Lamúrias
Túmulos no meu jardim, | Pelo tempo, ornamentados. | Sinto a pedra áspera e fria | Abrigo dos que há muito Já se foram…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Túmulos no meu jardim,
Pelo tempo, ornamentados.
Sinto a pedra áspera e fria
Abrigo dos que há muito Já se foram.
O vento gélido me abraça,
Esvoaçam os tecidos que me vestem.
Posso ver além,
Mas não encontro minha própria lápide.
As lágrimas que insistem em cair,
Queimam minha face.
Tolos arrependimentos,
Que tocam minha carne profana.
Acomodo minha matéria
Em solo fértil e imaculado.
Mas murcham-se todas as flores,
Extingue-se toda a vida que me cerca.
Condenada a sentir
A solidão e dor eterna.
Espreito feito um bicho
Para alimentar minha natureza fétida.
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Caça
Acreditar demais no sonho tido, | Depositando nele as esperanças: | O mesmo que um disparo só de tiro | Na mira, co'arsenal de nossa herança...
Foto de Alex Perez
Acreditar demais no sonho tido,
Depositando nele as esperanças:
O mesmo que um disparo só de tiro
Na mira, co'arsenal de nossa herança...
Pensando em atingir um alvo crido
Estar à nossa espera — quando a lança
Que nós julgamos ter obedecido
Às próprias ordens quebra e nada alcança…
A meta, perseguida e alcançada,
Contato visual tendo com ela…
Talvez, nem sendo aquela imaginada;
Mostrando ser, no fim, uma quimera…
Um leque d'infinitas ilusões,
Rateio de quem fica, de quem passa…
Vontades e caminhos, opções:
A vida, em seu percurso, é uma caça.
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LXXIV
Na noite perpétua, onde as sombras doudejam | Os corvos ecoam em negra melodia | Sob o manto estrelado, a solidão reina | E o coração se perde na escuridão vazia…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Na noite perpétua, onde as sombras doudejam
Os corvos ecoam em negra melodia
Sob o manto estrelado, a solidão reina
E o coração se perde na escuridão vazia
Na morada dos lamentos, a aflição reina
Almas desalentadas buscam abrigo
Sob o manto da noite, a verdade se divide
Entre ruínas e brumas, o tempo perpassa
O testemunho do passado nas linhas dos epitáfios
No ressoar dos suspiros noite adentro
Num cenário de sonhos despedaçados.
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3 — A Revelação
Co’as pálpebras cerradas… eu mui sinto | “Evoque à tua memória em meninez | Ao leito d’uma morte…” — ouço e pressinto | “Brutal que preservei tua languidez…
Co’as pálpebras cerradas… eu mui sinto
“Evoque à tua memória em meninez
Ao leito d’uma morte…” — ouço e pressinto
“Brutal que preservei tua languidez
Co’ a espada envernizada pelo sangue
Daquele que feri-la pretendia.
Servil do inominável que te langue…
Ó, venha-me, conheça-me, que o dia
Emerge a sucumbir-me ao meu inferno…”
Entendo a dele essência e seu poder
Sentindo-o na minh’alma, sempiterno…
Meu corpo se enternece, a névoa a arder
Esvai, tudo se abranda, e a mão tão fria
Tocando-me no afago em poesia
Do amor de sombra e algia a me embeber.
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Sangue Espesso
Não há como gritar, | Quando se der conta | Será tarde demais. | Fria como um cadáver, | Ainda assim, | Muito mais viva do que você…
Criado para o Castelo Drácula com Midjourney
Não há como gritar,
Quando se der conta
Será tarde demais.
Fria como um cadáver,
Ainda assim,
Muito mais viva do que você.
Abaixe a cabeça da próxima vez,
O próximo pescoço
Pode ser o seu.
Sombria como a noite,
Misteriosa até perceber
Meus olhos já lacrimejaram,
Eu sei que o fez, por querer.
Implore,
Se ajoelhe,
Reze, se quiser.
Estou a caminho.
Tomarei de seu sangue espesso,
Genuíno.
