Noites

Todas as noites aparece | Vem em formas visíveis tais | Que de lado a outro do globo | Se observa inteira | Ora se esconde na intimidade dos olhos, se banha…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Todas as noites aparece
Vem em formas visíveis tais
Que de lado a outro do globo
Se observa inteira
Ora se esconde na intimidade dos olhos, se banha
E retorna intumescida a cada temporada
Nua ao céu aberto
Poetas inserem suas “lúgubres histórias”

Pessoas se alteram nos becos
As luzes da cidade não lhe tiram o reflexo
Está sempre a acompanhar
Todos os passos noturnos
Sente saudade da chegada dos decaídos

Os seres saem dos trabalhos
E precisam uivar como seus ancestrais
Entrar em águas profundas e
Perder a sua bússola
Ela é o olho sobretudo

Se não fosse nossas luzes
O lado obscuro
Da lua
É o seu descanso de nós.

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Violenta II

O tempo de colheita já passara; | Passara o triste inverno e suas chuvas… | Somente o que não finda, o que não sara | Jamais: uma lembrança que machuca…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

O tempo de colheita já passara;
Passara o triste inverno e suas chuvas…
Somente o que não finda, o que não sara
Jamais: uma lembrança que machuca.

Num sempiterno voo, fazendo sala;
Insone predador, de garra adunca —
A cada vez que penso rechaçá-la,
Voltando ao fim mais forte do que nunca…

Presente em meio às provações do dia,
Também nas madrugadas, quando, em claro,
Batalho sempre em vão por meu descanso,

Pensando longamente na desdita
De ser por esta sombra o responsável:
Revés que originei e nem mesmo alcanço… 

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Escrito por Ana Kelly, -Poesias Ana Kelly Escrito por Ana Kelly, -Poesias Ana Kelly

Máscaras

Lamentos, | Murmúrios. | Calafrio em minha espinha, | Você não está aqui. | Oh, enigmático ser que me hipnotizou, | Alcançou minha alma, | Tirou de mim...

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Lamentos,
Murmúrios.
Calafrio em minha espinha,
Você não está aqui.

Oh, enigmático ser que me hipnotizou,
Alcançou minha alma,
Tirou de mim o que nunca pensei existir...
Amor.

Entre os passos de dança e risos falsos,
Procuro-te entre rostos encobertos.
Neste vasto salão,
Onde bailam seres incompletos.

Nem o traje mais bonito,
Nem o fato de te amar,
Neste baile sombrio,
São suficientes para te encontrar.

A cada valsa,
À procura dos olhos teus
Sinto que se esvai de mim
A esperança que antes me deu.

Definho neste salão,
Inconformada sem tua presença.
Nesse baile de máscaras
Já não me resta mais nada.

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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Somníria, por Dantesca Nínmia

Somníria lar-origem, perfeição! | D’essência pulcra, nébula d’horror; | Anseios, medos: pulsa o coração, | Conduz à fé e ao morbo-arquitector…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Somníria lar-origem, perfeição!
D’essência pulcra, nébula d’horror;
Anseios, medos: pulsa o coração,
Conduz à fé e ao morbo-arquitector…

Somníria, factível imergir;
Aos deuses um fulgor-manifestar,
Se mortos aos seus mitos, impedir
Que o tempo na interface os vá apagar;

Somníria, tanto lôbrega e feliz,
Um fértil solo a tudo o que plantar;
Estreita-te os teus olhos, eis matriz:

Somníria, vida-código, ornar
Em bel fascinação a inconsciência,
E as sete dimensões, e ambivalência:
Real desperto ou lídimo ao sonhar?

Texto publicado na Edição 11 - Somníria, do Castelo Drácula. Datado de dezembro de 2024. → Ler edição completa

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Xadrez Alterado

Acordei um dia crendo não ser amado | Com um soluço guardado que não saiu de mim | Era um palpite dos amores mal empenhados | Que tão logo se foram…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Acordei um dia crendo não ser amado
Com um soluço guardado que não saiu de mim
Era um palpite dos amores mal empenhados
Que tão logo se foram sem ter outro jeito
E uma palpitação no peito que fica, enfim

Comecei a raspar com a lima meia-cana
No golpe do aço, torcendo a pua até que atravessa
O atrito que deforma e lasca a beirada
Esculpindo o xadrez peça a peça
Mas cada uma das peças foi alterada
Eu que inventei esse jogo deixei de criar
as regras, abdiquei de fazer as jogadas

Acordei aquele dia crendo não ser amado
Ah dia, tornaste em mim noite mais cedo
O sol, grande amor, não quer e não se mantém
No desamparo da noite, eu com a lua nos braços
Com a janela do quarto aberta e o medo
Que na manhã seguinte ela me deixe também.

