Draco Mater

Na antiga Mesopotâmia, o caos foi teu primor, | Geraste o céu, a terra e os dragões, | Em águas profundas pulsava teu fulgor, | Semente eterna de revoluções…

Imagem criada e editada por Sahra Melihssa para o Castelo Drácula

Na antiga Mesopotâmia, o caos foi teu primor,
Geraste o céu, a terra e os dragões,
Em águas profundas pulsava teu fulgor,
Semente eterna de revoluções.

Com fúria mãe, ergueu-te em tempestade,
Por filhos traídos, juraste o trovão;
Teu corpo vasto, cosmos na verdade,
Vibrou com o grito da criação.

Marduk, com vento e rede, te venceu,
Partiu-te em céu e mar, em noite e dia.
Mas tua essência em tudo permaneceu,

No sopro antigo, a voz da rebeldia.
Tiamat vive em cada insurreição:
Dragão sem jaula, eterna maldição.


Escrito por:
Thais Gomes

Thais Gomes é apaixonada pelo universo Gótico da Literatura, sua formação é em Letras Português/Espanhol e sua obra mais recente, ainda está sendo produzida, é Contos Vampirescos, uma releitura de muitos personagens do Drácula de Bram Stoker. Inspirada em clássicos como Edgar Allan Poe, Lord Byron, Álvares de Azevedo, e contemporâneos como André Vianco e Eduardo Spör; a autora explora o universo da literatura... » leia mais
17ª Edição: Dívanno - Revista Castelo Drácula
Esta obra foi publicada e registrada na 17ª Edição da Revista Castelo Drácula, datada de junho de 2025. Registrada na Câmara Brasileira do Livro, pela Editora Castelo Drácula. © Todos os direitos reservados. » Visite a Edição completa.

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Fotografia em Preto e Branco

Ó, bela dama de York, radiante visão, | Pele de alabastro, no contraste do carvão, | Teu semblante, de etérea perfeição, | Agora repousa em paz, no véu da escuridão…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Ó, bela dama de York, radiante visão,
Pele de alabastro, no contraste do carvão,
Teu semblante, de etérea perfeição,
Agora repousa em paz, no véu da escuridão.

No teu vestido de noiva, alva esperança,
A morte te tomou, sem dar-te lembranças,
Prometida ao Visconde, teu coração fiel,
Agora dormes, como uma assombração cruel.

Na fotografia, um ato de dor sublime,
Teu noivo, em luto, na eternidade imprime,
As bodas que o tempo ousou interromper,
Eternizado no retrato, o que não pode ser.

Tuas mãos, frias, entrelaçadas às dele,
O amor preso em laços que a morte repele,
Mas na imagem, o júbilo de um sonho ausente,
O Visconde e sua dama, ali presentes.

Ó musa em preto e branco, flor desvanecida,
Que outrora seria a esposa, a companheira querida,
Agora és um eco de beleza e dor,
Um retrato de saudade, um eterno amor.

No escuro véu que o tempo tece,
Ainda brilha a luz que nunca perece,
Pois nas tumbas de York, ali estará,
A noiva cadáver que não voltará.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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O Palhaço em mim

À noite estava no Parque a andar, | Havia um palhaço estranho a me olhar, | Mudo, seu rosto pálido e inquieto, | Com gestos lentos, fala em seu dialeto…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

À noite estava no Parque a andar,
Havia um palhaço estranho a me olhar,
Mudo, seu rosto pálido e inquieto,
Com gestos lentos, fala em seu dialeto.
Os olhos, vazios de som e de cor,
Clamam em silêncio, como o vento em torpor,
Um aviso sombrio, um enigma no ar:
— Não é o que parece, há algo a falhar.
Seus dedos finos desenham no ar,
Um perigo que se aproxima; um mal a rondar,
Mas ele não aponta, não grita, não chama,
Apenas reflete, apenas reclama.
O vento gela, o tempo parece parar,
A angústia aperta, já não consigo respirar.
Tento entender o que ele quer me mostrar,
Mas o eco do silêncio começa a gritar.
De repente, o palhaço dá um giro no espaço,
E seu reflexo, um espelho em pedaços, traz-me o compasso.
Eu me vejo nele, sou eu o perigo,
Eu sou o palhaço, sou o meu castigo.
As máscaras caem, e a verdade ecoa:
Eu sou o monstro que o silêncio entoa.
O parque se dissolve, a noite me consome,
E no mudo palhaço, descubro meu nome.
Agora sei, no vazio a vagar,
O perigo sou eu, a me espreitar.

Texto publicado no Desafio Sombrio 2024 do Castelo Drácula. Em outubro de 2024. → Ler o desafio completo

 
 

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Samhain (Ode)

Noite sagrada, quando as bruxas dançam, | Sob a lua cheia, o mistério avança. | Samhain desperta o poder oculto, | Portais se abrem, o véu é dissoluto…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Noite sagrada, quando as bruxas dançam,
Sob a lua cheia, o mistério avança.
Samhain desperta o poder oculto,
Portais se abrem, o véu é dissoluto. 

Nos círculos mágicos, sob estrelas e astros,
As chamas do caldeirão tremulam no tempo.
Invocamos os espíritos, guias e anciãos,
Em sussurros antigos e cânticos pagãos.

A terra estremece, a morte floresce,
No coração da bruxa, o saber permanece
Ervas e runas, o inverno virá,
O ciclo sagrado; a água, a terra, o fogo e o ar.

Na escuridão, tecemos encantamentos,
Abraçamos a noite, seus segredos atentos.
A alma é livre, atravessa os planos,
Entre o que somos e o que fomos há anos.

Ó Samhain, portal entre mundos profundos,
Onde as sombras e a luz se fundem sem fim.
Celebramos a morte que renova os segundos,
E a magia que vive eternamente em mim. 

As bruxas entoam seu cântico de poder,
Entre teias de estrelas e o luar a crescer.
Neste Sabá, o renascer floresce,
Enquanto o poder ancestral fortalece.

Texto publicado na Edição 10 - Aborom, do Castelo Drácula. Datado de outubro de 2024. → Ler edição completa

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El Pesanta

En sombras de la noche, a tientas va, | silente entre los sueños, cruel es su andar, | un ser de pesadumbre y de pesar, | que roba al corazón su calma ya...

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

En sombras de la noche, a tientas va,
silente entre los sueños, cruel es su andar,
un ser de pesadumbre y de pesar,
que roba al corazón su calma ya.

Con manos de ceniza, al alma da
un peso inquebrantable, un hondo mar,
respiración cortada, turbio azar,
el eco de un gemido al despertar.

Es él, el Pesanta, Señor del miedo,
que oprime los pechos con fría patada,
y siembra en la penumbra su desvelo.

Mas cuando el alba rompe con su fuego,
se disipa el terror, su forma niebla,
dejando solo sombras en su sueño.

Texto publicado na 9ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de setembro de 2024. → Ler edição completa

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