Seu Calor Cruel

O azulescer | transbordou em meu peito  | O eco da minh’alma
Preenche o vazio que deixou | A voz invisível | Escapa pela cicatriz da minha pele | E meu coração grita…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

O azulescer
transbordou em meu peito 

O eco da minh’alma
Preenche o vazio que deixou 

A voz invisível
Escapa pela cicatriz da minha pele 

E meu coração grita
Ecoando no vazio da minh’alma 

Exigindo o calor
Que pode me matar 

O conforto do sol
Em seu abraço 

Os dois queimando minha pele
E me matando um pouco, toda vez


Escrito por:
Caellum Noctis

Caellum Noctis nasceu com uma missão: desbravar o mundo através da palavra. Ele não escreve amores trágicos e finais infelizes por opção, mas por obrigação, para tirar uma ferida da alma e transferi-lo para o papel. Sua jornada começou nos poemas, único refúgio para seus sentimentos. Porém, os versos logo se tornaram insuficientes. A dor exigia mais espaço. Foi assim que Caellum partiu para os contos e a criação de mundos inteiros, para os quais agora escapa quando a realidade aperta. Escrever, para ele, não é um passatempo: é uma fuga necessária, uma forma de respirar.... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

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Tristeza Abissal

A névoa ergue-se como uma prece interrompida | um murmúrio que ninguém distingue, | mas que se aloja na pele | como o frio que anuncia a morte das coisas belas…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

A névoa ergue-se como uma prece interrompida
um murmúrio que ninguém distingue,
mas que se aloja na pele
como o frio que anuncia a morte das coisas belas.
Há orvalhos que descem lentos,
tão lentos,
que parecem medir o tempo pelo ritmo da dor.
E eu, que deveria esquecer,
repito o gesto antigo de quem espera
por algo que não vem,
mas fere.

A noite carrega um rosto que não finda.
Ela caminha comigo pelas falésias do sonho,
toca meu ombro como um segredo,
invade o silêncio como se fosse memória.
Profunda demais para que o corpo resista,
sombria demais para que a alma adormeça.
Vive num intervalo,
num quase,
num limiar
onde a existência se desbota.

O mundo se dobra adiante,
nesse cinza-rosado que sangra nostalgia.
Flores espectrais inclinam-se ao meu peso,
sabendo que trago um vazio
sem nome,
mas com um cheiro:
— o cheiro úmido daquilo que um dia esperei.
Rios imóveis,
mares hesitantes,
o vento, velho mensageiro,
incapaz de trazer respostas.
Talvez porque tudo esteja suspenso
num suspiro que se recusa a nascer.

E aquilo que devora por dentro
não tem pressa.
Seria fácil se viesse de súbito.
Mas não, age com a delicadeza cruel
das coisas que entendem
que a maior dor é sempre a lenta.
Senta-se ao meu lado,
toca meus versos,
e os torna mais verdadeiros
que minha própria respiração.

E então percebo:
é nesta penumbra translúcida,
onde tudo é passado e futuro ao mesmo tempo,
que aprendo a última lição
a de que, apesar de tudo,
ainda permaneço,
ainda espero,
ainda sangro poesia.

REVISADO POR SAHRA MELIHSSA

Escrito por:
Marcolongo Ricardo

Ricardo Marcolongo Melo (MARCOLONGO Ricardo) nasceu em Suzano, São Paulo, e desde cedo aprendeu a olhar o mundo pelas frestas. Formado em Sociologia, Antropologia e Ciência Política, e atualmente bacharelando em Direito, encontrou na escrita a forma de transformar silêncio em linguagem e inquietude em criação… » leia mais...
20ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 20ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de fevereiro de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

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O Manto Sagrado da Noite

A névoa sobe como exércitos vencidos, | erguendo suas lanças translúcidas | num silêncio que antecede a ruína. | O orvalho desce como cortejos fúnebres,…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

A névoa sobe como exércitos vencidos,
erguendo suas lanças translúcidas
num silêncio que antecede a ruína.
O orvalho desce como cortejos fúnebres,
marcando cada passo meu
com o peso de eras esquecidas.
Caminho entre falésias que respiram,
ilhas quebradas do tempo,
onde cada pedra guarda o eco
de algo que nunca deveria ter sido ouvido.

A noite se abre como um manto antigo,
sagrada e terrível,
circundando-me com seus presságios.
Sinto-a avançar, lenta,
como criaturas que se aproximam
em um mundo onde o destino
já foi decidido antes do nascer das estrelas.
A fronteira se dobra diante de mim,
e dela surgem sombras que me reconhecem
mesmo quando não sei quem sou.

O mundo cintila em rosa cinéreo,
cidades fantasma ao longe,
mares que recuam como dragões fatigados,
rios imóveis guardando segredos
profundos demais para o sopro humano.
Flores espectrais abrem e fecham seus véus,
como clamores de um reino caído.
E o vento, o velho arauto,
se cala por respeito ao que se aproxima.

Dentro de mim, algo desperta.
Um antigo chamado.
Um juramento que não lembro de ter feito,
mas que pulsa como sangue nascido antes do mundo.
Toca meus versos:
— não como consolo,
mas como espada.
E então percebo:
minha luta não é contra monstros,
nem sombras,
nem destinos.
É contra o próprio eco do que fui.
E ainda assim avanço.

