Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Entre os arquivos da Ordem, há um volume reservado apenas às iniciadas. Encadernado em couro escuro e sem autoria declarada, ele registra os procedimentos que regem a passagem e a negação da morte.

Registro da Ordem - reprodução integral.

Ritos Fúnebres da Ordem

A Ordem segue rituais rigorosos para garantir que os mortos atravessem corretamente o ciclo, sem serem corrompidos ou presos entre os véus. Esses ritos variam de acordo com a situação da alma e do corpo.

1. O Rito da Travessia (Para aqueles que morreram naturalmente e sem pendências espirituais)
Este é o ritual mais simples, realizado para garantir que a alma do falecido não fique presa ao mundo dos vivos. O corpo é limpo com ervas amargas para afastar influências indesejadas. O nome do morto é escrito com tinta negra em sua testa para que ele se lembre de quem é ao cruzar o véu. É recitada a “Oração da Travessia”, guiando a alma em sua jornada:

"Você veio da sombra e retornará a ela. Nenhuma dor o seguirá. Nenhum medo o prenderá. Apenas vá."

O corpo é queimado ou enterrado em solo sagrado, dependendo do costume local. Se a alma resistir ou houver sinais de inquietação, passa-se ao próximo rito.

2. O Rito da Libertação (Para aqueles que morreram em agonia ou deixaram assuntos inacabados)
Quando uma alma se recusa a partir ou algo a prende, esse rito força sua libertação. O corpo é posicionado com os braços cruzados sobre o peito e os olhos cobertos com um pedaço de véu negro, para impedir que veja os vivos. Uma moeda marcada com o símbolo da Ordem é colocada na boca do morto, não para pagar uma travessia, mas para silenciar os lamentos. A encarregada pelo rito deve tocar a testa do morto e sussurrar o nome dele três vezes. Em seguida, a “Oração da Ruptura” é recitada:

"Nenhum amor o chama. Nenhuma dor o prende. Você pertence ao esquecimento. Vá."

Se a alma ainda resiste, um corte é feito na palma da mão do falecido, liberando qualquer energia que ainda o segure no mundo dos vivos. Se isso falhar, significa que a alma se tornou algo pior.

3. O Rito do Silenciamento (Para aqueles que morreram e retornaram de maneira impura)
Este rito é reservado para aqueles que foram trazidos de volta de forma errada (mortos-vivos, espectros vingativos ou qualquer um que se recusou a aceitar sua morte). O nome do morto é riscado dos registros da Ordem, simbolizando que ele já não pertence ao ciclo natural. O corpo é perfurado com agulhas de ferro negro, um material sagrado para impedir sua ressurreição. O sangue de uma irmã de maior nível hierárquico é usado para traçar o “Selo da Dissolução” no peito do falecido. A “Oração do Esquecimento” é entoada:

"Você já não existe. O mundo não se lembrará. Sua história termina aqui."

Se a criatura ainda se mover, deve ser destruída sem hesitação. Este é o rito que mais pesa sobre as irmãs, pois significa negar a existência de alguém.

4. O Rito da Execução (Para aqueles que desonraram o ciclo em vida e não merecem descanso)

Nem todos os mortos merecem compaixão. Alguns devem ser apagados completamente, para que nunca se ergam novamente. O corpo é queimado antes da morte (se possível), para impedir que a alma permaneça presa a ele. O coração é arrancado e reduzido a cinzas, garantindo que nenhuma maldição o traga de volta. Nenhuma prece é dita, nenhum nome é pronunciado. O condenado é esquecido imediatamente. É o rito mais cruel da Ordem, mas necessário para aqueles que desafiaram a própria morte e tentaram se tornar imortais.

Esses ritos mostram como a Ordem vê a morte como algo inevitável, mas que deve ser tratado com respeito ou severidade, dependendo das circunstâncias.

Revisado por Sahra Melihssa
Castelo Vampírico
Entre as paredes sinistras do Castelo Drácula, Rute Fasano registra em seu diário as angústias de uma alma consumida pela perda e pela culpa. Assombrada por memórias que recusam o descanso eterno, ela mergulha em abismos existenciais enquanto busca sentido numa fé já desfeita. Para Rute, a única certeza parece repousar na própria morte ou, talvez, numa reversão obscura dela. Seu relato é um testemunho de saudade e consequências, onde a linha entre a vida e o fim torna-se tênue como um último suspiro. » Leia todos os capítulos.

Escrito por:
Valesca Afrodite

Valesca nasceu no Rio de Janeiro (RJ), formada em Ciências Biológicas, encontra-se no último período. Tem paixão por ciências, subcultura gótica, livros, seres sobrenaturais, ficção científica, cemitérios, igrejas e morcegos, ela também é voluntária em um projeto de divulgação científica chamado "Morcegos na Praça". Escrevia com frequência, mas afastou-se da prática ao... » leia mais
20ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 20ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de fevereiro de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

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