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Soneto da possibilidade

Tivéssemos mantido uma amizade, | Um algo a mais que um ínfimo contato… | Possivelmente além de aproximados, | Bem mais…

MidjourneyAI

Tivéssemos mantido uma amizade,
Um algo a mais que um ínfimo contato…
Possivelmente além de aproximados,
Bem mais que apenas íntimos, quem sabe…

Seríamos, talvez, uma metade
Faltante para o outro incompletado…
Com quem distribuir o peso e parte
Das nossas confissões não fosse um fardo…

Um braço para descansar o corpo
Feliz ao encontrar seu lado oposto…
Seria assim conosco tão mais fácil.

Agora, nada disso dividimos;
Por duas direções nós dois seguimos,
E penso que somente um tenha errado…

Soneto publicado na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa
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Void

De tudo o fim somente é garantia, | Certeza inevitável do incompleto — |  Um fio de luz que haja, e, sem saídas, | Retorna…

Arte de Glauco Moura

De tudo o fim somente é garantia,
Certeza inevitável do incompleto — 
Um fio de luz que haja, e, sem saídas,
Retorna ele a seguir ao ponto zero.

Um prêmio antes mesmo da conquista,
Fortuna a todos paga (sempre a crédito):
Poder ambicionar enquanto as vistas
Conseguem distinguir se longe ou perto…

Nas imaginações um ominoso
Destino, solitário, pesaroso — 
Razão deste desvio que dele fazem…

Talvez, amor à própria natureza;
Um tipo de resguardo, de defesa,
Temendo o vir a ser de algo que acabe…

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Sobre o Artista Convidado - Ed. 1, Janeiro de 2024 - Castelo Drácula

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Ingenuidade

Perfeita!… Assim mantenha, não se mova! | Não há de ser difícil tal retrato… | Procure observar o resultado…

Perfeita!… Assim mantenha, não se mova!
Não há de ser difícil tal retrato…
Procure observar o resultado
Com base na postura que impressiona…

Tão fácil que ninguém mais se questiona
Por que louvar o que já está fadado
A se perder… Pois não?! Então suponha:
Não fora aquele caco um dia um vaso?

Objeto de valor e de consumo,
De chamativas cores e rotundo,
Mas hoje ali num canto, só, quebrado…

Não quer a foto mais? Okay… desculpe…
Por mal não quis dizer, mas… se pergunte:
Não somos todos feitos desse barro?…

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Ciclos

Deixada em um canteiro a flor de outrora, | Germina ao lado um pé de nova estima… | Nas elucubrações ela se enrosca …

Deixada em um canteiro a flor de outrora,
Germina ao lado um pé de nova estima…
Nas elucubrações ela se enrosca — 
Por outra mão talvez apetecida…

Mas nada pra evitar que seja agora
Presente nesta interminável lista
De espécimes que a cada dia engrossa:
Da mais comum à rara, menos vista…

Tentar à parte vê-la de seu meio,
Colhê-la para si de seu herbário — 
Poeta pela flor desesperado…

Por ela dispersar o próprio tempo…
Perder a mão, falhar no seu manejo — 
Poeta pela flor espezinhado…

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Arrependimento (baseado no conto de mesmo nome de Guy de Maupassant)

Saval, num dia triste de outono, | Passando a limpo toda a sua história…

Retrato de Guy de Maupassant fotografado por Nadar.

Saval, num dia triste de outono,
Passando a limpo toda a sua história:
O ponto ao qual chegara, com desgosto
Sessenta anos de vida ele recorda…

Três décadas atrás, os dois andando…
Sra. Sandres nele se encostava;
Seus rostos, ao se proteger dos ramos…
Olhares que ela certamente dava…

Atravessou a rua em desespero,
As dúvidas solucionar querendo:
“O que faria se eu tivesse ousado?”

“Cedido eu lá teria, meu querido” — 
Saval correu pro Sena, atordoado;
Sentou-se e lá chorou, arrependido…

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Escrito por Thiago Amorim, -Poesias, -Sonetos Castelo Drácula Escrito por Thiago Amorim, -Poesias, -Sonetos Castelo Drácula

Pacto

Ergue o olhar ao céu de turno em turno 
a consultar um livro atentamente, 
assim é que ela aguarda paciente…

Foto de Akira Eshi

Ergue o olhar ao céu de turno em turno 
a consultar um livro atentamente, 
assim é que ela aguarda paciente 
os astros alinharem-se a Saturno. 

À densa mata adentra facilmente 
a fim de ter com seu fauno noturno 
e por um canto crebro, assaz soturno, 
seu ritual começa diligente: 

Traça-lhe a estrela ao chão e amor lhe jura 
numa gota de sangue, sobretudo; 
dança em transe despida e, nesta altura, 

gargalha e então blasfema, faz de tudo 
a pobre ninfa, como que em loucura, 
no afã de pertencer ao seu chifrudo.

Poema publicado na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa

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Todos Iguais

Neste lugar de paz e de saudade, 
a dura realidade se comprova, 
em cada tumba aberta se renova…

Foto de JF Martin

Neste lugar de paz e de saudade, 
a dura realidade se comprova, 
em cada tumba aberta se renova 
aos olhos de quem vive uma verdade: 

Os homens têm aqui estranha prova 
da fé que lhes confia a eternidade; 
jazem no horror de sua vaidade, 
reduzidos à escuridão da cova. 

Notam aqui a sua irrelevância 
aqueles que se julgam maiorais 
nesta mesma devida circunstância; 

despidos dos seus bens materiais, 
veem, a despeito de sua arrogância, 
o quanto todos são na morte iguais. 

Poema publicado na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa
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