Post Mortem

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Sussurram-me as feridas imortais:
A vida é nuvem, o destino é certo,
O amor é longo, o peito é deserto
para o perto que ficou pra trás.

Uma chama clama em cada passo,
Fogo de vela que o vento cessa,
Luz de janela que o tempo fecha
enquanto canto me atando o laço.

Caminho para o alto de um lugar,
Vem vindo a brisa que a face beija,
Indo com as cores que a vida deixa
numa ave quando vai voar.

Caio como as folhas de outono,
Pequeno como um grão no mundo,
Como gota de um mar profundo
dormindo, eternamente em sono.

Encontraram-me entre as flores,
Entre flores novamente me puseram,
Entre prantos um adeus disseram
indo ao canto me dizendo dores.

O dia termina à luz das velas,
Sou amigo querido, filho amado,
Ditoso poeta de olhar cerrado
que dorme às paredes da capela.

Indo ao lar, à quatro mãos amigas,
Vestido de noivo para a vã esposa,
Sinto de novo que uma flor repousa
em meu peito enquanto faz cantiga.

Outra mão segura a minha:
É minha mãe, de onde o choro vem,
E a terra, como manto de ninguém
vem cobrir o que restou das linhas. 

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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