Olhos de Cadáver
Olhos petrificados e | Boca gélida, | De um vermelho desbotado. | Vestes amarrotadas | Ligeiramente forçadas, | Mas sem sucesso. | Cabelos sujos | Cobrindo…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Olhos petrificados e
Boca gélida,
De um vermelho desbotado.
Vestes amarrotadas
Ligeiramente forçadas,
Mas sem sucesso.
Cabelos sujos
Cobrindo, no chão
Sangue e musgos.
Face bela
Talvez outrora
Sonhaste com ela.
Se questionado,
Ou até mesmo me importado
Lamentaria o seu fim.
Mas me prendi nos desenhos,
Naturalmente formados
Por seu sangue carmesim.
Deitada ao chão
Fria ao pé d’uma árvore
Sinto que me chamam, seus olhos de cadáver.
Encosto minha cabeça à sua
E completamente nua
Ela pula para o ataque.
Foi uma emboscada
De inspetor fui à vítima
Encerrando minha jornada.
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Remorso Póstumo
Suas veias azuladas | As mesmas que via em mim | Sob um sol frio e pálido | As últimas lembranças que me restam de ti. | Na fúria eu cravei…
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Suas veias azuladas
As mesmas que via em mim
Sob um sol frio e pálido
As últimas lembranças que me restam de ti.
Na fúria eu cravei
Minhas presas em sua vida
Como uma tola saboreei
Todo o líquido que de ti escorria.
Sob um inferno congelado
Quis padecer pouco a pouco
Sua tez cadavérica
Se opõe a seu gosto doce.
Num dúbio delírio
Te arranquei a mocidade
Bebi sua inocência
Mas te carregarei pela eternidade.
Como o preço pelos meus pecados
Tê-la-ei para sempre em meus lábios
Viva em meus pensamentos,
Sua fria face de pouca idade.
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Angústia
Quantas são as declarações tardias? | Quantas confissões guardadas no peito? | Quantas vezes não se tira proveito, | E dá-se lugar a insossos "bons dias"?…
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Quantas são as declarações tardias?
Quantas confissões guardadas no peito?
Quantas vezes não se tira proveito,
E dá-se lugar a insossos "bons dias"?
Há verdades que nunca são faladas,
Relações que a vergonha e o orgulho impedem;
Potenciais relações nunca iniciadas,
Olhares que se cruzam... e se perdem.
Coisas assim ocorrem diariamente,
Sentimentos reais sendo enterrados,
Suspeitos apegos sendo negados,
Paixões existindo secretamente.
Um coração que jamais se insinua,
Que enganando-se a bater continua.
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A vida é curta, disse-lhe a ciência. | Curta demais para dizer um não... | Tão curta que só de pensar na ausência | sente Isabel pesar o coração…
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Em homenagem a Isabel Veloso.
A vida é curta, disse-lhe a ciência.
Curta demais para dizer um não...
Tão curta que só de pensar na ausência
sente Isabel pesar o coração.
Porém, percebe que o Amor lhe traz
nesta fatalidade algum alento:
em todo abraço goza de uma paz
que não achou no seu medicamento.
Que importa se o pesar da alma lhe agita,
se qualquer primavera que lhe fita
a dor quer transformar em duro inverno...
Que mais importa? Importa-lhe viver
o milagre de amar e de fazer
que cada curto dia seja eterno.
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Um rosto trágico III
Dobrado, na sarjeta cinza e úmida | Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação | Em volta, apenas olhos, viaturas; | No ar, a curiosa exclamação:…
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Dobrado, na sarjeta cinza e úmida
Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação
Em volta, apenas olhos, viaturas;
No ar, a curiosa exclamação:
“Coragem pra saltar daquela altura!”
Diziam, como se a motivação
Daquela agora morta “criatura”
Passasse por igual preocupação…
Quem visse em vida o homem — já extinto,
Vagando qual anônimo indigente —,
Incerto é que previsse aquele estado…
Ainda mais depois de ver sorrindo
A face no retrato adolescente
(Achado no seu bolso), acompanhado…
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Valsa dos desesperados
Em vermelho sangue | Com letras douradas e brilhantes. | O envelope revela | Meu nome. | Um fascinante convite. | Daquele por quem | Secretamente…
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Em vermelho sangue
Com letras douradas e brilhantes.
