Colapso
A grama arde | O ar sufoca | O canto dos pássaros foi silenciado. | As árvores, | Antes, imponentes e frutíferas,…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
A grama arde
O ar sufoca
O canto dos pássaros foi silenciado.
As árvores,
Antes, imponentes e frutíferas,
Agora retorcidas, em agonia.
O mundo cai abaixo
As promessas já não mais importam
Tudo é cinza e triste.
O céu cai aos pedaços
Seus escombros cortam minha pele
É só questão de tempo para que eu colapse também.
Não há mais refúgio
Nem mesmo em minha própria mente
A dor me impede de pensar.
Promessas
Não salvaram inocentes
Tudo o que sei, é que nada sobrará.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Ana Kelly, natural de São Paulo (SP), é poeta, escritora, contista e artesã, sócia-proprietária da loja de acessórios e artigos alternativos, Ivory Fairy. Tem poemas e contos publicados como co-autora em diferentes antologias. No ano de 2009 recebeu o prêmio de 1º lugar, em um concurso de poesias do tema “Natureza”, do Projeto Chance, no Centro de Educação Unificado ( CEU ) em Paraisópolis. Organizadora da segunda Semana Literária Digital de 2023…
Leia mais em “Poesias”:
Meu fim há de chegar
Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento. Sinto que é a minha última noite... eu sei que é. Do lado de fora, todos estavam desaparecendo, levados por uma figura luminosa ou uma luz destruidora. Isso me atraía; não havia esperança para mim, o fim era iminente. Eu sentia o medo rastejar em minhas veias, entorpecendo-me e pressionando meu coração, e ainda assim, em algum lugar dentro de mim, havia algo que acolhia esse fim.
Eu tinha sido uma pessoa cercada de expectativas — um emprego estável, uma vida bem-sucedida, metas que nunca saberei se poderei alcançar — naquela sociedade que esmagava minha alma. Agora tudo é irrelevante; o fim está próximo, sem pressão nem o medo de fracassar. Logo o meu fim há de chegar. Senti um arrepio atravessar meu corpo sem nenhum motivo: era a hora.
Fui para a rua. Parte de mim queria gritar, correr, fazer algo normal, mas o cansaço me paralisava; o alívio do fim me fez permanecer. Senti lágrimas escorrerem, mas não de tristeza: era libertação. Tudo que me aprisionava estava caindo junto com meu mundo; não haveria amanhã para mim. Finalmente, a liberdade. O medo visceral de perder tudo ainda persistia, mas não havia mais nada a perder, nada mais a fazer. Era o fim de tudo, o fim das minhas obrigações.
Olhei para o céu, e a luz lentamente descia, vindo em meu socorro, talvez como danação ou salvação. O medo finalmente cedeu, e o alívio me envolveu. Não haveria mais amanhãs para se preocupar, nem fardos para carregar, nenhum espelho para refletir o que eu não poderia ser. Sem decepções e, pela primeira vez, eu senti a paz.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Valesca nasceu no Rio de Janeiro (RJ), cursa Ciências Biológicas, encontra-se no último período. Tem paixão por ciências, subcultura gótica, livros, seres sobrenaturais, ficção científica, cemitérios, igrejas e morcegos, ela também é voluntária em um projeto de divulgação científica chamado "Morcegos na Praça". Escrevia com frequência, mas afastou-se da prática ao ingressar na faculdade. No entanto, durante a pandemia, retomou a escrita como meio de…
Leia mais em “Prosas Poéticas”:
Alimária
Padres, trabalhadores, | médicos, cantores, | poetas, trovadores... | Ninguém os quis ouvir! | Lençóis negros são estendidos…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Padres, trabalhadores,
médicos, cantores,
poetas, trovadores...
Ninguém os quis ouvir!
Lençóis negros são estendidos
pelas ruas cinzentas.
Flores inexistentes
em túmulos indigentes.
