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Inefável

Inefável sentir o coração aterrorizado | Enfraquecer até parar | .O poder que exerço | De percorrer suas veias | Levando sua vida comigo...

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Inefável sentir o coração aterrorizado
Enfraquecer até parar.
O poder que exerço
De percorrer suas veias
Levando sua vida comigo...
Inefável.
Não foge, se não teme
Mas tema, porque é por mim
Que sua carne sucumbirá.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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1 —O Encontro

No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria | Assusto-me e o percebo afortunado, | Pois voa contra o vento da penúria;…

No erguer-se do luar alcantilado
Crocita um corvo enquanto sou lamúria
Assusto-me e o percebo afortunado,
Pois voa contra o vento da penúria;

Ao leito o meu sombrífero sonhar
Desvela-se à mi’a fronte lentamente,
Um cântico, porém, junto ao nevar
Desperta-me e a lareira queima ardente;

Que o fogo se acendera repentino?
Clamei seguindo à porta da sacada,
Ninguém d’entre os pinheiros, nem um hino…

Silêncio tão perpétuo “Fui brindada
Co’as sombras de mi’a mente solitária
”,
Mas ouço, no rompante… mortuária…
Atrás de mim… presença murmurada…

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Plácido Jardim

Plácido é o jardim onde posso me deitar | E simplesmente descansar | Alimentar as árvores com meu corpo, | Fazendo parte delas e elas de mim…

Plácido é o jardim onde posso me deitar 
E simplesmente descansar
Alimentar as árvores com meu corpo, 
Fazendo parte delas e elas de mim
Simples assim, afundar na terra 
E quem sabe ser alimento, 
adubo para esse calmo jardim
Consumida lentamente pelo solo,
que usufrui de mim 
Que faz parte de mim e eu dele, 
Aqui sozinha, porém rodeada de vida 
Na morte do que fui, e trabalhei para ser
Destituída das máscaras que construí 
Para no fim, enfim
Ser útil a esse sereno jardim
Deitada no solo eu olho as estrelas e tudo o mais não importa
Apenas o verde e o marrom me acomodam
E isso é o bastante para descansar
Sim! Tenho certeza absoluta 
de que esse de fato é o meu lar
Fico calma sem movimentos
Sem sonhos e pesadelos
Sem esperanças e frustrações
E descanso, aqui jaz e até que enfim
Finalmente em paz.

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2 — O Vínculo

“Angústia vil… sou rígida fereza… | A morte lacrimal de teu semblante… | Tormento me convida à tua pureza | Olvidas-me a pensar ser delirante…”

Angústia vil… sou rígida fereza…
A morte lacrimal de teu semblante…
Tormento me convida à tua pureza
Olvidas-me a pensar ser delirante…

Segreda-me em arcano linguajar
Tem face oculta em manto de negror,
Há névoa carmesim, sangue a pulsar,
Envolta de seu corpo possessor;

Um medo, então me aturde, mortifica
E sou paralisada pela mão
Do monstro-humano em gesto que dedica…

Respira, brusco, adentra o coração
Oscilo pelo horror, lacrimo exígua
Por minha dor que em júbilo se irrígua
Belíssima” ele diz “Contemplação”.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Epitáfio de um infeliz

Fecho os olhos… e esqueço do que vi; | Esqueço a dor, a angústia dessa vida, | Esqueço da alegria não vivida, | Dos desejos daquilo que eu não fiz….

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Fecho os olhos… e esqueço do que vi;
Esqueço a dor, a angústia dessa vida,
Esqueço da alegria não vivida,
Dos desejos daquilo que eu não fiz.

Tenho agora tudo o que eu sempre quis:
Sinto toda a Vontade enrijecida,
A Esperança não é mais bem-vinda,
Nunca me senti antes mais feliz.

Tenho agora o descanso merecido,
Depois de esperar tanto a tal da Sorte,
O Destino, o Futuro Prometido…

A vida me mostrou ainda jovem
Que nada nesse mundo é garantido
Além da terra, quando chega a morte.

