Imagem criada e editada por Sahra Melihssa, para o Castelo Drácula

Nos ermos turvos, sob a névoa espessa, 
Engrenam-se os dias num ciclo enferrujado, 
corações de cogs, reluzindo em pressa, 
pulsam mecânicos num tempo quebrado.  

Óleo e fuligem tingem a alvorada, 
Zepelins vagam por céus cor de chumbo, 
na ruína que ao mundo foi dada, 
heroína avança em um rastro profundo. 
prateados fios caem sobre o aço, 
sua cauda felina rasga a tormenta, 
buscai o grimório do arcano nefasto,  

A magia milenar que o tempo fomenta. 
os homens são máquinas de fria ilusão, 
ela é o sussurro da última oração. 
escombros de ferro, urde-se a lenda, 
entre válvulas rotas e estalidos vis, 
heroína avança, garras em contenda, 
sangrando entre sombras de fumos febris.  

No peito dos homens, cogs reluzentes, 
girando em delírios de cobre e vapor, 
são máquinas mortas, de sonhos ausentes, 
moldadas em fardos de graxa e torpor, 
sob as ruínas de Londres caída, 
câmara oculta de um templo profano, 
Grimório pulsava – em runas, em vida,  

Sorvendo dos tolos seu plasma insano. 
com dedos feridos, no aço e no pus, 
abrira suas páginas rubras de luz. 
páginas vivas, trêmulas, sangrentas, 
gravavam-se em fogo mistérios arcanos, 
ritos profanos, promessas sedentas, 
versos que outrora arruinaram humanos.  

As engrenagens dos homens gemiam de medo, 
giravam rangendo em preces de aço, 
lendas diziam, num tom sem enredo, 
que aquele grimório rasgava o espaço, 
a felina de prata, sem receios, 
sorriu ao sentir-lhe a febre imortal, 
o sangue pingava em signos alheios,  

A tinta vermelha selou o final, 
no véu do vapor e da morte impiedosa, 
renasce a magia—sombria e grandiosa. 
o sangue, agora em chamas, se espalha, 
num rio escarlate que corre sem fim, 
a névoa densa se torna uma muralha, 
uma barragem da magia que se afim.  

Engrenagens, agora, começam a cantar, 
ritmo insano de um mundo desfeito, 
a heroína, sem medo, a desvendar, 
Adentrai o portal se abrir no firmamento estreito. 
O grimório, pulsando, desenha estrelas, 
círculos sagrados, feitiços infinitos, 
entre os ventos, exalam-se centelhas,  

Fragmentos do passado, ecos de gritos. 
ela avança, sua cauda serpenteia, 
nos olhos, a chama da alma se enleia. 
ao tocar o livro, o mundo se rasga, 
a névoa se parte, o universo traga 
novas realidades, horizontes de dor, 
a magia toma forma de puro fervor.  

Na fumaça, o sangue se entrelaça ao metal, 
a heroína, agora, não é mais mortal. 
no instante sombrio em que a carne se funde, 
o grimório pulsa, a realidade implode, 
e o céu se parte, a terra se afunde, 
a magia em carne e engrenagem explode.  

Cogs e ossos se entrelaçam em ruínas, 
ventos cortam a pele como lâminas, 
a fumaça dança em círculos infernais, 
olhos da heroína, como cristais, 
refletem o abismo que a tudo consome, 
o sangue agora escorre, quente e negro, 
derramando-se no abismo onde o nome 
do passado ecoa, profundo e seguro. 

 Ela sente o peso das estrelas caídas, 
suas garras dilaceram o véu do medo, 
as correntes de ferro, agora perdidas, 
rasgando o espaço, cantam o segredo. 
com cada passo, o sangue é mais espesso, 
o metal da alma, no instante, se confesso.  