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LXXVI
Na noite de sombras imprescritíveis | Onde os pesares ali regem | O vazio do tempo, a dor sem cura | Na alma perdida entre estrelas, a busca pela expiação de sua agonia…
Criado para o Castelo Drácula com Midjourney
Na noite de sombras imprescritíveis
Onde os pesares ali regem
O vazio do tempo, a dor sem cura
Na alma perdida entre estrelas, a busca pela expiação de sua agonia
Entre paredes de pedra, ecos do distante passado
O suspiro daqueles corações inocentes
Indo para além da solidão, o sutil encontro com a vil lâmina
Na angústia existencial, as lembranças de profunda aflição
No abismo do ser, o anseio pela absolvição dos pecados
O sentido da vida se esvai como a neblina na manhã
Após emergir a luz, se desfaz a escuridão dos teus pensamentos.
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4 — A Perturbação
Atento o meu olhar “Quem és, ó Dom” | Indago n’agonia em mim crescente“ | Herói que salva ou mal que ofende o ambom? | Por que me causas mágoa caulescente…
Atento o meu olhar “Quem és, ó Dom”
Indago n’agonia em mim crescente
“Herói que salva ou mal que ofende o ambom?
Por que me causas mágoa caulescente
Por tanto em meu servil contentamento?
Se juras proteção, do submundo,
Tu podes vir ao bem-de-sacramento?”
“Dilemas vãos…” responde “Do improfundo…”
Em grave voz d’um anjo excomungado,
Assim em sua ausência a que se deu
Tão logo no aurorar imaculado
Manchou-me do pecado sob o breu
Fartando-me de paz como jamais
E quanto m’impregna amar demais
Deixaste uma saudade em apogeu…
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VIII
Espectro insensível | Expressão da corrupção | A visão alucinada do coração | Desvela as minhas emoções…
Imagem criada pelo autor com IA
Espectro insensível
Expressão da corrupção
A visão alucinada do coração
Desvela as minhas emoções
A descoberta de minhas dores
Em meio a artimanhas
Da quimera do coração
A visão da Alva
Raiar da minha esperança
Sensação de tocar a salvação
Redenção para o pecador
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Sonnet d'Après la Mort
Além dos horizontes onde a vida se desvanece, | Onde sombra e luz se fundem num eco, | Minha alma se eleva, livre de todo fardo, | Em direção aos céus etéreos onde…
Imagem da Wev
Soneto do Após Morte
Além dos horizontes onde a vida se desvanece,
Onde sombra e luz se fundem num eco,
Minha alma se eleva, livre de todo fardo,
Em direção aos céus etéreos onde ninguém conhece o efêmero.
Neste reino imutável onde reina o infinito,
Eu silenciosamente descubro um novo universo,
Onde os sonhos eternos se tornam tochas,
E onde o amor divino continua a ser o nosso guia.
Eu então me curvo diante desta brisa suave,
O que leva meus pensamentos a outro dilema;
Da eternidade, que se sobrepõe ao tempo.
Deste mundo
Estou finalmente livre, pronto para transcender,
Na sagrada imensidão do além: No eterno!
Sonnet d'Après la Mort
Au-delà des horizons où la vie s'efface,
Où ombre et lumière se confondent en écho,
Mon âme se lève, libre de tout fardeau,
Vers les cieux éthérés où personne ne connaît l'éphémère.
Dans ce royaume immuable où règne l'infini,
Je découvre silencieusement un nouvel univers,
Où les rêves éternels deviennent des torches,
Et où l’amour divin continue d’être notre guide.
Je m'incline alors devant cette douce brise,
Ce qui amène mes pensées à un autre dilemme ;
De l'éternité, qui chevauche le temps.
De ce monde
Je suis enfin libre, prêt à transcender,
Dans l'immensité sacrée de l'au-delà : Dans l'éternel!
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VII
Nestas linhas, abjurações | Vagas promessas | Desapegos à vil existência | Conflituosas as emoções dentro do peito…
Imagem criada pelo autor com IA
Nestas linhas, abjurações
Vagas promessas
Desapegos à vil existência
Conflituosas as emoções dentro do peito
A frialdade de seu coração
Ante a amarga verdade
Da passagem do tempo
Efêmera mortalidade
Abreviado seu momento
Estilar sobre a lembrança
Num angustiante final
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Balada Vampiresca
Uma sombra a cavalo se movia | Sob as chuvas torrenciais de agosto, | Uma capa escura o protegia | Enquanto um chapéu ocultava seu rosto…
MidjourneyAI
“Despair has its own calms.”
— Drácula, Bram Stoker
Uma sombra a cavalo se movia
Sob as chuvas torrenciais de agosto,
Uma capa escura o protegia
Enquanto um chapéu ocultava seu rosto.
