Navegante
Já houve dias de calmaria, dias de tempestade. Já houve uma época que eu nem navegava. Por que raios fui me enfiar neste mar?…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Já houve dias de calmaria, dias de tempestade. Já houve uma época que eu nem navegava. Por que raios fui me enfiar neste mar?
Minha embarcação não está apta para navegar em águas tão inóspitas, as ondas jogam-me pra lá e pra cá, penso em desistir... Não estou acostumada às provas que essa vida náutica me impõe.
Por outro lado, sinto que se não fosse os dias sombrios e devastadores, eu nunca haveria aprendido, eu nunca haveria me tornado perita nesse assunto, são as mazelas que nos transformam em algo superior ao que erámos, nossa evolução de nós mesmos. Isso que importa.
Continuo na esperança de avistar minha ilha perdida, aquela que trará meu refúgio terrestre. Como se todo esse sofrimento fosse recompensado no imediato momento que percebo aquele pedaço de terra, ali, boiando sob uma imensidão de água. Como somos pequenos!
Somos um nada em relação ao tudo, tudo que não consigo entender, tudo o que está lá fora. Se nem consigo entender tudo o que está aqui dentro, ora, que dirá o que rondeia lá fora. Ademais, essa minha cisma de entender o porquê das coisas já passou há muito tempo, porque entendi que entender é nada em relação ao sentir o que preciso sentir. Só não aprendi a ser menos confusa, isso me é quase impossível!
No entanto, há algum tempo já atraquei em uma ilha, muito bonita por sinal, tranquila e inabitada, um paraíso nesta terra. Tinha um ambiente agradável e belezas indescritíveis. Era tanta paz e sossego que me irritou, e não consegui permanecer nem mais um segundo ali. Retornei para o meu mar, agressivo e intempestivo. Eu corri para seus braços de amor, amor que reconheci na hora em que ele começou a me jogar para lá e para cá novamente.
Acho que finalmente entendi o porquê de ter me enfiado neste mar, só acho que não estou preparada para a resposta. Talvez deva permanecer quieta e continuar a manter essa incógnita para mim mesma, talvez eu deva continuar me enganando. Talvez eu deva parar de procurar outra ilha, porque eu pressinto que irei me irritar novamente, porque eu sou assim. Talvez minha felicidade não dependa de um paraíso, mas provenha e necessite do caos. Talvez eu esteja só divagando no nada, talvez eu nem exista. Talvez...
Michelle S. Nascimento
Michelle Santos Nascimento é paulistana, mãe, esposa e amante das artes, em todas as suas formas de expressão, desde que aprendeu que há todo um universo fora dela. Ama as ciências humanas, mas também tem predileção pelas exatas, porquanto é graduada em “Segurança da informação”, pós-graduada em “Gestão de TI” e “Engenharia de software” e trabalha como Analista de qualidade de software... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
O Lírio e o Lago
De modo sensível e vago | Protejo em meu peito, dorido, | Um lírio tão pulcro e um lago | Com águas de morte, contido, | Ao lado de incerto amargor…
Aquela mulher de longos cabelos e vestido negro, cumprido, de rendas adornadas, descansava aos pés das águas de um lago sereno, nerume em tons de ciano fosco e acinzentado. Em suas mãos, um lírio pálido e aveludado. A mulher, imersa em profunda languidez, observa a flor com lamúria.
De modo sensível e vago
Protejo em meu peito, dorido,
Um lírio tão pulcro e um lago
Com águas de morte, contido,
Ao lado de incerto amargor
Por onde há o semblante choroso
Que vejo n'um ninho vazio
E escrevo em papel tão poroso
Meu manto de inverno sombrio
Que sobre um cadáver feitio
Eu vejo no lago clivoso.
De modo aturdido este Lírio
Umbroso em lamúria é fissura
D'um cântico vasto em martírio
Por onde minh'alma é lagura
E, sendo, é vertida em ardor
E o líquido anil d'embriez
Deságua a regar meu florir
De lúgubre e grã profundez:
Angústia que faz meu sorrir
Tão lhano que emerge a asserir
Murmúrio em escol languidez.
De modo soturno e imersor
No Lago me habito silente
E o Lírio é meu triste candor
Um Lírio de níveo fulgor
Um Lago de eterna torrente.
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
O Lago
Nas auroras d’outros tempos santos | Ó, meu fado! Amei, amei por tantos | Tão sombrio recôndito n’este mundo; | Era belo e habitava em solidão,…
Nas auroras d’outros tempos santos
Ó, meu fado! Amei, amei por tantos
Tão sombrio recôndito n’este mundo;
Era belo e habitava em solidão,
Entre fragas de agreste escuridão
Cingido ao arvoredo tão profundo!