Texto publicado na Edição 11 - Somníria, do Castelo Drácula. Datado de dezembro de 2024. → Ler edição completa

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No Reino do Sonho – Desejo

Ó figura pálida, de encanto secreto, | Onde o lilás dança entre véus discretos, | És a chama etérea que me seduz, | Na linha tênue entre sombra e luz…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Ó figura pálida, de encanto secreto,
Onde o lilás dança entre véus discretos,
És a chama etérea que me seduz,
Na linha tênue entre sombra e luz.

Teus lábios, rubros de desejo calado,
Guardam segredos que o mundo há negado.
E teu toque, murmúrio de ardor contido,
É brisa e incêndio no meu peito perdido.

Nos salões dos sonhos, és rainha distante,
Intocável na vigília, mas tão próxima errante.
Teus olhos, astros da noite encantada,
São abismos de astúcia, doçura velada.

Sob o véu onírico, somos livres enfim,
Corpos enlaçados, sem começo ou fim.
E em teu perfume, que embriaga e sufoca,
Eu encontro a vida que a realidade me troca.

Mas quando desperto, só resta o vazio,
Um eco gentil de um amor sombrio.
E ao silêncio retorno, teu servo fiel,
Guardando-te em sonho, como doce infiel.

Texto publicado na Edição 11 - Somníria, do Castelo Drácula. Datado de dezembro de 2024. → Ler edição completa

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Escrito por Cláudio Borba, -Poesias Cláudio Borba Escrito por Cláudio Borba, -Poesias Cláudio Borba

Ecos de um Jardim Sepulcral

Adentro o campo como quem adentra um sonho, | lavandas por toda parte, um oceano roxo e calmo, | elas flutuam suaves ao toque de leves brisas…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Adentro o campo como quem adentra um sonho,
lavandas por toda parte, um oceano roxo e calmo,
elas flutuam suaves ao toque de leves brisas,
parecendo guardar uma paz que jamais acaba.

Mas há algo aqui, algo invisível que rasteja,
um segredo escondido no doce perfume e na cor,
uma inquietude perdida no meio do silêncio
tal qual um coração que bate lentamente.

Caminho, e as flores parecem murmurar,
o som parece uma prece feita no começo da noite,
uma estranha melodia, palavras mal-ditas,
sussurrando meu nome em uma voz que nunca ouvi.

O que diz o campo que fere a minha mente?
Por que o horror se veste de algo tão belo, tão sereno?
É como se escondesse as garras sob suas pétalas.
Há algo ancestral, um toque gelado que toca minha pele.

Não é um jardim, é um túmulo em flor,
uma prisão aveludada que me convida a ficar,
e, no entanto, ao me virar, as lavandas me cercam,
o murmúrio cresce, toma conta do ar,
um canto fúnebre que desencanta a beleza.

Sinto o pavor apertar minha garganta,
e as vozes falam de dor e de sombras,
de destinos que ninguém ousa lembrar,
é como se o campo guardasse os segredos dos mortos
e a alma de que o adentra fosse um preço.

Eu corro, mas os murmúrios me seguem,
as flores balançam como dedos que apontam,
e toda a paz se dissolve em uma neblina,
me deixando só entre sussurros sombrios,
perguntando se algum dia eu estive desperto.