A foice da caveira horrenda
contaminou os ares:
uma criança leva uma flor,
mas não lhe sobrou nada,
nem tempo para cheirá-la.
Bombas e tiros vomitados.
A mãe tenta ninar seu bebê.
Gritos de dor suprema.
Fome.
Dor.
Placenta.
Simplesmente não importa.
Se eu te pago amanhã,
você aí de perna morta.
Filhos morrem,
os pais, os assassinos.
Mercados vazios,
ele matou o próprio vizinho.
O primeiro item que acabou
foi o rolo higiênico,
meu senhor!
O que causou tudo isso...
Ah sim!
Ah foi!
A falta, a seca
de amor...
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Aryane Braun é curitibana por nascimento, amor e dor. Formou-se em Letras pela UFPR e possui duas graduações na área da educação. Atualmente, trabalha em uma biblioteca de um colégio público em Curitiba e adora o que faz, pois ama o ambiente que os locais de ensino proporcionam. Afinal, que lugar melhor para trabalhar do que uma biblioteca para alguém que sempre gostou de literatura, antes mesmo de compreender o que ela representa em seu intelecto?…
Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”
Ando pelo único caminho que se atravessa na neblina cinza. Preciso chegar; devo estar atrasado. Inóspito. Inseguro. Lanço dúzias de preces e continuo…
A cama estava sem o lençol. O espelho estava quebrado. Na cômoda havia poucos pertences: apenas um hábito limpo, algumas roupas íntimas…
Mmoggun era um artesão que vivia em um vilarejo isolado, onde sua arte de esculpir máscaras era vista como uma habilidade quase mística…
Certa vez, na quinta série, adaptamos a brincadeira do copo para uma folha de papel. Nessa folha, escrevíamos o alfabeto no topo e as palavras…
Falos. Colecionava-os, de todos os tipos e tamanhos. Os primeiros, comprara em sex shops. Depois que se tornara médica legista, ficou mais…
O relógio batia nove horas, e José, diferente dos jovens de sua idade, preferia estar em seu quarto, testando algum software novo, descobrindo…
Na minha maldição de viver muitas vidas, ainda tenho a vã esperança de encontrar, além dela, todas as minhas almas amigas…
Sou acumulador destas saudades | que fazem coleção dentro de mim… | Eu guardo todas co’a maior vontade, | e ao peso que elas dão não dou um fim…
Entrevistador: Qual era sua relação com a vítima? | Amigo da vítima: Nos criamos juntos. Amigos de rua, de infância…
Buscando os lisos universitários | um passatempo que não muito exija, | retiram lá de cima do armário | um roto e velho tabuleiro ouija…
Essa massa purulenta | cuja dor e sofrimento | o meu peito, enquanto aguenta, | faz por ela um juramento, | tem por força de promessa…
Tudo começou com uma reminiscência. Caminhando pela rua, por alguma calçada que serviu de gatilho, voltei vinte anos atrás…
De bruços | amortalhado | escondo o rosto e | não rezo | há dias que me rendi | às horas | à persecução | desse uniforme humano…
De soslaio | en passant | caminho retrátil da vida | a vida | sensorialmente | num piscar de olhos |desembarque brusco | ato que rende e assalta…
— Alertei para ele não ir até lá... — disse Marcos, equilibrando seu corpo inebriado na banqueta, os cotovelos apoiados na bancada de madeira…
— Cara, acho que não está dando certo — falou Fabrício, observando o copo imóvel no centro da tábua. — Pois é. Não se mexe. Talvez devêssemos…
Tenho que acordar todos os dias às 7h da manhã. Mas levantar cedo nunca foi meu forte. Para que eu consiga, de fato, despertar até o horário…
Trabalhar era meu refúgio. | Eu via pessoas e conversava. | Me distraia, | Sorria... | Mas o mundo parou, | Silenciou | E diante de tanto horror, | Se trancou…
A grama arde | O ar sufoca | O canto dos pássaros foi silenciado. | As árvores, | Antes, imponentes e frutíferas,…
