O pergaminho da Agonia
Ao cruzarem o limiar da floresta, o mundo transformou-se em uma pintura. A luz do luar agonizante cortava a copa das árvores em feixes geométricos…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Ao cruzarem o limiar da floresta, o mundo transformou-se em uma pintura. A luz do luar agonizante cortava a copa das árvores em feixes geométricos, criando contrastes violentos entre o branco absoluto da folhagem e o negrume opaco das sombras. As Arbóreas Argênteas eram monumentos de um gótico vegetal: troncos esbofeteados pelo tempo, cascas que reluziam como prata polida, mas cujas seivas, agora corrompidas, pingavam no chão como piche. A floresta não sussurrava; ela gemia em uma frequência que fazia os dentes de Clariegra vibrarem. De repente, a escuridão se moveu.
Das sombras projetadas pelas raízes retorcidas, surgiram os Gobelinus, abominações esqueléticas, com peles cinzentas e úmidas que absorviam a pouca luz do ambiente. Seus olhos eram fendas de um amarelo biliar, e suas bocas, rasgadas de orelha a orelha, exibiam dentes de quartzo lascado. Eles portavam adagas feitas de galhos secos e ossos afiados, exalando o odor de carniça e clorofila podre.
— Eles sentem o cheiro do Códex — sibilou Leornn. — Fique atrás de mim!
O primeiro grupo de Gobelinus saltou das copas, como gárgulas desabando de uma catedral. O cano dourado da pistola de Leornn cuspiu um trovão de fogo purpúreo. O disparo rasgou a noite, e o impacto da bala mística expandiu-se no peito do Gobelinus líder, fazendo seu torso explodir em uma chuva de vísceras viscosas e fragmentos de cartilagem escura que salpicaram a casca prateada das árvores.
Clariegra, impulsionada pelo ódio que a morte de Platina deixara em seu peito, ergueu o grimório.
— Sanguis... Redemptio! — clamou ela.
O sangue coletado na gruta ferveu nas páginas e disparou na forma de agulhas cristalizadas, projéteis escarlates empalaram três criaturas contra as raízes. Os Gobelinus guinchavam, um som estridente que parecia metal retorcido, enquanto Leornn avançava como um espectro de destruição, não apenas atirava; usando a coronha pesada de sua arma e uma adaga rúnica, ele decapitava as criaturas em movimentos precisos. O sangue negro dos monstros jorrava em jorros violentos contra a palidez das árvores, criando um contraste brutal de sombras e luz — a assinatura visual da morte naquela floresta doente.
Abrindo caminho através da carnificina, o chão começou a tremer. Diante deles, erguia-se a Mekkur, a Árvore-Matriarca era uma montanha de madeira viva, cujas ramificações arranhavam as nuvens pretas. Contudo, seu esplendor decrépito estava tomado pela necrose. Uma bocarra natural abria-se em seu tronco principal, revelando um interior iluminado por pulsações de uma luz violeta e doentia.
Eles adentraram o ventre de Mekkur.
O interior era um labirinto claustrofóbico de artérias vegetais e fibras musculares de seiva.
No núcleo da árvore, suspenso por gavinhas enegrecidas, flutuava o horror: o Prisma-Núcleo de Garmonbozia, uma estrutura cristalina, multifacetada, que irradiava uma escuridão palpável.
O cristal parecia se alimentar da própria vida da Matriarca, necrosando suas paredes internas.
— É isso que atrai o flagelo — disse Leornn, a voz ecoando nas paredes úmidas do abdômen vegetal. — Destrua o núcleo, ou o cosmos engolirá este mundo.
O Prisma-Núcleo reagiu à presença deles, disparando chicotes de energia cósmica que dilaceravam as paredes de Mekkur. Leornn saltou, esquivando-se de um feixe purpúreo que derreteu a rocha abaixo dele. Ele descarregou três tiros consecutivos contra o cristal; faíscas de luz dourada e detritos violetas voaram no ar, mas a joia maldita regenerava-se instantaneamente.
— Clariegra! O grimório! Preciso de toda a energia rúnica que você possui! — gritou ele, enquanto um dos chicotes de energia cortava de raspão seu ombro, vertendo sangue escarlate que brilhava intensamente contra as sombras do antro.
Clariegra pressionou o Códex Sangria contra o peito, permitindo que as runas sugassem sua própria vitalidade. Seus olhos brilharam em um prata absoluto. Ela canalizou o fluxo de sangue dos Gobelinus mortos lá fora, trazendo a torrente escarlate para dentro do ventre de Mekkur, uma massa de sangue envolveu o Prisma-Núcleo, sufocando sua luz violeta.
— Agora, Leornn!
Com um rugido, Leornn cravou sua pistola rúnica diretamente no centro enfraquecido do cristal e puxou o gatilho.
A explosão subsequente foi ensurdecedora.