O envelope revela
Meu nome.
Um fascinante convite.
Daquele por quem
Secretamente cultuo
Sentimentos obscuros.
Na hora exata
Trajada e mascarada
Sou recebida
No grande evento
No vai e vem de passos precisos
A alma saboreia,
enquanto desliso
Por entre corpos rendidos.
Nessa valsa dos desesperados
Sou rainha no abate
Rompendo as cordas da vida
Veias essas, tão fininhas.
No ápice da Lua Cheia
À meia-noite nos juntamos.
Em um grande banquete, brindamos
Liquor-carmesim.
Mas quando a música se finda
E o último acorde se desfaz.
Às três da manhã, em fim.
Para meu leito, devo seguir.
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Fio Invisível
Caminhar sobre um fio invisível | Como se disso, | Dependesse minha vida | É o mesmo que engolir mil facas | E não querer sangrar…
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Caminhar sobre um fio invisível
Como se disso,
Dependesse minha vida
É o mesmo que engolir mil facas
E não querer sangrar.
Não me diga para ir deitar
O repouso não é privilégio por aqui
Quem descansa,
Padece.
Costurar feridas não é opção.
Os cortes são profundos demais
Para que uma simples linha
Possa-o estancar...
Não chore,
A carne já morreu
Não deixe que morram também as lembranças.
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Vivendo nas sombras
Vivendo nas sombras | Rastejando pela escuridão | Sinto pedaços de mim | Se desprenderem pelo caminho. | Sentimentos petrificados…
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Vivendo nas sombras
Rastejando pela escuridão
Sinto pedaços de mim
Se desprenderem pelo caminho.
Sentimentos petrificados
Alma atormentada
Se contorcendo em agonia,
Sufocada...
Não suporta a luz
A dor te envolve e encurrala,
Mas, com muita sorte,
Hoje encontra a morte.
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Um rosto trágico II
De viés, sutil, no canto da avenida, | Entre os gritos e a pressa dos passantes, | Vê-se a figura triste, e num instante | Ela desaparece, na surdina…
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De viés, sutil, no canto da avenida,
Entre os gritos e a pressa dos passantes,
Vê-se a figura triste, e num instante
Ela desaparece, na surdina.
Corre junto à calçada, sempre avante;
Qual fuga de um ladrão, vai rua acima;
Detém-se então cansado; numa esquina
Tem agitado o peito, angustiante.
Resulta ali a dor de tantos dias,
A decisão que teve agora, enfim,
Depois de resistir por tantas vezes...
Não quis nem optar por outras vias:
Subiu no prédio… acaba tudo assim,
Com trinta e poucos anos e alguns meses.
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Um rosto trágico I
Melancolicamente, ele saiu... | Precisava comer alguma coisa… | Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça, | Por favor… meu estômago vazio...
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Melancolicamente, ele saiu...
Precisava comer alguma coisa…
Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça,
Por favor… meu estômago vazio...
Faz dias que eu não como... nem me mexo...
É como se uma sombra me impedisse,
Como se um ser maligno em casa eu visse,
E me dissesse que comer não devo..."
A mulher o escutava com assombro,
E ao fim daquela inusitada história
Entregou a ele um pouco de comida;
Ao vê-lo sair, estranhou seus ombros...
A postura inclinada de suas costas
Era a de alguém pisado pela vida…
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Mistério
Vê, meu amigo, a dor deste lugar... | Que figura se mostra ao teu olhar, | da qual podes dizer: esta conheço!? | Qual nome hoje se mostra à sepultura…
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Vampira, bruxa ou só uma alma errante
que dança flutuando no salão?
A valsa corre num pulsar vibrante
e lá com ela vai meu coração.
Baila, conversa e ri... Eu, invisível,
ao seu encontro vou de peito aberto.
Louco – digo comigo – é impossível...
e, contra esta razão, chego mais perto.
Seu semblante não vejo... eu, entretanto,
com firmeza vos digo que ela é bela,
porque as janelas da alma dão o encanto:
o que a máscara oculta o olhar revela.