Pálida e fria como porcelana | Sentia-me como uma boneca. | Os olhos, antes cerrados, | Agora conseguiam observar tudo ao redor…
No canto ali do quarto| No escuro | Sentada e descalça, no chão frio | Observo as sombras que ninguém mais vê…
Quando o lockdown começou, muitos falavam sobre o fim dos tempos; como negar isso? Eu via apenas o nada lá fora, apenas fragmentos de uma…
Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento…
Na cidade pulsante de Nova Arcadia, onde o neon iluminava…
No coração de um lixão vasto e sombrio, onde o sol raramente penetrava a nuvem de lixo e decadência, vivia uma criança chamada Leo. Seu pai, um homem…
Ramalho era um homem praticamente invisível, não no sentido literal da palavra, mas na forma como ele caminhava pelo mundo sem chamar…
Samuel sempre foi um entusiasta da tecnologia. Desde pequeno, ele tinha um fascínio por tudo que conectava humanos…
Tia-avó Antônia era considerada "a tia legal”; adorava crianças, animais, coisas estranhas. Morou por muito tempo com a tia Vitória, irmã mais velha…
Ekatomb Quetzalcoatl
Uma criatura antropomórfica, corpo de águia e cabeça de serpente-dragão. Essa criatura possui uma mescla de escamas e penas, sempre…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Uma criatura antropomórfica, corpo de águia e cabeça de serpente-dragão. Essa criatura possui uma mescla de escamas e penas, sempre alternando entre as colorações anil-gelo, vermelho-sangue e laranja-dourado. Sua enorme mandíbula possui inúmeros e afiadíssimos dentes pequenos, uma serpente emplumada, um réptil voador, um construtor de fronteiras, o verdadeiro transgressor entre o céu e a terra.
Estava prostrada em uma praia, onde a areia bioluminescente de cristais dourados e prateados inundava toda a extensão de terra. A água, os mares e as ondas estavam infestados de incontáveis seres que pulsavam uma bioluminescência safírica, também em grande número, águas-vivas e vaga-lumes d’água, pulsando uma cerúlea-esmeraldina luz brilhante.
Neste cenário, essa entidade, posta sobre suas duas patas, admirava o horizonte, as sagradas ondas do mar, que eram seu portal para viajar entre eras e dimensões.
Ali, na península de Yucatán, naquela praia, reside a Pirâmide de Kukulcán, vosso lar da criatura. Seu prisma marca os céus com um feixe vertical de uma sagrada luz dourada que rasga as estrelas. "Eu sou Gucmatz!" ruge a criatura, e as ondas são pulverizadas...
O sol de coloração azul-safira pulsa e se expande no horizonte, engolindo tudo com sua glória ao seu nascimento vertical, banhando Gucmatz em seu esplendor.
Havia ali, submersa no mar, uma esplendorosa e titânica árvore com um brilho esmeralda tão intenso que cegava os panteões.
Até os cosmos mais longínquos. Esta árvore emanava vida, um eco estrondoso de brilho, caos e pureza, a verdadeira voz da criação, das concepções etéricas da vida, com um vasto ardor e uma fumaça esverdeada por toda a península.
Um portal se abre dentro de uma folha pendurada em um dos galhos da árvore. Cada galho, cada folha, é uma dimensão, uma realidade, uma era. A criatura deseja ir a cada uma delas quando cocriará um novo apocalipse: um início, uma regressão, uma purificação, a verdadeira Revelação. A criatura expande as asas, e todos os seus penachos se alongam. Ela serpenteia pela fechadura, uma fenda interestelar que adentra, caminhando lentamente, flutuando e mergulhando naquele instante ecoante, como uma fumaça espiritual que transcende do etérico para a densificação da carne. Ela adentra uma dimensão, uma era onde um escolhido será o receptáculo da mensagem do crepúsculo dos deuses e de vossos destinos fatais.
Entidade Mater da Cromodinâmica Quântica.