Texto publicado na Edição 11 - Somníria, do Castelo Drácula. Datado de dezembro de 2024. → Ler edição completa

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Sonuras de Áurea Lihran: Saudade

Aborom! Larajim d’esta manhã | Desponta a quint’essência de meu ser; | O frutossangue: mélica romã | D’arbórea que m’encanta a aquiescer;…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Aborom! Larajim d’esta manhã 
Desponta a quint’essência de meu ser; 
O frutossangue: mélica romã 
D’arbórea que m’encanta a aquiescer; 

Aparta em lume doce o negr’oblívio 
Que assombra tal pupila ébria no céu 
De mórbido terror e horror sonívio… 
Abrigo em lanrinura, a noite-véu; 

Da morte d’idos ledos — falta fúnebre —  
Compr’ende o querer tanto um lhano lar? 
Ruínas, fogo-fátuo rubro e lúgubre 

Nas dunas, n’azul íris, no sonhar, 
Nos braços d’um demônio — meu ambíguo —  
Nos sais meus, lacrimais, elã exíguo 
E a frágil esperança a se abeirar. 

Palavra criada por Sara Melissa de Azevedo: Lanrinura (substantivo feminino poético): Languidez causada por uma introspecção acentuada. 

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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A Vingança

Sinopse: Uma morte por envenenamento é causada durante o banquete de Aborom e agora todos os convivas, em especial o Detetive, precisam descobrir quem é o assassino.

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A Vingança: Envenenamento 

Pupila-lua ao céu mui laranjim, 
Crepúsculo de lânguido calor,
Servido Funghi ao Creme-Galarim
E à mesa estão os convivas em horror; 

Alguém envenenara Dom Mortez!
Ninguém, este recinto, deixará!
E traga-os, da cozinha, de uma vez!

— Dissera — “O culpado expor-se-á!

A noite s'inclinava umedecida;
Que o réu revele agora o assassinato!
De súbito — as velas — distorcidas, 

A chama pontiaguda, o breu-regato
De mórbido ar regélido e terrível;
Anae Mortez: “Que olor tão putrescível!
O espírito sibila: “Vizir... rato...

~ ❦ ~ 

A Vingança: Verdades

Um rasgo em sua garganta. Anae, o fim...
Uníssono de assombro enlouquecido,
E Correm todos, gritos e motim,
Enquanto Nohn ofende o seu cupido;

O sangue em flúmen, ela apodrecendo...
Amava-te, mi'a Anae...” — Silêncio horrente,
O bravo detetive estremecendo...
Nohn, casa-te comigo...” — a voz pruriente;

Os olhos esgazeados, puro medo;
Anae aos braços dele: decomposta,
Sorrindo lhe revela um vil segredo:

Vindita aos imorais Mortez, exposta
Está toda a verdade no porão...

Mil corpos esfolados, que aflição!
O caldo especial da Sopa à Tosta.

~ ❦ ~ 

A Vingança: Descoberta

Nohn vira Anae pútrida e possuída,
A morta co'a verdade que confessa
Que a vil família, em peso, era homicida
E o cárcere, o porão… Nohn logo apressa:

Chamai-vos a polícia… que já basta…
Amá-la foi um erro, e eu sempre soube…
Seus olhos âmbar, doces, alma casta…
À mala, meu ser tolo, mui bem coube
”;

Cuidavam das perversas evidências,
Convivas abalados, decadentes…
Fantasma vingativo? Que ocorrência!” —

Dissera alguém p'ra outrem, pouco descrente,
Até que viram, pois, cadáver-Dinho
“Receita, Sopa à Tosta " em pergaminho.
Virara, o cozinheiro, o ingrediente.

~ ❦ ~ 

A Vingança: Razões

Querido Vizir Dinho, traga a janta!
— Dissera Luhna — “Há fome a me atingir!”;
Grã-mestre dos sabores! Anae, canta!
À mesa pôs-se o pão para cerzir;

Qoe santhis dorvirmor devatte ziinm
Cantara enquanto a sopa era servida,
Porém, no degustar, pleno festim,
Mortez, o Dom, presença requerida;

Estranha carta entregue, sugerindo
Que Dinho era um covarde traidor:
Mudara a grã-receita, confundindo.

Sabia!” — Vociferara o Dom, no agror.
Então desembainhada a adaga — Morte!
Vizir sangrara à sopa, pouca sorte,
Ó rato! Morra agora, opositor!”. 