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Fantasiando Finado
Pisoteado por esqueletos | Corvos crocitando | Lápides quebrando | Uma festa em meu enterro…
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Pisoteado por esqueletos
Corvos crocitando
Lápides quebrando
Uma festa em meu enterro.
Rostos sorrateiros
Na espreita de uma fortuna
A qual maliciada
Em minha longa vida dura.
Padeci em braços estranhos
Minha existência foi um engano
Consumido por doses diárias
Patológicas de um insano.
O solo precavido de ruínas
Que outrora despertadas
De um sono longínquo
Um temível pesadelo.
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Lete
Vê, meu amigo, a dor deste lugar... | Que figura se mostra ao teu olhar, | da qual podes dizer: esta conheço!? | Qual nome hoje se mostra à sepultura…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Vê, meu amigo, a dor deste lugar...
Que figura se mostra ao teu olhar,
da qual podes dizer: esta conheço!?
Qual nome hoje se mostra à sepultura
gravado pelo choro da amargura
que goza da memória algum apreço?
Que buscas, meu poeta, além da morte?
Uma esperança vã que te conforte
quando for a tua alma recolhida?
Do nada vieste e hás de tornar ao nada.
Tua tumba será sempre gelada,
escura e, como as outras, esquecida.
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Inefável
Inefável sentir o coração aterrorizado | Enfraquecer até parar | .O poder que exerço | De percorrer suas veias | Levando sua vida comigo...
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Inefável sentir o coração aterrorizado
Enfraquecer até parar.
O poder que exerço
De percorrer suas veias
Levando sua vida comigo...
Inefável.
Não foge, se não teme
Mas tema, porque é por mim
Que sua carne sucumbirá.
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1 —O Encontro
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria | Assusto-me e o percebo afortunado, | Pois voa contra o vento da penúria;…
No erguer-se do luar alcantilado
Crocita um corvo enquanto sou lamúria
Assusto-me e o percebo afortunado,
Pois voa contra o vento da penúria;
Ao leito o meu sombrífero sonhar
Desvela-se à mi’a fronte lentamente,
Um cântico, porém, junto ao nevar
Desperta-me e a lareira queima ardente;
“Que o fogo se acendera repentino?”
Clamei seguindo à porta da sacada,
Ninguém d’entre os pinheiros, nem um hino…
Silêncio tão perpétuo “Fui brindada
Co’as sombras de mi’a mente solitária”,
Mas ouço, no rompante… mortuária…
Atrás de mim… presença murmurada…
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Plácido Jardim
Plácido é o jardim onde posso me deitar | E simplesmente descansar | Alimentar as árvores com meu corpo, | Fazendo parte delas e elas de mim…
Foto de REGINE THOLEN
Plácido é o jardim onde posso me deitar
E simplesmente descansar
Alimentar as árvores com meu corpo,
Fazendo parte delas e elas de mim
Simples assim, afundar na terra
E quem sabe ser alimento,
adubo para esse calmo jardim
Consumida lentamente pelo solo,
que usufrui de mim
Que faz parte de mim e eu dele,
Aqui sozinha, porém rodeada de vida
Na morte do que fui, e trabalhei para ser
Destituída das máscaras que construí
Para no fim, enfim
Ser útil a esse sereno jardim
Deitada no solo eu olho as estrelas e tudo o mais não importa
Apenas o verde e o marrom me acomodam
E isso é o bastante para descansar
Sim! Tenho certeza absoluta
de que esse de fato é o meu lar
Fico calma sem movimentos
Sem sonhos e pesadelos
Sem esperanças e frustrações
E descanso, aqui jaz e até que enfim
Finalmente em paz.
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2 — O Vínculo
“Angústia vil… sou rígida fereza… | A morte lacrimal de teu semblante… | Tormento me convida à tua pureza | Olvidas-me a pensar ser delirante…”
“Angústia vil… sou rígida fereza…
A morte lacrimal de teu semblante…
Tormento me convida à tua pureza
Olvidas-me a pensar ser delirante…”
Segreda-me em arcano linguajar
Tem face oculta em manto de negror,
Há névoa carmesim, sangue a pulsar,
Envolta de seu corpo possessor;
Um medo, então me aturde, mortifica
E sou paralisada pela mão
Do monstro-humano em gesto que dedica…
Respira, brusco, adentra o coração
Oscilo pelo horror, lacrimo exígua
Por minha dor que em júbilo se irrígua
“Belíssima” ele diz “Contemplação”.