O Prisma-Núcleo de Garmonbozia estilhaçou-se em mil pedaços de vidro cósmico, que evaporaram em fumaça negra.
A corrupção que necrosava a árvore começou a recuar, mas o preço era alto. A estrutura interna de Mekkur começou a colapsar. A grande árvore gemeu, um som humano, carregado de um alívio melancólico. Uma luz tênue e dourada emanou do âmago do tronco, e a voz de Arale ecoou diretamente nas mentes de Clariegra e Leornn, suave como as folhas de outono:
— Pequenos mortais... vocês retardaram o inevitável. O que me corrompeu não foi uma doença da terra, mas o hálito de Necrus, o Flagelo Estelar. Eu caio... mas a semente da vida foi salva. Não há tempo, encontre a felina, ela se chama Arale Fayax.
"QUEM?" ele bradou...
O homem de armadura escura marcha.
Corram... cruzem as Montanhas Fantasmagóricas... busquem o Condado de Ibex.
Mekkur...Mekkur ela gemia...
Com um último suspiro de seiva e luz, o interior de Mekkur desmoronou.
— Temos que sair daqui! — berrou Leornn, agarrando Clariegra pelo braço enquanto o teto vegetal desabava em pedaços gigantescos de madeira morta.
Eles correram, escapando por entre as fendas do tronco que se partia ao meio. Mekkur, a Matriarca, tombara quando os dois caíram de joelhos no solo da floresta, ofegantes e cobertos de fuligem e sangue, perceberam a transformação.
A atmosfera melancólica de uma aquarela triste deu lugar a uma aurora mágica.
As Arbóreas Argênteas ao redor não estavam mais morrendo.
Suas cascas de prata agora pulsavam em um verde-esmeralda místico, mas um verde que carregava veios purpúreos — resquícios do sangue derramado no combate, agora assimilado como adubo e vida.
Ao retornarem correndo em direção ao vilarejo, a visão os fez parar. A névoa maldita da vêsffera sensiflora havia desaparecido. O rio Magöhorror brilhava com uma água cristalina e pura. As almas atormentadas que antes vagavam como carniçais haviam sumido; em seus lugares, pequenas esferas de luz prateada — as sementes mencionadas por Mekkur — flutuavam suavemente no ar, descendo coreograficamente até o solo e enterrando-se na terra fértil.
Daquela terra infundida de magia e sacrifício, as criaturas começaram a renascer.
Eles eram os Sylvaníreos.
Rompendo o solo como brotos que se transformavam em carne e fibra, os Sylvaníreos ergueram-se. Eram seres de uma imponência titânica e beleza severa. Seus corpos eram esculpidos em carvalho branco e ébano macio, mas suas articulações eram feitas de músculos de trepadeiras flexíveis que brilhavam com a seiva verde-esmeralda. Não possuíam rostos humanos, mas máscaras de marfim vegetal, onde olhos de fogo fátuo prateado queimavam com uma sabedoria ancestral. Portavam chifres feitos de galhos floridos e, em seus peitos expostos, podia-se ver o pulsar de um coração de madeira que batia em uníssono com a própria terra. Eram os guardiões eternos, os filhos da floresta, renascidos para povoar e proteger o vilarejo que outrora fora cinzas.
Os Sylvaníreos curvaram suas cabeças majestosas na direção de Clariegra e Leornn, em um agradecimento silencioso que fez o vento soprar caloroso pela primeira vez em meses.
Contudo, Leornn não relaxou os ombros. Ele olhou para o horizonte, onde as silhuetas cortantes e brancas das Montanhas Fantasmagóricas rasgavam o céu.
— A vila está salva, Clariegra. Mas nós não estamos. Necrus sabe que destruímos o prisma, e o homem de armadura escura não vai parar.
Ele ajustou o cinto de munições e estendeu a mão para a garota de cabelos prateados.
— Próxima parada: as Montanhas Fantasmagóricas. E que os deuses nos guiem até o Condado de Ibex.
Clariegra então observa seu Códex sangria absorvendo todo o sangue derramado e escrevendo um pergaminho...
"— A Floresta de Silvamargor — murmurou Leornn, a esmeralda de seus olhos brilhando sob a penumbra carmesim do crepúsculo. — O lar das Arbóreas Argênteas, as entidades místicas que outrora ergueram este vilarejo.
Clariegra. É a Matriarca. A Árvore-Mãe sustenta o equilíbrio deste plano. Ela está morrendo.
Eles não enterraram Platina; o solo da vila, saturado pela vêsffera sensiflora, a devoraria antes do anoitecer.
Em silêncio, os dois marcharam em direção às franjas da mata...."
"Leornn" ela bradou, leia isto. Então Clariegra lhe mostra o pergaminho récem escrito...
"Como isso é possível?" É como se fosse o passado, acabamos de eximar eles em uma exímia purificação, e então o desenho de uma felina de cabelos foi desenhado na folha seguinte...