Como estar sob a mortalha, a noite vinha
E ao mundo o vento místico convinha
Soprar murmúrio em cântico temível;
Ó, então, do fascínio eu despertava
E o horror do vil enlevo acalentava
Meu trêmulo prazer, sem medo e crível!
Imerso ao calafrio! Nem cristais
De preciosos valores tão vestais
Seduzem-me tal o flúmen lôbrego;
Nem o amor, mesmo que teu, me poderia
Inspirar da forma em que me inspira
As águas de morte ao peito sôfrego;
Lá fluía o golfo venenoso, sepultura,
Consolo àqueles que jazem na agrura
E sonham sós com Édens infindáveis!
Pois que a alma que tanto se esvazia,
No lago escuro se preenche, afrodisia
Ao descanso em penumbras insondáveis.
Edgar Allan Poe
Edgar Allan Poe (1809–1849) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário norte-americano, conhecido por ter elevado o conto gótico à excelência e por ser um dos precursores da literatura de mistério e do terror psicológico. Com uma vida marcada por perdas trágicas, pobreza e doenças, sua escrita é como um espelho trincado da alma humana — revelando o abismo do medo, da culpa, da obsessão e da morte... » leia mais
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico… » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Sepulcral
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio | Mais descoberta que a vida fora dos rumores | Um beijo traz imagens das carícias e das dores | Da vida gélida de um alguém sem brio…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Um beijo sepulcral na testa dada ao frio
Mais descoberta que a vida fora dos rumores
Um beijo traz imagens das carícias e das dores
Da vida gélida de um alguém sem brio
Não estava o céu como num poema de anil
Naquele dia de dúvidas e temores
Quando no copo de veneno goles dos odores
Desciam. Tomando o último soneto, partiu
Morte breve, sem amigos por escolha sua
Morreu bêbado com uma pena atravessada ao peito
Desfez as malas: um papel e rabiscos
Jogou com a morte paciência à luz da lua
Perdeu naquilo que nunca tinha feito
Bebeu por último o último dos seus vícios.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Coração do Oceano
No frígido oceano, um coração | Umbroso e azúleo, em trevas olvidado; | Safira de saudade e vastidão, | Cristais salinos, mágoas… insondado…
"Rochas sedimentares aplacam a fúria obscura do oceano; suas águas são ciano-enegrecidas, foscas e profundas, nebuladas em tons marino-azúleos inimagináveis. Naquelas rochas, uma mulher se assenta. Um longo véu de tule rendado, negro e umidecido pelos ares da maré, ornam sua cabeça. Seu rosto é profundamente triste, abíssica no mais sorumbático das feições. Em seu pescoço pálido, um colar de prata envolve um pingente de safira, lapidado na forma de um coração. Seu vestido negro é como o de uma noiva olvidada por sua própria alma. "
No frígido oceano, um coração
Umbroso e azúleo, em trevas olvidado;
Safira de saudade e vastidão,
Cristais salinos, mágoas… insondado…
Nas águas ouço os salmos: solitude,
E pulsa em seu sofrer monumental,
Tão lânguido em sua força e sua virtude,
São águas, nada mais, vida ancestral…
Amei-o e tanto mais que o firmamento,
São poucos os capazes de sentir,
Tão símeis às mi’as lágrimas… tomento…
E intenso em seus caudais, ó! me cingir!
Pois, mar, do âmago à tez, tanto és pujante
Feroz, brando e tão belo, consonante,
Conduz-me, em devoção, submergir…
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Ninfa Sepultada
Como uma ninfa aos céus desobediente, | lançada às sombras frias e penitentes, | a Solidão, um véu de névoa ardente, | mora em um abismo, muda e reticente…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Como uma ninfa aos céus desobediente,
lançada às sombras frias e penitentes,
a Solidão, um véu de névoa ardente,
mora em um abismo, muda e reticente.
Sua prisão é um poço sem guarida,
profundo como uma dor não percebida,
escura como a noite que quando ferida,
vaza o silêncio de uma alma corrompida.
Do fundo exala um murmúrio, uma voz que arranha,
num ciclo que se forma e nunca se acanha:
é a própria dor que a si mesmo acompanha,
num riso espectral que nossa alma profana.
Vazia, ela se duplica em repetência,
uma voz que responde em penitência,
ressonância feita de consciência,
que eternamente prova sua existência.
