Sob a Luz da Chama Purpúrea
Nenhuma voz, nenhum som garganta afora…
MidjouneyAI
Diário de Nauärah, não datado
Nenhuma voz, nenhum som garganta afora. Percebo apenas um lumiar em tom violáceo no salão onde eu me encontro e essa tonalidade transmite-me algo importante que eu tinha aprendido em minha aldeia: a cromoterapia, o poder das cores. Ver a cor violeta é sempre uma dádiva. Além do mais, lembro da violeta, a flor que tantas mulheres da nossa aldeia admiram.
Começo a pensar se foi boa a ideia de me aproximar deste castelo. Em meio a pensamentos distraídos e neste grande salão frio, noto, ao longe, uma silhueta. Cabelos negros e presos, com mechas soltas. Vestes levemente vitorianas com traços góticos. Bem… é uma dama, certamente, mas a sua energia etérea — que posso sentir daqui da outra extremidade, me faz engolir medrosamente menos de um mililitro de saliva, principalmente, quando percebo que ela não se move e parece tomar notas em uma espécie de papiro.
Antes mesmo que ela pusesse seus supostos serviçais para me colocarem para correr, penso em me apresentar, humildemente, porque está clarividente que ela reside por aqui ou é a esposa do Drácula. Ou, até mesmo, é o próprio Drácula em uma figura feminina.
Entre a iluminação violácea, não percebo que a criatura de pele translúcida já está perto de mim. Tão entretida com a beleza deste local, não a notei em seus movimentos. Mas a olho, fixa e medrosamente. A sua pele translúcida, quase, me amedronta. Se ela se atrever a me tratar de maneira rude, os meus arcos já estão na posição correta e as minhas flechas se armariam em segundos. Mas são apenas pensamentos de medo pelo que passei com alguns homens de pele caucasiana. Com essa criatura não consigo ser tão ruim. É como se eu buscasse nela força e cumplicidade para apaziguar os meus traumas.
Eu estou acostumada com animais da mata, a lutar, como uma boa arqueira. Para mim, é natural. Mas aqui eu teria que abaixar a minha guarda de indígena rude, pelo menos, enquanto necessito. Aqui há humanos, mais do que isso — seres híbridos, quase, até vampiros, eu tenho certeza. Mas se eu não pareço tão rude quanto demonstro, possivelmente ninguém também será, dos que residem por aqui. Certamente, se eu impuser limites aos hóspedes seria apenas uma maneira de preservar a minha segurança.
Com certeza, as minhas armas a assustaram. Paro de pensar demais e tento abaixar os arcos e flechas, abaixando, também, a minha cabeça e fazendo um gesto que aprendi com o meu pai, que aprendeu com o meu avô pajé: fechar o punho e o colocar sobre a testa, em sinal de rendição. O faço.
— Sou da família “Tupiniquim” — profiro, quase me sentindo uma tola. Mas a minha força interior me ergue e continuo. — Uma aldeia antiga da região do pantanal do Amazonas, no Brasil. Sou filha de Uyara e Nanquim. E o meu nome é Nauärah.
Eu não faço ideia se ela compreende um terço sobre o que eu digo. Confesso que nossos nomes são específicos e quase incompreensíveis.
— Tenho muito conhecimento em caça, pesca, armas de arco, flecha e construções de madeira maciça. Conheço sobre as matas, ervas medicinais… Meus avós são curandeiros. Derroto qualquer animal, se necessário. Posso ser útil e a minha intenção aqui é a mais serena, senhora. Eu vim apenas colaborar, estudar. Por onde passo, eu sou assim. Foi o que minha aldeia me ensinou. — Solto o ar de cansaço. Aquele ar gélido estava adentrando a minha boca e nariz. Acostumada com o clima quente, já posso saber que eu teria que me acostumar por aqui ou mudar totalmente as minhas vestes. Uma capa longa na cor de terra não iria me proteger. — Se eu puder ficar, posso mostrar o dom da força que carrego dentro de mim, caso o Castelo precise e vocês serão ainda mais fortes.
Ouso e a olho, aguardando, temerosa, a sua aprovação, enquanto as luzes violetas parecem se direcionarem ao meu rosto, como se fossem as luzes, servas desta mulher.
Quase tremo, mas profiro em tom profícuo, para que ela me ouça, ainda que ela não entenda a minha linguagem — qual idioma ela fala? Qual? Pergunto-me, inutilmente. O meu nervosismo é visível e os meus apetrechos parecem tremer com algum movimento que faço. Mas sorrio leve para ela, pois fui sincera e genuína.
Trecho do Memórum de Olga Nivïtzz, página 299, ano desconhecido
— Frígidas são as alcovas e cômodos d’este sombrio lugar, caríssima senhorita. — Proferi em plácida voz, pois, o medo que emanava de sua energia evidenciava seu desconhecimento sobre o Oculto, ao menos, no que se refere à Magia de Sangue e, portanto, não pretendia alimentar seu temor. Reconheci-a como uma conviva, ela decerto ouvira o chamado do Portal e viera, portanto, é inestimável o seu bem-estar durante a estadia.
