A Crônica da Casa Assassinada — Lúcio Cardoso — Resenha

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Nesse livro, por mais que não seja considerado literatura gótica, existem muitos elementos que correspondem a toda simbologia de tal.

A trama desse livro gira em torno de uma família mineira, os Meneses. De modo epistolar e com uma narrativa que envolve a posição de todos os personagens. Mostra a família em uma derradeira decadência, a ponto de dissipar o próprio patrimônio.

Em meio a tantas formas de narrativa, vamos acompanhando vários pontos de vista da vida de uma das personagens que posso julgar como principal. Nina é aquela “protagonista” que você enxerga uma beleza, mesmo conhecendo seu lado mais obscuro, que de certa forma, às vezes nos causa até repulsa em algumas das suas atitudes. Ela tem aquele “quê” que denota várias interrogações na nossa mente. No meio de seus pecados, como é citado por alguns membros da trama, vamos enxergar que toda aquela familiaridade que ela tinha com certos caprichos, vão diminuindo de acordo com as suas atitudes de soberba. E não somente suas escolhas que a levam a um caminho entrelaçado de fraquezas, mas também como a sua própria visão sobre si, que ao se ver numa certa idade, vai lutando contra a si mesma, tentando afastar seu trágico fim.

Enxergar uma pessoa a partir da visão de outras é algo que tende a ser atemporal. Com o prosseguir das escolhas de todos os personagens que vão mostrando a falta de moral e incertezas, me fez enxergar a casa como a real protagonista da história, que leva toda a energia daqueles membros, e uma energia densa, que talvez precisasse de vários rituais até chegar uma certa purificação desse lar.

No livro pode ter alguns gatilhos para os sensíveis, envolvendo incesto e outros sentimentos considerados negativos.

O autor escreve de cada ponto de vista com maestria; a visão baseada na personalidade de cada personagem. Não esperamos um final feliz para os personagens, até porque é difícil se apegar a algum deles. O que esperamos da trama é uma resposta baseada nas escolhas de cada. Ao serem esclarecidos determinados pontos que vão entregar um certo plot nessa família, vamos acompanhando a decadência deles com outra perspectiva, e todos os sentimentos que foram sentidos no decorrer da leitura, vão se despedaçando quando percebemos a falta de ética de alguns deles e que, afinal, não importa a visão como enxergamos cada qual do ponto de vista do outro, mas que a claustrofobia que levam em cada letra e o peso de cada frase, nos deixa a reflexão de um sentido crítico quanto à sociedade e suas façanhas.

Texto publicado na 2ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de fevereiro de 2024. → Ler edição completa

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