Em seu peito, os cogs gemem de agonia, 
transformados em grilhões de pura alquimia. 
no abraço final da magia e da dor, 
ela transcende, num grito, o próprio terror. 
o grimório, agora em sua mão sangrenta, 
liberta o caos, a noite eterna e lenta, 
o universo se quebra, se reinventa, 
o sangue, em névoa, em nada se ausenta.  

No vórtice da destruição, a carne se retorce, 
o grimório clama, e a terra se desfez, 
o grito da heroína é um rugido que torce 
os céus e o inferno, tudo a seus pés. 
o sangue que pulsa já não é mais seu, 
mistura-se ao metal, à fumaça, so a lua, 
em cada veia, o caos toma o troféu, 
as engrenagens batem, como martelos  

A névoa, agora densa e viscosa, 
envolve tudo, sem alma e sem fim, 
engolindo os homens, as máquinas, a rosa, 
transformando em nada o que restou de mim. 
olhos de prata, refletido o abismo, 
O fim do mundo se torna uma dançarina, 
garras afiadas, olhos sem raciocínio, 
ela é a rainha de uma era divina. 
Os céus, rasgados, exalam dor e fúria, 
o sangue da heroína inunda os rios, 
cada passo é um eco de pura loucura, 
seu corpo, agora, já não sente os próprios fios. 
A magia se torna carne, alma e choro, 
As engrenagens se perdem, o tempo é quebrado, 
nas sombras que brotam do ouro,  

Ela se ergue, destroçando o passado. 
O grimório ri, e o sangue se mistura, 
um cântico ancestral, 
um cântico de loucura. 
O vapor sobe, quente como o inferno, 
máquinas rugem em dor, sem piedade, 
os pistões estalam, um som terno, 
que quebra o coração da realidade.  

Nos corredores de ferro e latão, 
a heroína avança, seu corpo de aço, 
cada passo é marcado pela tensão, 
wm meio ao fumo, ao estrondo, ao fracasso. 
engrenagens douradas, girando sem fim, 
nos peitos dos homens, enredados em dor, 
o som das engrenagens, como um clarim, 
convoca a revolta de um mundo sem cor.  

Zepelins de ferro cortam o céu de chumbo, 
com hélices afiadas, cortando a névoa espessa, 
são sombras imensas que ecoam no fundo, 
onde o grimório sussurra, e a morte não cessa. 
a cidade se ergue em ruínas de aço, 
com tubos de vapor serpenteando o ar, 
Vossa heroína, entre chamas e estalos, 
buscai o poder perdido, o segredo a revelares. 
Nos olhos prateados, a verdade não é suave, 
Ela sente a fúria das rodas a girares, 
O grimório, com letras antigas e graves.  

É a chave para o futuro, a destruição dos lugares. 
A névoa se espessa, o metal se corrompe, 
Mas ela, com a cauda felina e o coração ferroso e enevoado, 
Sabe que no fim, o mundo será seu campo de combate, 
onde o vapor e o sangue dançarão em união, 
quando a última engrenagem finalmente cair, 
o vapor consumir tudo ao redor, 
ela será a rainha do caos, pronta a seguir, 
pelas ruas de ferro, em sua jornada sem cor, 
O aço resplandece sob a luz trêmula,  

Vapor sibilando por tubos que se torcem, 
relógios batem, como pulsos, a mil por hora, 
enquanto o céu de névoa em cinza se esconde, 
nas fornalhas ardentes, o cobre se funde, 
Ao som das marteladas ressoa em cada rua, 
Zepelins flutuam em trajetórias profundas, 
cortando os ventos com lâminas de lua. 
engrenagens giram nos peitos dos homens de ferro, 
chorando parafusos no ritmo de dor, 
suas veias são fios, suas almas, um erro, 
com corações mecânicos, sem nenhum fervor.  

A heroína avança, olhos de prata em fúria, 
sua cauda felina brilha entre fumaça e calor, 
o chicote cósmico e alma de pura armadura, 
ceifai o ar, desafiando o mundo, com ardor. 
O grimório, preso entre chamas e carvão, 
Desenha feitiços nos céus corroídos, 
Palavras antigas, em alfabeto de metal, 
Chamam as máquinas a se rebelar, em gritos perdidos.  

