Sonuras de Áurea Lihran: Fragmentada
Estás n’est’alma lôbrega tão minha, | Resides ou, quiçá, no corpo meu? | Silente agora, vens cruzar a linha | Que tênue marca em mim o sangue teu?
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Estás n’est’alma lôbrega tão minha,
Resides ou, quiçá, no corpo meu?
Silente agora, vens cruzar a linha
Que tênue marca em mim o sangue teu?
Sondando n’estes livros, no ancestral,
Quaisquer dos mais vis ritos, pois confesso
Que estar em fragmentos e imortal
É mórbido p’ra mim… horror excesso!
“Escreva, minha bela Aesatt, que sei
As faces da tua judas-pretensão;
Protejo-te nas trevas quais sou rei
E morro co’a tua afável gratidão…”
Irônica a tua voz grave a verter,
Escuto e então silente faz-se ser
Por noites… Seth… volta, maldição!
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Promessa de Solstício
Amado, esta invernia quando vem, | Na tua serenidade apaziguante, | Almejo o aconchego que nos tem | Somente em nosso leito lacrimante;…
Imagem criada e editada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula
Amado, esta invernia quando vem,
Na tua serenidade apaziguante,
Almejo o aconchego que nos tem
Somente em nosso leito lacrimante;
No peito teu deitar-me aquecida
E penso: a eternidade fulgurante
Protege nosso amor e faz da vida
Promessa de um só vínculo constante;
Tu me és tenro perfume de memórias
Em tanto formidáveis, por cuidado,
És lume, amor, p’ra toda a nossa história…
Segredas-me que estás propositado
A ouvir-me parolando as minhas juras,
Zelando, assim, sereno a mi’a candura…
Promete sempre estar, pois, ao meu lado?