Os deuses, ao moldá-la como expurgo,
teceram seu destino, frio e turvo.
Agora, em sua essência, tudo é luto,
reverbera o nada, eterno e absoluto.
Cláudio Borba
Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Arvohreomor
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…
O Sol, um ponto pálido no céu
Azúleo-gris, opaco e tão brumoso;
Pinheiros, névoa negra como um véu…
N’orvalho d’um dilúculo moroso;
Caminho cujo rumo esvanecido
Norteia-me os meus passos n’esta relva,
Profundo-me silente no esquecido
Arbóreo melancólico da selva;
Paisagem que recorro se adormeço,
Que vejo se mi’as pálpebras se fecham
Efúgio meu que tanto tenho apreço…
Tão só no solo dela se apetrecham
Crisântemos plantados por deidades…
Ó leva-me, na morte, à tua verdade
Floresta cujos banzos nunca flecham…
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
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Crê
Crê em mim, filho da vergonha | Crê em mim, sou o senhor do inferno | Sombrio e distante como útero materno | São os tempos loucos e ninguém mais sonha…
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Crê em mim, filho da vergonha
Crê em mim, sou o senhor do inferno
Sombrio e distante como útero materno
São os tempos loucos e ninguém mais sonha
Sombra em torno de nós, medonha
Reza para mim homens! De joelhos!
Ovelhas adestradas, ouvem meus conselhos
“Segue o Mito, renegue a verdade, enfadonha”
Sede ingrato, maldito e sincero
Sedes o mal agouro do desterro
Ser atribulado com os ruídos de uma guerra
Oh! Ninguém mais vê e nem sente o desespero
A dor do poeta tecendo um erro
Anunciando Mefistófeles a pairar sobre a terra.
Tiago Serigy
Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Íntima Tristura
Saudosa alma silente e melancólica, | Efêmeros ocasos: meu langor… | No onírico resido e quão simbólica | A vida é n’esta gênese do alvor…
Pressinto as outonais aragens frias
No âmago e às janelas, devagar…
O belo movimento em pradarias
Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;
Saudosa alma silente e melancólica,
Efêmeros ocasos: meu langor…
No onírico resido e quão simbólica
A vida é n’esta gênese do alvor…
Quão índigo o pulsar do coração…
Quiçá no sopro frígido eu entenda
Qu’estou fadada a tal introversão…
Protejo-me em exílio e a minha senda
Compr’ende-me a lhaneza tão soturna
E o méleo riso e a tenra fé noturna,
A sós, sob minha lôbrega oferenda…
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
DA SEIN
Nas águas turbulentas do pensamento eu me abraço, | Recebendo do inconsciente memórias do passado. | Observo o sol ao longe pousando no horizonte…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Nas águas turbulentas do pensamento eu me abraço,
Recebendo do inconsciente memórias do passado.
Observo o sol ao longe pousando no horizonte.
A sinestesia me envolve entre a vida e a morte!
É inevitável não encarar meu próprio eu neste mundo,
O existencialismo me toma. Assim,
Vagueio com olhar vazio e profundo,
Buscando sentido no infinito imundo.
Júlia Trevas
Júlia Graziela Pereira Trevas é uma escritora de 29 anos, natural de Campina Grande, Paraíba. Formada em Letras - Inglês pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), também atua como professora de inglês. Sua paixão pela escrita começou ainda na pré-adolescência, quando compunha pequenos versos. Mais tarde, ao ingressar na faculdade, aprofundou-se na literatura gótica, que hoje é uma de suas principais influências criativas. Uma curiosidade interessante é que... » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
A Morte da Bacante
Corria o sangue feito rio, | Manchado pela ferrugem de um machado amolado. | Era uma dançarina, uma dionisíaca, | Uma sacerdotisa…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Corria o sangue feito rio,
Manchado pela ferrugem de um machado amolado.
Era uma dançarina, uma dionisíaca,
Uma sacerdotisa…
Uma ave da qual, à luz de Hélio,
Roubavam céu e galho.
“Perdoa-os, perdoa… finge perdoar!”
Irrompe a vida, o deus.
“Perdoar que nada!”
Arderia a Grécia sem amor.
Filho de Perséfone,
Vinho maturado, pisado com fé,
Ouvinte de Hermes…
És, dos fugintes, o senhor.
Líquido encorpado,
Corpulento, ambarado,
Baco, o mais vivo dos mortos,
Dá a eles o teu ardor!