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Morto-Vivo

No altar o odor pútrido paira no ar, | Nessa igreja de cadáveres esquecidos, | Seu jardim sagrado é o cemitério, | Onde os mortos estão escondidos…

Foto de Zoltan Tasi 

No altar o odor pútrido paira no ar,
Nessa igreja de cadáveres esquecidos,
Seu jardim sagrado é o cemitério,
Onde os mortos estão escondidos
Estou rezando e sentindo o péssimo odor do altar
Meu senhor está morto-vivo, morto e eu também vou estar

A terra engoliu todos aqueles corpos
Entre gemidos e lamentações
Neste santo jardim mal cuidado com odor de podridão
Eu vejo um manto de trevas cobrir o pouco de devoção que restou 
Do alto do altar a morte se ergue em sua glória
Meu senhor está morto-vivo, morto e eu também estou

Os fiéis se curvam em dor
Sinto o odor pútrido, doce e forte
Ouço um hino sem o fim do redentor
Em meio a oração uma presença se manifestou
Vejo suas cicatrizes e seu sangue seco
Meu senhor está morto-vivo, morto-vivo e eu também estou

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Tumba para duas

Escrevo essas palavras sabendo que você nunca as lerá, | Mesmo assim mergulho em minha alma com ansiedade | Nesta noite turbulenta que agita a minha mente…

Foto de Veit Hammer

Escrevo essas palavras sabendo que você nunca as lerá,
Mesmo assim mergulho em minha alma com ansiedade
Nesta noite turbulenta que agita a minha mente
E as escrevo sem piedade,
Pois me odeio nesse momento por respirar sem a sua presença,
Percebo como é doloroso viver,
Sabendo que tudo que faço ou irei fazer
Não será mais do seu conhecimento.
Nem meus pensamentos,
Nem meu dia-a-dia a partir do momento de sua partida
Já que não está mais aqui,
Desejo apenas não sentir,
Não ter esses sentimentos,
Talvez atenuá-los e seguir minha vida,
Mas todos os caminhos que sigo me conduzem a você
E as vezes eu quero poder te fazer companhia,
Descansar, como você faz, na terra fria
Aquilo que outrora nos unia, agora parece uma barreira
Oh vida, como gostaria de dissolvê-la
Para nos deixar a sós novamente
As vezes ouço sussurros e passos,
E me percebo te procurando,
Como se de algum lugar você estivesse me assombrando
Não é real, é apenas meu cérebro a me enganar
Crendo que nosso amor além da morte poderia estar
E confesso silenciosamente que, eventualmente,
Eu queria poder descansar em paz
Naquela tranquilidade final que só a morte traz
E se por uma tranquilidade silenciosa
Nos deitássemos lado a lado pela eternidade nessa cova?
Sei que há espaço nessa tumba para nós duas.

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Post Mortem

Sussurram-me as feridas imortais: | A vida é nuvem, o destino é certo, | O amor é longo, o peito é deserto | para o perto que ficou pra trás…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Sussurram-me as feridas imortais:
A vida é nuvem, o destino é certo,
O amor é longo, o peito é deserto
para o perto que ficou pra trás.

Uma chama clama em cada passo,
Fogo de vela que o vento cessa,
Luz de janela que o tempo fecha
enquanto canto me atando o laço.

Caminho para o alto de um lugar,
Vem vindo a brisa que a face beija,
Indo com as cores que a vida deixa
numa ave quando vai voar.

Caio como as folhas de outono,
Pequeno como um grão no mundo,
Como gota de um mar profundo
dormindo, eternamente em sono.

Encontraram-me entre as flores,
Entre flores novamente me puseram,
Entre prantos um adeus disseram
indo ao canto me dizendo dores.

O dia termina à luz das velas,
Sou amigo querido, filho amado,
Ditoso poeta de olhar cerrado
que dorme às paredes da capela.

Indo ao lar, à quatro mãos amigas,
Vestido de noivo para a vã esposa,
Sinto de novo que uma flor repousa
em meu peito enquanto faz cantiga.

Outra mão segura a minha:
É minha mãe, de onde o choro vem,
E a terra, como manto de ninguém
vem cobrir o que restou das linhas. 

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Lamúrias

Túmulos no meu jardim, | Pelo tempo, ornamentados. | Sinto a pedra áspera e fria | Abrigo dos que há muito Já se foram…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Túmulos no meu jardim,
Pelo tempo, ornamentados.
Sinto a pedra áspera e fria
Abrigo dos que há muito Já se foram.

O vento gélido me abraça,
Esvoaçam os tecidos que me vestem.
Posso ver além,
Mas não encontro minha própria lápide.

As lágrimas que insistem em cair,
Queimam minha face.
Tolos arrependimentos,
Que tocam minha carne profana.

