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Vivendo nas sombras

Vivendo nas sombras | Rastejando pela escuridão | Sinto pedaços de mim | Se desprenderem pelo caminho. | Sentimentos petrificados…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Vivendo nas sombras
Rastejando pela escuridão
Sinto pedaços de mim
Se desprenderem pelo caminho.

Sentimentos petrificados
Alma atormentada
Se contorcendo em agonia,
Sufocada...

Não suporta a luz
A dor te envolve e encurrala,
Mas, com muita sorte,
Hoje encontra a morte.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa

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Inefável

Inefável sentir o coração aterrorizado | Enfraquecer até parar | .O poder que exerço | De percorrer suas veias | Levando sua vida comigo...

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Inefável sentir o coração aterrorizado
Enfraquecer até parar.
O poder que exerço
De percorrer suas veias
Levando sua vida comigo...
Inefável.
Não foge, se não teme
Mas tema, porque é por mim
Que sua carne sucumbirá.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Devaneios

É inevitável negar a mudança em mim. Não somente mais bonita e sagaz, mas mais inspirada também. Sinto meu corpo tão frio e ao mesmo tempo tão vivo…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

É inevitável negar a mudança em mim. Não somente mais bonita e sagaz, mas mais inspirada também. Sinto meu corpo tão frio e ao mesmo tempo tão vivo. Sei que beira a insanidade, mas me delicio com cada gesto que faço ou toque que sinto em minha pele. A sensibilidade é imensa e igualmente prazerosa, fato esse que me manteve ocupada com Malus, explorando as novas sensações e necessidades.

Tenho sonhado com mais frequência, mesmo acordada. Alucinada, talvez. Suponho que tenha alguma ligação com o sangue azul de outrora. Mas não há sobre o que me queixar. O Conde Drácula me deu as boas-vindas pessoalmente. Um tanto fantasmagórico, concordo, mas foi uma noite memorável. Sedutor, cordial e erudito como ninguém, me fez ansiar por colocar no papel as palavras que imploram por saírem de mim.

Não sei dizer quanto tempo faz que não escrevo em meu diário, meu pobre amigo que por diversas vezes foi testemunha das minhas alegrias e tristezas. Provavelmente deve ter sido descartado após minha partida. Ainda absorta em lembranças, apanho meu novo companheiro de escrita, deixado por Malus como presente em minha escrivaninha, e começo o registro de minha jornada até aqui.

Poderia lamentar a perda de meus antigos poemas, mas a memória é uma dádiva, eis que deixo aqui um dos primeiros que escrevi, enquanto me deslumbrava com a Lua de Sangue.

Seu brilho mortal
Enche minha alma de esperança.
Nas noites
Você reina,
Solitária e autoritária,
Radiante, pálida e fria.
Como desejei ser como você,
Com inigualável beleza,
Lua de Sangue.

Muito eu ouvi falar do paraíso. De como as pessoas almejam ir para lá. Cá onde estou é deveras temido e amaldiçoado pelos tolos que de longe avistam. Mas o que diria minha mãe ao me ver plena, dona do meu próprio ser, como nunca antes? O que diriam os imbecis que zombaram de mim e que tanto fizeram, mas é o inferno que está destinado a eles? Ah, as palavras... saltam de meu interior em busca de morada nas páginas em branco... eu cedo a elas.

Dançando em harmonia, sensações e desejos percorrem o papel. Sussurros e sombras oscilam em meus aposentos. Poesias fluem, ecoam nas paredes frias e famintas deste castelo e eu as sinto se deliciarem junto a mim.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Lamúrias

Túmulos no meu jardim, | Pelo tempo, ornamentados. | Sinto a pedra áspera e fria | Abrigo dos que há muito Já se foram…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Túmulos no meu jardim,
Pelo tempo, ornamentados.
Sinto a pedra áspera e fria
Abrigo dos que há muito Já se foram.