Aquela silhueta de animal e cavaleiro
Negrume cobria a forma por inteiro;
A luz dos raios azuis o guiava,
Trovões ecoavam como chamados,
Na escuridão estes clangores ressoavam.
A parede branca de uma casa avistara
Com a pouca luz que ainda perdurava
Do cair da tarde com as nuvens escuras.
Pelo caminho enlameado, as pedras duras,
E a casa ainda ao longe se encontrava.
Se havia hora de chegar, já passara o tempo,
Pra quê se apressar? Anteciparia o lamento
Ou então era um equívoco, mas só tinha uma maneira
Para saber qual o destino: passar pela soleira.
Atingiu já bem tarde a construção abandonada
No horário que vira a data, hora malfalada,
Quando acontecem as coisas pavorosas,
Ainda mais nestas sinistras noites chuvosas.
E, no volume de uma nova enxurrada,
A água pingava daquela capa encharcada,
O mato tomava algumas paredes caídas,
Um muro se estendia adiante das vigas,
O casarão imponente da época colonial,
Uma casa grande há muito esquecida
Afogada nos novos tempos e no temporal.
Era certeza de ali haver nenhum vivente,
Nisso nenhuma alma esteve impelida,
A certeza não era uma sensação querida,
As ruínas ocultavam algum ar comovente
Cercadas de mato, espinhos e árvores mortas;
À frente um grande portão de ferragens tortas
Subia entre as pedras, um caminho desgastado,
Um túmulo, então, surdo de um esplendor sepultado
Trazia, na decadência, a escuridão conservada
Como as grutas sinistras na beira da estrada.
Assim, desceu da sela, frente à entrada,
Desembainhou uma lâmina, revelou seu fio,
Checou a extensão do corte e a escada subiu,
Não há o que duvidar, era prata, por certo,
Reluzia e fulgurava aquela língua triangular
Contrastando a extrema escuridão do lugar.
Foi entrando prudente no salão deserto,
A adaga à frente e a garrucha por perto,
Foi penetrando na ameaçadora escuridão
Procurando um aposento naqueles destroços,
O escuro e o medo causaram um tremor;
Ele não percebeu, mas pisava em ossos
Enquanto caminhava pelo corredor.
Viu uma claridade e uma porta aberta
E um mal pressentimento o desperta,
Adentrou o cômodo na procura ávida,
E uma mulher morta estava ali deitada,
O corpo estendido e a pele pálida.
Reconheceu a feição no rosto da amada...
O breve luto deu lugar ao desespero,
Pudesse ter passado por tal desterro
Em perder quem mais amou,
Mas o amor não vai tão cedo
Mesmo apesar do pavor e do medo.
A lágrima cadente, o sangue não compensou...
Se por sangue, derramado em vão,
Exigido frente à face da morte,
Mais exigente é, então, o perdão
E mais violento que o preciso corte.
Este outro sangue, a fúria incendeia,
Efervescido, corre o furor nas veias,
Chora como a chuva lá fora...
Torrencial desespero que vela a sepultura,
Seu olhar vermelho apavora;
Para esta perda não há nenhuma cura,
Mas, eis que o inesperado acontece!
Abre os olhos a mulher que está deitada,
Mas, tem algo de errado, olhando parece
Que ela jamais esteve acordada;
Não se move como a um corpo convém
E, mesmo serena, seu olho é vermelho também;
Se ergue do leito contrariando a Osíris
E o vermelho nos olhos está nas suas íris;
Estalam-se estes olhos como se ofuscados,
Mas, no escuro, sem luz para serem incomodados,
Vagarosamente ela começa a acordar
De um modo desconjuntado, sem calor interno,
Seus movimentos são como o espreguiçar
Só que de quem acorda no inferno,
Ele, que chora por ela derramando lágrimas,
Não sabe a que prece ou atitude recorrer,
Mas não são lágrimas que ela deseja ter...
Impediu seus avanços nas últimas lástimas,
A força de um animal toma o corpo feminino,
Retorce seus membros sem nenhuma dor causar
Como um tenebroso desenho do império bizantino.
O rosto inocente já não é mais familiar,
Transfigurava a face e a musculatura
E de uma bela mulher tornou-se horrenda criatura,
Não há espaço para dúvida, era a maldição otomana,
A vê-la assim, preferiria vê-la sob as chamas,
Era algo terrível que ele não poderia suportar,
Os horrores que aquele olhar voraz revela
Toma seu corpo nos braços, naquele relutar,
A ponta da adaga mirada no peito dela.