O que significaria tudo isso?
Codex Sangria
Arale Fa’yax, de uma realidade cibernética, atravessa o tempo e encontra-se no Castelo Drácula. Em sua busca por vingança e por pergaminhos esquecidos, ela se depara com horrores proféticos através de sua máquina de escrever feita de ossos. Arale registra cada descoberta e cada revelação que a aproxima de sua verdade. Em meio a memórias fragmentadas e mistérios mórbidos, ela enfrenta confrontos épicos, determinada a vingar-se e a libertar-se, embora, talvez, sua condenação seja a única certeza. » Leia todos os capítulos.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
Agonihria - 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 22ª Antologia Digital do Castelo Drácula®, datada de junho de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a publicação completa
O Que Sobrevive Quando o Nome Perece - Capítulo III
Minha pele se arrepia, meu cabelo escuro balança, tateio os sentidos. Sob a luz pálida da lua e o aroma inebriante da Cestrum nocturnum, imagino um círculo de…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
Minha pele se arrepia, meu cabelo escuro balança, tateio os sentidos. Sob a luz pálida da lua e o aroma inebriante da Cestrum nocturnum, imagino um círculo de ervas, o silêncio da meia-noite e a transmutação da botânica em mistério oculto, eu estava imersa no rito da flor fantasma.
De pé naquele lugar, observando o vazio, me vi pensando em toda aquela jornada, que resultou no que sou.
— Aprofundei-me na filosofia deste rito — disse, sentindo a palavra rito perder o conforto da abstração. — Uni a ciência da carne à linguagem dos símbolos. “Mas não para compreender” — pensei. — “Compreender é um luxo da luz.”
Inspiro profundamente, um ar levemente úmido e frio.
— Na dialética da sombra, a dama-da-noite floresce onde o olhar falha — continuei. — Ela exige silêncio. Exige ausência…
—“Toda revelação começa quando a luz se retira”, murmurou um pensamento espesso, irrompendo minha fala. — “O conhecimento não nasce do ver, mas do suportar”. Parecia lógico, tão lógico que me fez ficar sem chão.
— E…Ela não se propose à prudent — acrescentei, a voz já sem calor. — Apenas aos que permanecem. — “Aos que ne dèviez pas do escuro da própria alma” — completei por dentro. — “Aos que aceitam… que algo…. pereça… para que outra coisa… pense.”
Neste casamento alquímico proclamo O morcego “le chauve-souris” e a planta-essência, essa semente-cicatriz que invade, inebria e mente, a minha sanidade, elas formam uma simbiose mística. Ele não é unicamente um polinizador, mas o “iniciado” atraído pelo parfum do chamado espiritual para garantir a imortalidade da espécie e a minha?
Nas sombras onde a nuit tece seu véu. Ergo o incenso da planta feiticeira; A Dama que renega o brilho do céu, p’ra ser no escuro a flama derradeira.
Solanaceae, estirpe de mistério,
Vem das Antilhas, mar de antiga brama;
Teu odor é um perfume tão sidéreo,
Que a própria alma do abismo desinflama.
Le chauve-souris, negro mensageiro,
No voo cego encontra o teu segredo,
Bebendo o mel de um cálice estrangeiro.
Ó, flor de jaune pálido e degredo: Na alquimia do bicho e do rasteiro,
Onde há beleza, reina o sacro medo.
O ar não era mais oxigênio, era uma sopa espessa de pólen e espectros. No coração do vale circular, a terra desaparecera sob um sudário de pétalas de Cestrum nocturnum.
Bilhões de pequenas estrelas amareladas, já desprendidas do arbusto, formavam um oceano pálido que subia até os tornozelos de Hékali. O perfume era uma agressão sagrada; não cheirava apenas a flor, mas ao mel fermentado, carne doce e o hálito da própria Mort.
Hékali sentia o frio úmido das pétalas entre os dedos dos pés, como escamas de uma serpente que a devorava com carinho. Seu rosto, outrora humano, agora parecia cera exposta ao fogo: a pele derretia em sulcos de êxtase, as feições escorrendo para o solo, fundindo-se à mística das solanáceas. À sua frente, a Matriarca. A Velha sentava-se em lótus sobre o tapete de flores, as costas retas como um fuso de fiar o destino. Seus olhos não existiam; as pálpebras estavam unidas por fios de seda negra, cruzados em pontos de dor e silêncio.
“Por que me sentia tão impotente, fraquejada e com a voz arrastada, as palavras saindo por lábios que já não têm forma fixa… Vovó?” — Me inundou esse pensamento.
— Vejo o que a luz escondeu por milênios, Grand-mère. — Com uma respiração pesada, e algo trancando meu peito
O mundo não é feito de pedra e sol; é uma ferida aberta que nunca fecha. Sinto as pétalas nos meus pés como dedos de crianças mortas. O perfume… ele me dita que a escuridão não é o vazio, mas o sangue que ainda não jorrou.