~ ❦ ~ 

A Vingança: Receita (Final)

Colha alguma abóbora vistosa,
Marine ao sangue fresco d'um infante,
Prepare o moedor que, para a Tosta,
Precisa pó de ossos de gestante;

Cuidado para o ponto, ponha sal!
Na massa da torrada vai farinha;
À sopa: um limão, uma dorsal,
Tomates frescos, mel e pimentinha - 

Com alho, o creme-queijo, abundante,
Afogue a manjerona e as nove línguas
Enquanto ao forno as tostas. Fascinante! 

Polvilhe a seca tez, não tenha mínguas!
E sirva com liquor de olhos castanhos;
Os crânios de bebês têm bom tamanho,
São belas cumbuquinhas ou morínguas.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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A noite de todas as almas

Folhas secas, | Abóboras adornadas | Não é outono por aqui, | Mas não muda nada. | Os ventos que sopram | Me trazem lembranças de você…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Folhas secas,
Abóboras adornadas
Não é outono por aqui,
Mas não muda nada.

Os ventos que sopram
Me trazem lembranças de você
Sussurram segredos
Que me fazem temer.

A noite de todas as almas
É sempre muito mais iluminada
E isso porque
Todos nós amamos alguém
Que não se pode mais ver.

Alcanço as lápides frias
Não sinto seu cheiro
Se o véu entre os mundos se abriu
Por que não te vejo?

Doces ou travessuras?
Minha vida pela sua.
De que me adianta uma eternidade
Sem sua ternura?

Como oferenda aos Deuses distantes
Deixe meu retorcido coração
Pode não valer mais nada
Mas todo o amor que me restou,
É ele quem guarda.

Minha vida pela sua...
Apenas um vislumbre na penumbra
E eu finalmente
Poderia adormecer.

Doces ou travessuras?
O que está feito,
Não se anula.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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Abóboras e Confetes

É 31 | Todas as Bruxas e Vampiros | Passeiam livres por aí | Todos no Castelo irão se divertir…

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É 31
Todas as Bruxas e Vampiros
Passeiam livres por aí
Todos no Castelo irão se divertir.

É 31
Cuide de seu pescoço
Para não perder muito sangue
Não tropece em meu sapato
Para que não vire um lagarto.

As abóboras já foram enfileiradas
Ganham vida e iluminam a estrada.

Vem crianças,
Venham ler
O Castelo Aguarda você...

Seres sombrios de todos os lugares
Dando vidas a distintas realidades
Os confetes são para você
Que o escuro costuma temer.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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Déjà-vu em forma de haicai

Um haicai de Aryane Braun

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Sei que em outras vidas,
eu já te vi.
Quantas vezes, sob tua espada, pereci.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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O colecionador

Sou acumulador destas saudades | que fazem coleção dentro de mim… | Eu guardo todas co’a maior vontade, | e ao peso que elas dão não dou um fim…

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Sou acumulador destas saudades
que fazem coleção dentro de mim…
Eu guardo todas co’a maior vontade,
e ao peso que elas dão não dou um fim.

Algumas sem razão, de antiga idade,
não têm mais serventia e, outrossim,
compõem com as outras um destaque
que faz eu me orgulhar do meu jardim.

Usando de outras mais, de outras menos,
dão todas, de algum modo, o seu exemplo
às vezes, se alguém pede que as exiba…

É quando eu alivio o enorme peso
de nunca dividir o meu apreço
por coisas que ninguém pensa que exista…

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Contato

Buscando os lisos universitários | um passatempo que não muito exija, | retiram lá de cima do armário | um roto e velho tabuleiro ouija…

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Buscando os lisos universitários
um passatempo que não muito exija,
retiram lá de cima do armário
um roto e velho tabuleiro ouija…

Colocam, sem conter a estranheza,
em meio à roda de sentados corpos,
o alfabeto todo sobre a mesa,
e os dedos apoiados num só copo...

Momentos de silêncio… Inicia
a troca de olhares: quem faria
a corajosa, inaugural questão…?

o M é indicado… O e R…
depois o T… o E… não mais alegres,
Aos gritos, todos fogem da sessão!