O eterno inverno úmido que reside no Castelo poderia matá-la, suas vestimentas eram propícias apenas para localizações tropicais. “De qual século tal peculiar dama deve advir?” pensei. Não reconheci sua nacionalidade proferida, ainda não sou capaz de dominar o universo em sua multiforme veracidade.
— Permita-me vestir-te com esta peça — indaguei-a, seu semblante expressava suspeita, retirei com delicadeza meu sobretudo e a sorri para pacificá-la o quanto me fosse possível. — Basta que retires as tuas armas de teu dorso. Estás segura comigo. — Afirmei.
Nauärah… interessante. Seu nome possui uma sonoridade bastante sui generis, no entanto, há resquícios reais da influência, ao que me soa, da língua da Magia; alehanuhra eriihs, eu diria. O idioma Mágico emergiu no vínculo entre todas as mais valiosas línguas da existência humana.
Ao oferecer-lhe minhas vestes, senti o frio ultrapassar o tecido de meu vestido; há éons que não me arrepio de tal forma com essa aragem de íntima gelidez. De fato, minha intuição consegue se estimular facilmente, a mera tez absorve inúmeros sinais. Desde que abri o Portal para trazer novos residentes a esse valioso receptáculo, meus pressentimentos estão assim, à flor da pele.
Diário de Nauärah, não datado
Zelo, presteza, excelência. Essas três palavras definem tal criatura feminil. Ainda me sinto confusa sobre seu nome e quem é, de fato. Por outro lado, sinto-me segura, realmente, como ela assegurou-me.
Ela veste-me com uma roupa ainda mais felpuda e calorosa do que o meu sobretudo. O roupão protetor é violáceo, quase negro. Eu não mudarei a minha essência e a qualquer momento que eu retirar esta capa, a minha identidade se revelará. Por outro lado, bom utilizar outras vestes que não deixem absolutamente nenhuma extensão da minha pele se revelar.
Apenas a olho, como quem acredita que ela não me importunaria. Não consigo proferir uma palavra. Ninguém me toca, ninguém nunca me tocou, exceto quando no terrível acontecimento. Não permito que ninguém se aproxime, mas, por um acaso, ela é uma dama. E não a proíbo que o faça.
— A vossa pessoa faz-me lembrar dos meus líderes. Minhas felicitações por isso. Não confio em ninguém, senhorita, entretanto, quiçá, haja uma primeira vez para que isso aconteça. — Sorrio, apenas com os meus lábios, mas consigo sorrir.
Olho os meus apetrechos pelo chão púrpuro, ainda assim, suave. Ninguém ousaria mexê-los. Talvez a minha sutil aspereza seja apenas uma capa, assim como esta. Esta capa tem uma energia intensa, mas propícia. Aprendi a silenciar e identificar as energias advindas de lugares inimagináveis. E isto aqui é poderoso, constato.
Trecho do Memórum de Olga Nivïtzz, página 299, ano desconhecido
— Sinto-me honrada em evocar tais valiosas memórias em ti — respondi afastando-me ligeiramente. — Fique à vontade n’este Castelo, há outros residentes que poderás conhecer. Eu sou Olga, meus cumprimentos. — Curvei-me de modo suave. Faz tanto tempo que estou imersa n’esta atemporalidade… já não sei se possuo a educação de minha infância, aquela que eu tinha quando eu era ainda uma humana a viver como qualquer outra; já não sei se estou em demasia ultrapassada, dado que hoje — seja o que for que o “hoje” signifique — há mais futuro do que passado.
— Não necessitarás de armas por aqui, não há inimigos que sofrerão com elas ou que sangrarão com o fincar das afiadas lanças. O mal que faz lar n’esta lacuna em que estamos, entre o tempo e o espaço, apenas jaz por meio de nossa única e verdadeira arma… a mente… — Aproximei-me da lareira, o lume que permeava a sala estava em um tom violeta muito mais profundo, sentia energizar meu ser. Nauärah em silêncio, é uma inteligente mulher — sei disso, pois noto pelas suas falas e referências. Sua mudez expressa muito da sua introspecção preciosa, a qual sempre darei grande valor. Sinto que há uma ligação dela com outros residentes, não compreendo se esta intuição advém do plano corpóreo, pois, ela emana uma espiritualidade incomum.