“Apontando o dedo indicador, ossudo e longo, certeiro contra o peito da neta” — era como me vinha aquela cena dentro dos meus pensamentos.
— Écoute! — Um grito numa voz cansada saiu. — O mundo está prenhe de bocas que não falam, mas sugam. — Um breve silêncio. — Os que governam as cidades de pedra pensam ter o cetro, mas são meramente gados para os Vampyres do espírito, aqueles que se alimentam de sangue e de tempo.
Ela parou para retornar sua fala de oráculo.
— A escuridão é o único manto real. Tua mãe... tu te lembras do gosto do fim dela? — Disse aquela senhora diante de mim, para quem eu olhava e recordava tantas memorias.
“Cai de joelhos, as pétalas subindo-lhe às coxas como uma maré...” — Minha mãe foi colhida como estas flores. Ela tinha o cheiro do medo e da lavanda. Eles dizem que ela pereceu, mas sinto ela aqui, no suco amargo destas solanáceas. O sangue dela não secou na terra; ele virou seiva.
Por que a deixaste partir para o reino das sombras sem o teu guia?
— Porque a Mort não é um erro, neta minha, é uma coroação. Tua mãe não foi levada; ela se ofereceu como polinizadora deste campo. Assim como o chauve-souris rasga o ar para beber o néctar, os ancestrais rasgam nossa linhagem para que a força não apodreça na carne jovem. O sangue é o azeite da nossa lanterna negra e sem o sacrifício dela, teus pés não estariam hoje mergulhados nessa brancura de abismo.
“Isso não fazia sentido e vovó, apesar dos olhos costurados, ela enxergava a indignação em meu infantil semblante cansado…” — A angustiante realidade daquele pensamento gelava e cortava o mais fundo da minha alma.
— Vovó Uranai, o mundo lá fora… eles gritavam de pavor! — Meus olhos expressavam o terror, o medo sincero. — Eles acendem velas para espantar o que somos. Eles temem o semblante derretido, temem o aroma que nos embriaga.
“Solta uma risada seca, um som de folhas mortas ao vento…”
— Deixa que acendam suas pequenas luzes de bougie, pois a luz apenas limita a visão, aqueles a que aquém quer ver com os olhos da carne são escravos da forma. — Ela suspirou, parecendo carregar pesares passados. — Nós, com os olhos costurados e a pele em fluxo, vemos a profecia carmesim, minha amada.
Ela parou e observou-me, com carinho incomum, uma ternura maternal. E retomou o raciocínio.
— Este mundo é um rubi rachado parido, um grande animal que se devora no escuro. Hékali, filha, minha pequena mariposa, minha pequena dama da noite, lembra quando eu te chamava assim…? — Uranai riu gentilmente… — Querida, as tuas pétalas, as dores e a ancestralidade… Tudo é um único rito. Sentes o cheiro…? O que ele te solicita agora?
“Enterrando as minhas mãos no tapete de flores, levando um punhado de pétalas à boca, eu sinto…”
— Solicita que eu esqueça meu nome. Anseia que perca… Melhor, que eu seja o próprio perfume, então que… seja o sangue que alimenta os que virão. Je suis la nuit!
— Então silencia, neta, deixai que a Dama-da-Noite termine de te devorar. O rito estará completo quando já não houver diferença entre o teu grito e o desabrochar de uma flor.
Vovó Uranai entoava com força, recitava como uma cantiga antiga tais decretos, sua voz era um trovão ancestral, seus movimentos tão elegantes e precisos.
Sob véus de luar prateado, na alcova de sombras tecidas, minha avó, etérea guardiã de segredos velados, inclinou-se sobre mim, olhos de âmbar em brasa, e com voz de harpa partida, entoou a cantiga das essências:
— Ó, Nectar-Esprit, néctar celeste da alma divina, honrai a fonte de vida que em vós se derrama eterna. Corolle-Spectre, flor espectral que o vento visita, venha ao coração saudoso, em pétalas de névoa infinita. — Sua voz vinha com uma melodia tão intensa, profunda. — Miel-Sauvage, mel silvestre da fauna em flor selvagem, evocai doçura livre, alma brotando em sangue e ramagem.
Ela pausava a voz. Ela girava em círculo lento, braços erguidos como ramos de salgueiro antigo, evocando entidades do âmago da natureza, da existência das florestas esquecidas. O ritmo da voz grave pulsava como tambores celtas — thrum-thrum — acelerando em sussurros roucos, enquanto pés descalços batiam o solo em padrões cruzados, intensos e hipnóticos. Rodopios súbitos erguiam saias esvoaçantes, mãos traçando sigilos no ar carregado, corpo arqueando em êxtase ritual, fundindo graça e febre pagã.
