Desertum
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Sofro com a aptidão dos dedos desconhecidos sobre as cordas de sonoridade grave em busca do acerto da melodia, teu ressoar, próximo a mim, tange simultaneamente às contrações de meu compasso cíclico.
Pulso ao teu vibrar melódico de corda friccionada, e o estímulo percorre através de meus ramos e fibras.
Atravessa meu esconderijo e agride minhas cavidades, lacrimejando os olhos da velha que me possui.
Tal qual cera derretida ardente; cintilante faísca ritmada em compasso ao meu ritmo regular.
É-me indiferente, bem sei, pois, distanciado estou, acobertado por detrás da caixa torácica, resguardado posterior às vértebras dorsais.
Confinado, em constante ofício, atuando, bombeando e irrigando.
somente em mim; músculo estriado cardíaco.
Tu és livre, ademais orquestrado, amado e guarnecido.
Ermos, somos estranhos, velhos conhecidos.
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O fim sempre volta | retorna sem medo, sem aviso, sem prazo. | Tempo que come, rói e degenera cada mínima célula de meu corpo cansado | que pede pausa…
o dia nasce em tons de um azul morto | um azul que não encanta
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O azulescer | transbordou em meu peito | O eco da minh’alma
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