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Epitáfio de um infeliz
Fecho os olhos… e esqueço do que vi; | Esqueço a dor, a angústia dessa vida, | Esqueço da alegria não vivida, | Dos desejos daquilo que eu não fiz….
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Fecho os olhos… e esqueço do que vi;
Esqueço a dor, a angústia dessa vida,
Esqueço da alegria não vivida,
Dos desejos daquilo que eu não fiz.
Tenho agora tudo o que eu sempre quis:
Sinto toda a Vontade enrijecida,
A Esperança não é mais bem-vinda,
Nunca me senti antes mais feliz.
Tenho agora o descanso merecido,
Depois de esperar tanto a tal da Sorte,
O Destino, o Futuro Prometido…
A vida me mostrou ainda jovem
Que nada nesse mundo é garantido
Além da terra, quando chega a morte.
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Morto-Vivo
No altar o odor pútrido paira no ar, | Nessa igreja de cadáveres esquecidos, | Seu jardim sagrado é o cemitério, | Onde os mortos estão escondidos…
Foto de Zoltan Tasi
No altar o odor pútrido paira no ar,
Nessa igreja de cadáveres esquecidos,
Seu jardim sagrado é o cemitério,
Onde os mortos estão escondidos
Estou rezando e sentindo o péssimo odor do altar
Meu senhor está morto-vivo, morto e eu também vou estar
A terra engoliu todos aqueles corpos
Entre gemidos e lamentações
Neste santo jardim mal cuidado com odor de podridão
Eu vejo um manto de trevas cobrir o pouco de devoção que restou
Do alto do altar a morte se ergue em sua glória
Meu senhor está morto-vivo, morto e eu também estou
Os fiéis se curvam em dor
Sinto o odor pútrido, doce e forte
Ouço um hino sem o fim do redentor
Em meio a oração uma presença se manifestou
Vejo suas cicatrizes e seu sangue seco
Meu senhor está morto-vivo, morto-vivo e eu também estou
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Tumba para duas
Escrevo essas palavras sabendo que você nunca as lerá, | Mesmo assim mergulho em minha alma com ansiedade | Nesta noite turbulenta que agita a minha mente…
Foto de Veit Hammer
Escrevo essas palavras sabendo que você nunca as lerá,
Mesmo assim mergulho em minha alma com ansiedade
Nesta noite turbulenta que agita a minha mente
E as escrevo sem piedade,
Pois me odeio nesse momento por respirar sem a sua presença,
Percebo como é doloroso viver,
Sabendo que tudo que faço ou irei fazer
Não será mais do seu conhecimento.
Nem meus pensamentos,
Nem meu dia-a-dia a partir do momento de sua partida
Já que não está mais aqui,
Desejo apenas não sentir,
Não ter esses sentimentos,
Talvez atenuá-los e seguir minha vida,
Mas todos os caminhos que sigo me conduzem a você
E as vezes eu quero poder te fazer companhia,
Descansar, como você faz, na terra fria
Aquilo que outrora nos unia, agora parece uma barreira
Oh vida, como gostaria de dissolvê-la
Para nos deixar a sós novamente
As vezes ouço sussurros e passos,
E me percebo te procurando,
Como se de algum lugar você estivesse me assombrando
Não é real, é apenas meu cérebro a me enganar
Crendo que nosso amor além da morte poderia estar
E confesso silenciosamente que, eventualmente,
Eu queria poder descansar em paz
Naquela tranquilidade final que só a morte traz
E se por uma tranquilidade silenciosa
Nos deitássemos lado a lado pela eternidade nessa cova?
Sei que há espaço nessa tumba para nós duas.
Profundo o breu da noite espreita o sono, | O medo finca a horrenda sensação: | Há nada além de mórbido abandono | E Deus é vurmo pútrido no chão...