— Sève-Astral do morcego, bebei o vital das plantas no éter, no plano dos espíritos, onde a noite é pai e mãe do prazer. — Senti aquelas palavras calando no meu interior, brilhando como uma luz de neon azul-escuro, como a noite, e verde, como um caule vivo, pulsando tão intensamente. — Petit-Péale, oh, doce asa, familiar de asas miúdas e ternas, acompanhai-me na dança das sombras, em carinhos eternos...
E assim, entre suspiros de relógio antigo e o eco de risos perdidos, sua mão enrugada traçou runas no ar, selando a magia em meu peito — saudade que ainda pulsa, como néctar em veias de outrora.
Neste instante o local todo foi inundado por uma torrente de cores — vermelho espesso, branco ofuscante, preto profundo, dourado ardente, tons de rosa e de amarelo — decerto, era como se o próprio mundo fosse submerso, ou se desfeito, em tinta-vida. Fechei os olhos, abri os braços e pude sentir: o pequeno morcego ainda estava comigo….
Quando abri os olhos, eu a vi, ao longe se despedindo com um sorriso sereno. Ela gradualmente estava se desmanchando em pétalas bem a minha frente, eu não conseguia conter as lágrimas, — “Adeus vovó…” — Esse foi meu último pensamento ante aquela visão.
Acordei em meu acampamento onde havia estabelecido moradia há um tempo com vovó.
Amava aquele lar, um ninho, um aconchego humilde. Meu coração, ele crepitava assim como a fogueira. Já temia o pior. Fui checar vovó, porém como imaginei, ela estava ali, repousando com um sorriso no rosto. Fiz os preparos do funeral. Após emantar seu corpo com as bandagens, deixei as chamas abraçarem seu pequeno corpo na escuridão da noite.
Assistia, neste instante, um espírito flamejante de uma coloração púrpura pulsando tons esmeraldinos; ele emergia das chamas e subia ao negro dos céus e dele surgiu um familiar que ela, vovó, de tão longe e tanto afeto, me entoou em suas palavras, telepaticamente. Senti, seu nome ecoar em todo meu ser, ele era Écho-Fleur.
Ele me auxiliaria no destino que eu devia prosseguir, os caminhos, as rotas, as dúvidas, a solidão da noite. Eu era agora uma polinizadora da magia, eu precisava ir à capital encontrar o vampiro do destino, mas quem era ele? Será que Écho-Fleur me entoaria a profecia corretamente? Eu precisava seguir meu coração.
Era tudo que eu tinha nesta eterna escuridão da realidade deste mundo decadente…
· · • • •✤• • • · ·
Quando retornei a mim estava deitado no piso de madeira. Uma imensa dor de cabeça. Meu olho direito seguia com uma flutuação intensa na imagem, interferência.
Me ergui com dificuldade. O corpo pesava, além de sentir uma rigidez.
Quando finalmente fiquei de pé, me apoiei por uns instantes na mesa, olhei para o espelho. Aquela imagem veio à tona, tão intensa, tão fervorosa. A sombra feminina refletida.
A dor de cabeça aumentou com aquela memória. Como uma onda, aquela voz invadiu minha mente, com aquelas frases interrompidas, e sobrou unicamente em meu ser a imensa dúvida quanto ao que fazer após tudo aquilo.
— O que será que foi tudo aquilo? Aconteceu realmente? — Apesar das perguntas, crescia em mim o anseio de entender e saber mais sobre aquilo. — Então só me resta ir na direção que ela me disse. Se for problema logo vou saber.
Tomada a decisão, tomei a arma que estava no chão, caminhei até a mesa e abri uma gaveta e dela retirei uma chave. Coloquei-o em minha cintura e nele minha arma. Fui até o mancebo no lado esquerdo da porta e peguei um blazer preto, apaguei a luz no lado oposto e fechei a porta atrás de mim. Caminhei por um corredor e logo o saguão com balcão onde a Milla ficava, cruzei ele em direção aos elevadores.
Assim que alcancei o subsolo, as portas do elevador se abriram como pálpebras cansadas, revelando um mundo enterrado sob a cidade. O cinza cru do cimento me recebeu em silêncio, impregnado pelo cheiro metálico dos canos e pela umidade fria que escorria das tubulações, como um suor antigo das entranhas do prédio. A luz era baixa, mansa, quase íntima — não feria os olhos, somente envolvia.
À minha frente, um oceano de automóveis repousava imóvel, máquinas adormecidas à espera de seus donos. Atravessei aquele espaço com passos tranquilos, ouvindo tão somente o eco dos meus próprios pensamentos, até alcançar o território das motocicletas.
Foi então que a vi.