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Dama Sonura
Ouviu Dama Sonura a lacrimar | Com alma e solidão, preces soturnas, | Ao sopro d’um abismo à chuva-lar | Que dela faz as letras tão noturnas;…
Däm sor, Däm Sonurae nar om perpétuos
Ouviu Dama Sonura a lacrimar
Com alma e solidão, preces soturnas,
Ao sopro d’um abismo à chuva-lar
Que dela faz as letras tão noturnas;
Amou n’um triste ínfimo a nobreza,
Cortês, em sombra e névoa, desejoso
Versou quaisquer palavras, afoiteza,
Causou um estranhamento cauteloso;
— Há nada de tão belo, assim parece —
Expôs quando uma ausência s’engendrou
— Do simples-compreensível te carece…
— Eu, Mundo, tenho pouco — se exautou
— Do tempo p’ra tolices eloquentes… —
A Dama em sua Sonura complacente
Perpétuo amor ao fósmeo então jurou.
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Violenta
Qual luz de um céu distante, inalcançável, | Sonhando formas de abraçá-la um dia… | A essa altura os pensamentos vagam...
MidjourneyAI
Qual luz de um céu distante, inalcançável,
Sonhando formas de abraçá-la um dia…
A essa altura os pensamentos vagam
Envoltos pelo azul-melancolia…
A raiva a qual se chega, malfadados
Os planos dessa antiga travessia,
Resultam veios sobrecarregados
De cor vermelho-sangue-rebeldia…
Vestígios do querer cicatrizados…
Agora em só lembranças transformados:
A fúria-melancólica por dentro…
Sinal daquele orgulho, reprimido…
Contudo, irá viver, subsistindo
Na púrpura-heráldica do peito…
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Púrpura
Pálida, | Sua tez de porcelana | Alva e fria. | Desprovida de um coração pulsante | Ainda és bela | E graciosa como a morte…
MidjourneyAI
Pálida,
Sua tez de porcelana
Alva e fria.
Desprovida de um coração pulsante
Ainda és bela
E graciosa como a morte.
Seu olhar intruso
Penetra meu âmago
Desperta a concupiscência.
Minha criança,
Suas vestes púrpuras
São delicadas
E remetem à inocência de seu ser,
Mas ainda sim são tão escuras
Quanto a alma que pensas ainda ter.
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Queixas
Preso aos limites de um castelo antigo, hoje me encontro, mas não era assim quando eu andava só floresta adentro a matar infiéis…
MidjouneyAI
Preso aos limites de um castelo antigo,
hoje me encontro, mas não era assim
quando eu andava só floresta adentro
a matar infiéis, queimar as bruxas,
sendo um leal e bravo cavaleiro
do qual a Santa Igreja se orgulhava.
Contra o conde lutei pelo meu Cristo,
desembainhei inutilmente a espada
a fim de que varresse o mal do mundo,
mas sucumbi à luta de joelhos:
fui empalado e logo incinerado;
as cinzas despejadas sobre a lama
que cerca este castelo tenebroso.
Não tive quem por mim rezasse um terço,
somente uma sentença, a dura praga
que proferiu o conde aquele dia:
“Sofrerás, vil guerreiro, todo o peso
da eternidade como maldição.
Verás, como eu, em vão passar o tempo
e sem esta matéria que nos gela
aqui me servirás eternamente:
teu fim será louvar-me em tuas queixas,
preso aos limites deste meu castelo.”
Vivo então, invisível, a ecoar
a dor que resultou desta peleja
e que estes altos muros silenciam.
Vejo passar então os viajantes
e os hóspedes que insones cá pernoitam
a fim de conhecer aquele crápula.
Invisível, os vejo passo a passo
adentrar aos portões com um olhar
curioso e, ao mesmo tempo, fascinado.
Olhai, mas vede e não vos enganeis!
A mão de Deus, ilustres visitantes,
não pousará neste lugar maldito.
Não há como sentir-se aqui seguro
sob as nuvens cinzentas de um castelo
que nunca viu a luz do sol brilhar,
que nunca viu a cor azul do céu.
Na melhor das hipóteses, tereis,
daquele desalmado anfitrião,
a chance rara de voltar pra casa
para que lhe pinteis alguma fama.
