Carta à Anfitriã

Ao longo destes dois anos, abri um edital perfeitamente editorial. Entretanto, notei muitas inscrições sem alma, pessoas que escrevem qualquer coisa, sem cuidar ou dar valor às palavras. Por isso, agora, se te apetece adentrar este umbral, terás de escrever-me uma carta. Apresente-se, mostre sua literatura. Eu, como anfitriã, terei de ser convencida, pela tua genialidade com as palavras, de que tua alma esteve, desde o princípio, destinada a este pacto.

Uma carta não é símil a uma mensagem digital, embora seja enviada pelo mesmo meio. Se dedicares dez minutos para escrevê-la, saiba que alguns dedicarão 1 hora... ou 2 horas... e eu, amante que sou das sílabas, tenho fascínio por leituras bem lapidadas — não necessariamente difíceis, nem prolixas de modo inútil. Aprecio, acima de tudo, leituras intrigantes e originais.

Em palavras mais objetivas, tu terás que escrever uma carta literária, apresentando a si e a tua escrita. Escreva sobre as razões que te atraem para tal residência tão erma e distinta; escreva sobre quais autores do projeto você mais lê. Seu conhecimento sobre nós será importante para que eu te responda com “boas-vindas ao Castelo Drácula”.

Não tenha medo, meu coração pode ser um mausoléu de terra, pedras e briófitas, mas nele crescem fragrantes lírios em abundância e, se bem conheço esta flora, ela jamais se proliferaria em solos daninhos.

Com apreço,
A Anfitriã: Sahra Melihssa