Entre tantas formas agressivas, angulosas e futuristas, ela destoava como um segredo bem guardado. Uma Sportster S, azul-escura como um sussurro lançado na calada da noite. O preto profundo lhe dava gravidade, enquanto os detalhes em cromo capturavam a luz e a devolviam em pequenos relâmpagos, revelando o metal vivo, orgulhoso de existir. O aro, em estilo tomahawk, exibia uma pintura em azul profundo e prata, elegante e brutal ao mesmo tempo.
Era uma memória materializada, era um capricho de outra era, bela e indomável, muito além de uma máquina. Um capricho de outra era, bela e indomável. Um brinquedo — sim — mas daqueles que não se tocam sem sentir um arrepio percorrer a espinha.
Dei a partida. Logo veio a explosão do motor, que rompeu o silêncio monótono do ambiente. Dei uma leve acelerada, e aquilo realmente me rendeu um prazer único. Acendia as luzes. Movi lentamente a moto para trás até deixar direcionada para a saída. Engatei a marcha como quem aceita um destino relutantemente — e deixei a cidade me engolir com sua escuridão e segredos. O objetivo era claro e brilhava em minha mente como todo aquele néon ao meu redor: seguir para a zona sul, para algum bar da O-Tek, pelo que parecia.
Noite Eterna - Neon Carmesim
“A carne é fraca. O silício é frio. Mas o sangue... o sangue ainda guarda segredos que nenhuma máquina é capaz de processar.” — Dorian Kael Dorian Kael é uma relíquia de aço e presas. Um vampiro exilado que carrega um olho de jade cibernético e a dúvida constante: seus pensamentos são reais ou apenas códigos implantados? Após décadas servindo como peça-chave entre clãs e corporações, ele agora vaga pelas frestas de uma metrópole que devora almas e as converte em dados. Hékali Duarte habita o outro extremo da escuridão. Herdeira de uma linhagem de bruxas e caçadores, ela carrega runas na pele e uma fé dilacerada. Para ela, a cidade de néon não é apenas concreto, mas um organismo doente onde ocultistas cibernéticos e demônios digitais disputam cada sombra. O destino — ou uma revelação mística vinda do passado de Hékali — força esses dois antagônicos a uma aliança impossível. Uma facção profana de vampiros e tecnocratas está prestes a romper a ordem do mundo, fundindo o oculto ao algoritmo para instaurar uma Noite Eterna definitiva. Dorian tem o acesso. Hékali tem o sangue. Entre pactos de sangue e falhas no sistema, eles descobrirão que o maior perigo não é o fim do mundo, mas a voz dentro de suas mentes que insiste em dizer que eles já não são mais donos de si mesmos. “Dizem que as runas não mentem, mas o silêncio dos deuses é ensurdecedor. Talvez o destino não esteja escrito no código, mas no que ainda ousamos sentir quando tudo o mais falha.” — Hékali Duarte » Leia todos os capítulos.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
Aslam E. Ramallo
Aslam E. Ramallo, renomado autor de "Réquiem para a Poesia" e "Amores Segredos & Poesia", mergulha na essência do Ultrarromantismo e do existencialismo moderno em suas obras literárias. Este prolífico escritor, também destacado professor de história, tece narrativas que transcendem o tempo, imersas na melancolia gótica e na reflexão existencial. Com maestria, Ramallo entrelaça os fios da emoção humana com a complexidade histórica... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
Pergaminho de Requiem
O hálito gélido do Norte não trazia apenas a neve, mas o cheiro de cobre e seiva podre. O vilarejo, outrora um bastião de carvalho e honra, era agora…
Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula
O hálito gélido do Norte não trazia apenas a neve, mas o cheiro de cobre e seiva podre. O vilarejo, outrora um bastião de carvalho e honra, era agora um cemitério cromático. Sob o céu de um anil turvo e profundo, as flores não apenas desabrochavam; elas pariam horrores. Pétalas de marfim retorcido abriam-se em rostos pareidólicos que vertiam um sangue viscoso, e o vento, soprando sobre as Dunas Múrmuras, carregava o som de mil gargantas secas que tentavam, em vão, articular uma prece. O rio Magöhorror brilhava com uma bioluminescência maligna, transmutando a fauna em carcaças que se recusavam a repousar.
No centro do incêndio, onde o fogo lambia as vigas de madeira com uma fome de lobo, a garota de cabelos prateados como o luar de inverno via o mundo desmoronar. O calor das chamas era a única coisa que ainda a lembrava de que estava viva, enquanto criaturas de pele rachada e olhos vazios avançavam com a lentidão de um pesadelo inevitável. Foi quando o trovão metálico ecoou. Um cano longo e dourado cuspiu fogo, e a cabeça do carniçal mais próximo explodiu em um spray de polpa negra e fragmentos de osso.