Quanto a mim — pobre ser fantasmagórico —
terei, como ele, a triste maldição
de assim viver por incontáveis anos
arrastando-me às sombras do passado,
preso aos limites deste seu castelo.
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Fim
A morte-rubi me espreitando | E o choro adornado de medos, | Escuro-carmim sufocando... | Dois olhos me incitam segredos...
A morte-rubi me espreitando
E o choro adornado de medos,
Escuro-carmim sufocando...
Dois olhos me incitam segredos...
Atrai-me, tão ébria e em silêncio
Avisto o contorno viril...
Estou à tua sede — Ó! Quão sêncil!
Fadada, cativa e febril...
Vampiro-demônio, mistério...
Fendendo tu estás o meu peito,
Tal órgão vital, sempre estéril,
Retiras do torso, e eu me deito...
Agora tua fronte é tão lúcida
E a lápide faz-me translúcida...
O Exício mordaz diz meu nome...
Minh’alma, tu vens, e consome...
Tão lânguida... aqui... m’esvaneço,
Adeus grande amor, adormeço
À sete mil palmos, amém.
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História de anciões, cantigas, lendas: | Terreno por selvagens percorrido; | Avesso a humanas leis, segundo a crença, | Lugar de estranhas vias, sons, gemidos…
Wildbad Gastein in the evening (Anton Romako)
História de anciões, cantigas, lendas:
Terreno por selvagens percorrido;
Avesso a humanas leis, segundo a crença,
Lugar de estranhas vias, sons, gemidos.
Escuso paradeiro de oferendas,
A fim de agraciar deuses antigos.
Ladino bosque, infligidor de penas
A qualquer invasor desconhecido.
Se fato ou mitológico… mistério;
Circundam seus limites tranca e ferro,
De apoio à segurança dos portões;
Defesa ante ameaças, o estrangeiro
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Lar de Lua
A morte é uma incógnita | Nessa vida tediosa | Procuro algumas fórmulas | De transformar em arte póstuma….
MidjourneyAI
A morte é uma incógnita
Nessa vida tediosa
Procuro algumas fórmulas
De transformar em arte póstuma.
Meu lar é uma bagunça…
Na lua encontro uma ternura,
Que nessa calmaria,
Falar de morte é aprazia.
Humanos tolos que não enxergam
Procuram consolo naquilo que os cercam.
Na leveza de um belo olhar.
Eles só enxergam o que os faz matar.
Matam os sentimentos
Sempre violentos
Avarentos humanos
Que sóbrios são insanos.
Tolice minha falar destas criaturas
Que quando em vida eu estive
Me embevecia em lamúrias.
Agora nesta lúgubre imortalidade.
Falar de morte é só maldade.
De um coração que não pulsa,
Me limito à loucura.
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Noturno
À noite, sob a lua e as estrelas, | Levado por vontades langorosas, | Percorro o céu e chego, a fim de vê-la…
MidjourneyAI
À noite, sob a lua e as estrelas,
Levado por vontades langorosas,
Percorro o céu e chego, a fim de vê-la
Dormindo — pois já tarde estando as horas…
Depondo as mãos suaves pela beira
Da cama, eu aproximo-me das cordas
Formadas pelas salientes veias
Que vejo sobre a pele que ela mostra…
Detenho-me a olhar por um minuto:
Seu rosto imperturbável… impoluto,
Angélico parece, de maneira
Que ao tocar de leve nos cabelos,
Desisto de manchá-la com meus dedos,
Com medo de acordar e, assim, perdê-la…
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Vigília
A noite não traz paz, não traz sossego, | O que refúgio foi não mais consola… | O lar virou covil do desespero …
MidjourneyAI
A noite não traz paz, não traz sossego,
O que refúgio foi não mais consola…
O lar virou covil do desespero —
Sabendo a fuga disso estar lá fora…
Usar inutilmente um travesseiro,
Enquanto o que, de fato, me conforta
Apenas é o repouso que prevejo
No lado exterior de minha porta…
Insone, até parece que’u escuto
Os passos de quem chega no escuro…
Dizendo rente à minha cabeceira
Aquelas mais incômodas palavras:
“É tempo o que tu perdes e perderas…
É tarde pra colher da tua lavra…”
Profundo o breu da noite espreita o sono, | O medo finca a horrenda sensação: | Há nada além de mórbido abandono | E Deus é vurmo pútrido no chão...