Lídia Machado
Vivendo por entre bibliotecas e saraus, desde o início de sua juventude a autora Lídia Machado vem tecendo íntima conexão com a poesia e com a escrita. Primariamente, cronista e fabuladora nas aulas de redação. Depois, aos quinze, jornalista estagiária as quais saía, de mototáxi – munida de coragem e de pouca bagagem profissional – rumo aos eventos da charmosa Limoeiro do Norte. Entrevistas, escrita e até mesmo o contato com antigos e leais assinantes do jornal. Também nascia, ali, o amor pela fotografia. Aos dezenove, iniciou como… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Velas Para Dezembro
Repartir as flores, espanar o mármore… | adornar aquele nome, | ofuscado na poeira. | Dar, ao ontem, um regalo…
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Repartir as flores, espanar o mármore…
adornar aquele nome,
ofuscado na poeira.
Dar, ao ontem, um regalo.
Quantas vidas teria vivido?
Quantas horas de brusco encontro?
Quantas idas ao mercado?... O relógio parou.
Dorme, sepultado em pedra.
Dorme, mas sempre me deixa
recado.
“estive por mim… vivi e ousei;
soube amar!”
Fora cristalizado em pleno vôo,
o pássaro,
no âmbar de um dezembro passado.
E a chuva, maldosa,
inquietava às ondas e
escondia o luar.
Fora, ele, um peixe
na contra-correnteza.
Um quase general.
Tão pouco sabia odiar…
Bem conhecia o outro lado
da moeda e da história.
Escarrava aos reizinhos, filosofava no botequim,
com o bandolim de um amigo
a cantar.
Sonhava, em fôlego de Homero,
com o sopro morno
do litoral.
Com a liberdade
e a ventania
sacra
que surge da bruma do mar.
Lídia Machado
Vivendo por entre bibliotecas e saraus, desde o início de sua juventude a autora Lídia Machado vem tecendo íntima conexão com a poesia e com a escrita. Primariamente, cronista e fabuladora nas aulas de redação. Depois, aos quinze, jornalista estagiária as quais saía, de mototáxi – munida de coragem e de pouca bagagem profissional – rumo aos eventos da charmosa Limoeiro do Norte. Entrevistas, escrita e até mesmo o contato com antigos e leais assinantes do jornal. Também nascia, ali, o amor pela fotografia. Aos dezenove, iniciou como… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Imagemxuberante
Mais uma foto que meu peito agita… | E tudo o que fazia, agora, estanco. | Imagemxuberante, tão bonita… | De cores vivas (mesmo em preto e branco)…
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Mais uma foto que meu peito agita…
E tudo o que fazia, agora, estanco.
Imagemxuberante, tão bonita…
De cores vivas (mesmo em preto e branco).
Enquanto a inspiração me solicita,
Somente um movimento estou pensando:
Tentar aqui deixá-la por escrita,
Gravar o que a beleza está causando…
Um jeito de externar o que me gera…
Pior seriam minhas provações,
Não fosse o exercício de escrever…
Pois o que mais me custa é toda a espera…
Que sejam muitos anos, estações,
Outonos necessários pra te ver…
Wallace Azambuja
Wallace Azambuja vive em Porto Alegre e estuda Letras na UFRGS. Sua paixão por sonetos é intensa e sua maior produção literária atual está voltada à escrita deste clássico formato poético. Atraído pelo mistério e profundidade da Literatura Gótica, o autor participou do Desafio Sombrio 2023, onde mostrou seu talento para o estilo obscuro e, também... » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
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O Degelo da Rosa
É o medo de nadar no lago, | e afundar no raso, | e morrer sem ar. | É o medo de inundar o peito, de fôlego e de amor, | E findar no nada, | e, no oco do inferno…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
É o medo de nadar no lago,
e afundar no raso,
e morrer sem ar.
É o medo de inundar o peito, de fôlego e de amor,
E findar no nada,
e, no oco do inferno, praguejar e sangrar.
É a vida abrindo à víscera da morte;
O ontem, o hoje — o medo, a sorte —,
todos os cheiros e as linhas tortas do amanhã.
A brutalidade do ar.
A ferida, salgada, inflamando,
apodrecendo, desconcertando,
pra depois curar.
É o inverno dos dias encontrando a aurora,
funeral que se encerra
em chuva mansa, prato quente e botão de rosa.
O abismo dessa terra dourada,
abrindo-se com graça,
nos desafiando a pular.