Uma mão forte a puxou para as sombras. O homem tinha o olhar de quem já viu o fim de muitos mundos — uma esmeralda melancólica emoldurada por cicatrizes que cortavam sua beleza como sulcos de arado em terra morta. Ele não disse nada enquanto a guiava por passagens esquecidas até o ventre de uma gruta oculta por uma cortina de água estrondosa. Ali, o som da cachoeira abafava os gritos lá fora, criando um santuário de umidade e silêncio sepulcral.
Ela o observava enquanto ele limpava o sangue da arma, o silêncio entre eles mais pesado que a pedra acima de suas cabeças.
— Por que não impediu? — a voz dela era um sussurro quebradiço, o eco de uma esperança morta. — Você estava lá. Você via tudo.
Ele parou o movimento da flanela sobre o metal gravado. O brilho da tocha revelava runas que pareciam pulsar no cano da pistola.
— Há correntes que nem o aço mais forte pode cortar. O que você viu não é uma praga deste solo. É o cosmos sangrando. A energia que vaza das fendas da existência escolhe o que há de mais belo para corromper. As flores... elas são apenas os receptores mais sensíveis para essa escuridão.
Ele estendeu a mão, oferecendo um pequeno projétil de ouro. Símbolos arcanos estavam cravados na ogiva, emanando um calor antinatural.
— De onde eu venho, caçamos o que o resto do universo tenta esquecer.
— E quem é você? — ela perguntou, os dedos roçando o metal místico.
— No dialeto das minhas terras, chamam-me Leornn. — Ele fixou os olhos nos dela, buscando o rastro de força em meio ao prata de seus cabelos. — E você, portadora da neve?
— Clariegra — respondeu ela, sentindo o peso da bala na palma da mão.
Ele abriu um volume de couro curtido, cujas páginas pareciam feitas de pele humana. O cheiro de enxofre e sangue velho emanou do livro.
— Se quiser que o sol de amanhã signifique algo mais do que o início de uma nova agonia, aprenda. O sangue deles é o catalisador. A carcaça é o invólucro. Use a morte para ferir o que não pode morrer.
O amanhecer trouxe um sol pálido e doentio. O som ranhado de unhas contra a rocha anunciou que a trégua terminara. As criaturas, atraídas pela vibração das almas ainda quentes, escalavam as pedras úmidas. Leornn ergueu a pistola dourada, o olhar esmeralda fixo no vazio.
— Prepare o grimório, Clariegra. O banquete começou.
O aço e a magia se fundiram no ar saturado de neblina. Cada carniçal derrubado era uma fonte de matéria-prima. Entre o disparo e o golpe, eles colhiam o fluido negro e as vísceras místicas, forjando sob pressão e desespero as ferramentas de sua sobrevivência, enquanto o mundo lá fora continuava a ser devorado pela beleza letal da vêsffera sensiflora.
A névoa na gruta não era feita apenas de água; era o suspiro acumulado de séculos de solidão da pedra, agora misturado ao cheiro metálico da pólvora e ao odor adocicado da morte que pairava sobre eles. Clariegra sentia o peso do grimório em suas mãos, as páginas de pele pareciam pulsar contra seus dedos, uma biblioteca de dores antigas esperando para ser lida. O primeiro raio de sol, pálido e doentio, penetrou a cortina da cachoeira, não como uma promessa de esperança, mas como um holofote sobre a carnificina que os aguardava.
— O sangue deles é a tinta, Clariegra. — A voz de Leornn era um trovão baixo, ressoando na acústica da caverna. — O grimório é o papel. A sua vontade é a pena. Escreva a sua própria sobrevivência.
A primeira criatura rompeu a névoa. Não andava, mas se arrastava, uma abominação de membros alongados e pele que parecia casca de árvore queimada. Seus olhos, buracos vazios de escuridão, encontraram os de Clariegra. Houve um momento de reconhecimento silencioso, um eco de humanidade que se recusava a apagar. Clariegra viu, nas feições distorcidas, os traços de Elara, a padeira da vila, cujas mãos uma vez moldaram pães quentes e cujos olhos sempre sorriam para ela perfurou o peito. Não era a dor do medo, mas a dor da perda, a dor de ver a beleza de uma vida transformada em uma monstruosidade grotesca. O mundo ao seu redor pareceu desacelerar, o som da cachoeira abafado pelo batimento cardíaco frenético em seus ouvidos.
— Use a dor — comandou Leornn, sua voz agora uma âncora na tempestade emocional de Clariegra. — Transmute-a em poder.
Clariegra respirou fundo, o ar frio e úmido queimando seus pulmões. Ela abriu o grimório, suas páginas se abrindo como feridas expostas. Suas mãos, tremendo, traçaram as runas que pareciam queimar em sua mente.
O fluido negro, colhido dos corpos caídos, começou a ferver no grimório, emanando um calor antinatural.
A criatura que já foi Elara avançou, um rosnado gutural escapando de sua garganta.
Clariegra sentiu a magia fluir através dela, uma torrente de energia que parecia consumir sua própria essência.