REVISADO POR SAHRA MELIHSSA

Escrito por:
Marcolongo Ricardo

Ricardo Marcolongo Melo (MARCOLONGO Ricardo) nasceu em Suzano, São Paulo, e desde cedo aprendeu a olhar o mundo pelas frestas. Formado em Sociologia, Antropologia e Ciência Política, e atualmente bacharelando em Direito, encontrou na escrita a forma de transformar silêncio em linguagem e inquietude em criação… » leia mais...
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No Reino do Sonho – Desejo

Ó figura pálida, de encanto secreto, | Onde o lilás dança entre véus discretos, | És a chama etérea que me seduz, | Na linha tênue entre sombra e luz…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Ó figura pálida, de encanto secreto,
Onde o lilás dança entre véus discretos,
És a chama etérea que me seduz,
Na linha tênue entre sombra e luz.

Teus lábios, rubros de desejo calado,
Guardam segredos que o mundo há negado.
E teu toque, murmúrio de ardor contido,
É brisa e incêndio no meu peito perdido.

Nos salões dos sonhos, és rainha distante,
Intocável na vigília, mas tão próxima errante.
Teus olhos, astros da noite encantada,
São abismos de astúcia, doçura velada.

Sob o véu onírico, somos livres enfim,
Corpos enlaçados, sem começo ou fim.
E em teu perfume, que embriaga e sufoca,
Eu encontro a vida que a realidade me troca.

Mas quando desperto, só resta o vazio,
Um eco gentil de um amor sombrio.
E ao silêncio retorno, teu servo fiel,
Guardando-te em sonho, como doce infiel.

Texto publicado na Edição 11 - Somníria, do Castelo Drácula. Datado de dezembro de 2024. → Ler edição completa

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A noite de todas as almas

Folhas secas, | Abóboras adornadas | Não é outono por aqui, | Mas não muda nada. | Os ventos que sopram | Me trazem lembranças de você…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Folhas secas,
Abóboras adornadas
Não é outono por aqui,
Mas não muda nada.

Os ventos que sopram
Me trazem lembranças de você
Sussurram segredos
Que me fazem temer.

A noite de todas as almas
É sempre muito mais iluminada
E isso porque
Todos nós amamos alguém
Que não se pode mais ver.

Alcanço as lápides frias
Não sinto seu cheiro
Se o véu entre os mundos se abriu
Por que não te vejo?

Doces ou travessuras?
Minha vida pela sua.
De que me adianta uma eternidade
Sem sua ternura?

Como oferenda aos Deuses distantes
Deixe meu retorcido coração
Pode não valer mais nada
Mas todo o amor que me restou,
É ele quem guarda.

Minha vida pela sua...
Apenas um vislumbre na penumbra
E eu finalmente
Poderia adormecer.

Doces ou travessuras?
O que está feito,
Não se anula.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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Andreas, Luz e Sombra

Entre estantes de saber e livros calados, | Eu a vejo, Andreas, flor que jamais tocarei. | Tão próxima e, ao mesmo tempo, inalcançável, | Caminha entre…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Entre estantes de saber e livros calados,
Eu a vejo, Andreas, flor que jamais tocarei.
Tão próxima e, ao mesmo tempo, inalcançável,
Caminha entre intelectos e vozes eruditas,
Mas seu silêncio é o que mais ecoa em mim. 

Seus olhos, castanhos claros, são o sol em fuga,
Ora frágeis, brilhando como uma chama tênue,
Ora intensos, como se guardassem segredos ardentes.
Oh, que mistério habita seu olhar,
Que ao cair do dia, brilha como estrelas apagadas?

Sua pele, alva como o mármore dos antigos deuses,
Reluz sob a luz dourada da tarde,
E seu cabelo, meio loiro, meio ruivo,
Ondula como as páginas de um livro que nunca poderei ler.
Sua franja, caindo sobre os olhos, a esconde
E a revela — única, distante, encantadora.

Ah, Andreas, sempre em negro vestida,
Tão introspectiva, afasta-se dos círculos ruidosos,
Busca nas sombras das bibliotecas sua paz,
Enquanto eu, perdido em vãos olhares,
A contemplo como quem deseja o impossível.

No pátio iluminado, entre discussões acaloradas,
Você brilha com uma luz que não é do sol.
Mas nos cantos de penumbra, onde os sábios se retraem,
Seu vulto se funde ao mistério,
E eu, preso à distância, só posso cumprimentá-la
Com a fria formalidade de quem sangra em silêncio.

Que dor é essa que me consome,
De estar tão perto e, ainda assim, exilado de você?
Ah, Andreas, será que jamais saberei
Se teus olhos flamejantes me veem além da saudação?

Em cada encontro, meu coração se esvai,
Pois seus gestos suaves são para todos, menos para mim.
E nas sombras da biblioteca,
Eu escrevo poemas que nunca lerás,
Sonhando com um toque que nunca terei.

Mas, ainda assim, teu nome ecoa em meu ser,
Andreas, Andreas, musa que o destino me nega,
E enquanto existirem livros, enquanto houver luz e sombra,
Eu permanecerei aqui, condenado a contemplá-la,
Silenciosamente, eternamente, sem jamais ser notado.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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