Lídia Machado
Vivendo por entre bibliotecas e saraus, desde o início de sua juventude a autora Lídia Machado vem tecendo íntima conexão com a poesia e com a escrita. Primariamente, cronista e fabuladora nas aulas de redação. Depois, aos quinze, jornalista estagiária as quais saía, de mototáxi – munida de coragem e de pouca bagagem profissional – rumo aos eventos da charmosa Limoeiro do Norte. Entrevistas, escrita e até mesmo o contato com antigos e leais assinantes do jornal. Também nascia, ali, o amor pela fotografia. Aos dezenove, iniciou como… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
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Flor da Lua
Coragem, amor, | pois a vida é ligeira em inundar o que vem vazio. | Cobre-te de ouro e falsa seda, | protege-te do espinho e perderá, também…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Coragem, amor,
pois a vida é ligeira em inundar o que vem vazio.
Cobre-te de ouro e falsa seda,
protege-te do espinho e perderá, também,
o perfume da flor.
Arruma tua vida,
remenda esse peito do estrago.
Quem foi teu desamor?
Quem és tu quando se desembrulha?
O que te traz o engasgo?
Borrei teu nome e arranquei, daquele crisântemo, toda a cor.
Removi-te de meus cadernos e tomei,
de volta,
a poesia pra mim.
Cai um dado, arranha o peito,
morde o pano do travesseiro,
solve-se em raiva!
Mas coagula em amor, por favor…
Continua a remendar,
e confia na flor que o lírio dá,
ainda que lhe tome o ano todo,
E que descubra,
no amargo da culpa,
que há de regar.
Lídia Machado
Vivendo por entre bibliotecas e saraus, desde o início de sua juventude a autora Lídia Machado vem tecendo íntima conexão com a poesia e com a escrita. Primariamente, cronista e fabuladora nas aulas de redação. Depois, aos quinze, jornalista estagiária as quais saía, de mototáxi – munida de coragem e de pouca bagagem profissional – rumo aos eventos da charmosa Limoeiro do Norte. Entrevistas, escrita e até mesmo o contato com antigos e leais assinantes do jornal. Também nascia, ali, o amor pela fotografia. Aos dezenove, iniciou como… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
A Queda do Inferno
A chama comia papel — desordenada, a mando maior —, | Rasgaram livro na praça, | Devoraram à mocidade, também…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
A chama comia papel — desordenada, a mando maior —,
Rasgaram livro na praça,
Devoraram à mocidade, também.
Maldita, maldita… maldita praga que rasteja por Berlim!
Onde dorme aquela menina?
Boneca de pano, riso cálido
Dedo frágil a fazer poesia…
Num salto medroso, remendava o pano da janela.
Num ainda maior, corria.
Nem se percebia tão fria,
Já não beijava a luz do sol.
Corria, no céu, uma mulher despida
em cavalo alado.
Anunciava o fim do dia,
E trazia, no peito, o último trago.
Um gole velho de querosene,
A incendiar a boa vontade dos “nobres”.
Era o fim do dia,
E a menina não via.
Dormia!
E o sono de Aninha…
Ah, eles não hão de azedar.
Lídia Machado
Vivendo por entre bibliotecas e saraus, desde o início de sua juventude a autora Lídia Machado vem tecendo íntima conexão com a poesia e com a escrita. Primariamente, cronista e fabuladora nas aulas de redação. Depois, aos quinze, jornalista estagiária as quais saía, de mototáxi – munida de coragem e de pouca bagagem profissional – rumo aos eventos da charmosa Limoeiro do Norte. Entrevistas, escrita e até mesmo o contato com antigos e leais assinantes do jornal. Também nascia, ali, o amor pela fotografia. Aos dezenove, iniciou como… » leia mais
15ª Edição: Aesttera - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 15ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de abril de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.
Castelo Drácula
Adentro no mor lôbrego Castelo | Tal corpo em algor mortis, tão mordaz… | Soturno a mim murmura sobre um elo | Dest’alma condenada que me faz;…
Adentro no mor lôbrego Castelo
Tal corpo em algor mortis, tão mordaz…
Soturno a mim murmura sobre um elo
Dest’alma condenada que me faz;
Azeite bel dos sonhos ou delírio?
Nenhum, meus pés caminham n’este chão,
E os ares em plangores, que martírio!
Sufocam, em horrores, meu pulmão…
Em mórbida noturna chuva densa
Lá fora, faz-me cá silenciar,
Tremor à flama débil, indefensa…
Escuto um cello fúnebre a tocar
E assim vou aos umbrais por onde o som
Retumba lutuoso e, por tal dom,
Eu sinto… reconheço… este é meu lar.
Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Sahra Melihssa
Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
Dança na Cripta
Pelas facetas da solidão, meus passos enveredavam em uma dança extasiada. | O toque do vento, por vezes, era a única caricia que restava;…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
Pelas facetas da solidão, meus passos enveredavam em uma dança
extasiada.]
O toque do vento, por vezes, era a única caricia que restava;
E nada mais sobrava para me acompanhar no pranto,
Apenas o eco vazio do que já foi, tão distante: o quebranto.
A noite sempre foi por si mesma uma companhia,
Em seu reinado guardei sentimentos sem melodia.
Por meia década senti horrores em solilóquios distorcidos,
Onde cada palavra era um suspiro perdido!
Há muito me perdi da trilha que almejava seguir.
Mas, ela me reencontrou e pelo luar meus passos voltaram a fluir!
Para a pisque poemas sucumbidos no sepulcro retornaram;
A melancolia agora evanesce em versos que erráticos se montam.
Por duas almas páreas se reconectaram,
Mudaram caminhos distantes tão unos que nunca se separaram,
Em minha cripta iluminada residem silentes as memórias desta história!
Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Naufrágio
A mais caudalosa turbulência, | a rebeldia que transportava espumas | para o colo do barco, | fazia surgir o medo constante | de conhecer o fundo…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
A mais caudalosa turbulência,
a rebeldia que transportava espumas
para o colo do barco,
fazia surgir o medo constante
de conhecer o fundo escuro do oceano.
Ao sobressaltar a visão,
embaçador, mas lúgubre,
com a fronte alçada em desafio.
Partindo caminho, devastando e empurrando o próprio mar,
mas não há disputa, nem trégua.
Antes do golpe, toda dança e cerimônia,
um ritual, tal qual uma primitiva celebração ou
uma câmera lenta moderna.
Baforando ódio por sobre o barco, engolindo, aglutinando madeira, carne, água e trovões.
Um baile de máscaras molhadas,
que ficará apenas registrado na história das águas.
Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa
Leia mais em “Poesias”:
Pergaminhos esfumaçados
Nos ermos turvos, sob a névoa espessa, | Engrenam-se os dias num ciclo enferrujado, | corações de cogs, reluzindo em pressa, |
pulsam mecânicos num tempo quebrado…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula
Nos ermos turvos, sob a névoa espessa,
Engrenam-se os dias num ciclo enferrujado,
corações de cogs, reluzindo em pressa,
pulsam mecânicos num tempo quebrado.
Óleo e fuligem tingem a alvorada,
Zepelins vagam por céus cor de chumbo,
na ruína que ao mundo foi dada,
heroína avança em um rastro profundo.
prateados fios caem sobre o aço,
sua cauda felina rasga a tormenta,
buscai o grimório do arcano nefasto,
A magia milenar que o tempo fomenta.
os homens são máquinas de fria ilusão,
ela é o sussurro da última oração.
escombros de ferro, urde-se a lenda,
entre válvulas rotas e estalidos vis,
heroína avança, garras em contenda,
sangrando entre sombras de fumos febris.
No peito dos homens, cogs reluzentes,
girando em delírios de cobre e vapor,
são máquinas mortas, de sonhos ausentes,
moldadas em fardos de graxa e torpor,
sob as ruínas de Londres caída,
câmara oculta de um templo profano,
Grimório pulsava – em runas, em vida,
Sorvendo dos tolos seu plasma insano.
com dedos feridos, no aço e no pus,
abrira suas páginas rubras de luz.
páginas vivas, trêmulas, sangrentas,
gravavam-se em fogo mistérios arcanos,
ritos profanos, promessas sedentas,
versos que outrora arruinaram humanos.
As engrenagens dos homens gemiam de medo,
giravam rangendo em preces de aço,
lendas diziam, num tom sem enredo,
que aquele grimório rasgava o espaço,
a felina de prata, sem receios,
sorriu ao sentir-lhe a febre imortal,
o sangue pingava em signos alheios,
A tinta vermelha selou o final,
no véu do vapor e da morte impiedosa,
renasce a magia—sombria e grandiosa.
o sangue, agora em chamas, se espalha,
num rio escarlate que corre sem fim,
a névoa densa se torna uma muralha,
uma barragem da magia que se afim.
Engrenagens, agora, começam a cantar,
ritmo insano de um mundo desfeito,
a heroína, sem medo, a desvendar,
Adentrai o portal se abrir no firmamento estreito.