— Se me permites, preciso descansar um pouco, mas sempre que precisares de mim, vá ao último cômodo do corredor maior ao norte do Castelo, este é meu aposento; seus umbrais possuem um tom avermelhado e ornamentos específicos, como sigilos de uma antiga doutrina. Tu o reconhecerás, sem dúvida. — Despedi-me, ela gesticulou uma saudação. Seu olhar era de compreensão enquanto minha exaustão parecia ainda maior do que antes. Afastei-me devagar à saída que levava ao caminho de meu quarto, tudo estava frígido como se eu estivesse lá fora, na neve. Pouco antes de chegar aqui, assim, tão perto de abrir a porta e começar a escrever, senti uma mórbida e silente solidão que apertou meu peito em amargura — e que está ainda, insistente, perdurante enquanto observo a noite pelos vitrais e continuo recordando de todos aqueles que já deveriam ter se tornado reminiscências exíguas.
Diário de Nauärah, não datado
Vejo Olga sumir em um dos corredores. Decerto, ela pensaria que sou observadora demais por segui-la com o olhar até ver sumir a sua silhueta.
Por eu estar sozinha agora e não ter visto nenhum outro hóspede, eu sigo para um dos quartos e enquanto adentro-o, percebo tons violetas nas paredes do imponente castelo. Me vejo envolta por uma atmosfera de mistério e encanto. Retiro a capa colocada em mim por Olga e a guardo cuidadosamente. O meu corpo adornado por peças ancestrais se casa com os reflexos púrpuros das paredes com tapeçarias tecidas em tons violáceos. Isso cria um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo enigmático.
Caminho silenciosamente em direção à janela alta, observando flores roxas no jardim. A lua, quase no mesmo tom, as lumia e as cortinas suaves parecem dançar a dança da noite sombria.
Uma luz violeta suave é lançada sobre os móveis de madeira escura que há neste quarto onde estou. Há também uma lareira, uma cadeira estofada e um umbrífero, mas caloroso dossel, que me convidava a descansar, enquanto ao redor, estão os meus artefatos indígenas cuidadosamente dispostos ao chão, sobre o tapete roxo. É coisa de Olga, penso... ela parece caprichosa no que diz respeito a ambientes.
Olho-me no espelho e penso em uma maneira de comunicar à minha aldeia a minha chegada. As minhas vestes trazem à tona lembranças da minha terra natal.
Viro-me e a cama majestosa, adornada com lençóis de seda violeta, parece convidar-me a mergulhar em sonhos profundos e reconfortantes. Por um momento, eu fecho os meus olhos, sentindo-me em casa mesmo em meio à grandiosidade e o desconhecido, ainda, deste castelo. Sei que aqui estou segura, não importa o hóspede que venha a chegar.
Confiro a tranca da porta — ainda temerosa, e suspiro aliviada. Ninguém me faria mal aqui. E se fizesse, certamente eu saberia a quem recorrer.
Exploro o banheiro e o som da minha respiração ecoa aqui. Respiro fundo e sorrio pela segunda vez neste lugar. A banheira em mármore lilás me encanta. E todo o ambiente está bem organizado e disposto.
Já refrescada e pronta para o sono, deito-me e me aqueço demasiadamente. E sei que o meu sono me levaria a lugares inimagináveis antes mesmo do amanhecer.
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Fim
A morte-rubi me espreitando | E o choro adornado de medos, | Escuro-carmim sufocando... | Dois olhos me incitam segredos...
A morte-rubi me espreitando
E o choro adornado de medos,
Escuro-carmim sufocando...
Dois olhos me incitam segredos...
Atrai-me, tão ébria e em silêncio
Avisto o contorno viril...
Estou à tua sede — Ó! Quão sêncil!
Fadada, cativa e febril...
Vampiro-demônio, mistério...
Fendendo tu estás o meu peito,
Tal órgão vital, sempre estéril,
Retiras do torso, e eu me deito...
Agora tua fronte é tão lúcida
E a lápide faz-me translúcida...
O Exício mordaz diz meu nome...
Minh’alma, tu vens, e consome...
Tão lânguida... aqui... m’esvaneço,
Adeus grande amor, adormeço
À sete mil palmos, amém.
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O Memórum de Olga Nivïttiz: ano desconhecido, página 298
Intensidade, Sabedoria e... desolação...
MidjourneyAI
Intensidade, Sabedoria e... desolação...
Compreendo que a dúvida cega o instinto primevo que me faz ser uma escolhida de Vehrvorus. Posso ouvir essa verdade em meu âmago como um sussurro que já não me cabe distinguir se é, de fato, a minha voz no obscuro psíquico ou se é o Ente Vehrvorus em sua magnânima revelação etérea. Respiro fundo sob o exalar noturno da noite mais escura do que a própria escuridão e, enquanto escrevo, recordo-me dos estranhos sentimentos erguidos desde meu despertar nesta manhã. O dia oferecera às minhas entranhas uma absoluta sensação de incômodo, porventura eu previsse, em certo grau inconsciente, o insólito agouro; pressentimento possível somente pelo que jurei encobrir a todo o custo: o medo. Guiada pelo temor, tenho despertado em todas as auroras debaixo de um manto de enraizada aflição, especialmente nesta, mesmo sob a égide do Ente que me revelara há certo tempo — o qual não posso mensurar com exatidão — que minha incumbência era guiar os Iguais e os Magistas pela ordem deste receptáculo — destino que me mantêm sempre lúcida em meu próprio equilíbrio. Mas, bem, tive sinais que reforçaram a intuitiva e perdurante amargura, um deles foi pouco antes de iniciar o registro duzentos e noventa e oito.