Os pistões rugem, as caldeiras explodem, 
ela, com garra, não teme o fim da linha, 
dentro de seu peito, o fogo que não se apaga, 
o espírito indomável de uma era antiga e divina. 
becos sombrios, o vapor espesso se eleva, 
ela, entre o caos, nunca perde a direção, 
magia milenar agora se revela, 
o grimório brilha, em um ato de redenção.  

A cidade de cobre e ferro, em ruínas, ecoa, 
o vapor e o sangue se tornam a canção, 
Mas a heroína, com garras afiadas, corre, 
pela neblina, onde a mágica e o aço se entrelaçam em união, 
entre as chamas e a escuridão, surge a besta, 
Uma máquina de escrever, com engrenagens cintilantes, 
Suas teclas de cobre e ferro, como uma orquestra em festa, 
Rangem em compasso, marcando o tempo a se quebrar.  

O som das letras, em um clique ancestral, 
Se mistura ao estrondo dos pistões girantes, 
Cada palavra, uma sentença fatal, 
Rasgando o véu da realidade a se distorcer no ar. 
Ao lado da heroína, com passos silenciosos, 
Um gato mecânico, de olhos dourados e frios, 
Seu corpo forjado em aço e fios, misteriosos, 
Gira como um relógio, em movimentos vazios.  

Suas garras, afiadas como lâminas de prata, 
São cogs dourados, ressoando em pura precisão, 
Seu miado, agora, é um som de engrenagens, que desata 
Os portões da magia, em busca de redenção. 
A heroína, com cauda felina e alma de ferro, 
Toca as teclas da máquina, sua voz sussurrando, 
Palavras antigas, com a dor de um desespero, 
Que ecoam pelo ar, e o mundo vai ruindo, tremendo, indo.  

O gato, com suas engrenagens robóticas pulsante, 
Move-se em espiral, como o eixo de um destino, 
Observando a escrita que começa a se transformai, 
Com seus olhos de aço, fitando o abismo divino, 
o grimório se abre, as palavras ganham poder, 
enquanto a máquina de escrever grita seu grito final, 
névoa se espessa, o mundo começa a se perder, 
a heroína, com coragem, corta o mal.  

Em um último suspiro, o gato de metal ruge, 
suas garras cortando o ar como lâminas de dor, 
com o grimório nas mãos, a batalha surge, 
entre o vapor e o sangue, onde tudo é terror. 
na cidade de cobre e chuva ácida, onde os relógios morrem, 
as engrenagens soam como lamentos perdidos, 
vossa heroína e seu gato, juntos, desafiam os deuses, 
ali, um mundo onde as palavras se tornam gritos esquecidos.  

Através de uma meditação em que Drácula forneceu em agradecimento 
pelo exício dos dêmonios em seus quadros e tomos, 
Arale fora capaz de ver, seu passado, um pouco de sua origem 
Sua ancestralidade, uma raiz nebulosa, 
Na era vitoriana, a fumaça alça, 
Entre engrenagens e ruídos do ferro, 
Caminha a felina, em noite de prata falsa, 
Caçadora de demônios, no silêncio do ermo.  

Com cauda a brilhares, em sombras se entrosam, 
Suas mãos comandam a máquina de escrever, 
Cada palavra, um feitiço, a escuridão, despojam, 
E a morte àqueles que ousam se erguer. 
Banida da Igreja dos ossos de Yesh, 
Por se aliar às letras negras, no abismo, 
Sua alma é marcada, como um flagelo, 
A ordem antiga a teme, e se faz prismo. 
Na sua carne, sangue de uma linhagem rara, 
Arale Fayax, herdeira de dor e guerra. 

Texto publicado na Edição 14 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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