O vento gélido me abraça,
Esvoaçam os tecidos que me vestem.
Posso ver além,
Mas não encontro minha própria lápide.

As lágrimas que insistem em cair,
Queimam minha face.
Tolos arrependimentos,
Que tocam minha carne profana.

Acomodo minha matéria
Em solo fértil e imaculado.
Mas murcham-se todas as flores,
Extingue-se toda a vida que me cerca.

Condenada a sentir
A solidão e dor eterna.
Espreito feito um bicho
Para alimentar minha natureza fétida.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Sangue Espesso

Não há como gritar, | Quando se der conta | Será tarde demais. | Fria como um cadáver, | Ainda assim, | Muito mais viva do que você…

Criado para o Castelo Drácula com Midjourney

Não há como gritar,
Quando se der conta
Será tarde demais.
Fria como um cadáver,
Ainda assim,
Muito mais viva do que você.
Abaixe a cabeça da próxima vez,
O próximo pescoço
Pode ser o seu.
Sombria como a noite,
Misteriosa até perceber
Meus olhos já lacrimejaram,
Eu sei que o fez, por querer.
Implore,
Se ajoelhe,
Reze, se quiser.
Estou a caminho.
Tomarei de seu sangue espesso,
Genuíno.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Púrpura Espectral

Ainda não havia encontrado Malus, mas muito me foi oferecido no Castelo Drácula. Fui instalada em um suntuoso quarto vitoriano…

MidjourneyAI

Ainda não havia encontrado Malus, mas muito me foi oferecido no Castelo Drácula. Fui instalada em um suntuoso quarto vitoriano. Nunca tive tanto à minha disposição. A atmosfera sombria e gélida do castelo adentra a minha alcova e sinto paz. A tapeçaria em tons de púrpura é um deleite, sendo eu tão apaixonado por esta cor rara no vilarejo de onde vim.

A cama é de uma beleza e conforto inenarráveis, me delicio com o toque da ceda pura em minha pele. Reparo que toda a mobília mantém os mesmos ornamentos. Me distraio com apetrechos específicos em cima da penteadeira, mas a escrivaninha me chama ainda mais a atenção.

Ao me aproximar, uma vela de chama roxa acende sozinha. Pego a flor negra solitária que repousava em cima de um envelope, dentro havia uma carta com os seguintes dizeres:

Ane, sinto por não estar presente durante sua chegada, pois foram-me designadas ocupações para além do castelo. Você está segura aos cuidados do Conde.

Há um baú, você deve ter notado, nele encontrará o traje para a noite de hoje. Sim, se a chama violeta acendeu para você, é hora de se aprontar, minha cara.

Anseio pelo nosso reencontro.

Malus.

Um longo, mas não muito volumoso, vestido de um roxo tão escuro quanto o céu que eu podia ver por detrás das cortinas das janelas entreabertas, me deslumbrou. Suas delicadas rendas me fizeram lembrar das roupas simples que outrora usava, mas agora era diferente. Não mais me parecia com a frágil camponesa que fitava a lua. Eu sinto o poder que emana de mim, e embora tudo pareça tão fantástico, sinto-me despertar para a vida.

Ouvi o badalar das 7 horas. Não tinha certeza de qual parte do castelo o som saiu, mas sem alguém para me acompanhar ou impedir, caminhei até o jardim. Um vulto com roupas em tons violáceos me chamou a atenção. Segui-o. Suponho que estava perdido, pois, mesmo eu estando ali pela primeira vez, percebia que seus passos não eram seguros de si.

Estava obcecada. Não poderia desejar nada mais do que perfurar suas veias e beber de seu sangue, gota a gota. Quando finalmente me aproximei o suficiente para realizar tal ato de luxúria, fui abordada por uma voz cavernosa.

— Apreciando a noite, senhora?

— Muito mais me alegra apreciar você.

Uma névoa lilás translúcida nos envolveu. Malus tocou meu rosto e me beijou. Olhou por trás de mim e sorriu maliciosamente.