Buscai o receptáculo da Liberdade Assintótica.
"...A teoria das cordas é uma estrutura teórica na qual as partículas pontuais da física de partículas são substituídas por objetos unidimensionais chamados cordas. A teoria das cordas descreve como essas cordas se propagam pelo espaço e interagem umas com as outras. Em escalas de distância maiores que a escala da corda, uma corda se parece com uma partícula comum, com sua massa, carga e outras propriedades determinadas pelo estado vibracional da corda. Na teoria das cordas, um dos muitos estados vibracionais da corda corresponde ao gráviton, uma partícula quântica que carrega a força gravitacional. Portanto, a teoria das cordas é uma teoria da gravidade quântica..."
Por 11 dimensões ela vaga...
Em todas elas existe um início e um exílio.
O milagre orgânico da manifestação e o colapso da degradação existencial material da desconstrução de tudo que existe.
De tudo que É, de tudo que pulsa átomos até a desmaterialização, ao ponto de desdobramento aos outros planos e incontáveis camadas de questionamento e identidade. Até onde este devoramento do apocalipse alcança? No processo da espuma quântica, vista como uma conexão entre duas D-branas, onde as bocas estão ligadas às branas e são conectadas por um tubo de fluxo, na pintura da Teoria-M, determina-se que a matéria é formada por membranas e que o universo flui através de 11 dimensões: o tempo, a altura, a largura, o comprimento e mais sete dimensões “recurvadas”, com outras propriedades.
Gucmatz se alimenta de buracos brancos e os expele, vagando pelo multiverso de eventos, a criadora e a devoradora.
A antítese da vida, da anti-matéria prima, a condutora da Revelação. Ela chega ao Planeta Terra em três períodos diferentes da história para ocultar sua missão e transgredir as lições suprimidas pelo egocentrismo pífio da humanidade.
Em sua biodeslocação atemporal, ela auxilia a evolução e a revelação, sempre em busca de transmutação e cura da loucura.
Nos tempos atuais, ela se transmuta em uma máscara pagã de madeira, e aquele que a possuir encontrará sua Revelação interna: ou sucumbirá, ou será o senhor de seu novo admirável mundo.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Você está lendo um texto de um Autor Visitante do Castelo Drácula. Algumas edições do projeto podem permitir que autores visitantes escrevam e participem sem que seja preciso que tenham contrato assinado com o Castelo Drácula. Autores visitante não têm perfis fixos. Ao abrirmos nossos terríficos umbrais para visitantes, esperamos que eles possam vivenciar um pouco do trabalho editorial e da profunda dedicação da equipe do Castelo Drácula.
Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”
Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…
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De bruços | amortalhado | escondo o rosto e | não rezo | há dias que me rendi | às horas | à persecução | desse uniforme humano…
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Tenho que acordar todos os dias às 7h da manhã. Mas levantar cedo nunca foi meu forte. Para que eu consiga, de fato, despertar até o horário…
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Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento…
Na cidade pulsante de Nova Arcadia, onde o neon iluminava…
No coração de um lixão vasto e sombrio, onde o sol raramente penetrava a nuvem de lixo e decadência, vivia uma criança chamada Leo. Seu pai, um homem…
Ramalho era um homem praticamente invisível, não no sentido literal da palavra, mas na forma como ele caminhava pelo mundo sem chamar…
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Tia-avó Antônia era considerada "a tia legal”; adorava crianças, animais, coisas estranhas. Morou por muito tempo com a tia Vitória, irmã mais velha…
Guerra
O Fim — a consequência imediata, | arauto de conversas seculares; | cometa de mil pernas que nos chega | no meio de um sábado, em notícias…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
O Fim — a consequência imediata,
arauto de conversas seculares;
cometa de mil pernas que nos chega
no meio de um sábado, em notícias.
Matéria que desaba em uma escola,
sem tempo de prever algum estudo.
Bandeiras cadavéricas, uníssonas,
brandindo um grande livro em suas pontas.
