Dilacerante
No dia que o revés lhe bate à porta, | ele escuta a notícia lastimável | e implacável de que ela agora é morta, | que jaz num mausoléu inviolável….
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
No dia que o revés lhe bate à porta,
ele escuta a notícia lastimável
e implacável de que ela agora é morta,
que jaz num mausoléu inviolável.
Alucinado pela dor pungente,
nada pensa senão da perda o horror
e obedece ao infeliz rapidamente
a loucura que pede o seu amor:
Na ânsia de ver sua vestal preclara,
chega ao jazigo em pressurosos passos,
quebra o mármore impérvio que separa
os dois, deixando, como ele, em pedaços
o féretro de sua bela amante
para ver novamente o seu semblante,
para mais uma vez tê-la em seus braços.
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Olhos petrificados e | Boca gélida, | De um vermelho desbotado. | Vestes amarrotadas | Ligeiramente forçadas, | Mas sem sucesso. | Cabelos sujos | Cobrindo…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Olhos petrificados e
Boca gélida,
De um vermelho desbotado.
Vestes amarrotadas
Ligeiramente forçadas,
Mas sem sucesso.
Cabelos sujos
Cobrindo, no chão
Sangue e musgos.
Face bela
Talvez outrora
Sonhaste com ela.
Se questionado,
Ou até mesmo me importado
Lamentaria o seu fim.
Mas me prendi nos desenhos,
Naturalmente formados
Por seu sangue carmesim.
Deitada ao chão
Fria ao pé d’uma árvore
Sinto que me chamam, seus olhos de cadáver.
Encosto minha cabeça à sua
E completamente nua
Ela pula para o ataque.
Foi uma emboscada
De inspetor fui à vítima
Encerrando minha jornada.
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Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Suas veias azuladas
As mesmas que via em mim
Sob um sol frio e pálido
As últimas lembranças que me restam de ti.
Na fúria eu cravei
Minhas presas em sua vida
Como uma tola saboreei
Todo o líquido que de ti escorria.
Sob um inferno congelado
Quis padecer pouco a pouco
Sua tez cadavérica
Se opõe a seu gosto doce.
Num dúbio delírio
Te arranquei a mocidade
Bebi sua inocência
Mas te carregarei pela eternidade.
Como o preço pelos meus pecados
Tê-la-ei para sempre em meus lábios
Viva em meus pensamentos,
Sua fria face de pouca idade.
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Prefiro aquele sono atormentado | por ogros e por bestas, pelo cão | sinistro e escuro, pela aparição | de tudo que é perverso e desolado | do que sonhar d’Arcádia o…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Prefiro aquele sono atormentado
por ogros e por bestas, pelo cão
sinistro e escuro, pela aparição
de tudo que é perverso e desolado
do que sonhar d’Arcádia o campo amado
das ninfas e dos faunos, da canção
de Febo, deus do som e do clarão
imenso, deus vidente-iluminado.
O sono de terror, quando termina,
dilui-se no raio que ilumina
a mente quando morre a madrugada.
Mas quando do prazer desperta o sono
e o peito enfim percebe este abandono,
levanta-se a viver um grande Nada!
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As horas de clareza vão findando, | o Sol de face rubra já declina, | as sombras reinam sobre ramo e folha, | a Lua azul aos poucos se revela. | Constelações…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
As horas de clareza vão findando,
o Sol de face rubra já declina,
as sombras reinam sobre ramo e folha,
a Lua azul aos poucos se revela.
Constelações se mostram no vazio,
estrelas desenhando as formas delas,
luzindo, ainda que mortas há milênios,
o mesmo fogo astral, era após era.
E ao contemplar os pontos desse abismo
surgiu em mim um lúgubre conforto:
saber que a mesma forma e o mesmo brilho
hão de luzir quando eu estiver morto…
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Quantas são as declarações tardias? | Quantas confissões guardadas no peito? | Quantas vezes não se tira proveito, | E dá-se lugar a insossos "bons dias"?…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
Quantas são as declarações tardias?
Quantas confissões guardadas no peito?
Quantas vezes não se tira proveito,
E dá-se lugar a insossos "bons dias"?
Há verdades que nunca são faladas,
Relações que a vergonha e o orgulho impedem;
Potenciais relações nunca iniciadas,
Olhares que se cruzam... e se perdem.
Coisas assim ocorrem diariamente,
Sentimentos reais sendo enterrados,
Suspeitos apegos sendo negados,
Paixões existindo secretamente.
Um coração que jamais se insinua,
Que enganando-se a bater continua.
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A languidez dos teus escárnios | Purificam minha pele | A aspereza me incomoda | E chove agora lá fora. | Minhas lágrimas incendeiam…
Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney
A languidez dos teus escárnios
Purificam minha pele
A aspereza me incomoda
E chove agora lá fora.
Minhas lágrimas incendeiam
A chama que eu mantinha acesa
Na espera do teu toque gélido
Teus dedos alongados me torturam.
Seja meu mestre
Seja meu dono
Apenas seja meu
Meu doce vampiro.
Sou aquele que absorto nas tuas presas
Sinto o frescor do teu hálito
Exalando em mim o mais puro amor
Envolva-me em teus braços da morte.