O Lírio e o Lago

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

De modo sensível e vago
Protejo em meu peito, dorido,
Um lírio tão pulcro e um lago
Com águas de morte, contido,
Ao lado de incerto amargor
Por onde há o semblante choroso
Que vejo n'um ninho vazio
E escrevo em papel tão poroso
Meu manto de inverno sombrio
Que sobre um cadáver feitio
Eu vejo no lago clivoso.

De modo aturdido este Lírio
Umbroso em lamúria é fissura
D'um cântico vasto em martírio
Por onde minh'alma é lagura
E, sendo, é vertida em ardor
E o líquido anil d'embriez
Deságua a regar meu florir
De lúgubre e grã profundez:
Angústia que faz meu sorrir
Tão lhano que emerge a asserir
Murmúrio em escol languidez.

De modo soturno e imersor
No Lago me habito silente
E o Lírio é meu triste candor
Um Lírio de níveo fulgor
Um Lago de eterna torrente.


Escrito por:
Sahra Melihssa

Poeta, Escritora e Sonurista, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sahra Melihssa é a Anfitriã do projeto Castelo Drácula e sua literatura é intensa, obscura, sensual e lírica. De estilo clássico, vocábulo ornamental e lapidado, beleza literária lânguida e de essência núrida, a poeta dedica-se à escrita há mais de 20 anos. N’alcova de seu erotismo, explora o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo seus leitores em um imersivo, e por vezes sombrio, deleite. No túmulo da sua literatura gótica, a autora entrelaça o terror, horror e mistério com a beleza mélea, o fantástico e o botânico, como em uma valsa mórbida… » leia mais
16ª Edição: Soramithia - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 16ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de maio de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.

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Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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