A farda cuja mãe, horrorizada,
assume o rito fúnebre da espera,
tecendo a imagem última, que lembra…
O Fim, essa metálica harmonia
de sons que se preparam em silêncio,
enquanto ainda sonham as crianças…
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Leia mais em “Desafio Sombrio 2024”
Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…
Ando pelo único caminho que se atravessa na neblina cinza. Preciso chegar; devo estar atrasado. Inóspito. Inseguro. Lanço dúzias de preces e continuo…
A cama estava sem o lençol. O espelho estava quebrado. Na cômoda havia poucos pertences: apenas um hábito limpo, algumas roupas íntimas…
Mmoggun era um artesão que vivia em um vilarejo isolado, onde sua arte de esculpir máscaras era vista como uma habilidade quase mística…
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Falos. Colecionava-os, de todos os tipos e tamanhos. Os primeiros, comprara em sex shops. Depois que se tornara médica legista, ficou mais…
O relógio batia nove horas, e José, diferente dos jovens de sua idade, preferia estar em seu quarto, testando algum software novo, descobrindo…
Na minha maldição de viver muitas vidas, ainda tenho a vã esperança de encontrar, além dela, todas as minhas almas amigas…
Sou acumulador destas saudades | que fazem coleção dentro de mim… | Eu guardo todas co’a maior vontade, | e ao peso que elas dão não dou um fim…
Entrevistador: Qual era sua relação com a vítima? | Amigo da vítima: Nos criamos juntos. Amigos de rua, de infância…
Buscando os lisos universitários | um passatempo que não muito exija, | retiram lá de cima do armário | um roto e velho tabuleiro ouija…
Essa massa purulenta | cuja dor e sofrimento | o meu peito, enquanto aguenta, | faz por ela um juramento, | tem por força de promessa…
Tudo começou com uma reminiscência. Caminhando pela rua, por alguma calçada que serviu de gatilho, voltei vinte anos atrás…
De bruços | amortalhado | escondo o rosto e | não rezo | há dias que me rendi | às horas | à persecução | desse uniforme humano…
De soslaio | en passant | caminho retrátil da vida | a vida | sensorialmente | num piscar de olhos |desembarque brusco | ato que rende e assalta…
— Alertei para ele não ir até lá... — disse Marcos, equilibrando seu corpo inebriado na banqueta, os cotovelos apoiados na bancada de madeira…
— Cara, acho que não está dando certo — falou Fabrício, observando o copo imóvel no centro da tábua. — Pois é. Não se mexe. Talvez devêssemos…
Tenho que acordar todos os dias às 7h da manhã. Mas levantar cedo nunca foi meu forte. Para que eu consiga, de fato, despertar até o horário…
Trabalhar era meu refúgio. | Eu via pessoas e conversava. | Me distraia, | Sorria... | Mas o mundo parou, | Silenciou | E diante de tanto horror, | Se trancou…
A grama arde | O ar sufoca | O canto dos pássaros foi silenciado. | As árvores, | Antes, imponentes e frutíferas,…
Pálida e fria como porcelana | Sentia-me como uma boneca. | Os olhos, antes cerrados, | Agora conseguiam observar tudo ao redor…
No canto ali do quarto| No escuro | Sentada e descalça, no chão frio | Observo as sombras que ninguém mais vê…
Quando o lockdown começou, muitos falavam sobre o fim dos tempos; como negar isso? Eu via apenas o nada lá fora, apenas fragmentos de uma…
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No coração de um lixão vasto e sombrio, onde o sol raramente penetrava a nuvem de lixo e decadência, vivia uma criança chamada Leo. Seu pai, um homem…
Ramalho era um homem praticamente invisível, não no sentido literal da palavra, mas na forma como ele caminhava pelo mundo sem chamar…
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Tia-avó Antônia era considerada "a tia legal”; adorava crianças, animais, coisas estranhas. Morou por muito tempo com a tia Vitória, irmã mais velha…
Último Lamento
A lua, já cansada, desce no horizonte, | O sol, sangrando, rompe o véu da noite, | E a terra, em seu último lamento, suspira, | Enquanto a realidade se…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
A lua, já cansada, desce no horizonte,
O sol, sangrando, rompe o véu da noite,
E a terra, em seu último lamento, suspira,
Enquanto a realidade se dissolve num açoite.
