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Post Mortem

Sussurram-me as feridas imortais: | A vida é nuvem, o destino é certo, | O amor é longo, o peito é deserto | para o perto que ficou pra trás…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Sussurram-me as feridas imortais:
A vida é nuvem, o destino é certo,
O amor é longo, o peito é deserto
para o perto que ficou pra trás.

Uma chama clama em cada passo,
Fogo de vela que o vento cessa,
Luz de janela que o tempo fecha
enquanto canto me atando o laço.

Caminho para o alto de um lugar,
Vem vindo a brisa que a face beija,
Indo com as cores que a vida deixa
numa ave quando vai voar.

Caio como as folhas de outono,
Pequeno como um grão no mundo,
Como gota de um mar profundo
dormindo, eternamente em sono.

Encontraram-me entre as flores,
Entre flores novamente me puseram,
Entre prantos um adeus disseram
indo ao canto me dizendo dores.

O dia termina à luz das velas,
Sou amigo querido, filho amado,
Ditoso poeta de olhar cerrado
que dorme às paredes da capela.

Indo ao lar, à quatro mãos amigas,
Vestido de noivo para a vã esposa,
Sinto de novo que uma flor repousa
em meu peito enquanto faz cantiga.

Outra mão segura a minha:
É minha mãe, de onde o choro vem,
E a terra, como manto de ninguém
vem cobrir o que restou das linhas. 

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Clausural

Ata-se um nó na minha garganta, | Me rasga a voz em finíssima seda, | E o espinhoso arbusto na vereda | me enlaça em firmeza tanta….

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Ata-se um nó na minha garganta,
Me rasga a voz em finíssima seda,
E o espinhoso arbusto na vereda
me enlaça em firmeza tanta.

Sofro o sangramento dos poetas,
Existo sem saber por onde vou,
Resisto sem saber do que restou
das larvas que estavam quietas.

Repouso num berço de peçonha,
E o meu peito - esse lugar vazio -
Canta uma fé de louvor tardio
enquanto minh'alma sonha.

Sou da víbora a presa atraente,
E em seus dentes, lâminas vis,
Escorrem as gotas mais gentis
de um veneno que se bebe
quente.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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