Acomodo minha matéria
Em solo fértil e imaculado.
Mas murcham-se todas as flores,
Extingue-se toda a vida que me cerca.

Condenada a sentir
A solidão e dor eterna.
Espreito feito um bicho
Para alimentar minha natureza fétida.

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Caça

Acreditar demais no sonho tido, | Depositando nele as esperanças: | O mesmo que um disparo só de tiro | Na mira, co'arsenal de nossa herança...

Foto de Alex Perez

Acreditar demais no sonho tido,
Depositando nele as esperanças:
O mesmo que um disparo só de tiro
Na mira, co'arsenal de nossa herança...

Pensando em atingir um alvo crido
Estar à nossa espera — quando a lança
Que nós julgamos ter obedecido
Às próprias ordens quebra e nada alcança…

A meta, perseguida e alcançada,
Contato visual tendo com ela…
Talvez, nem sendo aquela imaginada;
Mostrando ser, no fim, uma quimera… 

Um leque d'infinitas ilusões,
Rateio de quem fica, de quem passa…
Vontades e caminhos, opções:
A vida, em seu percurso, é uma caça.

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LXXIV

Na noite perpétua, onde as sombras doudejam | Os corvos ecoam em negra melodia | Sob o manto estrelado, a solidão reina | E o coração se perde na escuridão vazia…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Na noite perpétua, onde as sombras doudejam
Os corvos ecoam em negra melodia
Sob o manto estrelado, a solidão reina
E o coração se perde na escuridão vazia

Na morada dos lamentos, a aflição reina
Almas desalentadas buscam abrigo
Sob o manto da noite, a verdade se divide

Entre ruínas e brumas, o tempo perpassa
O testemunho do passado nas linhas dos epitáfios
No ressoar dos suspiros noite adentro
Num cenário de sonhos despedaçados.

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3 — A Revelação

Co’as pálpebras cerradas… eu mui sinto | “Evoque à tua memória em meninez | Ao leito d’uma morte…” — ouço e pressinto | “Brutal que preservei tua languidez…

Co’as pálpebras cerradas… eu mui sinto
Evoque à tua memória em meninez
Ao leito d’uma morte…
” — ouço e pressinto
Brutal que preservei tua languidez

Co’ a espada envernizada pelo sangue
Daquele que feri-la pretendia.
Servil do inominável que te langue…
Ó, venha-me, conheça-me, que o dia

Emerge a sucumbir-me ao meu inferno…
Entendo a dele essência e seu poder
Sentindo-o na minh’alma, sempiterno…

Meu corpo se enternece, a névoa a arder
Esvai, tudo se abranda, e a mão tão fria
Tocando-me no afago em poesia
Do amor de sombra e algia a me embeber.

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IV de Espadas

Três lâminas pendentes, uma ao lado — | repousa o cavaleiro. Ele adormecen | o santuário, e põe suas mãos em prece | sobre o corpo de pedra armadurado…

Four of Swords—“Pam-A” tarot card from the Rider–Waite Tarot deck (1910) por Pamela Colman Smith (1878–1951)

Três lâminas pendentes, uma ao lado —
repousa o cavaleiro. Ele adormece
no santuário, e põe suas mãos em prece
sobre o corpo de pedra armadurado.

Silêncio… Eis o Silêncio mais sagrado
do exílio. A solitude fortalece
o espírito dolente que esvanece
no amargor do combate malogrado.

Meditações de sono eterno e puro,
condenações de flamas e de escuro:
da letargia nada é discernido.

Na efígie sobre túmulo somente
reslumbra a face estatuesca, crente
na calmaria do dever cumprido!

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Sangue Espesso

Não há como gritar, | Quando se der conta | Será tarde demais. | Fria como um cadáver, | Ainda assim, | Muito mais viva do que você…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Não há como gritar,
Quando se der conta
Será tarde demais.
Fria como um cadáver,
Ainda assim,
Muito mais viva do que você.
Abaixe a cabeça da próxima vez,
O próximo pescoço
Pode ser o seu.
Sombria como a noite,
Misteriosa até perceber
Meus olhos já lacrimejaram,
Eu sei que o fez, por querer.
Implore,
Se ajoelhe,
Reze, se quiser.
Estou a caminho.
Tomarei de seu sangue espesso,
Genuíno.