As cidades se terminam em meio ao pó,
Edifícios se tornam apenas memórias,
Mas há um certo encanto nas ruínas,
Uma calmaria que conta velhas histórias.
O vento canta para os últimos dias
Um hino que ecoa por todos os locais vazios,
E a cada nota suave, lembra uma verdade
A vida é bela, mesmo nos abismos sombrios.
Rios furiosos agora são como espelhos,
Refletindo o céu sem cor, tão sereno,
E flores insistem em nascer na terra árida,
Mostrando que o fim é um início mais ameno.
Os corvos traçam linhas no céu,
Pintando com suas asas negras e calmas,
Há uma beleza nesse último suspiro,
Na morte que vem calmamente buscar almas,
E quando a última centelha se apagar,
Quando o mundo for uma sombra esquecida,
Haverá uma certa paz no eterno silêncio,
Um estranho encanto em nossa despedida.
Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo
Residente de Dom Pedrito/RS, Cláudio Borba formou-se em Contabilidade e escreve contos de terror e poemas geralmente melancólicos. Ele faz parte de diversas antologias de contos e poéticas de diversas editoras. E atualmente trabalha para lançar seus livros de contos e poemas. Cláudio se inspira em Stephen King e Clive Barker em seus contos, e é um grande fã de Bukowski. A escrita do autor é direta, rápida e de fácil leitura. Escreve escutando metal,…
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Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…
Ando pelo único caminho que se atravessa na neblina cinza. Preciso chegar; devo estar atrasado. Inóspito. Inseguro. Lanço dúzias de preces e continuo…
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Falos. Colecionava-os, de todos os tipos e tamanhos. Os primeiros, comprara em sex shops. Depois que se tornara médica legista, ficou mais…
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Na minha maldição de viver muitas vidas, ainda tenho a vã esperança de encontrar, além dela, todas as minhas almas amigas…
Sou acumulador destas saudades | que fazem coleção dentro de mim… | Eu guardo todas co’a maior vontade, | e ao peso que elas dão não dou um fim…
Entrevistador: Qual era sua relação com a vítima? | Amigo da vítima: Nos criamos juntos. Amigos de rua, de infância…
Buscando os lisos universitários | um passatempo que não muito exija, | retiram lá de cima do armário | um roto e velho tabuleiro ouija…
Essa massa purulenta | cuja dor e sofrimento | o meu peito, enquanto aguenta, | faz por ela um juramento, | tem por força de promessa…
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De bruços | amortalhado | escondo o rosto e | não rezo | há dias que me rendi | às horas | à persecução | desse uniforme humano…
De soslaio | en passant | caminho retrátil da vida | a vida | sensorialmente | num piscar de olhos |desembarque brusco | ato que rende e assalta…
— Alertei para ele não ir até lá... — disse Marcos, equilibrando seu corpo inebriado na banqueta, os cotovelos apoiados na bancada de madeira…
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Quando o lockdown começou, muitos falavam sobre o fim dos tempos; como negar isso? Eu via apenas o nada lá fora, apenas fragmentos de uma…
Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento…
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No coração de um lixão vasto e sombrio, onde o sol raramente penetrava a nuvem de lixo e decadência, vivia uma criança chamada Leo. Seu pai, um homem…
Ramalho era um homem praticamente invisível, não no sentido literal da palavra, mas na forma como ele caminhava pelo mundo sem chamar…
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Toda fotografia é uma imagem que carrega o espectral: a morte. O instante fotografado jamais será vivido novamente; assim jaz um tempo que passou…