Devo afirmar que sei que a hora é esta e que reconheço a força de meu encargo. Eu sinto o quão vestal é o espargir sublime do poderoso Ente, bem como seu fascinante existir. Eu não poderia redigir palavras de hórrida negação sobre as grades atemporais de tal sombrio alcácer, pois, ao menos para mim, não estou em um martírio. Eu compreendo as oscilações emocionais, contudo, estou cravejada ao meu desígnio; minhas retinas estão fixas em meu fado. Sim, eu também tenho com clareza os seus ardores, símeis ao O Fortuna, nunc obdurat et tunc curat ludo mentis aciem (ora oprime, ora cura, brinca com a mente). E, se posso me prolongar, confesso a minha atração mórbida ao medo e à tristura, mesmo quando me assombram — decerto que esta é uma das razões pelas quais estou aqui. Apesar de tais impulsivas e voláteis vicissitudes, quando não estou preparada, obrigo-me à preparação, obumbrata et velata (sombria e velada) e, se preciso, dorsum nudum fero tui sceleris (o dorso nu entrego à tua perversidade) — a perversidade do efêmero sentir. Eu ainda sou humana, o ínfimo tormento pode ser o bastante para me absorver.
Ó… querido Memórum, explico-me como uma criança em busca de consolo… eu sei que algo maior virá, é isso que me embarga a serenidade. Um sopro abrupto de aragem regélida abrira os vitrais deste aposento e arrepiara minha rosácea tez agora pouco. Olhei para o abismo lá fora, os pinheiros e as tão negras montanhas. Desta torre alta, o vislumbre de uma natureza singular e sombria traz uma sensação insólita — Eu não temo este lugar... — murmurei a mim mesma e fechei, apressada, os vitrais. Porém, no exato momento em que me lembrei que os convivas chegariam em breve ao receptáculo, fui penetrada por um escuso presságio que trouxe aquele rosto em minhas lembranças. Vívido rosto... ó... que augúrio. Uma singela e, se não fosse sob tal contexto, ingênua reminiscência. Feroz como um fulgor, desvelou-se e velou-se ágil, deixando seu rastro de desolação. Esse foi o primeiro sinal.
— Daemor... — Sei que sussurrei o nome dele n’um impulso irracional.
Disparei, em seguida, ao salão principal no esvoaçar do damanoute negror que cobria meu corpo e, às mãos, como sempre, meu grimório. Sequer apreciei as refeições fascinantes feitas por Drácula. Aliás, Drácula têm sido minha única companhia há tempos insondáveis; embora seja tão somente um simulacro, possui uma veracidade que me assombra. Nota importante: Lembrá-lo de colher as Viinmdras para o ritual que não pode ser obliterado, elas devem florear na próxima lua nova; com elas será possível realizar o encantamento que desvelará a existência de Magistas entre os convivas.
— Oödo ess ellahr, nonm loduus së qeom eciehllum — Proferi ao centro do símbolo de Vehrvorus. Uma névoa rubra espargiu de meus olhos, os espelhos certificavam. A minha íris anil tornou-se apenas esclera, no entanto, eu enxergava. Com a mão esquerda distendida e a direita apoiando o aberto grimório, intensifiquei a névoa cetrina a partir d’um símbolo mudhrà feito com os dedos. — Escielisih ohrnonm ohrnomus esselis. — Sigilos abissais para vislumbrar cada um dos que receberam o chamado, até o momento, por meio do portal cuja aldrava é o encanto do espectro sombrio. Estão alguns em seus devidos caminhos, percebo, estão próximos do Castelo. Percorri os claustros apressada, porque aquele sinal incitou a possibilidade de... do espectro ser assimilado por... de alguma forma... por causa da atemporalidade da invocação…
Quero dizer, o conjuro dos convivas ao Castelo Drácula é a única forma que tenho para propagar a palavra do Ente e os ensinamentos da Magia de Sangue Arcana. Os que respondem ao chamado, chegarão. No entanto, para que seja efetivo, é preciso uma abertura desvelada, límpida. E ele... ele facilmente assimilaria uma convocação de tão grandiosa significância, sobretudo por, decerto, estar, também, em busca de sanguíneos receptáculos para sua sangrenta busca por poder. Indago-me em que tempo ele está... Daemor... Temo redigir o seu nome, amarga-me tê-lo recebido em minha memória n’um súbito deslize, dói-me como a morte doeria menos do que ter sussurrado seu nome por impulso. No entanto, não o encontrei na aura do espectro, isso aponta para certas premissas, a primeira delas é que ele pode estar morto... ou ele pode residir na atemporalidade, tal como eu. Essas irresoluções perduraram à míngua, resisti a cada uma, estava certa de que eram tolices, entretanto, o segundo sinal aflorou, após longas e exaustivas horas, e dissuadiu todas as minhas certezas.