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De agosto a outubro

Profunda vastidão chuvosa | Que desabada sobre a árvore, | Não soluce, não respingue violenta. | Não a arrebate com pressão. | (Ou violação)…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Profunda vastidão chuvosa
Que desabada sobre a árvore,
Não soluce, não respingue violenta.
Não a arrebate com pressão.

(Ou violação)

Reprima o teu sentimento de afogar,
Solidificado e aflorado.

Ao versar...

(Caia devagar)

Pois, intacta, borboletas noturnas transferem seu pólen,
E os frutos do coração, quando secos,
se espalham ao vento a derramar...

(Aladas noturnas esvoaçam sobre a árvore a crepitar)

A seiva é perigosa, soberana chuva, porém
Ainda que injuriosa, é segura a quem não a resvalar. 

Peço em prece,
Não soluce, não respingue.

(Desabe devagar)

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LXXVI

Na noite de sombras imprescritíveis | Onde os pesares ali regem | O vazio do tempo, a dor sem cura | Na alma perdida entre estrelas, a busca pela expiação de sua agonia…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Na noite de sombras imprescritíveis
Onde os pesares ali regem
O vazio do tempo, a dor sem cura
Na alma perdida entre estrelas, a busca pela expiação de sua agonia

Entre paredes de pedra, ecos do distante passado
O suspiro daqueles corações inocentes
Indo para além da solidão, o sutil encontro com a vil lâmina

Na angústia existencial, as lembranças de profunda aflição
No abismo do ser, o anseio pela absolvição dos pecados
O sentido da vida se esvai como a neblina na manhã
Após emergir a luz, se desfaz a escuridão dos teus pensamentos.

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Esperança Cadavérica

Caindo lentamente | No rosto desfigurado | Que chora desde ontem | A cruz que a enforcara | De suas crenças. | Acredita-se que talvez | Um ser divino possa vir…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Caindo lentamente
No rosto desfigurado
Que chora desde ontem
A cruz que a enforcara
De suas crenças.

Acredita-se que talvez
Um ser divino possa vir
Alimentar a alma
Que deveras esgotada.

Possa vir quatro vezes
Cantar o som da calmaria
E assim enobrecer
Um jardim de alegria.

Vida esta que corrói
Quebrantada nas esperanças
Resvalada assim como a água
Só quatro vezes ela espera.

Não tenho muito tempo
Sou apenas uma lágrima
No rosto que secara
Do cadáver que aguarda.

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4 — A Perturbação

Atento o meu olhar “Quem és, ó Dom” | Indago n’agonia em mim crescente“ | Herói que salva ou mal que ofende o ambom? | Por que me causas mágoa caulescente…

Atento o meu olhar “Quem és, ó Dom
Indago n’agonia em mim crescente
Herói que salva ou mal que ofende o ambom?
Por que me causas mágoa caulescente

Por tanto em meu servil contentamento?
Se juras proteção, do submundo,
Tu podes vir ao bem-de-sacramento?

Dilemas vãos…” responde “Do improfundo…

Em grave voz d’um anjo excomungado,
Assim em sua ausência a que se deu
Tão logo no aurorar imaculado

Manchou-me do pecado sob o breu
Fartando-me de paz como jamais
E quanto m’impregna amar demais
Deixaste uma saudade em apogeu…

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VIII

Espectro insensível | Expressão da corrupção | A visão alucinada do coração | Desvela as minhas emoções…

Imagem criada pelo autor com IA

Espectro insensível
Expressão da corrupção
A visão alucinada do coração
Desvela as minhas emoções

A descoberta de minhas dores
Em meio a artimanhas
Da quimera do coração

A visão da Alva
Raiar da minha esperança
Sensação de tocar a salvação
Redenção para o pecador

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Clausural

Ata-se um nó na minha garganta, | Me rasga a voz em finíssima seda, | E o espinhoso arbusto na vereda | me enlaça em firmeza tanta….

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Ata-se um nó na minha garganta,
Me rasga a voz em finíssima seda,
E o espinhoso arbusto na vereda
me enlaça em firmeza tanta.

Sofro o sangramento dos poetas,
Existo sem saber por onde vou,
Resisto sem saber do que restou
das larvas que estavam quietas.

Repouso num berço de peçonha,
E o meu peito - esse lugar vazio -
Canta uma fé de louvor tardio
enquanto minh'alma sonha.

Sou da víbora a presa atraente,
E em seus dentes, lâminas vis,
Escorrem as gotas mais gentis
de um veneno que se bebe
quente.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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