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Noites de Vidro

Olhos que me enxergam através do tempo, lamúrias de almas perdidas na cidade dos rejeitados, a floresta grita sob o vento de tempestade…

Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula

Olhos que me enxergam através do tempo, lamúrias de almas perdidas na cidade dos rejeitados, a floresta grita sob o vento de tempestade, mas você não ouve mais nada. Desenvolva suas desculpas elaboradamente, cuidadosamente, sem negar suas emoções, sem negligenciar suas ações, pois o grande juiz te observa atentamente sobre a pilha de crânios daqueles que foram sentenciados. 

Mil formas distorcidas de amor eterno, mil formas retorcidas de amor real, mil formas esquecidas de amor mortal. Não existe caminho sem volta quando o destino não passa de um sonho interrompido no meio da noite, pelo som do choque de um automóvel em alta velocidade contra a parede de uma boate interditada. Carne, sangue e aço. Deite sua cabeça em meu colo e me deixe alisar seus cabelos úmidos. 

Abri a caixa de sapatos empoeirada e arranquei o rosto das velhas fotografias que hibernavam em seu interior. Momentos congelados no tempo, memórias aprisionadas em eterna estagnação. Provas irrefutáveis de um pedaço do fluxo constante de pequenas conexões que chamamos vida. A pergunta não formulada ainda vai te matar.

Texto publicado na 7ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de julho de 2024. → Ler edição completa

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Sepulcral

Profundo silêncio entre os vestígios de vida sob o manto da madrugada. Se somente vozes fossem ouvidas, o que elas diriam? Com quem se confessariam?…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Profundo silêncio entre os vestígios de vida sob o manto da madrugada. Se somente vozes fossem ouvidas, o que elas diriam? Com quem se confessariam? Pecados apagados como arte herege dos templos de um deus-demônio de alguma religião morta, como de fato são todas as religiões.

Não sinto o chamado do fogo, nem o canto do vento, mas escuto o ressoar de asas e risos quase infantis emergindo das sombras. Queria poder viver em seus olhos de novo. Percorrer com meus tentáculos sua pele de novo. Mas o tempo, tão morto como morto é o desejo na rotina, é imparável.

Quebram os sinos da antiga catedral com seus bancos empoeirados, e sua congregação de fantasmas cantando em coro o hino das lamentações. O que dizer a uma mãe cujo filho está em pedaços em seus braços? O que dizer a um anjo irado na iminência de fazer arder uma cidade? 

O fim de todas as coisas é inevitável, por vezes até desejado, entre mentiras banais e verdades inconvenientes temos somente a certeza da passagem.

Eu te amo, eu te odeio, você atravessa minha janela fechada e arrasta as velhas cadeiras me acordando à noite. Sinto o cheiro da sua pele e seu hálito frio no meu rosto. Dançando sobre os retalhos de meus sonhos, velhos sonhos, misturados com vestígio de uma vida que não tive, de uma existência inventada

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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