Eu sonhei com Daemor... Os sonhos podem ser índices leais que percorrem a consciência dos Magistas para orientá-los de fissuras do espaço-tempo. Eu os levo sempre em consideração. As fissuras, como se fossem um lume vívido atravessando estreitas rachaduras n’uma parede, revelam, pela intuição, conhecimentos de inestimável valor. Tomar desta sabedoria impede que, na realidade do presente em que se encontra, o Magista sofra algum malefício em razão de mudanças temporais. O maior dos malefícios seria deixar de existir, quero dizer, nunca ter existido. Ter a linha do tempo rasurada a este ponto não é algo vulgar de ocorrer e eu não prestei honras a esta rara chance, pois, o sonho com... Daemor... foi de outro tipo... e é imprescindível redigi-lo aqui enquanto ainda me lembro. Os sonhos… como são efêmeros...
Em sua fisionomia prepotente repousava uma seriedade pontiaguda — e eu não sei o que isso significa, contudo, esta é a melhor forma de descrevê-lo. Estávamos em uma estalagem símil ao do lugarejo em Múrmura onde o vi pela primeira vez. Vestia-se de cores sombrias, com singelos adornos em dourado envelhecido. Estávamos a sós e não demorou para Daemor aproximar-se de mim. Austero. Olhos de felino. Todavia, tomou-me em seus braços com violência e, segurando-me no rosto, forçou-me a olhar para o espelho detrás da recepção destinada ao registro dos hóspedes. Eu vestia roupas de seda pura, um longo vestido igualmente adornado em dourado, era símil a um alvo damanoute. Daemor, enquanto ainda me continha os movimentos segurando firme em meu maxilar, com sua mão esquerda expôs-me sua adaga cuja lâmina brilhava aos meus olhos. Álgida... e rígida... em meu pescoço foi colocada. Comprimi minhas pálpebras enquanto o pavor germinava cruel em minhas vísceras.
À guisa de ímpeto deflorar, meus olhos abriram-se bruscos, senti verter dos poros de minha pele um licor espesso. Não estávamos mais no mesmo lugar, vi-me n’uma alcova sangrenta cujo dossel aspergia lentamente o sangue sobre mim e assemelhava-se estar constituído de vísceras. Às mãos de Daemor, cujas veias proeminentes afiguravam-se como canais de algum tipo de fluído caliginoso, carregavam um látego. O mesmo se dava aos seus olhos, estavam em completo breu e deles vertia o mesmo fluído das veias enquanto refletiam minha posição inerte sobre o leito. A correia brusca acertara minha pele e gritei à força de meus pulmões. Nenhuma voz difundiu-se. O flagelo sobre meu corpo denunciava a violência de Daemor... úmida violência. De minha arculva um enlevo pecador a cada flagelar. Ouvia os respingos galgarem ainda tórridos. Deseje, no mais profundo de mim, que Daemor se introduzisse ao bel prazer de meu corpo no exato instante em que tudo se apagou.
Minha lascívia não é comum. Nunca fora. Por esta razão amei Daemor e desejei ter sua violência sangrenta em minha pele, apetece-me a dor prostrada ao meu deleite. A tortura, carregada de lágrimas quentes e salinas, é meu frenesi. A sujeição progenitora do feto da tristura é, em sua profundez mais sórdida, o apogeu de meu êxtase. Há certas dores, distingo-as com perfeição; umas são a fonte d’esta avidez promíscua, outras não. No entanto, com a fronte oprimida n’uma deformidade palpável, um peso árduo em meu torso e o silêncio mórbido de um vazio em meu peito, ainda no plano onírico, vi-me n’um pântano desértico, feito de lodo, solo quase infértil e eivado, vegetações secas e escuras debaixo de um horizonte em eterno crepúsculo. Sim, Memórum, a calamidade de Ohropro. “Ohropo desperta ao entardecer e enquanto seus olhos se tumulam no precipício, um corvo de olhos pútridos crocita infeliz” — sussurei no sonho. Ao entoar o primeiro verso da lenda de Ohropro, senti a presença de Exício, no entanto, diferente de tudo o que emerge na imaginação a partir das lendas mais ancestrais, eu fui tomada por um esmorecimento ingente, maior do que toda a melancolia que um dia senti; maior que a flor do desalento infeliz que cultivo dentro do meu âmago.