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Coração de poeta

Essa massa purulenta | cuja dor e sofrimento | o meu peito, enquanto aguenta, | faz por ela um juramento, | tem por força de promessa…

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Essa massa purulenta
cuja dor e sofrimento
o meu peito, enquanto aguenta,
faz por ela um juramento,
tem por força de promessa
um sinal de que tem cura:
algo indica, mesmo infesta,
pois mais quero — e mais perfura.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Manequim

De bruços | amortalhado | escondo o rosto e | não rezo | há dias que me rendi | às horas | à persecução | desse uniforme humano…

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De bruços
amortalhado
escondo o rosto e
não rezo

há dias que me rendi
às horas
à persecução
desse uniforme humano

em sua pose
santificado
ele é quem me acorda
ele é quem me atesta 

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Déjà-vu

De soslaio | en passant | caminho retrátil da vida | a vida | sensorialmente | num piscar de olhos |desembarque brusco | ato que rende e assalta…

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De soslaio  
           en passant
caminho retrátil da vida 

a vida
           sensorialmente
num piscar de olhos

desembarque brusco
ato que rende e assalta
o trem cronológico dos fatos 
espécie de horror
ao lado

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Abram a porta

Trabalhar era meu refúgio. | Eu via pessoas e conversava. | Me distraia, | Sorria... | Mas o mundo parou, | Silenciou | E diante de tanto horror, | Se trancou…

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Trabalhar era meu refúgio.
Eu via pessoas e conversava.
Me distraia, 
Sorria...

Mas o mundo parou,
Silenciou
E diante de tanto horror,
Se trancou.

Mas o que eu faria
Ali sozinha,
Com o que mais temia:
A velha da minha tia.

Há tempos acamada,
Face que me aterrorizava
Voz cavernosa,
Chorosa e pegajosa.

Presa nesse pesadelo de vida,
Acompanhando pela Tv
Tantas vidas perdidas
Sem ao menos uma despedida.

Sem trabalhar,
Tendo que dela cuidar,
Lamentava ensandecida.

Enfim a epifania!
Uma vida moribunda
Pela minha,
Pela sua.

O Diabo deveria aceitar
Ficar com ela e nos salvar
Precisamos abrir as portas.

Tal qual não foi minha surpresa,
Quando no dia seguinte,
Sentada à mesa,
Minha tia estava a fumar?

Por um golpe do destino,
Seu fantasma agora era inquilino
Do que deveria ser meu lar.

O inferno estava lotado.
Não houve barganha,
Nenhum trato.

E até que o mundo padeça
Ou se recupere, não tenho certeza
Pode ser que eu enlouqueça
E esta vida passe a aceitar.

Enquanto isso não acontece
Ela está aqui a me torturar
Uma alma que, por muito tempo, esteve calada,
Agora me despeja toda sua raiva.

Sem ter para onde ir,
Esperando a porta abrir
Inalo fumaça de um fantasma.

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Colapso

A grama arde | O ar sufoca | O canto dos pássaros foi silenciado. | As árvores, | Antes, imponentes e frutíferas,…

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A grama arde
O ar sufoca
O canto dos pássaros foi silenciado.

As árvores,
Antes, imponentes e frutíferas,
Agora retorcidas, em agonia.

O mundo cai abaixo
As promessas já não mais importam
Tudo é cinza e triste.

O céu cai aos pedaços
Seus escombros cortam minha pele
É só questão de tempo para que eu colapse também.

Não há mais refúgio
Nem mesmo em minha própria mente
A dor me impede de pensar.

Promessas
Não salvaram inocentes
Tudo o que sei, é que nada sobrará.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Boneca de Ossos

Pálida e fria como porcelana | Sentia-me como uma boneca. | Os olhos, antes cerrados, | Agora conseguiam observar tudo ao redor…

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Pálida e fria como porcelana
Sentia-me como uma boneca.
Os olhos, antes cerrados,
Agora conseguiam observar tudo ao redor.

Vestes aprumadas
E um perfume que não disfarçava
Meu pútrido odor
Mas eu estava linda.

Meus amigos não sorriam
Mas minha alma se deleitava
Agora disposta,
Tal qual minhas bonecas na prateleira.

Me sentia leve,
O corpo já não pesava
Me divertia com as expressões amedrontadas
Ah, se eu pudesse...

A fotografia foi tirada
Uma última recordação
Antes que eu vire alimento para os vermes
A despedida vem chegando...

Começo sentir o vazio a me preencher
O calor de quem amo fica cada vez mais longe
Se minhas lágrimas ainda rolassem
Se minha boca ainda falasse..

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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