— Você estava caçando? Pois bem, faremos juntos.

De um modo o qual não compreendia, aquela figura, que antes me parecia perdida, caminhou para o nosso encontro. Pude ver que se tratava de um homem. Meu companheiro beijou sutilmente minha mão direita e a segurou. Mordeu o pescoço que eu tanto ansiava e, se voltou a mim. De suas presas enormes escorria um líquido roxo. Consentiu com a cabeça e me entregou o ser.

Indescritível o êxtase que me foi fornecido. O sangue púrpura se apoderou de mim e me arrebatou em uma explosão de sentimentos. Sensações nunca antes experimentadas me deixaram atônita. Tudo ao meu redor agora era de um esplendor violeta.

Texto publicado na 3ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datada de março de 2024. → Ler edição completa

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Púrpura

Pálida, | Sua tez de porcelana | Alva e fria. | Desprovida de um coração pulsante | Ainda és bela | E graciosa como a morte…

MidjourneyAI

Pálida,
Sua tez de porcelana
Alva e fria.
Desprovida de um coração pulsante
Ainda és bela
E graciosa como a morte.
Seu olhar intruso
Penetra meu âmago
Desperta a concupiscência.
Minha criança,
Suas vestes púrpuras
São delicadas
E remetem à inocência de seu ser,
Mas ainda sim são tão escuras
Quanto a alma que pensas ainda ter.

Texto publicado na 3ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datada de março de 2024. → Ler edição completa

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Anelly

Nasci em um vilarejo onde todos se conheciam. Eu era constantemente vigiada. Apenas entre as mais altas…

AI

Nasci em um vilarejo onde todos se conheciam. Eu era constantemente vigiada. Apenas entre as mais altas árvores da floresta me sentia livre.

Minhas escapadelas eram perdoadas se voltasse a tempo para a ceia. E assim eu fazia. Mas a lua era minha paixão, por vezes me via inebriada por seu brilho sem igual e foi em uma dessas vezes que tudo mudou.

— O que faz uma jovem tão bela aqui sozinha? — Fui desperta de meu transe de sobressalto.

— Não se levante. — O intruso sentou-se na raiz exposta a meu lado e perguntou meu nome.

— Anelly. — Respondi.

— Graciosa, sim. Definitivamente seu nome.

— Grata pela gentileza. — Sorri envergonhada. — Você não me parece ter tanta idade, mas fala como meu avô.

— Garanto que já vivi muito mais do que ele…

— Não mesmo! — Disse prontamente.

Dei uma boa olhada para ele, iluminado quase que fantasmagoricamente pelo luar. Era elegante, tinha uma cartola não muito alta na cabeça e aparentava não ser muito maduro, embora seus modos dissessem o contrário. Lembrei que não perguntei seu nome.

— Pode me chamar de Malus. — Respondeu como se adivinhasse meus pensamentos.

Era loucura, eu sabia. Mas estar em sua presença me despertava sensações jamais antes vividas por mim. Já era tarde demais para não ter perdido a ceia, com toda certeza eu me daria muito mal quando chegasse em casa, desse modo, viveria cada minuto de prazer momentâneo que este encontro inesperado me proporcionava.

— Percebi que a lua te cativa, o que mais a faz suspirar?

— Poemas, vinhos e agora você. — Essa última parte saiu quase sem querer. Meus olhos se arregalaram com o tamanho de minha ousadia.

— Vejo que tens bom gosto. — Malus sorriu maliciosamente.

— Sabe, Ane. Não é comum o que está a acontecer conosco. Eu sinto e sei que você sente… — Senti suas mãos frias segurarem as minhas.

— É um encontro de almas.

— Almas gêmeas? — Interrompi.

— Pode-se dizer almas que se reconhecem. — Deslizava suas unhas enormes sobre a pele de meu braço exposto. Estava arrepiada.

— Não parei aqui por acaso. — Continuou. — Senti seu cheiro de pureza, mas não é somente isso.

