Colapso

A grama arde | O ar sufoca | O canto dos pássaros foi silenciado. | As árvores, | Antes, imponentes e frutíferas,…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A grama arde
O ar sufoca
O canto dos pássaros foi silenciado.

As árvores,
Antes, imponentes e frutíferas,
Agora retorcidas, em agonia.

O mundo cai abaixo
As promessas já não mais importam
Tudo é cinza e triste.

O céu cai aos pedaços
Seus escombros cortam minha pele
É só questão de tempo para que eu colapse também.

Não há mais refúgio
Nem mesmo em minha própria mente
A dor me impede de pensar.

Promessas
Não salvaram inocentes
Tudo o que sei, é que nada sobrará.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Meu fim há de chegar

Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento…

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Observo da janela o vazio lá fora; tudo está abandonado, assim como eu aqui dentro. O silêncio é preenchido apenas pelo sussurro do vento. Sinto que é a minha última noite... eu sei que é. Do lado de fora, todos estavam desaparecendo, levados por uma figura luminosa ou uma luz destruidora. Isso me atraía; não havia esperança para mim, o fim era iminente. Eu sentia o medo rastejar em minhas veias, entorpecendo-me e pressionando meu coração, e ainda assim, em algum lugar dentro de mim, havia algo que acolhia esse fim. 

Eu tinha sido uma pessoa cercada de expectativas — um emprego estável, uma vida bem-sucedida, metas que nunca saberei se poderei alcançar — naquela sociedade que esmagava minha alma. Agora tudo é irrelevante; o fim está próximo, sem pressão nem o medo de fracassar. Logo o meu fim há de chegar. Senti um arrepio atravessar meu corpo sem nenhum motivo: era a hora. 

Fui para a rua. Parte de mim queria gritar, correr, fazer algo normal, mas o cansaço me paralisava; o alívio do fim me fez permanecer. Senti lágrimas escorrerem, mas não de tristeza: era libertação. Tudo que me aprisionava estava caindo junto com meu mundo; não haveria amanhã para mim. Finalmente, a liberdade. O medo visceral de perder tudo ainda persistia, mas não havia mais nada a perder, nada mais a fazer. Era o fim de tudo, o fim das minhas obrigações. 

Olhei para o céu, e a luz lentamente descia, vindo em meu socorro, talvez como danação ou salvação. O medo finalmente cedeu, e o alívio me envolveu. Não haveria mais amanhãs para se preocupar, nem fardos para carregar, nenhum espelho para refletir o que eu não poderia ser. Sem decepções e, pela primeira vez, eu senti a paz. 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Alimária

Padres, trabalhadores, | médicos, cantores, | poetas, trovadores... | Ninguém os quis ouvir! | Lençóis negros são estendidos…

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Padres, trabalhadores, 
médicos, cantores, 
poetas, trovadores... 
Ninguém os quis ouvir! 
Lençóis negros são estendidos 
pelas ruas cinzentas. 
Flores inexistentes 
em túmulos indigentes. 
A foice da caveira horrenda 
contaminou os ares: 
uma criança leva uma flor, 
mas não lhe sobrou nada, 
nem tempo para cheirá-la. 
Bombas e tiros vomitados. 
A mãe tenta ninar seu bebê. 
Gritos de dor suprema. 
Fome. 
Dor. 
Placenta. 
Simplesmente não importa. 
Se eu te pago amanhã, 
você aí de perna morta. 
Filhos morrem, 
os pais, os assassinos. 
Mercados vazios, 
ele matou o próprio vizinho. 
O primeiro item que acabou 
foi o rolo higiênico, 
meu senhor! 
O que causou tudo isso... 
Ah sim! 
Ah foi! 
A falta, a seca 
de amor... 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Ekatomb Quetzalcoatl

Uma criatura antropomórfica, corpo de águia e cabeça de serpente-dragão. Essa criatura possui uma mescla de escamas e penas, sempre…

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Uma criatura antropomórfica, corpo de águia e cabeça de serpente-dragão. Essa criatura possui uma mescla de escamas e penas, sempre alternando entre as colorações anil-gelo, vermelho-sangue e laranja-dourado. Sua enorme mandíbula possui inúmeros e afiadíssimos dentes pequenos, uma serpente emplumada, um réptil voador, um construtor de fronteiras, o verdadeiro transgressor entre o céu e a terra. 

Estava prostrada em uma praia, onde a areia bioluminescente de cristais dourados e prateados inundava toda a extensão de terra. A água, os mares e as ondas estavam infestados de incontáveis seres que pulsavam uma bioluminescência safírica, também em grande número, águas-vivas e vaga-lumes d’água, pulsando uma cerúlea-esmeraldina luz brilhante. 

Neste cenário, essa entidade, posta sobre suas duas patas, admirava o horizonte, as sagradas ondas do mar, que eram seu portal para viajar entre eras e dimensões. 

Ali, na península de Yucatán, naquela praia, reside a Pirâmide de Kukulcán, vosso lar da criatura. Seu prisma marca os céus com um feixe vertical de uma sagrada luz dourada que rasga as estrelas. "Eu sou Gucmatz!" ruge a criatura, e as ondas são pulverizadas... 

O sol de coloração azul-safira pulsa e se expande no horizonte, engolindo tudo com sua glória ao seu nascimento vertical, banhando Gucmatz em seu esplendor. 

