A Sombra Escarlate - Resenha
Na Inglaterra do século XIX, a aspirante à pintora, Scarlet Hale, vive em uma mansão em decadência acompanhada de seu pai e prima. A vida de Scarlet…
Fotografia de Liza Abreu
Na Inglaterra do século XIX, a aspirante à pintora, Scarlet Hale, vive em uma mansão em decadência acompanhada de seu pai e prima. A vida de Scarlet jamais foi representada por tranquilidade, apesar de vir de uma linhagem nobre, cedo perdeu a mãe e se mantém constantemente presa à repreensão do pai, que deseja mais que tudo que sua filha tenha um bom casamento e assegure, não só a sua vida como a posição social, uma vez que a família Hale vive em decadência. Em volta, a pacata cidade onde vivem suporta um terrível sentimento de terror após misteriosas e sangrentas mortes assolarem seus moradores, levantando suspeitas sobre a Jovem Scarlet, que em meio a tantas suposições, suspeita de si mesma.
Essa é uma daquelas histórias que conseguem prender o leitor do início ao fim e levanta vários questionamentos. Em um cenário bem delineado e já revisitado em muitos livros da literatura gótica, como a figura da residência imponente e remota, e que eu particularmente adoro, o livro insere os personagens em um enredo limpo e fluído, recheado de detalhamento, linguagem de época bem elaborada e mensagens atuais.
A diagramação é primorosa e conversa muito bem com a história, tornando a experiência ainda mais agradável. Gostei de como a autora decidiu o destino dos personagens, principalmente da personalidade da protagonista, a qual soube lidar muito bem com a repreensão e com tamanhos conflitos pessoais ainda mais mortificantes que trairiam a sanidade de qualquer outro.
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Desertum
Sofro com a aptidão dos dedos desconhecidos sobre as cordas de sonoridade grave em busca do acerto da melodia, teu ressoar, próximo a mim, tange…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Sofro com a aptidão dos dedos desconhecidos sobre as cordas de sonoridade grave em busca do acerto da melodia, teu ressoar, próximo a mim, tange simultaneamente às contrações de meu compasso cíclico.
Pulso ao teu vibrar melódico de corda friccionada, e o estímulo percorre através de meus ramos e fibras.
Atravessa meu esconderijo e agride minhas cavidades, lacrimejando os olhos da velha que me possui.
Tal qual cera derretida ardente; cintilante faísca ritmada em compasso ao meu ritmo regular.
É-me indiferente, bem sei, pois, distanciado estou, acobertado por detrás da caixa torácica, resguardado posterior às vértebras dorsais.
Confinado, em constante ofício, atuando, bombeando e irrigando.
somente em mim; músculo estriado cardíaco.
Tu és livre, ademais orquestrado, amado e guarnecido.
Ermos, somos estranhos, velhos conhecidos.
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O fim sempre volta | retorna sem medo, sem aviso, sem prazo. | Tempo que come, rói e degenera cada mínima célula de meu corpo cansado | que pede pausa…
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que não vibra | que não promete nada…
Noite após noite, enclausuro-me | como quem naufraga num pélago inefável. | Há em mim um cerúleo alheio ao firmamento, | estranho ao próprio oceano…
No altar, em júbilo | Trajada em seda negra | Espero sob os olhos divinos | Brilhantes e perversos | A catedral silenciosa | Iluminada pela Lua…
o Réquiem de Sual’Ra não começa — ele se desdobra | Nas brumas onde o tempo em dor se inclina, | Ergueu-se a lâmina e lamento; | Filha do raio, à sina peregrina de Kjaarnheim…
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Preenche o vazio que deixou | A voz invisível | Escapa pela cicatriz da minha pele | E meu coração grita…
Vede agora os que têm sede de sangue, | Não da água salina ou da doce corrente, | Mas do carmesim puro que a luxúria condena; | Estes possuem, em seus mortos peitos,…
Nódoa fria de rebento | Tenaz escuro | Olhando para o breu, vi-me entre o silêncio e o passado | E eis que em mim habitam vozes outras dos meus contatos…
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