Prostrei-me sufocada pela lhana mortificação e, ó… sim… que prazer! Um estado de espírito, alma, ser, existência e não-existência; uma condição que parecia compor um novo coração em meu imo. Então, lágrimas assomaram-se a ruir nas curvas de meu rosto, tipificadas em eterno afogo. Eu estava morta. Assim é a morte, então? É assim. Não sou capaz de preterir tal ilustre espetáculo. Todavia, que infortúnio, que santa e horrenda lástima... um fulgor símil ao sol trouxe-me à vida, extirpando minha edulcorada desolação. Vi, outra vez, o rosto amável e viril de Daemor e despontou-se a minha consciência de vez, aprisionando o simbolismo do sonho e me acordando. Minha respiração estava frenética A Necroumbrae é inconcessa, sim, ilícita e deveras hostil... arriscada...insegura... mas... experienciar a morte daquela forma tão inebriante... que minha condenada alma me perdoe... eu quero sentir outra vez, ainda que apenas no mórbido sonhar.
Não sei ao certo, mas, este segundo sinal... soa-me como... não sei... não pode ser... preciso de um tempo. Que hora inconveniente para tudo isso... devo meditar, cuidadosa, e talvez trazer minhas impressões no próximo anoitecer.
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O Que é um Memórum?
Ao Memórum pertencerá a sua vida em todas as instâncias emocionais e psíquicas…
MidjourneyAI
Ao Memórum pertencerá a sua vida em todas as instâncias emocionais e psíquicas. O Memórum é um livro e posso compará-lo ao Diário, visto que ambos são guardiões dos aspectos quotidianos da vida humana singular. Todavia, o Memórum, para além d’esta tarefa, possui muitas outras e, para que estas muitas outras sejam cumpridas, é requerido que seu autor tenha um vínculo com seu Memórum, é imprescindível que seu autor tenha uma intenção verdadeira de encontrar, através da escrita, o autoconhecimento.
Cada um deve ser autor de seu próprio Memórum. O autor deve se vincular profundamente e emocionalmente ao seu Memórum para que sinta ser substancial escrevê-lo. A intenção, a qual supracitei, nada mais é do que a verdadeira vontade de fazer algo. Por vezes temos anseios quais, por mais que sejam anseios, não são febris o suficiente para que utilizemos nosso tempo e energia em nome deles. O anseio de escrever em seu Memórum deve ser, para o autor, um anseio resoluto. Isso, pois, das outras muitas tarefas destinadas ao Memórum, está o hábito de descrever o seu dia com minuciosos detalhes, em especial a respeito de seus pensamentos, sentimentos e emoções.
Em um Diário, naturalmente escrevemos o que sentimos ou pensamos, porém, no Memórum, é preciso uma dedicação para que esses detalhes sejam mais aprofundados, uma vez que são eles que trarão compreensão para nós e consciência para o nosso quotidiano. Isso acontece porque, ao nos dedicarmos à lembrança de cada pensamento e emoção, além dos acontecimentos do dia, trabalharemos a memória e a atenção a cada dia com mais avidez; imersos no verdadeiro desejo pelo autoconhecimento e vinculados, sem hesitar, ao Memórum; quereremos investir nossa atenção nos dias corriqueiros tão somente porque queremos ter o que redigir ao anoitecer. Esse ciclo de escrever para se lembrar e investir na atenção para se lembrar mais ao escrever, é o ciclo virtuoso do Memórum.
A memória é a razão pela qual somos capazes de compreender novos conhecimentos; exercê-la e praticá-la não apenas leva ao autoconhecimento, mas também nos permite transformar a nossa existência com a expansão da nossa capacidade de assimilação do mundo. O Memórum é a ferramenta do ciclo virtuoso da memória, pois a expande naturalmente. Além disso, com o exercício da Escrita, ampliamos nossa capacidade cognitiva e desenvolvemos, assim, maior habilidade de processamento de informação, além de autocontrole nas respostas reativas do nosso comportamento. Não é atoa que sempre, desde os primórdios da humanidade, buscamos formas de escrita que, mesmo rudimentar, vinham da nossa intuição primitiva de evolução mental.
Compreende-se que, portanto, enquanto ferramenta da consciência, o Memórum como hábito produz: 1) Exercício e expansão da Memória; 2) Reforço da atenção diária; 3) Ampliação da capacidade cognitiva no processamento e assimilação das informações do eu-mundo; 4) Melhoria na habilidade de lógica; 5) Construção de autoconhecimento na análise facilitada por todo o movimento dinâmico da mente descrito nos quatro itens anteriores — essa construção acontece porque, necessariamente, somos colocamos como observadores dos nossos pensamentos, sentimentos, emoções e, principalmente, das situações cotidianas, isto é, do mundo que estamos inseridos; ao escrever o Memórum, somos colocados como narradores da nossa história e, enquanto tais, podemos definir o futuro do protagonista que somos, pois, nós mesmos; isso acontece gradativamente, a cada nova folha redigida no Memórum, a cada novo esforço intencional para manter o hábito e dedicação para se lembrar de tudo o que passara por sua mente e coração ao longo do dia. Autoconhecimento é algo a se buscar do início ao fim da vida.