Malus segurou meu queixo e ergueu minha cabeça em direção a sua. Ele era mais frio do que a noite e isso só me fazia o desejar mais.

— Sua alma implora pela minha. — Finalmente me beijou. Senti que flutuava.

— Há muitos segredos para serem desvendados nesta vida. Sinto que está pronta para conhecê-los.

— Segredos? — Questionei. Desejando secretamente que voltasse para o ato anterior.

— Não tens medo do desconhecido ou das trevas, sua áurea é doce, mas escura.

— Áurea? — Repeti.

— O bem e o mal é somente um ponto de vista. O que me diria se tivesse que trocar a vida de alguém pela sua?

— Se não houvesse alternativa, teria que ser feito. — Respondi sem pensar muito.

— É sobre isto que me refiro.

Malus me tomou em seus braços e me entreguei. Mesmo sem entender de fato o que me dizia, eu sabia que por toda minha vida era por ele, e por este momento, que eu ansiava.

Calor e frio eram mesclados nessa união. Mas o que se seguiu, tenho apenas como vagas lembranças. Após o prazer carnal, veio a dor. Sangue escorria de meu pescoço e, agonizando, eu morri. Sei que houve choro, gritaria e desespero. Meu corpo fora encontrado na manhã seguinte. Talvez velado, mas com certeza enterrado.

Despertei algum tempo depois enclausurada, na total escuridão. Sem muito esforço cheguei à superfície terrosa e entendi. Tudo estava diferente. Aos poucos minha mente era iluminada por segredos que me foram revelados, por uma vida à qual sucumbi e ao que me tornara.

Sentia Malus. Mesmo sem saber para onde ir, ou como chegar até ele, apenas segui. “Uma vida pela minha”, chegou-me à memória. Sangue de cervo me foi de muita valia.

Estava radiante pela primeira vez. A cada paço, sob a luz prateada, a nova Anelly se solidificava na Terra. A escuridão fazia parte de mim, preenchia cada centímetro de meu ser como nunca antes. Estava muito mais viva depois que a vida me deixara.

Próximo ao amanhecer, enfim, o encontrei. Não exatamente Malus, mas o começo de minha nova jornada. Ainda posso sentir meu sangue vibrar como naquela noite, ao se abrirem os portões quando eu cheguei em casa… Quando cheguei ao Castelo Drácula.

Texto publicado na 2ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2024. → Ler edição completa

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A Dama de Marfim

O desejou a vida inteira. Secretamente clamou por sua chegada. Nada no mundo a deixava mais radiante do…

MidjourneyAI

O desejou a vida inteira. Secretamente clamou por sua chegada. Nada no mundo a deixava mais radiante do que a ideia de reencontrar aquele ser com o qual se esbarrou ainda jovem. Entre noites em claro e sonhos profanos, seguia o esperando.

“É um milagre”, diziam. “Quem cruza com criatura tão torpe não sai impune. E a criança nada sofrera.” Em seu íntimo sabia que sua alma fora despida naquela súbita noite.

Agonizando em seus próprios anseios pensou que não resistiria. Mas os ventos de outono a despertaram. O temor invadiu os corações alheios, mas o seu, bombeava devaneios.

E quando o céu escureceu, o chão foi tomado por vermelho carmesim. O horror instaurado era um prelúdio anunciado.

Suas vestes cor de marfim deslizavam pelos rastros de sangue. Cada célula de seu corpo se agitava em deleite. Olhos na escuridão emergiram a seu encontro… era ele!

Como se flutuasse, em segundos já estava em seus braços. O amante secreto a segurava com leveza. Pela primeira vez pôde o olhar com clareza. Não poderia descrever sua face, mas gemeu quando sentiu que lhe perfurava sua carne.

O sangue que escorria de seu pescoço ia de encontro com o sangue que invadia a barra de sua camisola. Em êxtase desfaleceu, mas como noiva da morte, renasceu.

Conto publicado na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa

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