16. Com amor eterno, Hadassa

Muitas vezes o amor parece um abraço aconchegante, outras vezes, um peso que não conseguimos soltar, nosso amor foi tudo isso e mais, uma chama…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Querida Rute,

Muitas vezes o amor parece um abraço aconchegante, outras vezes, um peso que não conseguimos soltar, nosso amor foi tudo isso e mais, uma chama que queimava intensamente, mas que também deixava cinzas em seu rastro. Você me deu tudo de si, até mesmo o que eu nunca tive coragem de pedir. Eu sei que você não queria isso, mas você fez o que era preciso. Agora, só espero que consiga conviver com isso, a decisão que tomou não foi justa para você, mas foi necessária para mim, eu precisava que fosse você, precisava que fosse por amor, porque só por amor você faria uma escolha que eu não tive coragem de fazer. Você me amou o suficiente para me libertar, mas será que eu a fiz carregar algo que você não merecia? Esta pergunta me assombra enquanto escrevo essa carta, pois nunca quis ser uma prisão para você, nem em vida, nem na morte. E, no entanto, você escolheu me libertar das amarras de um destino que eu temia encarar sozinha. Não lhe pedi nada, mas, mesmo assim, você me ajudou a encontrar a paz, sua coragem me deu o descanso que eu buscava, e por isso sou eternamente grata. Espero que, ao longo de sua jornada, você também encontre a paz que merece, espero que o peso do que fizemos juntas se transforme em algo mais leve, algo que você possa carregar com menos dor e mais amor.

Siga adiante, minha Rute, e viva por nós duas.

Com amor eterno,
Hadassa

Texto publicado na Edição 13 da Revista Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2025. → Ler edição completa

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Permaneça

Teu amor trouxera-me a escuridão; querido, o teu inferno cativou-me o peito cuja vida efêmera protege. Os sigilos do teu corpo enfermo, cicatrizaram-se…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Teu amor trouxera-me a escuridão; querido, o teu inferno cativou-me o peito cuja vida efêmera protege. Os sigilos do teu corpo enfermo, cicatrizaram-se aos meus cuidados enquanto, em pesadelos, tive teu toque no meu mais íntimo anseio. Ouvi tua gravíssima voz em desabafos perniciosos, olhei-te com temor e alento; ouvi-te, também, na lamúria e nos brados de mórbido pesar. Não hei de beijar os lábios do arrependimento, meu Dom. Amorttam é traiçoeira tal como Lilith, mas não eu; deita-te em meu torso, amado, descansa-te sentindo este perfume que me possui na natureza do que sou; deixe-me alimentá-lo ao teu deleite, pela fé, pelo amor. Tornaste-me uma apaixonada inominável! Aquela que adormece somente após o teu sono nuvial, plácido. 

Tua noite verdejara-se aos meus olhos, tua alma permitira o vindouro florescer dos meus lírios brancos; agora, esqueci tudo por ti, para manter-te amado enquanto a vida perfura-me a carne com as agulhas da morte, lentamente. E assim, lembro d’água doce que me deras e da tua atenção quando lacrimei aos pés da noite verdinegra; mesmo o medo que me fizeras sentir no belvedere, amor, jamais duvidei da tua inócua essência — desvelava-me a tua íris, uma genuinidade inexorável… ó, sim… tua íris-noite… teu semblante, amante, de calvário; viste em mim, eu sei, a tua fuga e te levei comigo, mesmo presos na Mansão Negra, éramos lá uma pulcra luz nas frestas dos umbrais silenciosos, éramos um segredo e aprendi amar o teu universo frígido, aprendi a acalorá-lo com afeto…

“Permita-me amar-te…” — Sussurraras. E eu permiti… assim te rogo, permaneças. Não te cinjas à vingança — olvides os males e banhe as tuas fissuras com azeite de ternura. Estou aqui por ti, tal como estive desde o início.

Por favor…
Com ardor,
Saeeri

Texto publicado na Edição 12 da Revista Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2025. Ler edição completa

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