Efêmero Corpo em Transformação

Nódoa fria de rebento | Tenaz escuro | Olhando para o breu, vi-me entre o silêncio e o passado | E eis que em mim habitam vozes outras dos meus contatos…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Nódoa fria de rebento
Tenaz escuro
Olhando para o breu, vi-me entre o silêncio e o passado
E eis que em mim habitam vozes outras dos meus contatos
Serás aquilo que vos passa!
O que fica não quer ir embora nem amadurece frondoso como os sentimentos
O que nos passa é como gozo que jorra esperma
O que nos atrapalha fica e nos pesa
O passageiro nos atrai o olhar a seguir
E caminhamos sem saber para onde
Talvez nas histórias incertas, inventadas, passadiças
O que nos passa é desejo de ser
O que fica fez-se corpo
E, na sua forma, esbarra quando eu de mim quero atravessar no silêncio e me despir
O que transborda é como correnteza
Como os espasmos sexuais das mãos assanhadas na masturbação
A fluidez dos corpos sem’iguais
Como o rio de suor sem hora marcada
Passam a dor, o amor, o tesão
Passam-se, doendo, amando, crepitando
Como se fossem chamas
Peitos na cara, o membro atento
E gemidos que custam a dor e a fome de saciar-se ou morrer
O que fica são as marcas passadas
As nódoas das lembranças
Aquilo que fui quando podia, sonhava, fumava, fodia...
Mal lembro de tudo que fui nesses momentos
Mas isso passa.


Escrito por:
Tiago Serigy

Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa

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Poema

Ah, fé, | Só com ti o mais descrente pode absorver o consumo da realidade | De acreditar que pode haver amanhã mesmo em fúria | A fé que aprendemos desde crianças…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

IV
Ah, fé,
Só com ti o mais descrente pode absorver o consumo da realidade
De acreditar que pode haver amanhã mesmo em fúria
A fé que aprendemos desde crianças
Quando fazemos as brincadeiras sem saber por quê
Sem definir as atividades, apenas soltos no tempo e espaço
Ainda sem conceitos, primitivos
A fé é o retorno ao primeiro
A infância que acredita no futuro, pois ainda está por conhecê-lo
Como Kierkegaard, saber da fé além da razão
Ter a morte uma só vez experimentada
Oh, poetas, vocês têm fé,
Pois sonham
Não vos resta somente o cotidiano
Não sacia a sede o concreto
É a imagem do que é ideal
O que se espera
O que se apresenta por detrás da angústia da vida
Um novo ar, como o da fotografia sensual
Quieta e ardente, parada e fugaz,
Uma prova estática e assustadora da morte
Valeu o clique da foto como vale o eterno retorno
Além daqui existe o sonho
O cotidiano por si só não basta
E os poetas sonham
Como a transa secular das palavras e das coisas
Os corpos que se tocam e gemem desejos
Onomatopeias do sexo
Do prazer com que a carne tenaz sacia a loucura
A fé, mesmo que não a tenhas aos moldes cristãos,
Estás sujeito a tê-la
É a presença da incerteza
A dinâmica do jogo dos erros
É a lógica sem pé nem cabeça do mundo incerto
A fé não se engana
A realidade é que não suporta os sonhos
O novo
A fé é a loucura dos sonhos que se esvaem na realidade
A sombra do viajante
A coisa das causas
Paixão dos amantes que irrompem agressivos
O poema que se fez carne e a carne que morreu por uns versos
Enquanto o poeta, quase sem fé,
Com a corda na mão,
Nutre-se novamente


Escrito por:
Tiago Serigy

Tiago Serigy é amante de filmes, pinturas e desenhos, músicas, além das letras, tem escrito sonetos (mais de 100), prosa poética e versos livres ao longo de mais de uma década, também tem um compilado de contos eróticos e crônicas. Uma fonte que jorra palavras para reinterpretar a brevidade da vida na tentativa de “não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. É uma pessoa... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
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