O Memórum, enquanto ferramenta, pode não trazer benefícios se utilizado de forma errônea; portanto eu reforço, é preciso um profundo e incorruptível querer-escrever-um-Memórum, para que a ferramenta seja aproveitada em todo o seu potencial. 1) Queira, de verdade, escrever um Memórum; 2) Dedique-se ao seu Memórum; 3) Divirta-se lembrando do seu dia, sentimentos, pensamentos e emoções, para que a “tarefa” de escrever lhe seja agradável; 4) Trate seu Memórum como um amigo, ou como seu Psicólogo, queira revelar para ele tudo o que se passa em seu ser; 5) Entenda seu Memórum como uma criatura que só vive se for alimentada por suas palavras, logo, não a deixe falecer no esquecimento. Se não houver disposição para estas cinco coisas, desconsidere a escrita de um Memórum e prefira o Diário que é, em si mesmo, um hábito de escrita mais suave e fácil. Ambos tem suas qualidades, no entanto, não esqueça que escrever um Memórum é dedicar-se ao método mais poderoso para o autoconhecimento e independência racional e emocional através da Escrita.
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O Sonho
Sonhei que caminhava | Por longo bosque escuro | E o vento mui soprava | Nas breves, vãs, clareiras | Ardores inseguros…
Arte de Glauco Moura
Sonhei que caminhava
Por longo bosque escuro
E o vento mui soprava
Nas breves, vãs, clareiras
Ardores inseguros
E ao longe, nas figueiras
Fulgia — estranhamente,
Igual aos astros puros
Um algo dissidente;
Bem lá, andarilhando
À frente sem parar
Que próxima, brilhando
Àquilo, então, cheguei
As copas a abaular
E a névoa reparei
Somente e nada mais
À frente a m’esperar
O espelho dos vestais;
Não sei como eu sabia
Nem como estou lembrando
Pois nele eu só me via
Em pálida paisagem
Com asas e chorando
Refém de brusca aragem
Semblante turvo e aflito
Olhar pequeno e brando
Soneto nunca escrito.
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Sobre o Artista Convidado - Ed. 1, Janeiro de 2024 - Castelo Drácula
A Fenomenologia da Imortalidade
Morrer é o que nos caracteriza e a morte é significativa para todas as instâncias da vida. Na Fenomenologia estuda-se a…
Death of an Orphan, 1884 — Stanisław Grocholski (Polish, 1858–1932)
Morrer é o que nos caracteriza e a morte é significativa para todas as instâncias da vida. Na Fenomenologia estuda-se a essência daquilo que se manifesta nos sujeitos a partir deles próprios, isto é, da expressão mais pura de suas singularidades reais, das vivências, compreensões e sentidos. Por meio da Fenomenologia, aplicada na Psicologia e revelada pelas linhas Existenciais da Filosofia, o ser que somos é foco de estudo a partir de seu existir significativo, tendo o objetivo de desvelar sua estrutura essencial, ou seja, para cada indivíduo a morte é experienciada como um fenômeno a partir de suas próprias manifestações enquanto ser individual, embora esta experiência esteja em dinâmico vínculo com o que o mundo em si, a sociedade, expressa em suas compreensões coletivas — a intersubjetividade também traz a subjetividade à luz de sua existência.
Discorrer sobre a Fenomenologia é sempre um ofício árduo, isso porque o seu método é enxergar com transparência genuína o ser que se revela em construção ser-mundo diariamente. Não há como mensurar e categorizar a experiência humana, nossa consciência é fundamentada em vivências reais imediatas, construídas, significadas, expandidas, inexploradas — somos a límpida revelação de nós mesmos; a Fenomenologia quer extrair a essência imutável dessa revelação. Deste modo, podemos afirmar que a Fenomenologia da morte é o estudo da essência imutável que reside em todas as expressões humanas em suas singularidades relatadas e vividas a respeito do morrer.
Sob as perspectivas atuais, notamos uma brusca mudança social onde a busca pela imortalidade é fulgurante e a morte é, cada vez mais, negligenciada — o fechar de olhos para o fim tendo o amanhecer sempre ao alcance das perspectivas. Naturalmente, com o avanço tecnológico, viver mais é uma realidade um pouco menos distante do que vinte e quatro anos atrás; podemos compreender, no entanto, que a temporalidade, ainda que prolongada, não pode ser extinta, pois, em si mesma, ela é o viver da forma que este se manifesta. Alcancemos a morte do morrer, continuaremos a existir no tempo. O tempo é uma vertente da morte e não há como parar o tempo.