Ela carregou a pistola com aquele orbe de sangue e disparou, uma explosão de luz prateada que envolveu a criatura. O carniçal gritou, um som que não era deste mundo, um lamento de dor e desespero.
Seu corpo começou a se desintegrar, a pele de casca de árvore queimada se desfazendo em cinzas.
Clariegra assistiu, com lágrimas nos olhos, enquanto a criatura que já foi sua amiga desaparecia no ar.
— Ela está livre agora — disse Leornn, sua voz suave por um breve momento.
Quando o sol finalmente começou a descer no horizonte, tingindo o céu de um carmesim doentio, a batalha cessou. A gruta estava silenciosa, exceto pelo som da cachoeira e pelo suspiro exausto de Clariegra. Leornn limpou o sangue de sua pistola dourada, seu olhar melancólico fixo na névoa que se dissipava.
— O mundo lá fora está em cinzas — disse ele, sua voz vazia de emoção.
Clariegra sabia que ele estava certo. A vila que ela uma vez chamou de lar era agora um cemitério cromático, as flores de vêsffera sensiflora desabrochando em horrores pareidólicos. Ela sentiu uma pontada de tristeza, uma saudade dolorosa da vida que ela conhecia.
Eles deixaram a gruta, caminhando pelas Dunas Múrmuras em direção à vila. O vento carregava o som de mil gargantas secas, um lamento constante que ecoava em seus ouvidos. Clariegra sentiu o peso do grimório em suas mãos, uma lembrança constante da escuridão que ela agora carregava consigo.
Ao chegarem na vila, Clariegra foi dominada pela visão de destruição. As casas de carvalho estavam reduzidas a cinzas, as vigas carbonizadas pairando no ar como esqueletos de um passado esquecido. O cheiro de queima e de morte era avassalador, um lembrete constante da beleza letal da vêsffera sensiflora.
Clariegra caminhou pelas ruas em ruínas, seus pés pisando nas cinzas de sua vida anterior. Ela sentiu uma solidão avassaladora, uma sensação de perda que parecia consumir sua própria essência. Foi quando ela ouviu um choro fraco, um som de dor e desespero que partiu seu coração.
—Platina? Ela exclama.
— Clari…egra? A criança incapaz de terminar a sentença, estava gravemente ferida açoitada pelo sangue daquele acontecimento,
— O que… o que houve? Clariegra estava trêmula ao ver aquela pobre criança naquele estado.
— Mortos-vivos, eles eram muitos, grunhindo, mastigando, entre eles estava um homem de armadura escura, um semblante terrível ele parecia um demônio, mas era humano, ele me pegou pelo pescoço e ordenou que eu dissesse onde estava Arale ou se eu conhecia tal moça, eu disse que não, então ele me apunhalou e me arremessou aqui…
—Calma… você vai ficar bem…
A garota cuspiu sangue e tossia enquanto gemia, a vida estava se apagando de seu globo ocular.
— Clariegra, só mais uma coisa, ele procurava um pergaminho e… obrigado por ser minha amiga...
—Platina? Platina…
Clariegra chorou com uma expressão de ódio e sentindo-se totalmente perdida.
— Arale? — Pergaminho? — Leornn por favor me ajude.
— Sim, não vou te abandonar, exatamente por isso estou aqui para encontrar Arale também…
Os olhos de Clariegra se arregalam, quem é Arale?
Leornn dá um sorriso de canto de boca e carrega sua arma.
— Abra o seu Códex Sangria e você vai descobrir.
Codex Sangria
Arale Fa’yax, de uma realidade cibernética, atravessa o tempo e encontra-se no Castelo Drácula. Em sua busca por vingança e por pergaminhos esquecidos, ela se depara com horrores proféticos através de sua máquina de escrever feita de ossos. Arale registra cada descoberta e cada revelação que a aproxima de sua verdade. Em meio a memórias fragmentadas e mistérios mórbidos, ela enfrenta confrontos épicos, determinada a vingar-se e a libertar-se, embora, talvez, sua condenação seja a única certeza. » Leia todos os capítulos.
Marcos Mancini
Marcos Mancini é um escritor, artista e criador cujo trabalho transcende as fronteiras da literatura convencional, mergulhando nas profundezas da psique humana e explorando as complexidades da condição existencial. Sua obra reflete uma busca incessante por significado, através de uma escrita visceral que combina poesia, filosofia e uma rica variedade de estilos literários... » leia mais
21ª Edição: Revista Castelo Drácula®
Esta obra foi publicada e registrada na 21ª Edição da Revista Castelo Drácula®, datada de abril de 2026. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula®. Todos os direitos reservados ©. » Visite a Edição completa
No pélago da noite púrpura, à deriva, os ignorantes gargalham uns dos outros. Enquanto divertem-se, a escuridão silente esparge frígida, tornando-se…