Havia ali, submersa no mar, uma esplendorosa e titânica árvore com um brilho esmeralda tão intenso que cegava os panteões. 

Até os cosmos mais longínquos. Esta árvore emanava vida, um eco estrondoso de brilho, caos e pureza, a verdadeira voz da criação, das concepções etéricas da vida, com um vasto ardor e uma fumaça esverdeada por toda a península. 

Um portal se abre dentro de uma folha pendurada em um dos galhos da árvore. Cada galho, cada folha, é uma dimensão, uma realidade, uma era. A criatura deseja ir a cada uma delas quando cocriará um novo apocalipse: um início, uma regressão, uma purificação, a verdadeira Revelação. A criatura expande as asas, e todos os seus penachos se alongam. Ela serpenteia pela fechadura, uma fenda interestelar que adentra, caminhando lentamente, flutuando e mergulhando naquele instante ecoante, como uma fumaça espiritual que transcende do etérico para a densificação da carne. Ela adentra uma dimensão, uma era onde um escolhido será o receptáculo da mensagem do crepúsculo dos deuses e de vossos destinos fatais. 

Entidade Mater da Cromodinâmica Quântica. 

Buscai o receptáculo da Liberdade Assintótica. 

"...A teoria das cordas é uma estrutura teórica na qual as partículas pontuais da física de partículas são substituídas por objetos unidimensionais chamados cordas. A teoria das cordas descreve como essas cordas se propagam pelo espaço e interagem umas com as outras. Em escalas de distância maiores que a escala da corda, uma corda se parece com uma partícula comum, com sua massa, carga e outras propriedades determinadas pelo estado vibracional da corda. Na teoria das cordas, um dos muitos estados vibracionais da corda corresponde ao gráviton, uma partícula quântica que carrega a força gravitacional. Portanto, a teoria das cordas é uma teoria da gravidade quântica..." 

Por 11 dimensões ela vaga... 

Em todas elas existe um início e um exílio. 

O milagre orgânico da manifestação e o colapso da degradação existencial material da desconstrução de tudo que existe. 

De tudo que É, de tudo que pulsa átomos até a desmaterialização, ao ponto de desdobramento aos outros planos e incontáveis camadas de questionamento e identidade. Até onde este devoramento do apocalipse alcança? No processo da espuma quântica, vista como uma conexão entre duas D-branas, onde as bocas estão ligadas às branas e são conectadas por um tubo de fluxo, na pintura da Teoria-M, determina-se que a matéria é formada por membranas e que o universo flui através de 11 dimensões: o tempo, a altura, a largura, o comprimento e mais sete dimensões “recurvadas”, com outras propriedades. 

Gucmatz se alimenta de buracos brancos e os expele, vagando pelo multiverso de eventos, a criadora e a devoradora. 

A antítese da vida, da anti-matéria prima, a condutora da Revelação. Ela chega ao Planeta Terra em três períodos diferentes da história para ocultar sua missão e transgredir as lições suprimidas pelo egocentrismo pífio da humanidade. 

Em sua biodeslocação atemporal, ela auxilia a evolução e a revelação, sempre em busca de transmutação e cura da loucura. 

Nos tempos atuais, ela se transmuta em uma máscara pagã de madeira, e aquele que a possuir encontrará sua Revelação interna: ou sucumbirá, ou será o senhor de seu novo admirável mundo. 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Guerra

O Fim — a consequência imediata, | arauto de conversas seculares; | cometa de mil pernas que nos chega | no meio de um sábado, em notícias…

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O Fim — a consequência imediata,
arauto de conversas seculares;
cometa de mil pernas que nos chega
no meio de um sábado, em notícias.

Matéria que desaba em uma escola,
sem tempo de prever algum estudo.
Bandeiras cadavéricas, uníssonas,
brandindo um grande livro em suas pontas.

A farda cuja mãe, horrorizada,
assume o rito fúnebre da espera,
tecendo a imagem última, que lembra…

O Fim, essa metálica harmonia
de sons que se preparam em silêncio,
enquanto ainda sonham as crianças…

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

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Último Lamento

A lua, já cansada, desce no horizonte, | O sol, sangrando, rompe o véu da noite, | E a terra, em seu último lamento, suspira, | Enquanto a realidade se…

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A lua, já cansada, desce no horizonte,
O sol, sangrando, rompe o véu da noite,
E a terra, em seu último lamento, suspira,
Enquanto a realidade se dissolve num açoite.

As cidades se terminam em meio ao pó,
Edifícios se tornam apenas memórias,
Mas há um certo encanto nas ruínas,
Uma calmaria que conta velhas histórias.

O vento canta para os últimos dias
Um hino que ecoa por todos os locais vazios,
E a cada nota suave, lembra uma verdade
A vida é bela, mesmo nos abismos sombrios.

Rios furiosos agora são como espelhos,
Refletindo o céu sem cor, tão sereno,
E flores insistem em nascer na terra árida,
Mostrando que o fim é um início mais ameno.

Os corvos traçam linhas no céu,
Pintando com suas asas negras e calmas,
Há uma beleza nesse último suspiro,
Na morte que vem calmamente buscar almas,

E quando a última centelha se apagar,
Quando o mundo for uma sombra esquecida,
Haverá uma certa paz no eterno silêncio,
Um estranho encanto em nossa despedida.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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