O grimório, pulsando, desenha estrelas,
círculos sagrados, feitiços infinitos,
entre os ventos, exalam-se centelhas,
Fragmentos do passado, ecos de gritos.
ela avança, sua cauda serpenteia,
nos olhos, a chama da alma se enleia.
ao tocar o livro, o mundo se rasga,
a névoa se parte, o universo traga
novas realidades, horizontes de dor,
a magia toma forma de puro fervor.
Na fumaça, o sangue se entrelaça ao metal,
a heroína, agora, não é mais mortal.
no instante sombrio em que a carne se funde,
o grimório pulsa, a realidade implode,
e o céu se parte, a terra se afunde,
a magia em carne e engrenagem explode.
Cogs e ossos se entrelaçam em ruínas,
ventos cortam a pele como lâminas,
a fumaça dança em círculos infernais,
olhos da heroína, como cristais,
refletem o abismo que a tudo consome,
o sangue agora escorre, quente e negro,
derramando-se no abismo onde o nome
do passado ecoa, profundo e seguro.
Ela sente o peso das estrelas caídas,
suas garras dilaceram o véu do medo,
as correntes de ferro, agora perdidas,
rasgando o espaço, cantam o segredo.
com cada passo, o sangue é mais espesso,
o metal da alma, no instante, se confesso.
Em seu peito, os cogs gemem de agonia,
transformados em grilhões de pura alquimia.
no abraço final da magia e da dor,
ela transcende, num grito, o próprio terror.
o grimório, agora em sua mão sangrenta,
liberta o caos, a noite eterna e lenta,
o universo se quebra, se reinventa,
o sangue, em névoa, em nada se ausenta.
No vórtice da destruição, a carne se retorce,
o grimório clama, e a terra se desfez,
o grito da heroína é um rugido que torce
os céus e o inferno, tudo a seus pés.
o sangue que pulsa já não é mais seu,
mistura-se ao metal, à fumaça, so a lua,
em cada veia, o caos toma o troféu,
as engrenagens batem, como martelos
A névoa, agora densa e viscosa,
envolve tudo, sem alma e sem fim,
engolindo os homens, as máquinas, a rosa,
transformando em nada o que restou de mim.
olhos de prata, refletido o abismo,
O fim do mundo se torna uma dançarina,
garras afiadas, olhos sem raciocínio,
ela é a rainha de uma era divina.
Os céus, rasgados, exalam dor e fúria,
o sangue da heroína inunda os rios,
cada passo é um eco de pura loucura,
seu corpo, agora, já não sente os próprios fios.
A magia se torna carne, alma e choro,
As engrenagens se perdem, o tempo é quebrado,
nas sombras que brotam do ouro,
Ela se ergue, destroçando o passado.
O grimório ri, e o sangue se mistura,
um cântico ancestral,
um cântico de loucura.
O vapor sobe, quente como o inferno,
máquinas rugem em dor, sem piedade,
os pistões estalam, um som terno,
que quebra o coração da realidade.
Nos corredores de ferro e latão,
a heroína avança, seu corpo de aço,
cada passo é marcado pela tensão,
wm meio ao fumo, ao estrondo, ao fracasso.
engrenagens douradas, girando sem fim,
nos peitos dos homens, enredados em dor,
o som das engrenagens, como um clarim,
convoca a revolta de um mundo sem cor.
Zepelins de ferro cortam o céu de chumbo,
com hélices afiadas, cortando a névoa espessa,
são sombras imensas que ecoam no fundo,
onde o grimório sussurra, e a morte não cessa.
a cidade se ergue em ruínas de aço,
com tubos de vapor serpenteando o ar,
Vossa heroína, entre chamas e estalos,
buscai o poder perdido, o segredo a revelares.
Nos olhos prateados, a verdade não é suave,
Ela sente a fúria das rodas a girares,
O grimório, com letras antigas e graves.
É a chave para o futuro, a destruição dos lugares.
A névoa se espessa, o metal se corrompe,
Mas ela, com a cauda felina e o coração ferroso e enevoado,
Sabe que no fim, o mundo será seu campo de combate,
onde o vapor e o sangue dançarão em união,
quando a última engrenagem finalmente cair,
o vapor consumir tudo ao redor,
ela será a rainha do caos, pronta a seguir,
pelas ruas de ferro, em sua jornada sem cor,
O aço resplandece sob a luz trêmula,
Vapor sibilando por tubos que se torcem,
relógios batem, como pulsos, a mil por hora,
enquanto o céu de névoa em cinza se esconde,
nas fornalhas ardentes, o cobre se funde,
Ao som das marteladas ressoa em cada rua,
Zepelins flutuam em trajetórias profundas,
cortando os ventos com lâminas de lua.
engrenagens giram nos peitos dos homens de ferro,
chorando parafusos no ritmo de dor,
suas veias são fios, suas almas, um erro,
com corações mecânicos, sem nenhum fervor.
