,
onde o eu se forma, entre o antes o e depois. 

A Luz se revela, é o rosto da bondade,
o verbo claro, a perene claridade.
É a mão que ampara sem buscar recompensa,
é a fé inabalável, a nossa nobreza imensa. 

É a mente que desperta, que afasta a ilusão,
a força moral que domina o nosso coração.
E sonhamos em ser esse ouro tão puro,
um brilho constante, um futuro seguro. 

Mas vida ensina,
em seu lento labor,
que a luz sem sombra
perde todo seu valor. 

Pois existem as Trevas, o lado que negamos,
o arquétipo fundo que em nós carregamos.
Não é apenas o mal, aquele erro que nos seduz,
mas é aquele potencial que rejeita a luz. 

É a nossa Sombra, o instinto vital,
o lado selvagem, secreto e ancestral.
É a mágoa guardada, o ciúme que arde,
a força que brota fria e sem alarde. 

Se a negarmos, ela cresce faminta e voraz,
e nos assombra em sonhos e em segredos.
A força não vista vira vício ou rancor,
e a alma projeta o seu próprio temor. 

Quem só vive de Luz, na virtude irreal,
cria uma máscara, um rosto artificial.
Torna-se duro, justo em demasia,
um sol sem terra, fadado à fria agonia. 

A pureza extrema que o humano não veste,
é a tirania sutil que nossa alma contesta.
A negação das Trevas gera a hipocrisia,
o medo da queda que escurece nosso dia. 

E quem se entrega às Sombras, sem freio e medida,
é engolido pelo abismo, perde a direção de sua vida.
Vira cinismo o pranto, vira caos o desejo,
sem a Luz que guia o ser não tem pelejo.

A alma se afoga no oceano escuro e vasto,
um barco a deriva, sem porto, sem rastro.
Devorado é aquele que escolhe um só lado,
perdendo o sentido, pagando o preço cobrado.

A chave não está na escolha vã,
mas na aceitação de quem você é,
ontem, hoje e no amanhã. 

O equilíbrio é a dança sutil e sagrada,
onde a Luz acolhe as Trevas, não nega ou degrada.
É quando a Sombra, reconhecida, não mais domina,
e vira a forma que nos move, intenção genuína. 

A Luz precisa das Trevas
para ter profundeza,
para ser humilde
e compreender a fraqueza. 

Como a lua que acende seu brilho no escuro,
somos a soma inteira, o presente e o futuro.
É na dualidade, no meio-termo instável,
que a vida se torna real e suportável. 

Olhe para dentro, sem medo do que espreita,
e faça da Sombra a mestra que te alimenta.
Pois só na união destas partes, formando esse par,
é que a nossa totalidade poderá se manifestar.


Escrito por:
Cláudio Borba

Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura... » leia mais
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