O retorno de Cernunnos
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
A matéria que suavemente vela o meu corpo, fora feita da suprema energia que permeia o universo. Sou um navegante do tempo a brindar com esferas, no Limiar sou fragmento, sou aquele que as criaturas desperta…
O sucumbido grito meu, tentou alertá-los sobre a travessia, todavia, o Limiar rejeita e castiga aquele que não estiver em sintonia, pois o tempo sob o comando teu, é navalha a gerir carnificina.
Na fenda mais profunda, criaturas se gladiam, são deuses de suas histórias, imbuídos em prol da glória, de tecer seus destinos, com o sangue que agora jorra.
No âmago da fenda, repousa o ancestral vampírico, semente adormecida no ventre do caos. Das essências derramadas, serpenteia a força primitiva - Cernunnos desperta, sua coroa de chifres tecendo sombras no limite do real. Em Lencastre, receptáculo da noite eterna, fundem-se as energias prístinas... O Limiar estremece, pois nas veias do imortal corre agora o poder do deus selvagem, e do sacrifício nasce a aliança sagrada, entidade que carrega em si a sabedoria das eras, onde predador e protetor são um só no tecer dos destinos.
Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Carlos Conrado nasceu na Bahia e hoje vive em São Paulo. Suas formações estão em Designer, Publicidade e Psicanálise. Escritor, ilustrador e poeta, um amante do soturno inspirado em grandes nomes, quais: Álvares de Azevedo, Lord Byron, Edgar Allan Poe, Baudelaire, entre outros…
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