A heroína avança, olhos de prata em fúria,
sua cauda felina brilha entre fumaça e calor,
o chicote cósmico e alma de pura armadura,
ceifai o ar, desafiando o mundo, com ardor.
O grimório, preso entre chamas e carvão,
Desenha feitiços nos céus corroídos,
Palavras antigas, em alfabeto de metal,
Chamam as máquinas a se rebelar, em gritos perdidos.
Os pistões rugem, as caldeiras explodem,
ela, com garra, não teme o fim da linha,
dentro de seu peito, o fogo que não se apaga,
o espírito indomável de uma era antiga e divina.
becos sombrios, o vapor espesso se eleva,
ela, entre o caos, nunca perde a direção,
magia milenar agora se revela,
o grimório brilha, em um ato de redenção.
A cidade de cobre e ferro, em ruínas, ecoa,
o vapor e o sangue se tornam a canção,
Mas a heroína, com garras afiadas, corre,
pela neblina, onde a mágica e o aço se entrelaçam em união,
entre as chamas e a escuridão, surge a besta,
Uma máquina de escrever, com engrenagens cintilantes,
Suas teclas de cobre e ferro, como uma orquestra em festa,
Rangem em compasso, marcando o tempo a se quebrar.
O som das letras, em um clique ancestral,
Se mistura ao estrondo dos pistões girantes,
Cada palavra, uma sentença fatal,
Rasgando o véu da realidade a se distorcer no ar.
Ao lado da heroína, com passos silenciosos,
Um gato mecânico, de olhos dourados e frios,
Seu corpo forjado em aço e fios, misteriosos,
Gira como um relógio, em movimentos vazios.
Suas garras, afiadas como lâminas de prata,
São cogs dourados, ressoando em pura precisão,
Seu miado, agora, é um som de engrenagens, que desata
Os portões da magia, em busca de redenção.
A heroína, com cauda felina e alma de ferro,
Toca as teclas da máquina, sua voz sussurrando,
Palavras antigas, com a dor de um desespero,
Que ecoam pelo ar, e o mundo vai ruindo, tremendo, indo.
O gato, com suas engrenagens robóticas pulsante,
Move-se em espiral, como o eixo de um destino,
Observando a escrita que começa a se transformai,
Com seus olhos de aço, fitando o abismo divino,
o grimório se abre, as palavras ganham poder,
enquanto a máquina de escrever grita seu grito final,
névoa se espessa, o mundo começa a se perder,
a heroína, com coragem, corta o mal.
Em um último suspiro, o gato de metal ruge,
suas garras cortando o ar como lâminas de dor,
com o grimório nas mãos, a batalha surge,
entre o vapor e o sangue, onde tudo é terror.
na cidade de cobre e chuva ácida, onde os relógios morrem,
as engrenagens soam como lamentos perdidos,
vossa heroína e seu gato, juntos, desafiam os deuses,
ali, um mundo onde as palavras se tornam gritos esquecidos.
Através de uma meditação em que Drácula forneceu em agradecimento
pelo exício dos dêmonios em seus quadros e tomos,
Arale fora capaz de ver, seu passado, um pouco de sua origem
Sua ancestralidade, uma raiz nebulosa,
Na era vitoriana, a fumaça alça,
Entre engrenagens e ruídos do ferro,
Caminha a felina, em noite de prata falsa,
Caçadora de demônios, no silêncio do ermo.
Com cauda a brilhares, em sombras se entrosam,
Suas mãos comandam a máquina de escrever,
Cada palavra, um feitiço, a escuridão, despojam,
E a morte àqueles que ousam se erguer.
Banida da Igreja dos ossos de Yesh,
Por se aliar às letras negras, no abismo,
Sua alma é marcada, como um flagelo,
A ordem antiga a teme, e se faz prismo.
Na sua carne, sangue de uma linhagem rara,
Arale Fayax, herdeira de dor e guerra.
A primeira vez que a vi foi numa noite sem lua, tão escura quanto a alma dos homens corrompidos pela luxúria. Mal sabia eu que contemplava minha própria ruína…