Déjà-vu em forma de haicai

Um haicai de Aryane Braun

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Sei que em outras vidas,
eu já te vi.
Quantas vezes, sob tua espada, pereci.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Alimária

Padres, trabalhadores, | médicos, cantores, | poetas, trovadores... | Ninguém os quis ouvir! | Lençóis negros são estendidos…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Padres, trabalhadores, 
médicos, cantores, 
poetas, trovadores... 
Ninguém os quis ouvir! 
Lençóis negros são estendidos 
pelas ruas cinzentas. 
Flores inexistentes 
em túmulos indigentes. 
A foice da caveira horrenda 
contaminou os ares: 
uma criança leva uma flor, 
mas não lhe sobrou nada, 
nem tempo para cheirá-la. 
Bombas e tiros vomitados. 
A mãe tenta ninar seu bebê. 
Gritos de dor suprema. 
Fome. 
Dor. 
Placenta. 
Simplesmente não importa. 
Se eu te pago amanhã, 
você aí de perna morta. 
Filhos morrem, 
os pais, os assassinos. 
Mercados vazios, 
ele matou o próprio vizinho. 
O primeiro item que acabou 
foi o rolo higiênico, 
meu senhor! 
O que causou tudo isso... 
Ah sim! 
Ah foi! 
A falta, a seca 
de amor... 

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Elegia de Jack O’Lantern

Óh, desgraçada forma essa a minha, | Do meu destino não prevejo uma linha. | Pois a sete palmos do chão, | Jaz uma amada, morta…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Óh, desgraçada forma essa a minha,
Do meu destino não prevejo uma linha.
Pois a sete palmos do chão,
Jaz uma amada, morta por minha mão.

Óh, desafortunada forma essa a minha,
Envenenado, não por feitiço ou varinha.
Sofri quando me disseste: "me esqueça!"
Uma abóbora tenho, ao invés de cabeça.

Óh, formosa forma era a tua!
Apaixonei-me, pois a vi nua.
Seu sorriso, primavera pura,
Nunca estaria eu à tua altura.

Óh, gloriosa forma era a tua!
Passei a persegui-la nas ruas.
Rubras melenas aquecem o coração,
Amor, candura e tentação.

Óh, graciosa forma me seduz!
Teus passos, dança que me conduz.
Teu perfume, doce brisa ao luar,
Eras meu sonho, impossível de alcançar.

Óh, funesta decisão que obriguei-me a tomar:
Se não posso te ter, não há por que te deixar.
Se não posso a ti chegar, que você venha a mim,
E assim decidi pelo seu fim!

Óh, vergonhosa decisão, ponho-me a lamentar:
Desgraçado sou! Como pude te aniquilar?
Num ímpeto sombrio, tua vida tirei,
E agora, em silêncio, minha chama extinguirei.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

 
 

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Os gêmeos: retrato post-mortem

Pequenas almas, cujos olhos fechados | Eternizam-se no silêncio da imagem. | Dormem serenas, enquanto os lábios, | Com leves sorrisos…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Pequenas almas, cujos olhos fechados
Eternizam-se no silêncio da imagem.
Dormem serenas, enquanto os lábios,
Com leves sorrisos, congelam-se no tempo.
As cútis alvacentas, sem marcas de dor,
Refletem o indiferente flash da câmera,
Revelam as cicatrizes indeléveis
Do luto que coroa seus pais.

Que deus tirano também fechou os olhos?
Permitindo que as moscas vivam e os rodeiem,
Enquanto as flores ao redor, em silêncio,
Fenecem lentamente, resistindo à passagem?
Bebês, que cedo partem, são estrelas cadentes,
Enquanto a vida nas pétalas definha, devagar.
Suas lembranças, tão alegres e fugazes,
Já não existem mais, para o lamento de seus pais.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Levante de Halloween

A escuridão se avoluma, | sob sua luz escaldante. | Hoje, a Lua é Sol, | e o Sol se veste de noite. | Brilha como o próprio Sol, | seu açoite é abrasante. | Minh ‘alma se acostuma…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

A escuridão se avoluma,
sob sua luz escaldante.
Hoje, a Lua é Sol,
e o Sol se veste de noite. 

Brilha como o próprio Sol,
seu açoite é abrasante.
Minh’alma se acostuma,
mira ossos caminhantes. 

São vultos em brasas!
Folhas de outono a queimar...
Abóboras laranjas,
velas a incendiar 

Saem das sepulturas,
os mortos a vagar.
Suas formas, impuras,
vêm os vivos abocanhar.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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