Noites de Vidro
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Olhos que me enxergam através do tempo, lamúrias de almas perdidas na cidade dos rejeitados, a floresta grita sob o vento de tempestade, mas você não ouve mais nada. Desenvolva suas desculpas elaboradamente, cuidadosamente, sem negar suas emoções, sem negligenciar suas ações, pois o grande juiz te observa atentamente sobre a pilha de crânios daqueles que foram sentenciados.
Mil formas distorcidas de amor eterno, mil formas retorcidas de amor real, mil formas esquecidas de amor mortal. Não existe caminho sem volta quando o destino não passa de um sonho interrompido no meio da noite, pelo som do choque de um automóvel em alta velocidade contra a parede de uma boate interditada. Carne, sangue e aço. Deite sua cabeça em meu colo e me deixe alisar seus cabelos úmidos.
Abri a caixa de sapatos empoeirada e arranquei o rosto das velhas fotografias que hibernavam em seu interior. Momentos congelados no tempo, memórias aprisionadas em eterna estagnação. Provas irrefutáveis de um pedaço do fluxo constante de pequenas conexões que chamamos vida. A pergunta não formulada ainda vai te matar.
Leia mais em Prosa Poética:
Sou última nascida em sangue e cinzas | Carrego a carapaça de osso e fúria, | Amálgama d’outrora em boas-vindas | À Vila Séttimor em sua lamúria;…
Translúcidas as flores espectrais | N’um rosa-gris perpétuo adamantino; | Mi’a lacrima é um orvalho-nunca-mais, | Deságua sob o manto vespertino...
Oh, tropéis insanos, vozes se aglutinam | Marchando silvos de compassos trôpegos | Junto aos metais, a miséria, aos córregos | Por onde se ouve o baforo dos…
A névoa ergue-se como uma prece interrompida | um murmúrio que ninguém distingue, | mas que se aloja na pele | como o frio que anuncia a morte das coisas belas…
São Baudelaire das causas impossíveis, | quisera assim orar Raul: | – Livra-me, ó Senhor, | dos sofrimentos do jovem Werther; | fazei Goethe descer da minha cabeça,…
Andando pela praia | De mãos dadas com a brisa | E os pés penetrando a areia molhada | Aquele deserto sem lavra | Pondo ao sol, no ar, meu corpo…
O Céu branco, sobre as cicutas curvadas sob a neve, | Não vistes, no início da noite, o cervo cornudo e sua corça parados no pomar de macieiras?…
A névoa sobe como exércitos vencidos, | erguendo suas lanças translúcidas | num silêncio que antecede a ruína. | O orvalho desce como cortejos fúnebres,…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Ó noite sem mácula, mãe da luxúria e do pecado, | abre o teu ventre de trevas sobre meu corpo acorrentado, | pois não há cárcere que baste…
Vem, faça o que desejas me fazer… | Amor, quero sentir bem mais profundo… | Febril saliva, leva-me a tremer… | Tesão vertendo a cada um só segundo…
Por dentro do Castelo no qual vivo | Perdi-me em seus recintos escultóricos: | Envolto em branco mármore, cativo | Por linhas de um amor sem fim, pletórico…
Velha vontade vigora | veneno visceral, viola. | Vagueio vigiando vidas, | vazias, vulgares, viciosas…
Meu sexo é uma romã. Exposta. Aberta. Rósea…
O silêncio é um corpo que respira no escuro, | pele de sombra colada à alma da noite. | Ele pulsa como ferida não dita, | como promessa trancada em lábios de ferro…
Dentro de mim reside uma chama acesa, | Habita a obscuridade de meu coração, terreno arenoso. | Ela perpassa meus pensamentos e apazigua meus sofrimentos…
Magenta. Mil batidas imortais, | A música ressoando devagar | Enquanto os nossos corpos imorais | Transgridem a luxúria a se afogar;…
Me pego a imaginar, já faz uns dias, | Você trajada em vestes antiquadas: | Num branco esvoaçante entrelaçada; | Cabelo solto ao vento… Qual rainha…
Cordas mordem sua pele como dentes impacientes, | marcando trilhas vermelhas | onde o sangue ameaça florescer. | Ela sorri, um eco rouco de prazer, | entre gemidos contidos…
Gotas sutis de rubra e negra cor, — Axioma das almas notívagas | Pretensiosos corações abnóxios, | inerte a razão ante a escuridão | Em habitação tão inócua de tua mente…
Kaire, tríplice eclipse, ao deleite do meu psique! | Que teu trovão d’alma irrompa, que o clamor de abysmo | soem em meus ossos como se o próprio firmamento…
O silêncio, a angústia, assim como o inaperto | em jornada abstrusa | pela dissoluta existência. | Aqui entre a absolvição e a condenação…
Transcenda, desloca-te... Para um estado de intensa alegria, prazer, admiração ou arrebatamento, no qual a pessoa se sente transportada para fora de si mesma…
Escrevo-te tal epístola sanguínea com esta pena que se banha no meu próprio tormento. | Cada sílaba que deixo aqui é um fio de minha vida, e, no entanto, não cesso…
Preces silenciosas | Perigosos pensamentos | Um sonho perturbador | Amarga ilusão | Padecer de sua ausência | atribulações para alma…
Os desígnios da alma | esta que sofre com sua ingênua natureza | A inocência corrompida | na vil mortalidade…
Esta nossa matéria é embebida | de muito narcisismo e vaidade... | Nada dela se nos dispõe à vida: | só há cansaço além de enfermidade…
Aslam E. Ramallo é um artífice da palavra cuja poética nos conduzirá ao âmago mais profundo do existir, onde a vida pulsa em sua crueza e a…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
Recanto de Literatura Gótica
Em cada ser, a vasta catedral se ergue, | onde a chama da Luz e o silêncio das Trevas emerge. | Um palco dual que a existência nos impôs, | onde o eu se forma, entre o antes o e depois…