O Vazio em estática
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Um oráculo perfura a bolha de um arco-íris de sangue
A tinta de cádmio que tintila espuma derretendo sobre o tapete de veludo carmesim,
e o som não é música, mas o rastro de um inseto gigante rastejando por dentro do piano de cauda na sinfonia de uma porta com uma língua com cabelo,
Ébrio, múmia alquimia de carne, és que é tal eclipse doente,
O Réquiem não começa na aurora sangrenta, ele se desdobra como uma pele velha.
O relógio na parede tem mãos de dedos humanos e eles apontam para o ontem.
Tic. Tac. O sangue é mercúrio gelado e lágrima de uísque passado,
Eu vejo o meu próprio rosto no fundo de uma xícara de café preto,
mas meus olhos são botões de osso costurados por uma aranha que canta ópera.
"Onde está o corpo?", a cortina pergunta na geometria do luto,
A cortina não tem boca, mas ela range como dentes de porcelana.
O silêncio é um cubo de vidro quebrado no estômago.
Uma palavra que pesa como o chumbo de mil sinos enterrados.
As paredes da sala começam a respirar, rítmicas, sangrando, melado,
expandindo o papel de parede até que as flores impressas
virem bocas abertas gritando o nome de um santo que nunca nasceu.
"A eletricidade é o fantasma da matéria," diz o anão que dança ao contrário.
E ri histérico, se arranhando inteiro até apagar, apagar o É da atmosfera,
Ele segura uma lâmpada que emite escuridão. Átimo-fera.
O carvão de Xangõ, a vela-fruto de mamãe Oxum.
Epicentro da escuridão, cicatriz-moradia,
o Réquiem é um rádio sintonizado entre as estações da pós-vida.
O teto desaba em pétalas de carne crua.
Eu sou uma antena de nervos expostos captando o sinal do abismo.
A memória é um filme em 16mm queimando no projetor da retina.
O cheiro de ozônio e jasmim.
A missa dos mortos é celebrada por manequins de cera que derretem sob o sol da meia-noite.
Ondas de radiofrequências de soluços.
Texturas sanguíneo-veludo sobre lixa.
Moedas de cobre debaixo da língua.
A cortina fecha.
Mas eu ainda estou lá dentro.
Nós todos estamos.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Anil do teu sorriso cristalino, | Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta, | Minh’alma azulescida* em teu destino | É doce, pois te amar me fundamenta;…