Evidente que, como mencionado, a vivência da morte é única para cada humano e não investigo neste artigo relatos específicos sobre o assunto, mas discorro em reflexão sobre o que vem de encontro à minha consciência nos tempos atuais, busco, assim, a partir do que enxergo, extrair uma essência imutável de compreensão. Eis algumas pertinentes questões: Uma sociedade sedenta pela vida, poderia ser capaz de morrer? O tempo poderia ser a nova morte? Ou a finitude, ressignificada à imortalidade, caracterizar-se-ia pelo medo, o tédio e a angústia? Em resposta, a morte em si, como essência do fenômeno humano, constitui-se por todos os aspectos da finitude do ser, isto é, há morte no tédio, na angústia, no medo e no tempo — ser imortal, se podemos imaginar, não é o que fará desaparecer a morte.
Portanto, a escolha individual de negar ou aceitar o que a morte é em toda a sua significação, não poderá deixar de existir enquanto parte essencial do ser; somos para a morte mais do que somos para vida, sua substância integra todos os momentos e, portanto, nos faz — ontologicamente — para-a-morte. Envoltos à uma possível imortalidade, estaremos prostrados a um tempo eterno para a realização manifesta do que somos através de escolhas, mas não haveria a finitude enquanto impulsionadora desta disposição à escolha — o nos leva a deduzir que o tédio e a angústia tomariam esse papel. Teríamos todo o tempo disponível, e o quão angustiante isso poderia ser? Cabe, neste ponto, reforçar o aspecto indissociável do ser humano em relação à totalidade de sua realidade, desde suas manifestações subjetivas, à sua consciência direcionada e construída no mundo e com os outros — o que novamente revela a impossibilidade da morte deixar de ser a essência do ser, dado que sua ausência ainda seria um gatilho para a autenticidade do ser, isto é, para trazer ao ser uma “luz” de compreensão sobre si mesmo, levando-o à ação que corresponde, especificamente, na ação de existir.
Diante disso, a afirmação que traz o resumo de toda a compreensão discorrida é: mesmo na imortalidade, morreremos. A morte não pode ser encurtada ao morrer em si, pois sua significação está atrelada ao sentido de tudo o que o ser experiencia. A escolha singular de cada indivíduo os levara ou não aos sentidos da morte, mas os sentidos da morte, mesmo na imortalidade humana, sempre estarão presentes como estímulos essenciais para a realização do fenômeno do ser em seu mais puro desvelar-se a si.
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Trees of Eternity foi uma colaboração musical entre o guitarrista finlandês Juha Raivio (da banda Swallow the Sun) e a cantora Aleah Stanbridge, nascida na África do Sul e residente na Suécia. A música deles é frequentemente descrita como melancólica ea inspirada no estilo musical doom/death, com vocais femininos angelicais.
A banda foi formada quando o guitarrista Juha Raivio e a cantora Aleah se juntaram no estúdio para trabalhar na música "Lights on the Lake" para o próximo álbum da Swallow the Sun. A partir dai, o projeto se tornou uma ideia com vida própria e, desta experiência nasceu o álbum Hour of The Nightingale.
Em 11 de agosto de 2016, o álbum de estreia da banda, Hour of the Nightingale, foi anunciado para ser lançado em 11 de novembro. Infelizmente, em 18 de abril de 2016, a cantora Aleah Stanbridge faleceu de câncer aos 39 anos. Dois dias depois, Juha escreveu no Facebook que o álbum estava pronto para ser lançado há algum tempo e que os planos ainda estavam em andamento. Ele também planejava lançar as músicas solo de Aleah
"Alcance através de sua mente, céu interno
Deslize infinito até mim
Alma encarcerada, presa atrás de seus olhos
Até que seja salva, compartilhando sua luz
E escuridão"
O álbum foi lançado, às condolências por Aleah e em nome de sua voz perfeita e do trabalho que tivera, junto a Juha e os demais convidados, na produção de Hour of The Nightingale.
É preciso ouvir Aleah cantar em Hour of The Nightingale para compreender como as sensações mais soturnas emergem no âmago e florescem em uma lentidão abominável dentro da alma. Tamanha é a melancolia dos instrumentos que conduzem a voz de Aleah que, através dos nossos olhos, vertem lágrimas imateriais enquanto um estranho conforto nos guia a um abismo sem fim. Por tais sensações inenarráveis, é impossível deixar de ouvir o álbum completo, várias vezes consecutivas; é viciante o universo que tais composições evocam.
Há males quais não podemos dizer terem vindos para o bem, pois que amargura é não ter um novo single de Trees of Eternity nos dias atuais; resta-nos o lamento e a mensagem deixada: “Não chores por mártires | Levante a cabeça | Águas salinas não vão ressuscitar os mortos” — Trecho traduzido da música que leva o nome do álbum: Hour Of The Nightingale.
"Veja todas as cores desaparecendo
Com o Sol
Temporada de uma escuridão sombria
De novo, isto começou
Amaldiçoado por ciclos recorrentes
Erguido para ser desfeito"
Data Incerta - Andamos talvez por dias e não sentimos fome, sede ou cansaço, talvez porque não era permitido que sentíssemos, mas eu teorizava…