Escrito por Thiago Amorim, -Poesias Castelo Drácula Escrito por Thiago Amorim, -Poesias Castelo Drácula

O Que Importa

A vida é curta, disse-lhe a ciência. | Curta demais para dizer um não... | Tão curta que só de pensar na ausência | sente Isabel pesar o coração…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Em homenagem a Isabel Veloso.

A vida é curta, disse-lhe a ciência.
Curta demais para dizer um não...
Tão curta que só de pensar na ausência
sente Isabel pesar o coração.

Porém, percebe que o Amor lhe traz
nesta fatalidade algum alento:
em todo abraço goza de uma paz
que não achou no seu medicamento.

Que importa se o pesar da alma lhe agita,
se qualquer primavera que lhe fita
a dor quer transformar em duro inverno...

Que mais importa? Importa-lhe viver
o milagre de amar e de fazer
que cada curto dia seja eterno.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa

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Um rosto trágico III

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida | Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação | Em volta, apenas olhos, viaturas; | No ar, a curiosa exclamação:…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida
Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação
Em volta, apenas olhos, viaturas;
No ar, a curiosa exclamação:

“Coragem pra saltar daquela altura!”
Diziam, como se a motivação 
Daquela agora morta “criatura”
Passasse por igual preocupação…

Quem visse em vida o homem — já extinto,
Vagando qual anônimo indigente —,
Incerto é que previsse aquele estado…

Ainda mais depois de ver sorrindo
A face no retrato adolescente
(Achado no seu bolso), acompanhado…

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Valsa dos desesperados

Em vermelho sangue | Com letras douradas e brilhantes. | O envelope revela | Meu nome. | Um fascinante convite. | Daquele por quem | Secretamente…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Em vermelho sangue
Com letras douradas e brilhantes.
O envelope revela
Meu nome.

Um fascinante convite.
Daquele por quem
Secretamente cultuo
Sentimentos obscuros.

Na hora exata
Trajada e mascarada 
Sou recebida 
No grande evento

No vai e vem de passos precisos
A alma saboreia, 
enquanto desliso
Por entre corpos rendidos.

Nessa valsa dos desesperados
Sou rainha no abate
Rompendo as cordas da vida
Veias essas, tão fininhas.

No ápice da Lua Cheia 
À meia-noite nos juntamos.
Em um grande banquete, brindamos
Liquor-carmesim.
Mas quando a música se finda
E o último acorde se desfaz.
Às três da manhã, em fim.
Para meu leito, devo seguir.

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Fio Invisível

Caminhar sobre um fio invisível | Como se disso, | Dependesse minha vida | É o mesmo que engolir mil facas | E não querer sangrar…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Caminhar sobre um fio invisível
Como se disso,
Dependesse minha vida
É o mesmo que engolir mil facas
E não querer sangrar.

Não me diga para ir deitar
O repouso não é privilégio por aqui
Quem descansa,
Padece.

Costurar feridas não é opção.
Os cortes são profundos demais 
Para que uma simples linha
Possa-o estancar...

Não chore,
A carne já morreu
Não deixe que morram também as lembranças.

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Vivendo nas sombras

Vivendo nas sombras | Rastejando pela escuridão | Sinto pedaços de mim | Se desprenderem pelo caminho. | Sentimentos petrificados…

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Vivendo nas sombras
Rastejando pela escuridão
Sinto pedaços de mim
Se desprenderem pelo caminho.

Sentimentos petrificados
Alma atormentada
Se contorcendo em agonia,
Sufocada...

Não suporta a luz
A dor te envolve e encurrala,
Mas, com muita sorte,
Hoje encontra a morte.

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Um rosto trágico II

De viés, sutil, no canto da avenida, | Entre os gritos e a pressa dos passantes, | Vê-se a figura triste, e num instante | Ela desaparece, na surdina…

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De viés, sutil, no canto da avenida,
Entre os gritos e a pressa dos passantes,
Vê-se a figura triste, e num instante
Ela desaparece, na surdina.

Corre junto à calçada, sempre avante;
Qual fuga de um ladrão, vai rua acima;
Detém-se então cansado; numa esquina
Tem agitado o peito, angustiante.

Resulta ali a dor de tantos dias,
A decisão que teve agora, enfim,
Depois de resistir por tantas vezes...

Não quis nem optar por outras vias:
Subiu no prédio… acaba tudo assim,
Com trinta e poucos anos e alguns meses.

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Um rosto trágico I

Melancolicamente, ele saiu... | Precisava comer alguma coisa… | Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça, | Por favor… meu estômago vazio...

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Melancolicamente, ele saiu...
Precisava comer alguma coisa…
Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça,
Por favor… meu estômago vazio...

Faz dias que eu não como... nem me mexo...
É como se uma sombra me impedisse,
Como se um ser maligno em casa eu visse,
E me dissesse que comer não devo..."

A mulher o escutava com assombro,
E ao fim daquela inusitada história
Entregou a ele um pouco de comida;

Ao vê-lo sair, estranhou seus ombros...
A postura inclinada de suas costas
Era a de alguém pisado pela vida…

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Mistério

Vê, meu amigo, a dor deste lugar... | Que figura se mostra ao teu olhar, | da qual podes dizer: esta conheço!? | Qual nome hoje se mostra à sepultura…

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Vampira, bruxa ou só uma alma errante
que dança flutuando no salão?
A valsa corre num pulsar vibrante
e lá com ela vai meu coração.

Baila, conversa e ri... Eu, invisível,
ao seu encontro vou de peito aberto.
Louco – digo comigo – é impossível...
e, contra esta razão, chego mais perto.

Seu semblante não vejo... eu, entretanto, 
com firmeza vos digo que ela é bela,
porque as janelas da alma dão o encanto:
o que a máscara oculta o olhar revela.

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Fantasiando Finado

Pisoteado por esqueletos | Corvos crocitando | Lápides quebrando | Uma festa em meu enterro…

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Pisoteado por esqueletos
Corvos crocitando
Lápides quebrando
Uma festa em meu enterro.

Rostos sorrateiros
Na espreita de uma fortuna
A qual maliciada
Em minha longa vida dura.

Padeci em braços estranhos
Minha existência foi um engano
Consumido por doses diárias
Patológicas de um insano.

O solo precavido de ruínas
Que outrora despertadas
De um sono longínquo
Um temível pesadelo.

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Lete

Vê, meu amigo, a dor deste lugar... | Que figura se mostra ao teu olhar, | da qual podes dizer: esta conheço!? | Qual nome hoje se mostra à sepultura…

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Vê, meu amigo, a dor deste lugar...
Que figura se mostra ao teu olhar,
da qual podes dizer: esta conheço!?
Qual nome hoje se mostra à sepultura
gravado pelo choro da amargura
que goza da memória algum apreço?

Que buscas, meu poeta, além da morte?
Uma esperança vã que te conforte
quando for a tua alma recolhida?
Do nada vieste e hás de tornar ao nada.
Tua tumba será sempre gelada,
escura e, como as outras, esquecida.

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