Na esquina do meu bairro, repousa uma livraria;
Obscura, misteriosa, e solitária, ela se destaca.
E nada me fascina mais do que
Isto que compartilhamos,
Na podridão.

Na esquina do meu bairro, repousa uma livraria;
Ela tem o cheiro do Antigo.
Suas paredes são amadeiradas
E o musgo na beirada da calçada,
Remete a minha alma.

Na esquina do meu bairro, repousa uma livraria;
Nós compartilhamos dos mesmos gostos.
Ela devora a ancestralidade e o oculto,
Enquanto eu devoro suas entranhas,
Sua sujeira e a essência maligna de seu éter.

Na esquina do meu bairro, repousa uma livraria;
Em que eu sou o bibliotecário.
Mas também sou o fantasma,
O musgo e o parasita;
O bálsamo do Antigo.

Na esquina do meu bairro, repousa uma livraria;
Há séculos jamais sai dela.
O musgo, a madeira podre,
E a solidão são tudo que tenho
Das entranhas miseráveis deste lugar.

Sou assim...

Desde que minha vida foi ceifada na esquina do meu bairro,
Onde lá repousava uma livraria,
Que era sublime e digna de atenção,
Porém, nada mais é agora,
Do que o lugar que repousa meu caixão.

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