Sangue
Sangue. | Lápide fria | Noite escura, céu acima. | Sangue. | Você me abomina | Mas suas vísceras são minhas. | Sangue. | Seu carmesim cintilante | Colore o cemitério…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Sangue.
Lápide fria
Noite escura, céu acima.
Sangue.
Você me abomina
Mas suas vísceras são minhas.
Sangue.
Seu carmesim cintilante
Colore o cemitério neste instante
Anjos choram pela inocência
Profanam minha existência
Mas ela os devora
Sangue.
Um olhar mais acima...
A garotinha é minha!
Sangue.
Debaixo de uma cruz
A pele pálida reluz.
Sangue.
O túmulo cinza me suplica
“Dance para mim, querida”
Sangre...
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A Luz se Apaga
Majestosa, | Brilhante e inigualável estrela no céu. | Reinando em um mar de escuridão | Mas impiedosa, | Tão bela quanto cruel. | Tomou meus olhos…
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Majestosa,
Brilhante e inigualável estrela no céu.
Reinando em um mar de escuridão
Mas impiedosa,
Tão bela quanto cruel.
Tomou meus olhos
Meu corpo e espírito.
Elevou-me a mais linda visão
Para em seguida abandonar-me
Na escura solidão.
Não era vida
O que eu via.
Sua morte brilhava
Iluminando um negro céu.
Não era vida
O que eu sentia.
Era o último suspiro
De quem jazia a sabor de mel.
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Dissoluções
Desfalecem os sonhos | Que sucumbem à incompleteza | Em grandes ondas, | No profundo mar da inconstância | Naufraga impotente a nau da incerteza…
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Desfalecem os sonhos
Que sucumbem à incompleteza
Em grandes ondas,
No profundo mar da inconstância
Naufraga impotente a nau da incerteza
Agoniza o sonho de vil substância
Dissolve nas águas como um papel delicado
O frágil objeto de laços estreitos
Carregando fragmentos de sonhos desfeitos
Nas fluidas correntes do mar agitado
Leva o coração de um sonhador acordado
Até, por fim, encontrar no éter defeitos
Há um doido a nadar nestas águas
No licor de negrume do fosco luar
Se debatendo entre velhas resíduas
Golpeia a superfície escura do mar.
Luta valente com golpes fantásticos
E a lua aberta, mãe dos lunáticos,
Severa assiste seu filho afogar
Que salvem ele, ó navegantes!
Tirem ele deste mar de espinhos!
Mas se for para que volte a ser como antes
Deixemos então que se mate sozinho!
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Espólios
O chão de mortes rubro e corpos cheio | (Vedado por metais, escudos falhos), | Por nuvens de abutres carniceiros | Agora é posto em sombras, surgem vários…
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O chão de mortes rubro e corpos cheio
(Vedado por metais, escudos falhos),
Por nuvens de abutres carniceiros
Agora é posto em sombras, surgem vários
Girando em asas torpes, altaneiros
— Selado o fim da guerra, de mortais —,
Até que um voo rasante, já sem medo,
No vão mais degradante ele decai.
Saltit‘entre o despojo abandonado;
Mordisca a parte sua da mortalha —
Vitória sem lesão, nenhum ataque.
Banquete assim aberto, assinalado…
De sobra a fosca pilha de medalhas —
Sem brilho e de valor menor que a carne.
Leia mais em “Poesias”:
Cosmo Soturno
caminho pela escuridão da noite | tentando imaginar minha vida | sem a correnteza das águas que | caem abundantemente em sua face…
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caminho pela escuridão da noite
tentando imaginar minha vida
sem a correnteza das águas que
caem abundantemente em sua face
tê-la em meus braços fora o
único momento bom deste
viver melancólico e sombrio
que arrastei por todos os anos
neste corpo gélido, não sinto mais
a força pulsante dos mares de
sangue que fluem inundando
minha soturna existência
às sombras arrancaram de mim
toda a solidão cravada em meu peito
lançando em um abismo obscuro
o mal sedento e submerso por ti
onde estou ainda consigo ouvir
tuas súplicas arrependidas e
desesperadas por mim
clamando por meu retorno
lançado em um universo onde
as trevas devoram minha alma
suplico em meus devaneios para quê
a solitude em meu peito aproxime nossas almas.
Leia mais em “Poesias”
Entropia
Todas profundas marcas que deixaste em mim | São tão irremovíveis quanto a dor que sinto… | Por isso, em lutar por ti eu não mais insisto: | Que o Cosmos…
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Todas profundas marcas que deixaste em mim
São tão irremovíveis quanto a dor que sinto…
Por isso, em lutar por ti eu não mais insisto:
Que o Cosmos se dedique a nos juntar, enfim!
Na aglutinação dos astros com os insetos,
Quando os organismos todos verem, unidos,
A chegada de apocalípticos cometas...
Então a hecatombe final do universo
Vai me unir a teu amor não correspondido
Em seus próprios detritos de sóis e planetas…
Leia mais em “Poesias”:
Tempus Fugit III
Alguém verá esta noite, que estrelada, | A sós vislumbro em toda a imensidão? | E mesmo que a perceba agraciada | Compreende seu sabor de solidão? …
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Alguém verá esta noite, que estrelada,
A sós vislumbro em toda a imensidão?
E mesmo que a perceba agraciada
Compreende seu sabor de solidão?
Alguém, sentindo a aragem tão sutil,
Enquanto a escuridão é mui soturna,
Talvez encontre lá, sentidos mil,
Os quais estão, p’ra mim, na fé sonurna...
Ó, quanta vastidão, do firmamento,
Assombra, pois, infinitesimal,
Mui faz do meu haver — triste relento;
Soterro-me em vazio adagial...
— O sopro d’uma vida passadiça —
Andar errante à sombra fronteiriça
Das horas no relógio arterial.
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Sonuras de Áurea Lihran: Fragmentada
Estás n’est’alma lôbrega tão minha, | Resides ou, quiçá, no corpo meu? | Silente agora, vens cruzar a linha | Que tênue marca em mim o sangue teu?
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Estás n’est’alma lôbrega tão minha,
Resides ou, quiçá, no corpo meu?
Silente agora, vens cruzar a linha
Que tênue marca em mim o sangue teu?
Sondando n’estes livros, no ancestral,
Quaisquer dos mais vis ritos, pois confesso
Que estar em fragmentos e imortal
É mórbido p’ra mim… horror excesso!
“Escreva, minha bela Aesatt, que sei
As faces da tua judas-pretensão;
Protejo-te nas trevas quais sou rei
E morro co’a tua afável gratidão…”
Irônica a tua voz grave a verter,
Escuto e então silente faz-se ser
Por noites… Seth… volta, maldição!